Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – Conclusão

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Conclusão

A alegação que os tempos em 1João 5:1 indicam que regeneração precede fé é indefensável porque: (1) é questionável se qualquer relacionamento cronológico entre eles é sugerido, dado que alguns gramáticos negam que tempos gregos gramaticalizam o tempo, e mais importante, um dos tempos no verso ocorre em um particípio substantival, que pode ser desprovido de significância temporal mesmo em uma visão mais tradicional dos tempos verbais gregos; e (2) se os tempos são para serem relacionados temporalmente, como parece mais provável, então a gramática sugere que ou o crer e o ser nascido de Deus são retratados como contemporâneos, ou talvez mais provavelmente , que crer preceda logicamente o ser nascido de Deus. De maneira alguma a gramática por si só dá crédito a ver o verbo perfeito indicativo (`tem nascido’) como necessariamente anterior ao particípio presente (`tem crido’). É surpreendente que alguns estudiosos tenham cometido um erro tão básico acerca da regeneração preceder fé em seu argumento para regeneração preceder fé em 1João 5:1[43]. Isto dá a impressão que, na sanha de encontrar um texto-prova para suportar sua própria convicção teológica, eles têm sido menos que cautelosos ao lidar com o texto. Mas é momento para maior cuidado ser tomado com 1João 5:1 e para seu falacioso argumento ser desprezado. O argumento do contexto epistolar invocando um padrão em 1João para indicar os resultados da regeneração, algumas vezes com as mesmas construções gramaticais de 1João 5:1a, é mais forte, mas falha em resgatar 1João 5:1 como texto-prova para regeneração precedendo fé por uma série de razões delineadas neste artigo, incluindo o distintivo e crucial papel da fé na epístola e na teologia joaninas. Advogados da regeneração anterior à fé fariam melhor se olhassem em outro lugar por suporte escritural. Mas a alegação de Piper, citada no início deste artigo, sobre 1João 5:1 ser `o mais claro texto do Novo Testamento acerca do relacionamento entre fé e novo nascimento'[44] está falando acerca disso, oferecendo pouca esperança de encontrar qualquer suporte escritural sólido para a doutrina da regeneração precedendo fé[45].

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Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – O Argumento do Contexto Epistolar para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

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O Argumento do Contexto Epistolar para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

Não obstante a falácia do argumento gramatical que contra-atacamos, alguém pode tentar argumentar que seu ponto fundamental é resgatado pela presença de outras passagens em 1João indicando os resultados da regeneração (2:29, 3:9, 4:7, 5:4,18).[29] Duas delas usam a mesma construção de 5:1a, πας + particípio presente substantival + perfeito passivo indicativo (2:29, 4:7), com o particípio presente substantival identificando o resultado da regeneração em algum sentido. Mas isto não é convincente em favor de 1João 5:1a indicando fé como resultado da regeneração por diversas razões.

1 – Não segue que por causa de 1João identificar outros fenômenos como resultado da regeneração que todo fenômeno que ele conecta com regeneração é seu resultado. Pode igualmente ser que outro fenômeno associado à regeneração é na realidade a causa da última ou não ter qualquer relacionamento causal com a mesma.

2 – O argumento em questão é um baseado no contexto, mesmo assim ainda existe um fator-chave contextual específico envolvido em cada uma das passagens que sugere alguma espécie de papel causativo para regeneração mas não está presente em 1João 5:1a, a saber, que Deus tenha uma certa qualidade (seja ela qual for em cada caso específico), e que portanto, aquele que nasceu dele, seu filho, será como o seu pai. Este é o caso de semelhança familiar por assim dizer (cf. o antigo refrão, `tal pai, tal filho’). Central a cada uma das passagens indicando regeneração como a causa de alguma qualidade no crente é a noção de semelhança causal entre pai e filho[30]. Este não é o caso em 5:1a. O assunto aqui não é o crente sendo como Deus o Pai em crer em Jesus. O Pai não crê em Cristo de maneira salvífica como os homens o fazem.

3 – Como já notado, a preocupação prioritária na epístola com respeito à regeneração era prover segurança a seus leitores que eram fiéis ao seu ensino que eles eram de fato nascidos de Deus, e portanto eram filhos de Deus em possessão da vida eterna. Portanto, a ênfase nas afirmações `nascidos de Deus’ é sobre dar evidência da regeneração, não particularmente da natureza causativa da regeneração. Os efeitos da regeneração são indicados como tais porque seja se causas de regeneração servem automaticamente como evidência certa de regeneração, dando segurança de filiação e vida eterna para a quele possuindo as qualidades produzidas pela regeneração. Mas como notado antes, a causa da regeneração serviria a mesma função. Este ponto é enfatizado pelo tempo perfeito usado para regeneração nas afirmações `nascidos de Deus’, desde que o tempo perfeito aqui quase certamente enfatiza o estado presente regenerado do crente (um perfeito intensivo ou resultativo)[31], como é reconhecido até mesmo por alguns advogados de 1João 5:1 como texto-prova para a regeneração precedendo fé[32]. Portanto, o tempo perfeito em 1João 5:1a enfatiza o interesse de João em abordar o presente estado dos crentes em vez do relacionamento causal entre fé e regeneração.

