Traduções Crédulas: Godismyjudge vs Turretin

Ufa! Depois de um grande tempo sem postar e com uma série de contratempos, eis uma defesa informal do conhecimento médio.

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Traduções Crédulas: As Doutrinas Bíblicas da Graça, por Brian Abasciano (INDEX)

Mais índices!

Este aqui é recente, está saindo do forno do grupo SEA! Trata-se de um sumário bastante completo da teologia arminiana, com seu acrônimo FACTS. Para quem sentia falta de algo centralizado e com farta argumentação escritural, eis a sua salvação!

Como no estilo de índices, eu não colocarei todos os links de uma vez, apenas os seus títulos. De qualquer forma, puxe a aba e leia com carinho! Continue lendo “Traduções Crédulas: As Doutrinas Bíblicas da Graça, por Brian Abasciano (INDEX)”

Traduções Crédulas: A Extensão da Morte Espiritual

Chris Chapman traz um texto bastante elucidativo acerca da morte espiritual, e da fraca analogia feita pelos calvinistas acerca da sua teoria de incapacidade total – a ideia de que uma graça resistível (ou, como eu costumo afirmar, ‘extrinsecamente eficaz’) é incapaz de trazer o homem para perto de Deus, e serve para/tem como propósito somente aumentar sua condenação – um nonsense tipicamente calvinista.

É apenas o velho argumento de ‘morto não fala, morto não ouve’, que já comentei doutras vezes 🙂 Enfim, leiam e reflitam!

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Traduções Crédulas: Molinismo e Variedades de Liberdade (I de VI)

Pois é – um artigo um tanto mais filosófico que o normal. Encontrei esta ótima série sobre molinismo e liberdade da vontade – e sendo ela relativamente curta mas bastante explicativa, dá para postar e ter alguma boa referência para discussões (e quebra-paus) futuras.

E, claro, faz muito tempo que estou devendo sobre molinismo! Continue lendo “Traduções Crédulas: Molinismo e Variedades de Liberdade (I de VI)”

Traduções Crédulas: A Ordem da Fé e Eleição no Evangelho de João: Vós não credes pois não sois das minhas ovelhas – II.A

Parte II – Quem Pode Vir à Fé Em Cristo?

A. As Condições Suficientes no Evangelho de João: Observações Preliminares

Vamos começar reconsiderando as condições suficientes para vir à fé que são apresentadas por Jesus no Evangelho de João. As condições suficientes para vir à fé em Cristo são apresentadas por Jesus no Evangelho de João. As condições suficientes para vir à fé em Cristo apresentadas no Evangelho de João ocorrem em quatro passagens principais  6:25-70, 8:12-59, 9:40-10:21, e 17:1-26. Cada uma das três primeiras passagens descreve uma confrontação (ou série de confrontações) entre Jesus e os judeus, muitos dos quais eram resistentes ao Seu ensino (conf. 6:26,36,41-42,52,66; 8:13,33,37,40,45,48-49,52,59; 9:40; 10:20). Tais conversações entre Jesus e os judeus formam a espinha dorsal dos primeiros doze capítulos do Evangelho de João que precedem o Discurso do Cenáculo (contendo a quarta passagem em questão, 17:1-26, a Oração Sacerdotal) e os eventos da Paixão de Jesus. A principal questão recorrente no desenrolar do livro, especialmente nos primeiros doze capítulos, concerne a identidade de Jesus. Quem Ele é? É o Cristo – o Messias – ou outro alguém? A persistente repetição de Jesus ao longo disto é que Ele é, de fato, o prometido Messias que viria ou seria enviado pelo Pai no Céu (1:9,14; 3:2,13,17,19,31,34; 4:25-26,34; 5:23-24,36,38,43; 6:29,32-33,44,46,51,57,62; 7:16,18,28-29,33; 8:14,16,18,23,26,29,38,42; 9:4; 10:36; 11:27,42; 12:44-46,49; 13:3,20; 15:21; 16:5,28,30; 17:8,18,21,23,25; 20:21). A assertiva de Jesus é posta em contraste com as dúvidas sobre Ele expressas por muito de Israel, em especial os líderes religiosos. De fato, muitas das pessoas comuns ao que parece observavam os líderes para esclarecimento neste assunto, se impressionando que os líderes tenham concluído que Jesus era o Cristo (7:25-26). Muitos dos líderes, porém, foram insistentes em seu desejo de não dar qualquer aparência de terem aceito as assertivas de Jesus (7:47-49; 9:27-29; 19:15; conf. tb. 9:16).

