Traduções Crédulas: As Doutrinas Bíblicas da Graça, por Brian Abasciano (INDEX)

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Mais índices!

Este aqui é recente, está saindo do forno do grupo SEA! Trata-se de um sumário bastante completo da teologia arminiana, com seu acrônimo FACTS. Para quem sentia falta de algo centralizado e com farta argumentação escritural, eis a sua salvação!

Como no estilo de índices, eu não colocarei todos os links de uma vez, apenas os seus títulos. De qualquer forma, puxe a aba e leia com carinho! Continuar lendo

Traduções Crédulas: A Extensão da Morte Espiritual

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Chris Chapman traz um texto bastante elucidativo acerca da morte espiritual, e da fraca analogia feita pelos calvinistas acerca da sua teoria de incapacidade total – a ideia de que uma graça resistível (ou, como eu costumo afirmar, ‘extrinsecamente eficaz’) é incapaz de trazer o homem para perto de Deus, e serve para/tem como propósito somente aumentar sua condenação – um nonsense tipicamente calvinista.

É apenas o velho argumento de ‘morto não fala, morto não ouve’, que já comentei doutras vezes 🙂 Enfim, leiam e reflitam!

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Traduções Crédulas: A Ordem da Fé e Eleição no Evangelho de João: Vós não credes pois não sois das minhas ovelhas – II.A

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Parte II – Quem Pode Vir à Fé Em Cristo?

A. As Condições Suficientes no Evangelho de João: Observações Preliminares

Vamos começar reconsiderando as condições suficientes para vir à fé que são apresentadas por Jesus no Evangelho de João. As condições suficientes para vir à fé em Cristo são apresentadas por Jesus no Evangelho de João. As condições suficientes para vir à fé em Cristo apresentadas no Evangelho de João ocorrem em quatro passagens principais  6:25-70, 8:12-59, 9:40-10:21, e 17:1-26. Cada uma das três primeiras passagens descreve uma confrontação (ou série de confrontações) entre Jesus e os judeus, muitos dos quais eram resistentes ao Seu ensino (conf. 6:26,36,41-42,52,66; 8:13,33,37,40,45,48-49,52,59; 9:40; 10:20). Tais conversações entre Jesus e os judeus formam a espinha dorsal dos primeiros doze capítulos do Evangelho de João que precedem o Discurso do Cenáculo (contendo a quarta passagem em questão, 17:1-26, a Oração Sacerdotal) e os eventos da Paixão de Jesus. A principal questão recorrente no desenrolar do livro, especialmente nos primeiros doze capítulos, concerne a identidade de Jesus. Quem Ele é? É o Cristo – o Messias – ou outro alguém? A persistente repetição de Jesus ao longo disto é que Ele é, de fato, o prometido Messias que viria ou seria enviado pelo Pai no Céu (1:9,14; 3:2,13,17,19,31,34; 4:25-26,34; 5:23-24,36,38,43; 6:29,32-33,44,46,51,57,62; 7:16,18,28-29,33; 8:14,16,18,23,26,29,38,42; 9:4; 10:36; 11:27,42; 12:44-46,49; 13:3,20; 15:21; 16:5,28,30; 17:8,18,21,23,25; 20:21). A assertiva de Jesus é posta em contraste com as dúvidas sobre Ele expressas por muito de Israel, em especial os líderes religiosos. De fato, muitas das pessoas comuns ao que parece observavam os líderes para esclarecimento neste assunto, se impressionando que os líderes tenham concluído que Jesus era o Cristo (7:25-26). Muitos dos líderes, porém, foram insistentes em seu desejo de não dar qualquer aparência de terem aceito as assertivas de Jesus (7:47-49; 9:27-29; 19:15; conf. tb. 9:16).

É no contexto destes diálogos com os judeus que Jesus apresentou as condições suficientes e necessárias para vir em fé a Ele como uma maneira de explicar o contraste entre aquele que aceitavam e seguiam Ele como o Messias e aqueles que se recusavam a tal. Considere primeiro as palavras de Jesus aos judeus de que “Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus; portanto vós não as ouvis porque não sois de Deus” (8:47). Como discutido acima, este é um dos versos críticos nos quais Jesus afirma uma condição suficiente para ter fé nEle, a saber, “pertencer a Deus”. Como tal, a afirmação de Jesus aqui paraleliza suas palavras em 10:26 de que “Mas vós não credes, porque não sois de minhas ovelhas[…]”. Cada um deses versos apresenta uma condição de identidade em quem pode vir à fé em Jesus, a saber, aqueles que são filhos de Deus (isto é, “pertencem a Deus”) e aqueles que são ovelhas de Cristo. Em cada caso, apenas aqueles que satisfazem a dada identidade participam do resultado final, a saber, “ouvir as palavras de Deus” (8:47) ou “crer” (10:26). O forte paralelismo entre estes versos sugere que a palavra “ouvir” em 8:47 tem significado igualado a “crer” em 10:26. Quer dizer, “ouvir” não se refere simplesmente à sua percepção ou entendimento das palavras de Jesus, mas a ouvir no sentido de receber e crer nas Suas palavras.