4 – Fé é relativamente única entre outros fenômenos relacionados à regeneração na epístola, porque ela também é retratada como causando estas outras qualidades para não mencionar outros adicionais. João retrata fé como resultando justiça, obediência, conhecimento salvífico de Deus, amor, vitória sobre o mundo, e vida espiritual[33]. Mais criticamente, João apresenta fé como o meio pelos qual crentes recebem vida espiritual (1Jo 5:10-13; cf. 2:23-25; 5:20)[34], a iniciação do que seria a regeneração. Este é um tema prevalente da teologia joanina (Jo 3:15-16,36; 4:14; 5:24,40; 6:47,51-54; 20:31), para não mencionar o Novo Testamento em geral. Mas se vida espiritual é recebida pela fé, então isto coloca fé pelo menos logicamente anterior à concessão de vida espiritual, e portanto, logicamente anterior à regeneração, que é a concessão inicial de vida espiritual[35]. Em minha opinião, João teria esperado leitores familiares com seu ensino de que vida espiritual vem pela fé soubessem que regeneração é concedida pela fé, e entender 1João 5:1a de acordo, ainda que sua intenção não fosse especificamente fazer este ponto, mas novamente, dar segurança de filiação e vida eterna para sua audiência de crentes.

5 – Jo 1:12-13 é determinativo em estabelecer fé como anterior à regeneração na teologia de João[36]. Jo 1:12 indica que pessoas se tornam filhas de Deus pela fé. Isto é, mediante o crer, Deus lhes dá o direito de se tornarem algo que eles não eram antes de crerem – filhos de Deus. Jo 1:13 então clarifica que eles se tornam filhos de Deus não de ascendência humana (esta é a significância de `não pelo sangue, nem pela vontade da carne [o que se iguala à desejo sexual que pode levar à procriação]’, nem da vontade de um marido [que poderia estar na questão de atividade sexual/procriação]’), mas de Deus, descrevendo o seu tornar-se filhos de Deus como nascidos de Deus. `Tornar-se filhos de Deus’ e `nascer de Deus’ são expressões paralelas referentes ao mesmo fenômeno. De fato, o mesmo tipo de paralelismo entre ser nascido de Deus e ser filho de Deus ocorre em 1Jo 2:29-3:2 e 3:9-10, enquanto 5:1 (de todos os versos!) usa o ‘aquele que tem nascido dele [Deus]’ (τον γεγεννημενον εξ αυτου) como sinônimo virtual de `filho de Deus’, levando diversas traduções a transformar τον γεγεννημενον εξ αυτου como `o filho nascido dele’ ou algo semelhante[37]. Desde que `tornar-se filho de Deus’ e `ser nascido de Deus’ são expressões paralelas referentes ao mesmo fenômeno, e o anterior é claramente apresentado como contingente à fé, o texto apresenta o ato de Deus em regenerar crentes, fazendo-os seus próprios filhos, cono resposta à sua fé. Seria argumentação ad hoc, e um expediente desesperado, argumentar que tornar-se filho de Deus e ser nascido de Deus são distintos no contexto joanino ou que o texto permitiria que uma pessoa pudesse ser nascida de Deus e ainda assim não ser sua filha. Alguns estudiosos têm sugerido que o texto assume uma distinção entre adoção e regeneração, falando do anterior em 1:12 e do posterior em 1:13[38]. Mas a literatura joanina não faz distinção que seja entre adoção e regeneração[39]. Seria exegética e hermeneuticamente ilegítimo insistir que existe tal distinção em Paulo, e portanto, que João deveria ter em mente a distinção de Paulo.

Primeiro, é questionável se as epístolas de Paulo contêm qualquer distinção segura entre adoção e regeneração. É mais provável que adoção e regeneração no nível individual são simplesmente dois lados da mesma moeda no penamento de Paulo, com adoção focando na concessão formal da situação de eleito e herança, enquanto regeneração foca no elemento de mesma realidade que é a concessão da natureza divina/Santo Espírito, que concretamente confere a situação de eleito e herança. Em outras palavras, Paulo parece ver a fase inicial da adoção como sendo praticamente efetuada pela regeneração, a concessão do Espírito de adoção e herança (cf. Rm 8:9-11,14-17). Claro, tanto no pensamento de João quanto no de Paulo a entrega do Espírito ocorre pela fé e é de acordo precedido por ela logicamente (e.g., John 4:14,7:38-39, Gl 3:1-6,14). Interessantemente, a única instância de uso da palavra `regeneração’ (παλιγγενεσια) no corpus paulino tradicional é em Tito 3:5, onde ela parece ser aproximadamente equivalente à entrega do Espírito ou a algo que é completado pela entrega do Espírito.

Se Paulo distinguia entre adoção e regeneração o suficiente para que houvesse qualquer ordem lógica entre eles, então ele tratava adoção – e portanto a fé que a precede – como precedendo regeneração de acordo com Gálatas 4:6 – `Porque sois filhos, Deus derramou o Espírito de seu filho em vossos corações, que clama, “Aba Pai”. Parece que no pensamento de Paulo adoção e regeneração podem ser geralmente tratados como a mesma realidade, mesmo que mais precisamente, eles possam ser distinguidos de uma maneira complementar ao dizer que a situação de filiação é formalmente conferida mediante o crente pela fé-união com Cristo, simultaneamente levando a uma natureza de filiação sendo comunicada ao crente pela regeneração[40]. Isto é, adoção torna crentes filhos pelo decreto e regeneração torna os crentes filhos por natureza. De fato, adoção vem à sua inaugurada completude em regeneração, e então os dois podem ser naturalmente vistos como um só. Bem como o conceito grego nos ensina, o mesmo evento pode ser visto legitimamente em complementariedade de mais de uma maneira.