É no contexto destes diálogos com os judeus que Jesus apresentou as condições suficientes e necessárias para vir em fé a Ele como uma maneira de explicar o contraste entre aquele que aceitavam e seguiam Ele como o Messias e aqueles que se recusavam a tal. Considere primeiro as palavras de Jesus aos judeus de que “Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus; portanto vós não as ouvis porque não sois de Deus” (8:47). Como discutido acima, este é um dos versos críticos nos quais Jesus afirma uma condição suficiente para ter fé nEle, a saber, “pertencer a Deus”. Como tal, a afirmação de Jesus aqui paraleliza suas palavras em 10:26 de que “Mas vós não credes, porque não sois de minhas ovelhas[…]”. Cada um deses versos apresenta uma condição de identidade em quem pode vir à fé em Jesus, a saber, aqueles que são filhos de Deus (isto é, “pertencem a Deus”) e aqueles que são ovelhas de Cristo. Em cada caso, apenas aqueles que satisfazem a dada identidade participam do resultado final, a saber, “ouvir as palavras de Deus” (8:47) ou “crer” (10:26). O forte paralelismo entre estes versos sugere que a palavra “ouvir” em 8:47 tem significado igualado a “crer” em 10:26. Quer dizer, “ouvir” não se refere simplesmente à sua percepção ou entendimento das palavras de Jesus, mas a ouvir no sentido de receber e crer nas Suas palavras.

Porém, mesmo isto não é o suficiente, porque o contexto de 8:47 nos informa que os judeus os quais Jesus declarou nesta passagem que não podiam “ouvi-Lo” já haviam de fato “posto sua fé nEle” e “crido nEle” (8:30-31). Devemos concluir que a “fé” e “crença” deles era em algum sentido deficiente e não se igualava a terem verdadeiramente “ouvido” Jesus. Este paradoxo se clareia enquanto seguimos a passagem: quando Jesus desafiou estes mesmos judeus a demonstrarem a validade da sua fé “aderindo” ao seu ensino e então provando que de fato eram seus discípulos (verso 31), com o resultado de que eles “conheceriam a verdade” e seriam libertos (verso 32), eles começaram a resistir à autoridade de Jesus e insistiram que eles sempre foram livres filhos de Abraão (verso 33) e em último caso, filhos de Deus (verso 41). Neste ponto Jesus disputou a alegação deles, argumentando que o seu latente desejo de matá-lo mostrava que a palavra de Jesus não tinha lugar neles (verso 37) e pertenciam a seu pai, o diabo (verso 44). Consequentemente eles eram incapazes de ouvir o que Jesus dizia (verso 43). Claramente, Jesus estava sugerindo nesta passagem que “ouvir” suas palavras é mais do que meramente exercer fé em um nível cognitivo como aqueles judeus aparentemente fizeram. Em vez disso, ouvi-lo é adotá-lo como com a mais profunda e leal fé de um discípulo, comprometer-se a verdadeiramente seguir Cristo em obediência e auto-renúncia (cf. Mt 16:24-25).

Retornado ao ponto original acima, a essência das assertivas de Jesus em 8:47 e 10:26 é que tal fé leal em Cristo (o “ouvir” descrito em 10:26) é impossível para aqueles que já não “pertencem” a Deus, que não são filhos de Deus em vez de filhos do diabo, e que não são ovelhas de Cristo. A satisfação de tais condições de identidade vem antes e é logicamente anterior à fé em Cristo, e não vice-versa.

Além disso, note que Jesus explicitamente associa estas condições de identidade com outra das condições suficientes para vir à fé em Cristo, a saber, ser dado pelo Pai para o Filho (6:37; 10:29; 17:1-2,6,9,24). Em 17:6 Jesus diz ” Eram teus, e tu os deste a mim”, e em 17:9 “Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus”. Semelhantemente, Jesus disse que suas ovelhas lhe foram dadas pelo Pai (10:29a). Estas várias passagens paralelas sugerem fortemente que aqueles que pertencem ao Pai são do mesmo conjunto dos que são considerados ovelhas de Cristo, todos eles dados pelo Pai para o Filho e que portanto viriam a Cristo em fé (6:37).