Porém, mesmo isto não é o suficiente, porque o contexto de 8:47 nos informa que os judeus os quais Jesus declarou nesta passagem que não podiam “ouvi-Lo” já haviam de fato “posto sua fé nEle” e “crido nEle” (8:30-31). Devemos concluir que a “fé” e “crença” deles era em algum sentido deficiente e não se igualava a terem verdadeiramente “ouvido” Jesus. Este paradoxo se clareia enquanto seguimos a passagem: quando Jesus desafiou estes mesmos judeus a demonstrarem a validade da sua fé “aderindo” ao seu ensino e então provando que de fato eram seus discípulos (verso 31), com o resultado de que eles “conheceriam a verdade” e seriam libertos (verso 32), eles começaram a resistir à autoridade de Jesus e insistiram que eles sempre foram livres filhos de Abraão (verso 33) e em último caso, filhos de Deus (verso 41). Neste ponto Jesus disputou a alegação deles, argumentando que o seu latente desejo de matá-lo mostrava que a palavra de Jesus não tinha lugar neles (verso 37) e pertenciam a seu pai, o diabo (verso 44). Consequentemente eles eram incapazes de ouvir o que Jesus dizia (verso 43). Claramente, Jesus estava sugerindo nesta passagem que “ouvir” suas palavras é mais do que meramente exercer fé em um nível cognitivo como aqueles judeus aparentemente fizeram. Em vez disso, ouvi-lo é adotá-lo como com a mais profunda e leal fé de um discípulo, comprometer-se a verdadeiramente seguir Cristo em obediência e auto-renúncia (cf. Mt 16:24-25).

Retornado ao ponto original acima, a essência das assertivas de Jesus em 8:47 e 10:26 é que tal fé leal em Cristo (o “ouvir” descrito em 10:26) é impossível para aqueles que já não “pertencem” a Deus, que não são filhos de Deus em vez de filhos do diabo, e que não são ovelhas de Cristo. A satisfação de tais condições de identidade vem antes e é logicamente anterior à fé em Cristo, e não vice-versa.

Além disso, note que Jesus explicitamente associa estas condições de identidade com outra das condições suficientes para vir à fé em Cristo, a saber, ser dado pelo Pai para o Filho (6:37; 10:29; 17:1-2,6,9,24). Em 17:6 Jesus diz ” Eram teus, e tu os deste a mim”, e em 17:9 “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”. Semelhantemente, Jesus disse que suas ovelhas lhe foram dadas pelo Pai (10:29a). Estas várias passagens paralelas sugerem fortemente que aqueles que pertencem ao Pai são do mesmo conjunto dos que são considerados ovelhas de Cristo, todos eles dados pelo Pai para o Filho e que portanto viriam a Cristo em fé (6:37).

A questão que naturalmente surge destas observações é “O que significa, então, no contexto destes versos, ser um filho de Deus, pertencer ao Pai, e ser uma das ovelhas de Cristo?”. Normalmente referimos a tais termos como se referindo aos crentes cristãos (e tal uso é vastamente atestado no Novo Testamento, como em Jo 1:12, Rm 8:14f; Gl 3:26), e ainda assim Jesus claramente usa estes termos nas passagens consideradas acima para referir-se a uma condição que precede a fé em Cristo, pois como ele fala em 8:37 e 10:26, é a ausência de tal condição que impede a emergência da fé em Cristo, não o contrário.

Calvinistas, como dantes notado, interpretam estes termos “pertencer” a Deus e ser uma das ovelhas de Cristo como se referindo aos eleitos (entendidos como um grupo definido incondicionalmente escolhido de indivíduos específicos) antes de (e seguido por) sua regeneração, chamada eficaz e vinda à fé. Creio que existe uma interpretação alternativa, porém, que faz melhor sentido à luz do contexto em que Jesus fez tais afirmações: Aqueles a quem Jesus se referia como pertencendo a Deus e sendo suas ovelhas estão entre aqueles da sua audiência judaica que voluntariamente viviam numa correta relação de aliança com Deus debaixo dos termos revelados no Antigo Testamento, e que estavam portanto preparados para receber o Messias prometido quando ele surgisse para a nação de Israel. A fim de fazer o caso para esta interpretação, será necessário aguardar um pouco e primeiro considerar o contexto histórico mais amplo para as observações de Jesus. Para tal vamos nos voltar para o Antigo Testamento.

Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

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Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

Com estas observações em mente, estamos agora numa posição de responder a preponderante questão teológica do que de se os exemplos aduzidos por Paulo em Romanos 9:7-13 representam ou apoiam a concepção de uma eleição individual incondicional para salvação final projetada pelos calvinistas. Para responder esta questão devemos abordar três questões suplementares. Primeiro, devemos perguntar quem são os objetos da(s) eleição(ões) descritas nestes versos? Então devemos perguntar no que a eleição é condicionada (se ela de fato for)? Finalmente devemos nos perguntar qual é o fim da eleição? (P.Ex. a salvação final da pessoa eleita está em vista como fim da eleição, ou há algum outro fim em vista?) Abordarei estas questões aqui.

Respondendo a primeira questão (i.e. quem são os objetos da eleição?) os objetos imediatos da eleição nos exemplos de 9:7-13 são Isaque e Israel (Jacó), apesar de que porque esta eleição se baseia em linhagem física de acordo com a promessa de Deus (i.e. linhagem tipo 2 acima), ela se estende de modo a compreender todos os descendentes físicos de Israel (mesmo que não todos os descendentes físicos de Abraão; veja a discussão acima). A eleição aqui em vista contrasta neste assunto com a eleição discutida por Paulo no capítulo quatro de Romanos e aludida em 9:6b, que é baseada na descendência espiritual pela fé da mesma de Abraão (linhagem tipo 1 acima). No último caso os objetos da eleição são todos e apenas todos os judeus e gentios que têm a mesma fé de Abraão (cf. 4:12; 11:20, 23).

Respondendo à segunda questão acima (i.e. no que a eleição é condicionada), a eleição de Isaque e Jacó foi dita ser ‘não por causa das obras mas por Aquele que chama’ (9:11). Avançando até o verso 16, vemos que essa mesma eleição “não depende do que quer, nem quem corre, mas de Deus que usa de misericórdia”. O desfecho destas assertivas é que o tipo de eleição outorgada a Isaque, Jacó e os descendentes de Jacó (i.e. linhagem tipo 2 acima) não foi baseada em quaisquer fatores volicionais da sua parte que pudessem obrigar Deus a tratá-los diferentemente do que os que não foram eleitos. Em vez disso, a discriminação de Deus entre Jacó e Esaú foi em último caso não restrita a quaisquer fatores externos ao próprio livre arbítrio de Deus em estender misericórdia. Isto se posiciona em contraste com a eleição baseada na linhagem de Abraão pela fé espiritual, que da mesma forma sendo inteiramente pela graça, ainda assim procede de acordo com o decreto auto-imposto de salvar a todos e somente aqueles que creem (Jo 3:15-18, 36, 6:40, 47, 11:25-26, 20:31; At 16:31; 1 Co 1:21; cf. a formulação de Arminius do segundo decreto divino, “Public Disputations,” The Works of James Arminius, London Ed., Vol. 2, trans. James Nichols, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1986, Disp. XV, 2, p. 226; “Certain Articles,” ibid., Art. XIV, p. 719). Eleição para salvação é portanto condicionada diretamente pela fé dos recipientes desta eleição, que contrasta neste sentido com os descrentes não eleitos. Como Paulo estabeleceu no capítulo quatro, Abraão foi apontado “o pai de todos que creem o pai de todos os que creem… e  também andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão” (4:11-12). A promessa para Abraão (da qual a linhagem espiritual de seus herdeiros-pela-fé é baseada) foi “pela justiça da fé” e é pela fé (4:13,16). Novamente, no capítulo onze Paulo fala de seus contemporâneos judeus descrentes que eles foram arrancados [i.e. excluídos de participação na nova aliança de salvação centrada em Cristo] por incredulidade, enquanto Paulo fala aos cristãos romanos que eles permanecem nesta mesma nova aliança pela fé (11:20). Como discutirei em mais profundidade abaixo, esta eleição condicional não é estática, porém, mas dinâmica, porque Paulo segue afirmando em 11:23 que estes mesmos descrentes judeus que são atualmente não eleitos (no sentido da eleição baseada no tipo 1 de linhagem da fé de Abraão; cf. 11:7 e discussão abaixo) podem de fato se tornar eleitos e ser reenxertados em Cristo e desfrutar participação em sua aliança, “se eles não permanecerem na incredulidade”. Paulo não poderia ter colocado mais claramente: Eleição para participação na linhagem espiritual de Abraão é condicionada pela fé, ao contrário da eleição baseada em descendência física de Jacó (Israel), que é condicionada em nada além do próprio livre arbítrio de Deus para estender misericórdia;[7]