Segundo, mesmo se existisse uma distinção clara entre adoção e regeneração em Paulo, não segue que existe uma em João. Não há dica de tal distinção em João, e é completamente concebível que o que Paulo pensava como adoção, João cogitava como regeneração. Ou se João mantinha alguma espécie de distinção entre elas, ele ainda poderia tê-las concebido em conjunto como um só evento. De qualquer maneira, é exegeticamente implausível neste caso ler Paulo em cima do texto de João de tal forma a fazer o entendimento do texto de João se apoiar numa distinção que João nunca menciona. Além disso, a lógica absoluta do texto de João permanece contra qualquer movimento dessa espécie, desde que isto contradiria a óbvia ideia que o próprio ato de ser nascido de um pai faz uma pessoa filho de tal pai. Uma pessoa não pode ser nascida de um pai e mesmo assim precisar de alguma coisa além para ser filho deste pai, mesmo se tal elemento adicional é simultâneo ao nascimento. Não se pode ser nascido de Deus e ainda assim não ser seu filho.

Mesmo que alguém negasse, contra a majoridade dos comentaristas, que a referência a θεληματος σαρκος ou θεληματος ανδρος é sobre ascendência humana especificamente e insistir que ela se refere a vontade humana em geral, isto não faria a ação divina da regeneração menos que a resposta à fé humana e portanto condicional a ela. Nem isto seria inconsistente com a atribuição de João 1:13 do ato da regeneração para Deus. O texto indica que Deus é aquele que concede o direito de se tornar filho de Deus e aquele que regenera. Seu fazer isto em resposta à fé é matéria de sua alçada e não deveria de forma alguma fazer a escolha humana ser fonte da regeneração em vez de Deus não mais que a faria fonte da justificação, que inegavelmente é pela fé. Interessantemente, em seu excelente comentário sobre João, o eminente estudioso calvinista D. A. Carson se esforça para evitar a óbvia implicação de João 1:12-13 que crentes se tornam nascidos de novo / nascidos do alto pela fé[41]. Mas num momento posterior de distração no comentário, o senso exegético de Carson dá o melhor de sua teologia, levando- o à franca admissão enquanto comentando em João 3:3 que `Leitores que seguiram o Evangelho até este ponto irão instantaneamente pensar (como Nicodemus não pôde) de Jo 1:12-13: “nascer de novo” ou “nascer do alto” deve significar a mesma coisa que “se tornar filho de Deus”, “ser nascido de Deus”, crendo no nome da Palavra Incarnada[42]. Isto está exatamente correto.

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

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O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

John MacArthur afirma que o livro contém os nomes de todos que foram “escolhidos para salvação”. Como calvinista, isto quer dizer que Deus incondicionalmente os elegeu para salvação, e eles receberão a chamada eficaz interna, graça irresistível, resultando em regeneração seguida de uma inevitável escolha livre para crer. Imediatamente seguindo seguindo essas palavras ele diz “Descrentes, cujos nomes não estão anotados no livro da vida, perecerão, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos (2Ts 2:10). Escritura também ensina que os infiéis serão julgados porque não creram na verdade mas tomaram prazer na malignidade (2Ts 2:12). Enquanto os eternamente eleitos são salvos mediante fé no Senhor Jesus Cristo (Jo 3:16, 5:24; At 13:39, 16:31; Rm 3:22-30, 4:5, 10:9-10; Gl 3:22-26; Ef 2:8-9), os não eleitos são perdidos porque se recusam a crer no evangelho (Jo 3:36; Rm 1:18-32, 2:8; 2Ts 1:8-9; 1Pe 2:8, 4:17). Descrença e rejeição sempre indicam tais pessoas cujos nomes não foram inscritos … no livro da vida” [i]

Como um calvinista desencantado, eu diria a mesma coisa sobre estas Escrituras como MacArthur o fez, mas a verdade do calvinismo transmogrifica estas afirmações e o que elas implicam. A verdade do calvinismo é que aqueles fora do livro não podem receber o amor da verdade para serem salvos; os infiéis não creem porque não podem crer. E mais, os eternamente eleitos não recebem salvação pela fé – fé como a primeira parte da salvação ou da condição de salvação – porque eles na realidade recebem salvação mediante eleição incondicional que é executada pela regeneração forçada e é seguida por um inescapável ato livre de fé. Finalmente os não-eleitos não são perdidos porque eles meramente se recusam a crer no evangelho – claramentente implicando que eles poderiam ter crido – mas em vez disso eles recusam o evangelho porque Deus não escolheu elegê-los mas em vez disso deixá-los fazer aquilo que eles somente poderiam fazer, que é recusar. Esta é uma realidade inquietante.

Calvinismo não é privado de paixão em ver os perdidos vindo a Cristo. Não obstante, se a lógica prevalece, é apenas uma paixão vertical. Quer dizer, é uma paixão de cumprir o mandamento de Deus, de ser usado por Deus para reunir seus eleitos. Não pode ser uma paixão horizontal do Espírito, o que é um peso, amor e pesar por todos os perdidos do mundo, ou mesmo para cada indivíduo particular, de vir a conhecer Cristo. Pois o Deus do calvinismo nem memso tem tal paixão. A paixão de um calvinista consistente não é de fato dirigida para o indivíduo mas sempre para Deus, o que alguns calvinistas se deleitariam como justificando o calvinismo. Porém, isto só é verdadeiro se a Escritura apoiar, e eu não penso que seja o caso. Além do mais, se o calvinismo é verdadeiro, a não ser que o calvinista saiba que Deus verdadeiramente trouxe para ele um de Seus eleitos – o que parece impossível de saber objetivamente – o calvinista precisa recusar a dar paixão horizontal porque ela poder ser mero sentimento humano ou influência satânica, ambas contrárias à paixão divina.

A paixão do calvinismo não pode ser logicamente consistente com o calvinismo, sendo dirigida aos perdidos da mesma forma que a simples leitura da Escritura retrata a paixão de Deus, Cristo, Paulo ou dos outros por todos, cada pessoa, cada perdido no mundo. Se um calvinista é tão disposto, é uma inconsistência com o calvinismo em vez de um corolário do calvinismo. Esta é uma realidade inquietante. Como calvinista eu negava – duplifalava – a veracidade desta conclusão, mas como calvinista desencantado, sua verdade é inegável.