A questão que naturalmente surge destas observações é “O que significa, então, no contexto destes versos, ser um filho de Deus, pertencer ao Pai, e ser uma das ovelhas de Cristo?”. Normalmente referimos a tais termos como se referindo aos crentes cristãos (e tal uso é vastamente atestado no Novo Testamento, como em Jo 1:12, Rm 8:14f; Gl 3:26), e ainda assim Jesus claramente usa estes termos nas passagens consideradas acima para referir-se a uma condição que precede a fé em Cristo, pois como ele fala em 8:37 e 10:26, é a ausência de tal condição que impede a emergência da fé em Cristo, não o contrário.

Calvinistas, como dantes notado, interpretam estes termos “pertencer” a Deus e ser uma das ovelhas de Cristo como se referindo aos eleitos (entendidos como um grupo definido incondicionalmente escolhido de indivíduos específicos) antes de (e seguido por) sua regeneração, chamada eficaz e vinda à fé. Creio que existe uma interpretação alternativa, porém, que faz melhor sentido à luz do contexto em que Jesus fez tais afirmações: Aqueles a quem Jesus se referia como pertencendo a Deus e sendo suas ovelhas estão entre aqueles da sua audiência judaica que voluntariamente viviam numa correta relação de aliança com Deus debaixo dos termos revelados no Antigo Testamento, e que estavam portanto preparados para receber o Messias prometido quando ele surgisse para a nação de Israel. A fim de fazer o caso para esta interpretação, será necessário aguardar um pouco e primeiro considerar o contexto histórico mais amplo para as observações de Jesus. Para tal vamos nos voltar para o Antigo Testamento.

Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – Eleição Incondicional para Salvação Final?

Com estas observações em mente, estamos agora numa posição de responder a preponderante questão teológica do que de se os exemplos aduzidos por Paulo em Romanos 9:7-13 representam ou apoiam a concepção de uma eleição individual incondicional para salvação final projetada pelos calvinistas. Para responder esta questão devemos abordar três questões suplementares. Primeiro, devemos perguntar quem são os objetos da(s) eleição(ões) descritas nestes versos? Então devemos perguntar no que a eleição é condicionada (se ela de fato for)? Finalmente devemos nos perguntar qual é o fim da eleição? (P.Ex. a salvação final da pessoa eleita está em vista como fim da eleição, ou há algum outro fim em vista?) Abordarei estas questões aqui.

Respondendo a primeira questão (i.e. quem são os objetos da eleição?) os objetos imediatos da eleição nos exemplos de 9:7-13 são Isaque e Israel (Jacó), apesar de que porque esta eleição se baseia em linhagem física de acordo com a promessa de Deus (i.e. linhagem tipo 2 acima), ela se estende de modo a compreender todos os descendentes físicos de Israel (mesmo que não todos os descendentes físicos de Abraão; veja a discussão acima). A eleição aqui em vista contrasta neste assunto com a eleição discutida por Paulo no capítulo quatro de Romanos e aludida em 9:6b, que é baseada na descendência espiritual pela fé da mesma de Abraão (linhagem tipo 1 acima). No último caso os objetos da eleição são todos e apenas todos os judeus e gentios que têm a mesma fé de Abraão (cf. 4:12; 11:20, 23).