Finalmente, devemos nos perguntar, qual fim tinha a eleição de Isaque e Jacó (e seus descendentes físicos)? Em particular, estava a salvação final deles em vista como fim desta eleição, ou tinha algum outro fim em vista? Já vimos acima que a eleição de Isaque e Jacó estabelecida na linhagem tipo 2 listada acima, a saber a nação de Israel compreendendo todos aqueles descendendo fisicamente de Jacó (Israel). Paulo se refere a este tipo de linhagem em 9:3-4 como “meus parentes segundo a carne; que são israelitas”, e provê uma sucinta descrição de “… a quem é a adoção, e a glória, e as alianças, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne” (9:5-6). Vemos também que Paulo notou anteriormente em 3:1-2 que os judeus têm a “vantagem” distinta de terem sido “confiados os oráculos de Deus”. Em resumo, os descendentes físicos de Israel foram escolhidos por Deus para mediar a revelação da Palavra verbal de Deus para a humanidade bem como superintender as outras manifestações externas da presença de Deus entre eles, à vista das nações, de tal modo a preparar o caminho para o Cristo, a Palavra Encarnada, vir ao mundo. Desta forma, aos israelitas físicos foi concedido acesso privilegiado às verdades de Deus como comunicadas mediante as alianças, a Lei, os serviços do templo, as promessas, e o próprio Cristo.

Apesar de esta eleição claramente aumentar as oportunidades disponíveis para qualquer dado indivíduo israelita adentrar uma aliança salvífica com Deus, a eleição não garantia por si só a salvação dos indivíduos judeus. A Bíblia é clara em que cada adulto judeu precisa adentrar pessoalmente em uma aliança salvífica de relacionamento com Deus pelo caminho da fé, lealdade, e resultante obediência a Deus. Não há garantia de tal participação na aliança meramente na base da eleição de acordo com a linhagem tipo 2 acima descrita e referenciada em Romanos 9:7-13. De fato o Antigo Testamento está repleto de exemplos de descendência física de Israel que claramente falharam em participar pela fé em uma aliança de relacionamento salvífica com Deus e que portanto não tinham evidência de terem alcançado salvação espiritual. O livro de Malaquias é instrutivo neste sentido. Ainda que, como dantes notado, Deus reafirmou aos israelitas do dia de Malaquias a natureza irrevogável das suas promessas aos patriarcas (Ml 1:2; 3:6), ao mesmo tempo Deus deixou claro que a salvação espiritual dos israelitas era contingente ao arrependimento pessoal e fé. Apenas os que temiam o Senhor e estimavam Seu nome (Ml 3:16) foram considerados por Deus como sendo dele como sua possessão (3:17), e nenhum dos israelitas que persistiram em impiedade restaria no vindouro dia do julgamento (Ml 3:17-4:3; veja também 2:2-3,9,12; 3:5,9; 4:6).

Além disso, é importante recordar que a possibilidade de salvação espiritual não era limitada aos descendentes físicos de Israel, mesmo nos tempos do Antigo Testamento. A lei mosaica fez acomodações para qualquer gentio que assim desejasse livremente adentrar numa aliança de relacionamento salvífica com Deus ao voluntariamente se colocar nas condições da aliança (em essência, voluntariamente “tornar-se judeu”; cf. Ex 12:48; Lv 19:33-34; Js 8:33; Rt 1:16; Is 14:1; 56:3,6-8). Portanto, a eleição de Isaque, Jacó, e seus descendentes citados em Rêomanos 9:7-13 não tem a salvação pessoal última dos eleitos em vista como seu fim ou garante tal salvação a eles, nem ela impede a salvação última dos não-eleitos (i.e. Esaú, Ismael ou qualquer outro gentio). Em vez disso, esta eleição baseada na linhagem física tipo 2 resultou apenas num acesso privilegiado às verdades salvíficas de Deus e uma oportunidade adicional de interagir com e abraçar estas verdades salvíficas mediante fé (i.e. uma oportunidade maior de escolher participar pela fé da linhagem espiritual tipo 1). Esta era de fato a situação dos judeus nos dias de Paulo, entre os quais mesmo aqueles que estavam naquele tempo mergulhados na incredulidade ainda tinham disponíveis para eles a oportunidade de abraçar a fé em Cristo e serem enxertados novamente na árvore que representa o povo de Deus (11:23).