E quanto aos espantalhos? Piper diz “isto representa a eleição livre e incondicional de Deus antes de sequer termos nascido ou feito qualquer coisa para merecer a bênção de Deus” [ii]. Porém, não estou certo que Piper está incluindo o exercício da fé como meritório, é comum para calvinistas acusar qualquer um que creia que Deus condiconou a recepção da salvação à fé como adicionar obras. Esta caricatura pelos calvinistas é na realidade um espantalho não-bíblico. A Escritura é clara que a oferta de salvação é incondicional, mas a condição de recebê-la é a fé habilitada pela graça (Jo 3:16, 8:24).

Além disso, o crente não leva crédito pela fé porque não existe absolutamente nenhum mérito na fé, porque fé é a antítese de obras (Rm 4:2-5). Fé é o meio para receber, não a razão para receber. Fé é desistir de si mesmo e colocar toda esperança em outrem. Fé é o total abandono de toda e qualquer esperança de oferecer qualquer coisa de nós mesmos para obter favor divino ou firmar a nós mesmos diante de Deus. Além disso, fé é a condição para receber salvação, mas não a condição para a oferta da salvação (Ef 2:8-9). Ademais, a razão para uma pessoa ser capaz de receber é a graça de Deus. Fé é um dom de Deus, mas não no sentido de Deus somente dando o dom a alguém. Fé é um dom de Deus porque dá ao homem a capacidade de crer, a possibilidade de crer, o conteúdo do crer, a persuasão da verdade, e a habilitação do indivíduo para a fé[iii].

Paulo afirma “Portanto, é pela fé, para que seja pela graça; a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós” (Rm 4:16. Veja também Rm 10:3-5). Portanto, a declaração de Paulo de que fé é de acordo com a graça está em direto contraste com os pronunciamentos de muitos calvinistas. Portanto, sendo de acordo com a graça, ela não é de forma alguma meritória ou obra. John Walvoord nota, “Responder em fé à promessa de Deus não é meritório, porque a promessa floresce de Sua graça, Sua disposição em favor daqueles que merecem Sua ira. O exercício humano da fé é simplesmente a resposta pré-requisito da confiança em Deus e na Sua promessa. Desde que fé e graça andam juntas, e desde que a promessa é pela graça, a promessa só pode ser recebida pela fé, não pela Lei”[iv].


[i]John MacArthur, Revelation 12-22, 49 (Chicago, Ill.: Moody Press, 2000).

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 4/9/11

[iii] Robert E. Picirilli, Grace, Faith, Free Will – Contrasting Views of Salvation: Calvinism and Arminianism, (Nashville: Randall House, 2002), 167.

[iv]John F. Walvoord, Roy B. Zuck and Dallas Theological Seminary, The Bible Knowledge Commentary : An Exposition of the Scriptures, (Wheaton, IL: Victor Books, 1983-c1985), 2:454. Walvoord é um calvinista de quatro pontos. Consequentemente, ele pode colocar regeneração antes da fé, mas eu não estou certo sobre, então eu tomo esta afirmação em seu valor de face.

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Autor: Ronnie Rogers

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out? By Ronnie Rogers – Part 4 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/21/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-3-of-4/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

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O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

Por que o duplifalar? Como mencionado em diversas ocasiões ao longo do livro, no calvinismo existe um problema que eu chamo de duplifalar. Pelo uso deste termo, eu não estou implicando imoral ou clandestina trucagem. Nem estou sugerindo engano conspiratório. Eu devo admitir que após refletir sobre meu tempo de calvinista, eu fiz a mesma coisa. Eu não o fiz por maus motivos, intenção de enganar, ou por causa de uma falta de desejo de ser fiel à Escritura – nem eu impugno assim meus irmãos e irmãs calvinistas.

Como matéria de fato, após refletir, eu o fazia porque eu cria no calvinismo e na Escritura. Isto trazia conflitos que requeriam respostas inconscientes ou pelo menos impensadas aos conflitos, o que eu agora vejo como duplifalar. Este duplifalar obscurece as duras realidades do calvinismo e as inconsistências entre a Escritura e o calvinismo; o que eu estou a descrever agora como as realidades desconfortantes do calvinismo. Ou existia uma inconsciência da séria deficiência entre o calvinismo e a leitura simples da Escritura, ou eu simplesmente estava indisposto a encarar estas disparidades diretamente. Às vezes, uma falta de reflexão pode ter sido mais fácil que embarcar na bastante desconcertante e incerta jornada que eu eu estava pelos últimos treze anos. Também, eu não tinha o conhecimento e nem a habilidade de vê-las tão claramente ali o tanto quanto eu tenho agora. Por duplifalar, eu me refiro às inconsistências entre os dogmas irredutíveis e a lógica do calvinismo, e às falas, escritos, orações etc. de alguns calvinistas. Isto é particularmente pronunciável em áreas como missões, orações, pregação, e comentários escritos e falados que parecem aliviar ou suavizar as duras realidades do calvinismo. Na realidade, é este duplifalar, o qual eu mesmo me achava tolerante, que eu lia e ouvia calvinistas recitando, todos os quais eu estimo como homens e mulheres piedosas, que estimularam meu desencanto.