Respondendo à segunda questão acima (i.e. no que a eleição é condicionada), a eleição de Isaque e Jacó foi dita ser ‘não por causa das obras mas por Aquele que chama’ (9:11). Avançando até o verso 16, vemos que essa mesma eleição “não depende do que quer, nem quem corre, mas de Deus que usa de misericórdia”. O desfecho destas assertivas é que o tipo de eleição outorgada a Isaque, Jacó e os descendentes de Jacó (i.e. linhagem tipo 2 acima) não foi baseada em quaisquer fatores volicionais da sua parte que pudessem obrigar Deus a tratá-los diferentemente do que os que não foram eleitos. Em vez disso, a discriminação de Deus entre Jacó e Esaú foi em último caso não restrita a quaisquer fatores externos ao próprio livre arbítrio de Deus em estender misericórdia. Isto se posiciona em contraste com a eleição baseada na linhagem de Abraão pela fé espiritual, que da mesma forma sendo inteiramente pela graça, ainda assim procede de acordo com o decreto auto-imposto de salvar a todos e somente aqueles que creem (Jo 3:15-18, 36, 6:40, 47, 11:25-26, 20:31; At 16:31; 1 Co 1:21; cf. a formulação de Arminius do segundo decreto divino, “Public Disputations,” The Works of James Arminius, London Ed., Vol. 2, trans. James Nichols, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1986, Disp. XV, 2, p. 226; “Certain Articles,” ibid., Art. XIV, p. 719). Eleição para salvação é portanto condicionada diretamente pela fé dos recipientes desta eleição, que contrasta neste sentido com os descrentes não eleitos. Como Paulo estabeleceu no capítulo quatro, Abraão foi apontado “o pai de todos que creem o pai de todos os que creem… e  também andam nas pisadas daquela fé de nosso pai Abraão” (4:11-12). A promessa para Abraão (da qual a linhagem espiritual de seus herdeiros-pela-fé é baseada) foi “pela justiça da fé” e é pela fé (4:13,16). Novamente, no capítulo onze Paulo fala de seus contemporâneos judeus descrentes que eles foram arrancados [i.e. excluídos de participação na nova aliança de salvação centrada em Cristo] por incredulidade, enquanto Paulo fala aos cristãos romanos que eles permanecem nesta mesma nova aliança pela fé (11:20). Como discutirei em mais profundidade abaixo, esta eleição condicional não é estática, porém, mas dinâmica, porque Paulo segue afirmando em 11:23 que estes mesmos descrentes judeus que são atualmente não eleitos (no sentido da eleição baseada no tipo 1 de linhagem da fé de Abraão; cf. 11:7 e discussão abaixo) podem de fato se tornar eleitos e ser reenxertados em Cristo e desfrutar participação em sua aliança, “se eles não permanecerem na incredulidade”. Paulo não poderia ter colocado mais claramente: Eleição para participação na linhagem espiritual de Abraão é condicionada pela fé, ao contrário da eleição baseada em descendência física de Jacó (Israel), que é condicionada em nada além do próprio livre arbítrio de Deus para estender misericórdia;[7]

Finalmente, devemos nos perguntar, qual fim tinha a eleição de Isaque e Jacó (e seus descendentes físicos)? Em particular, estava a salvação final deles em vista como fim desta eleição, ou tinha algum outro fim em vista? Já vimos acima que a eleição de Isaque e Jacó estabelecida na linhagem tipo 2 listada acima, a saber a nação de Israel compreendendo todos aqueles descendendo fisicamente de Jacó (Israel). Paulo se refere a este tipo de linhagem em 9:3-4 como “meus parentes segundo a carne; que são israelitas”, e provê uma sucinta descrição de “… a quem é a adoção, e a glória, e as alianças, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne” (9:5-6). Vemos também que Paulo notou anteriormente em 3:1-2 que os judeus têm a “vantagem” distinta de terem sido “confiados os oráculos de Deus”. Em resumo, os descendentes físicos de Israel foram escolhidos por Deus para mediar a revelação da Palavra verbal de Deus para a humanidade bem como superintender as outras manifestações externas da presença de Deus entre eles, à vista das nações, de tal modo a preparar o caminho para o Cristo, a Palavra Encarnada, vir ao mundo. Desta forma, aos israelitas físicos foi concedido acesso privilegiado às verdades de Deus como comunicadas mediante as alianças, a Lei, os serviços do templo, as promessas, e o próprio Cristo.