O duplifalar é ou uma tentativa inconsciente de evitar pessoalmente as duras realidades do calvinismo ou uma indisposição de inadvertidamente expressas os realmente irredutíveis dogmas, lógicas, corolários, e as austeras verdades do calvinismo para aqueles que são menos encantadoras com os poderes explanatórios do calvinismo. Pode ser também que seja apenas falta de entendimento dos verdadeiros ensinos do calvinismo, da Escritura, ou de ambos. Em minha opinião, enquanto calvinistas continuam a declarar infrequentemente ou evitar afirmar estas inflexíveis e biblicamente impalatáveis verdades, eles continuarão a dar as mesmas respostas vazias aos dilemas criados pelo calvinismo, como por exemplo “isto é um mistério” ou algum duplifalar. Existem alguns calvinistas que procuram sem embaraço celebrar estas duras realidades do calvinismo, e eu os aplaudo por sua abordagem direta, ainda que não pela sua corretude.

Por muitos anos eu via a simples gerência de passagens sem invocar as duras realidades do calvinismo, proclamações sobre missões ou a perda que parece estar de acordo com o espírito e letra da Escritura, orações ausentes dos corolários lógicos do calvinismo, e paixão dirgida a perseguir e persuadir os perdidos a se arrepender, como um tipo mais suave e gentil de calvinismo. Agora eu vejo esras expressões como calvinismo inconsistente – duplifalar. Eu não mais admiro tais sentimentos, mas desejo a exposição de tais incongruências como o que elas são, duplifalar. Minha oração é que alguns vejam este nebuloso duplifalar também e sejam atraídos pela simples e direta mensagem da Escritura e portanto se tornem calvinistas desencantados. No que se segue estão alguns exemplos de duplifalar, os quais, se lidos sem o entendimento das crenças calvinistas dantes mencionadas, não veria tais inconsistências entre a Escritura e o calvinismo.

Por um lado, Piper afirma que o livro contendo os nomes dos que estão “seguros no amor soberano eletivo de Deus”[i]. Isto é seguido pela sua afirmação que “o livro da vida é sinônimo da lista daqueles que são eleitos e predestinados para a vida eterna”[ii]. Esta eleição incondicional para salvação é trazida à tona com graça monergística eficaz. De acordo com Piper e com calvinistas, os eleitos serão irresistivelmente trazidos para Deus, irresistivelmente regenerados, e igualmente irresistivelmente, apesar de livremente, exercer fé a partir de suas novas natureza e desejos.

Piper fala da graça irresistível, “Quando uma pessoa ouve uma chamada do pregador para o arrependimento, ela pode resistir a este chamado. Mas se Deus lhe concede arrependimento ela não pode resistir porque o dom é a remoção da resistência. Não estar disposto a se arrepender é o mesmo que resistir ao Santo Espírito. Então Deus dar arrependimento é o mesmo que remover a resistência. É por isso que chamamos a esta obra ‘graça irresistível'”[iii]. Conversamente, ele diz dos não-eleitos, “Exceto pela contínua exerção de graça salvífica, nós sempre usaremos nossa liberdade para resistir a Deus”[iv]. Novamente ele estabelece, “A natural dureza de nossos corações nos faz indispostos e incapazes de voltar do pecado e confiar no Salvador. Portanto a conversão envolve o milagre do novo nascimento. Este novo nascimento precede e habilita fé e arrependimento”[v]. Portanto, de acordo com Piper, os não-eleitos não podem crer, não podem ser salvos, não podem exercer fé, e não podem receber a oferta da salvação porque Deus não os escolhera para regeneração. Se Ele os tivesse escolhido, eles teriam e haveriam sido salvos.

Então, em outro artigo em seu website ele diz “Eu creio que Cristo morreu como substituto para pecadores para prover uma oferta bona fide de salvação a todas as pessoas, e que ele tem um projeto invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembleia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto (Jo 3:16, Ef 5:25, Rv 13:8 )”[vi]. Então a morte de Cristo obteve uma “oferta bona fide de salvação para todas as pessoas”, o que inclui todos os não-eleitos, que não apenas não crerão para salvação, mas que não podem crer para salvação. Isto levanta a questão, de que forma qualquer um pode considerar a oferta como sendo bona fide se existe uma decisão predeterminada, inalterável, e invencível pelo soberano Deus do tempo e da eternidade que eles não poderiam receber tal oferta? Isto é duplifalar e uma inquietante realidade.


[i] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessado 9/4/11

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 9/4/11

[iii] John Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe About the Five Points of Calvinism, (copyright Desiring God.org, revised March 1998, http://www.desiringgod.org/resource-library/articles/what-we-believe-about-the-five-points-of-calvinism/print).

[iv] Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe.

[v] Piper, Desiring God, 62.

[vi] http://www.desiringgod.org/blog/posts/saying-what-you-believe-is-clearer-than-saying-calvinist?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed:+DGBlog+(DG+Blog)#accessed 9-4-11


META

Autor: Ronnie Rogers, Site: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out?- Part 3 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro – Quem Está Dentro? Quem Está Fora?

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O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte I de IV

Este título é do capítulo 16 do livro do Pastor Ronnie Rogers, “Reflections of a Disenchanted Calvinist”. Obviamente, o assunto é eleição. O autor permitiu a SBCToday postar o capítulo todo. Com umas 4.000 palavras, o capítulo aparecerá em quatro fascículos. Este é o primeiro.

Eu afirmo que o Livro da Vida do Cordeiro contém todos os nomes daqueles que já foram ou ainda serão salvos. Eu afirmo também que os nomes foram escritos no livro desde a eternidade passada (Rv 13:8). Eu ainda afirmo que aqueles no livro ali estão devido a exercerem a fé habilitada pela graçapara salvação e poderia ter feito de outra forma, e aqueles fora do livro poderiam estar ali exercendo fé habilitada pela graça.