Apesar de esta eleição claramente aumentar as oportunidades disponíveis para qualquer dado indivíduo israelita adentrar uma aliança salvífica com Deus, a eleição não garantia por si só a salvação dos indivíduos judeus. A Bíblia é clara em que cada adulto judeu precisa adentrar pessoalmente em uma aliança salvífica de relacionamento com Deus pelo caminho da fé, lealdade, e resultante obediência a Deus. Não há garantia de tal participação na aliança meramente na base da eleição de acordo com a linhagem tipo 2 acima descrita e referenciada em Romanos 9:7-13. De fato o Antigo Testamento está repleto de exemplos de descendência física de Israel que claramente falharam em participar pela fé em uma aliança de relacionamento salvífica com Deus e que portanto não tinham evidência de terem alcançado salvação espiritual. O livro de Malaquias é instrutivo neste sentido. Ainda que, como dantes notado, Deus reafirmou aos israelitas do dia de Malaquias a natureza irrevogável das suas promessas aos patriarcas (Ml 1:2; 3:6), ao mesmo tempo Deus deixou claro que a salvação espiritual dos israelitas era contingente ao arrependimento pessoal e fé. Apenas os que temiam o Senhor e estimavam Seu nome (Ml 3:16) foram considerados por Deus como sendo dele como sua possessão (3:17), e nenhum dos israelitas que persistiram em impiedade restaria no vindouro dia do julgamento (Ml 3:17-4:3; veja também 2:2-3,9,12; 3:5,9; 4:6).

Além disso, é importante recordar que a possibilidade de salvação espiritual não era limitada aos descendentes físicos de Israel, mesmo nos tempos do Antigo Testamento. A lei mosaica fez acomodações para qualquer gentio que assim desejasse livremente adentrar numa aliança de relacionamento salvífica com Deus ao voluntariamente se colocar nas condições da aliança (em essência, voluntariamente “tornar-se judeu”; cf. Ex 12:48; Lv 19:33-34; Js 8:33; Rt 1:16; Is 14:1; 56:3,6-8). Portanto, a eleição de Isaque, Jacó, e seus descendentes citados em Rêomanos 9:7-13 não tem a salvação pessoal última dos eleitos em vista como seu fim ou garante tal salvação a eles, nem ela impede a salvação última dos não-eleitos (i.e. Esaú, Ismael ou qualquer outro gentio). Em vez disso, esta eleição baseada na linhagem física tipo 2 resultou apenas num acesso privilegiado às verdades salvíficas de Deus e uma oportunidade adicional de interagir com e abraçar estas verdades salvíficas mediante fé (i.e. uma oportunidade maior de escolher participar pela fé da linhagem espiritual tipo 1). Esta era de fato a situação dos judeus nos dias de Paulo, entre os quais mesmo aqueles que estavam naquele tempo mergulhados na incredulidade ainda tinham disponíveis para eles a oportunidade de abraçar a fé em Cristo e serem enxertados novamente na árvore que representa o povo de Deus (11:23).

Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa Como Escolha Unilateral de Deus

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa como Escolha Unilateral de Deus

Quando Paulo faz a primeira assertiva acima em 9:6b, ele assume que seus leitores concordarão com ele na base do argumento já fornecido em 4:11-16. Por esta razão, Paulo procede sem mais comentários diretamente à segunda assertiva distinta no verso 7, “nem por serem descendência de Abraão são todos filhos”. Esta segunda assertiva, bem como a primeira acima discutida, é enraizada no conceito da promessa de Deus aos patriarcas, mas aqui no verso 7a Paulo considera a promessa não em termos de uma segurança dada por Deus para ser crida, mas em termos de ser uma escolha unilateral de Deus para determinar a linhagem física do povo escolhido de Deus (isto é, os judeus, em contraste a todos os gentios). Citando os versos 7b e 9b (de Gênesis 21:12 e 18:10) as várias manifestações da promessa enquanto relacionadas a Isaque, e no verso 13 (de Malaquias 1:2-3) a promessa como relacionada a Jacó, Paulo traça a promessa de Deus mostrando que a eleição seria transmitida mediante Isaque (e não Ismael) e subsequentemente mediante Jacó (e não Esaú) e seus descendentes físicos. Destes exemplos Paulo conclui que a eleição dos judeus como “filhos” de Deus (verso 8a) não pode ser baseada em descendência física cega somente. (No que diz respeito aos judeus físicos serem considerados “filhos” de Deus, note que os judeus descrentes, que são “israelitas” [9:4] e patrícios de Paulo “de acordo com a carne” [9:3], são, apesar de sua descrença, ditos possuir “a adoção como filhos [de Deus]” em 9:4.)[6] Os judeus, então, são considerados “filhos” de Deus não meramente “porque eles são descendentes de Abraão” (verso 7a); caso contrário, Ismael e Esaú, sendo descendentes de Abraão, seriam parceiros iguais com os judeus como recipientes do favor especial de Deus. O fato de Ismael e Esaú terem sido contados fora da família eleita de Deus indica que os judeus participavam desta eleição como “filhos, descendência” de Deus (literalmente, semente, verso 8) não simplesmente porque são “filhos da carne” mas porque são “filhos da promessa”(verso 8b). Isto é, eles são eleitos de acordo com a promessa discriminadora de Deus distinguir entre Isaque e Ismael, e entre Jacó e Esaú no estabelecimento da linhagem do povo eleito de Deus.