Os meios desta habilitação da graça incluem mas não estão limitados a: convicção do Santo Espírito (Jo 16:7-11), obra do Santo Espírito (Hb 6:1-6), bom solo (Mt 13:1-23), e o poder do Evangelho (Rm 1:16). Além disso, eu afirmo que o homem, devido a estas graciosas provisões e obras de Deus, pdoe escolher buscar Deus, assim como os bereanos, dos quais se diz que devido eles terem estudado a Escritura, muitos deles creram (At 17:12). Adicionalmente, ninguém pode vir a Deus sem Deus trazer (Jo 6:44), e que Deus está trazendo todos os homens (Jo 12:32). A mesma palavra grega para trazer, helkuw, é usada em ambos os versos. “Aproximadamente 115 passagens condicionam salvação ao crer somente, e por volta de 35 à fé simplesmente”[i]. Outras habilitações da graça podem incluir obras providenciais em outras pessoas, situações, e tempo ou circunstâncias que são parte de uma graça para prover o momento ótimo para um indivíduo escolher seguir Cristo.

Eu desafirmo que o livro contenha os nomes daqueles que Deus elegeu salvar mediante regeneração monergística e que aqueles que não estão no livro são os que Ele elegeu para voluntariamente abandonar. Eu desafirmo que “o livro da vida é sinônimo da lista daqueles que são eleitos e predestinados para vida eterna”[ii]. Eu também desafirmo que exercer fé habilitada pela graça é de alguma forma meritório. Eu adicionalmente desafirmo que fé é obra e que não é requerida antes da regeneração e justificação (Rm 3:27-28, :5). Paulo diz “Portanto, é pela fé, para que seja pela graça; a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós” (Rm 4:16. Veja também Rm 10:3-5). Portanto, a declaração de Paulo que fé é de acordo com a graça está em franco contraste com os pronunciamentos de muitos calvinistas que fé é obra. Portanto, sendo de acordo com a graça, ela não é de forma alguma obra meritória.

Todos concordam que o “livro da vida” contém os nomes dos redimidos; a discórdia concerne o que determina se o nome é gravado no livro. O que se segue é para clarificar o que calvinistas querem dizer quando se referem ao livro, e o que eu, junto com outros não-calvinistas, quero dizer. Eu irei interagir com dois calvinistas olhando Rv 13:8 sob as seguintes áreas: O que o texto diz? O que os calvinistas dizem? O que o texto não diz? Por que o duplipensar? E quanto aos espantalhos?

O que o texto diz? Falando sobre o período da tribulação e daqueles que adorarão a besta (anticristo) João diz “E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Este livro é especificamente referenciado seis vezes em Revelação. Ele é chamado “o livro da vida” (3:5, 17:8, 20:12,15), “o livro da vida do cordeiro” (21:27) e na passagem passada é chamado “o livro da vida do cordeiro que foi morto”[iii]. Nenhuma das ocorrências explicita o que determina se alguém é excluso ou incluso no livro.

O que calvinistas dizem? Calvinistas veem o livro como um registro dos nomes daqueles que Deus incondicionalmente selecionou para salvar mediante regeneração monergística. John MacArthur afirma “o livro da vida pertencente ao Cordeiro, o Senhor Jesus, é o registro no qual Deus inscreveu os nomes daqueles escolhidos para salvação antes da fundação do mundo”[iv] (itálico adicionado). Agora é importante notar que os eleitos não são aqueles que recebem de Deus o dom da salvação mediante fé, mas aqueles “escolhidos para salvação”.

John Piper reporta “o ‘livro da vida’ é uma lista de todos os eleitos que Deus escolheu antes da fundação do mundo. Ser escrito nele é estar seguro no amor eletivo soberano de Deus … Eu argumentei de Rv 17:8 que os nomes são escritos no livro da vida ‘antes da fundação do mundo’ e que isto representa a eleição livre e incondicional antes de termos nascido ou de termos feito qualquer coisa para merecer a bênção de Deus”[v]. No mesmo artigo ele diz “No Novo Testamento o livro da vida é sinônimo da lista daqueles que são eleitos e predestinados para a vida eterna”[vi].

Ambos têm concluído que o livro contém os nomes daqueles que Deus “incondicionalmente” elegeu para salvação à parte da fé. Apesar de o calvinismo ensinar que fé é requerida para completar o processo de salvação, ela enfaticamente não é condição para receber salvação ou ser escrito no livro da vida. Na realidade, calvinistas creem que Deus escreveu os nomes dos eleitos no livro, e então Jesus morreu pelos seus pecados. O evangelho eficazmente os chama à salvação, um chamado que eles não podem responder exceto se Deus monergisticamente os regenerar; somente então eles são feitos tal que possam livremente exercer fé em Cristo, o que eles farão porque não podem descrer. Para atestar, o livro anota os eleitos de Deus, ainda que à parte de crer, escolher etc.


[i] Chafer, Systematic Theology, vol. VII, 273-274.

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life Acessado 9/4/11

[iii] Algo semelhante é referenciado no Antigo Testamento (Ex 32:32ff; Sl 69:28) e no Novo Testamento (Lc 10:20).

[iv]John MacArthur, Revelation 12-22, 50 (Chicago, Ill.: Moody Press, 2000).

[v] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life Acessado 9/4/11

[vi] Ibid.

META

Autor: Ronnie Rogers, Site: http://sbctoday.com/2012/07/18/8942/

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out?- Part 1 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/18/8942/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: João 6 por Chris Chapman (Parte I de VI)

Padrão

Trazidos pelo Pai – Parte I: A Grande Figura

[37] Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

[44] Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

[65] E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.

{João 6:37,44,65}

Desafio Calvinista:

Estes versos são alguns dos mais claros versos ensinando a doutrina do Graça Irresistível. Em João 6:44 Jesus deixa claro que nenhum homem em toda a história pode vir a Jesus exceto se o Pai pessoalmente o trouxer. E no verso 37 Jesus diz claramente que aqueles que têm pertencido a Deus desde toda a eternidade mais que certamente virão. A conclusão é inescapável; somente aqueles escolhidos por Deus mais certamente virão. Isto é graça irresistível pura e simples!