É crítico neste momento entender que a afirmação de Paulo aqui no verso 8 não significa que a eleição divina dos judeus não pode ser sensível à descendência física fluindo de Jacó, o cabeça do corpo corporativo da Israel física. Numerosos pontos da Escritura atestam a validade da eleição divina dos descendentes físicos de Jacó. Um verso é Malaquias 1:1-3, citado por Paulo aqui em Romanos 9:13. É claro que na passagem de Malaquias o “amor” de Deus pode Jacó foi uma eleição de todos os descendentes físicos de Jacó e não meramente do próprio Jacó, como visto em Malaquias 1:2 em que estes descendentes (i.e. a nação de Israel) são referidos como sendo recipientes do mesmo amor divino dado a Jacó. Que esta eleição de Jacó e seus descendentes era irrevogável (cf. Romanos 11:29) mesmo em face da descrença de Israel é mostrado pelas palavras de Deus a Israel em Malaquias 3:6, “Porque eu o SENHOR, não me mudo; por isso que vós, filhos de Jacó, não sois consumidos.”. Apesar da pervasiva hipocrisia dos judeus nos dias de Malaquias, Deus não os consumira (isto é, destruir completamente) porque ele estava ligado por suas promessas aos patriarcas, as quais, como o próprio Senhor, “não mudam”. Mais adiante em  Romanos o próprio Paulo se refere à mesma obrigação de eleição dos descendentes físicos de Jacó. Em acréscimo a várias passagens já mencionadas acima (Romanos 3:1-3, 9:4-5), note 11:1,11,16 e especialmente 11:28-29, aonde Paulo afirma aos Judeus, que eram naquele tempo inimigos dos cristãos, são mesmo assim quanto à eleição amados por causa dos pais. É claro de tais passagens que Paulo não despreza o valor da posição dos judeus como descendentes físicos de Jacó, porque sua descendência física apesar de sua descrença lhes permitiu permanecer na abrangência da soberana eleição de Deus como aqueles a quem “foram confiados os oráculos de Deus”(3:2). A insistência de Paulo em 9:8, então, que “os filhos da promessa são tratados por descendência”, não invalida toda a consideração da linhagem física; em vez disso simplesmente distingue entre descendência física cega de um lado, e descendência física que está de acordo com a promessa de Deus do outro lado, em que “descendência de acordo com a promessa” se refere à linhagem física que recebe o favor e escolha soberanos de Deus. Ismael e Esaú são exemplos da primeira forma de descendência física; Isaque e Jacó são exemplos da última.

Dado tudo que foi dito acima acerca dos dois aspectos distintos da promessa de Deus dada aos patriarcas, podemos agora distinguir entre as seguintes variedades possíveis de linhagem ou descendência dos patriarcas abordadas por Paulo em Romanos. Considere cuidadosamente:

  1. Descendência espiritual de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos que são da fé de Abraão, seja judeu ou gentio
  2. Descendência física de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de [Isaque e ] Jacó)
  3. Descendência física sem referência à promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de Abraão, incluindo seus descendentes gentios; no caso, Ismael, Esaú, e seus descendentes)

De acordo com Paulo, somente as duas primeiras formas de linhagem são reconhecidas por Deus como formas válidas de eleição divina. O primeiro tipo de linhagem é sujeito de Romanos 4:11-16 e da assertiva de Paulo em 9:6b. Este tipo de linhagem é associado com eleição para salvação contingente à fé. O segundo tipo de linhagem é o assunto da segunda asserção de Paulo, aquela encontrada em Romanos 9:7a e discussão subsequente de Paulo em 9:7b-13. Este tipo de linhagem é associado à eleição divina do Israel físico para serem recipientes das bênçãos descritas por Paulo em 3:2 e 9:4-5.