Resposta Bíblica:

Deve ser admitido que sem considerar o contexto histórico do Evangelho de João e a situação da antiga igreja, estas passagens parecem dizer exatamente aquilo que a teologia reformada diz deles. Mas como discípulos de Cristo nós devemos sempre considerar o contexto da escritura antes de traçar quaisquer conclusões. A fim de clarificar o contexto desses versos geralmente mal-compreendidos, nós iremos responder três questôes: Qual, Quem e Como.

Qual É o Contexto Histórico e Propósito do Evangelho de João?

Antes de considerar Jo 6:37,44 e seu contexto imediato, é importante para nós olhar primeiro a grane figura. Olhando o contexto histórico do Evangelho de João como um todo nós chegaremos a entender o propósito para o qual ele foi escrito. Isto nos ajudará enquanto voltamos nossa atenção nos eventos e no diálogo de João capítulo seis.

“No princípio”, desde a história da criação até o capítuo 12 de Gênesis, Deus lidou com a humanidade de todas as nações. Então no capítulo 12 Deus começa a focar suas atenções em Abra`ao e seus descendentes. Deus escolheu Abraão de tal forma que mediante ele Deus pudesse construir uma nação que abençoaria “todas as nações” pela vinda de Cristo (Gn 12:1-3). Ele manteve o foco estreito até o momento para a bênção mundial chegar. O Evangelho de João proclama, “No princípio era o Verbo”, e o eterno Verbo veio agora como “a verdadeira luz que ilumina a todo homem que vem ao mundo” (João 1:1-9).

Deus enviou um mensageiro para ser testemunha da vinda do Messias, João o Batista. João foi enviado a fim de que “todos cressem por meio dele” (Jo 1:7). Mas a maioria dos judeus rejeitoo desejo de Deus para eles. Assim João escreveu, “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). Mas isto não aniquilou o plano de Deus, porque Jesus não veio somente paa Israel. Assim, apesar de a maior parte de Israel o ter rejeitado, “… a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; o quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1:12-13). Deus estava mais uma vez focando em todas as nações. Ele não estava focado com a ancestralidade natural de alguém, mas com como eles responderiam ao seu Filho. Jesus veio para salvar todo aquele que colocasse sua confiança nele não importando de que nação viesse.

Este foi o contexto do Evangelho de João; esta era a controvérsia de seus dias. Bênção messiânica não era para Israel somente, mas mediante Cristo todos poderiam ser salvos. Pelo tempo que João escreveu seu Evangelho existiam mais crentes no Messian dentre os não-judeus do que entre os judeus. Os líderes religiosos judeus dos dias de João perseguiam os judeus crentes no Messias e desprezavam os gentios seguidores de Cristo. Cristãos, mesmo os judeus, não eram permitidos entrar nas sinagogas. Em Revelação 2:9 Jesus refere à atitude dos judeus para os cristãos durante o tempo que estamos considerando, “Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás”. E novamente ele diz “Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo” (Rv 3:9).

O Evangelho de João foi escrito para encorajar os crentes em Cristo que eles eram povo de Deus, e para encorajar descrentes de todas as nações para que eles pudessem tornar-se parte do santo povo de Deus confiando em Cristo. A maneira de João para encorajar aqueles perseguidos pelas autoridades judaicas era mostrar a hostilidade que Cristo enfrentou das autoridades judaicas de seus dias. E para que eles vissem que aqueles entre a nação judaica que rejeitaram Cristo nunca foram parte do verdadeiro povo de Deus. O Evangelho de João ensinou-lhes o que Paulo em outro momento ensinou pela mesma razão, “… Porque nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9:6).

Uma Olhadela Rápida

Enquanto caminhamos pelo Evangelho de João nós vemos que quase todo capítulo de alguma forma referencia o contexto histórico. João escreveu seu Evangelho para encorajar cristãos, tanto judeus quanto gentios, que eles eram o verdadeiro povo de Deus; que não é ancestralidade, mas a fé, que agrada Deus. No capítulo 1 verso 29 nós lemos o testemunho de João Batista que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Para nós isto é uma simples afirmação de fato, mas para os líderes judeus dos dias de João Batista ela desafiou sua suposição que o Messias era somente para os judeus. Em Jo 1:47 nós vemos Jesus fazendo do caráter e condição espiritual os meios para determinar quem são os verdadeiros judeus quando ele declara de Natanael, “…Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”.

No capítulo 2 Jesus profetizou, com suas ações, sobre a iminente destruição do templo judaico. Ele mostrou seu desprazer com as práticas corruptas da nação judaica virando as mesasdos cambistas e expulsando aqueles vendedores de animais para sacrifício com um chicote (versos 13-17). Ele vai ainda mais longe declarando que de agora em diante seu corpo seria templo de Deus, fazendo a si mesmo o centro de todos aqueles devotados a adorar Deus (versos 18-22).

Em João 3:16 nós lemos a afirmação controversa definitiva. Jesus proclama que Israel não era o único foco do amor salvífico de Deus, mas que Deus amou o mundo. E ele novamente enfatiza que não é ser judeu que faz alguém aceitável a Deus, mas todo aquele que crê receberá vida eterna. No verso 18 Jesus declara que ser judeu não pode salvar ninguém quando ele declara “Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. O que para nós é um sumário tão natural da fé cristã era horrivelmente ofensivo para os líderes judeus dos dias do Apóstolo João, e seria bem encorajador aos leitores cristãos de João.