Isto nos leva ao núcleo da segunda resposta de Paulo (em 9:7-13) ao desafio contra a fidelidade de Deus aludida no verso 6a. Não apenas Deus ainda é fiel à sua promessa aos patriarcas considerada no primeiro sentido da promessa acima discutida (isto é, ele é fiel ais eleitso para salvação e permite participar no verdadeiro Israel espiritual todos aqueles que como Abraão colocam sua fé na promessa de Deus), Deus também permanece fiel à sua palavra acerca do segundo aspecto de tal promessa, a saber, unilateralmente continuar a estender favor divino especial aos descendentes físicos de Israel confiando-lhes o ser recipientes tanto da verbal quanto da encarnada Palavra de Deus. Em vez de ter rejeitado sua anterior eleição dos judeus (como em geral, mas erroneamente, assumido sobre o ensino de Paulo aqui), Paulo sugere em 9:7-13 que apesar de sua descrença (conforme 9:2-3, 11:28-29) Deus permanece fiel a sua anterior eleição dos descendentes físicos de Jacó, todos eles considerados “filhos de Deus” (confira a Nota 6), não por mera descendência cega de Abraão, mas no sentido de ser “filhos da promessa” (isto é, a promessa de Deus pela qual Isaque e Jacó foram escolhidos para transmitir a linhagem física divinamente favorecida; linhagem tipo 2 acima). Como argumentarei abaixo, é precisamente a fidelidade divina à Sua eleição dos descendentes físicos de Israel desta maneira que O motiva a continuar buscando os judeus a virem ao arrependimento e fé, um objetivo que Paulo ensina em 11:26 será definitivamente completado. (De fato, esta eleição continuada deve ser reconhecida para entender propriamente os planos presentes e futuros de Deus para os descendentes físicos de Israel. Veja a discussão do capítulo onze abaixo.)

Eu notei acima que enquanto a primeira assertiva de Paulo em Romanos 9:6b é baseada em uma consideração da promessa de Deus considerada como uma segurança dada por Deus requerendo fé, a subsequente asserção no verso 7a é baseada na consideração da promessa de Deus como uma escolha unilateral de Deus. Por tal afirmação, eu quero dizer que a escolha de Deus por Isaque e Jacó para transmitir a linhagem física favorecida de Israel não foi condiciona a nenhum ato volicional dos próprios Isaque ou Jacó que os pudesse distinguir de Ismael ou Esaú. Paulo nota acerca de Jacó e Esaú que a escolha de Deus fora feita entre eles enquanto “não tendo ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal” (verso 11), então eliminando a possibilidade de que a eleição de Jacó e seus descendentes físicos pudesse ser baseada em obras de mérito de sua parte de alguma forma ausentes em Esaú e seus descendentes. Paulo descreve a natureza incondicionada desta eleição em termos ainda mais amplos no verso 16, onde ele afirma que não depende do homem que quer nem do que corre. Esta afirmação pode ser tomada como eliminando quaisquer fatores adicionais de diferenciação surgindo do exercício da vontade humana, tais como fé ou sua ausência. De fato, a eleição de Jacó e seus descendentes físicos foi obtida antes de e à parte de qualquer consideração de fé da parte de Jacó ou Esaú.

Traduções Crédulas: Uma Resposta do Conhecimento Médio ao Argumento de “Salvação nas Mãos do Homem”

Um texto bem curto e bastante recente de Dan Chapa, do TraditionalBaptistChronicles. Aqui, ele dá uma resposta inteligente ao desafio de que o homem ainda tem parcela de mérito na salvação, dado que o crer partiu de si mesmo. Mais um ponto para o conhecimento médio!

Leiam e entendam…

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Traduções Crédulas: Por Que Eu Rejeito o Determinismo && Um Modelo da Perspectiva Atemporal de Deus Em Relação à Escolha Contrária

Este é um dos meus textos preferidos! Ele mostra um modelo bem viajado de como funcionaria o conhecimento divino, de modo que Deus pode ‘prever’ com absoluta precisão e certeza eventos contingentes – como as escolhas humanas. Veja que este é um modelo perceptualista, quase antropomórfico, e é bem distinto do modelo conceptualista (que afirma, pura e simplemente, que o conhecimento divino é inato).

Leiam e divirtam-se!

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