No capítulo 4 lemos sobre um dia confuso na vida dos discípulos judaicos de Jesus. Não apenas ele ministrou para uma mulher samaritana, mas então ela foi ministrar a toda sua vila. Em seu ministério para ela ele deixou claro que a posição espiritual com Deus não mais seria dependente de quaisquer tradições nacionais ou raciais. Ele contou-lhe nos versos 21 e 23: “Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai… Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”. Ele fez a si mesmo o centro de toda verdadeira religião quando ele lhe disse, “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna” (verso 14). Ao fim de seu tempo com os samaritanos eles fizeram uma declaração explosiva sobre o Messias judeu, “…nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo” (verso 24).

No capítulo 5 versos 19-47 Jesus confronta os líderes religiosos e lhes diz que rejeitando-o, eles estavam rejeitando Deus. Ele ofende seu orgulho religioso acusando-os de não crer nos escritos de Moisés quando ele diz “Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” (versos 46-47). Ele os desafia a parar de meramente ler as escrituras e crer nelas; pois vida não é encontrada na Bíblia, é encontrada nele (verso 39). Mas ele sabe que eles não querem vir a ele para vida porque eles jamais ouviram a voz de Deus e não tem a palavra de Deus dentro deles (versos 37-38). Por causa de sua rejeição dele ele concluiu que eles não tinham o amor de Deus neles (verso 42). Nós devemos entender que ele está declarando plenamente que estes religiosos judeus, zelosos da Lei, não pertenciam a Deus. Não espanta quererem matá-lo!

No capítulo 7 verso 17 ele acusa os líderes religiosos de não quererem fazer a vontade de Deus quando ele diz, “se alguém quiser fazer a vontade de Deus”, ele crerá em mim. Eles mostraram que não queriam fazer a vontade do Pai rejeitando-o. No capítulo 8 ele lhes diz que são escravos do pecado (verso 34) e não são verdadeiros filhos de Abraão (versos 39-40). Ele prossegue afirmando-lhes que eles não são filhos de Deus como eles alegam, mas na realidade são filhos do diabo, que procuram os desejos de seu pai (versos 41-44). Ele conclui lnhes dizendo “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus” (verso 47). Esta é uma coisa bem impressionante de se dizer para os líderes da nação escolhida por Deus! Fazendo assim ele deixou claro mais uma vez que ancestralidade não tem nenhum benefício no reino de Deus.

No capítulo 9 ele fala aos “iluminados” líderes religiosos que eles eram espiritualmente cegos (versos 39-41). Em João 10:7 ele chama os líderes de Israel de ladrões e salteadores. Em João 12:41 nos é informado que alguns dos judeus creram nele, “mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga”. E no verso 32 quando os apóstolos trouxeram alguns gregos para falar com ele, ele declara que após sua morte ele traria todos a ele mesmo, não apenas judeus mas também gentios.

João escreveu seu Evangelho para desafiar as alegações dos judeus de seus dias. Eles alegavam que somente aqueles descendentes de Abraão pertenciam a Deus. Quaisquer gentios dissessem que seguiam o Messias judeu estavam completamente enganados. E aqueles judeus que seguiam Jesus não mais eram considerados parte do povo santo de Deus. João usou episódios no ministério e ensino de Jesus para mostrar que suas alegações eram completamente infundadas. Não era mais a ancestralidade ou as tradições que determinariam se se pertence ou não a Deus, mas seria sua fé no Messias judeu que os faria verdadeiros membros do povo de Deus. O ponto do Apóstolo João é melhor sumarizado pelas palavras de João o Batista em Mt 3:8-9, “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não penseis em dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão“. João está nos falando que isto é exatamente o que Deus tem feito!

Além de João

João encara de frente esta atitude da nação judaica para o movimento messiânico recém-formado em seu Evangelho. Mas ele não é o único que enfrenta e aborda isso. Em Mateus 21:33-46 nós vemos que isto também estava na mente de Mateus. Ele relata uma parábola de Jesus sobre os líderes religiosos judeus (verso 45). No verso 42 ele explica que era a pedra angular de Israel e que rejeitando-o os líderes de Israel estavam trazendo julgamento sobre si mesmos. Por esta razão o reino de Deus estava sendo tomado deles e dado para um povo que produzisse fruto (verso 43). Em sua rebelião contra Deus eles rejeitaram o Messias que lhes foi enviado. Eles logo estavam para cair em Jesus e crucificá-lo, mas ele seria vindicado por Deus e voltaria para esmagá-los (verso 44). A coisa importante a se notar no que Mateus relata é que ele estava deixando claro que Israel seria redefinida. Ele estava contando a seus leitores que Israel não era mais identificada pela sua relação de sangue por Abraão, mas por sua relação espiritual com o Messias.

Pedro faz um ponto semelhante em 1Pedro 2:1-10. Ele também aponta que Jesus é a pedra angular na qual o verdadeiro Israel de Deus é construído. Aqueles que o rejeitam estão debaixo do julgamento de Deus aqueles que creem não feitos parte da raça escolhida, sacerdócio real e santa nação de Deus (verso 9). Pedro lhes fala que eles uma vez foram pessoas de nenhuma importância, mas que em Cristo eles foram feitos povo de Deus (verso 10). Israel é definido pela sua responsabilidade com Jesus Cristo, ele é a pedra angular! Se você confia nele você está nele, se você o rejeita está fora!

Ninguém fala mais deste assunto que Paulo o Apóstolo. Só precisamos ler Gálatas 3:15-29 para ver este princípio claramente apresentado. Paulo quis que os gentios gálatas, e quaisquer judeus que estivessem lendo, soubessem que não somos filhos de Abraão pela ancestralidade, mas pela fé em Cristo Jesus. Jesus foi a semente de Abraão ela qual a bênção para o mundo foi prometida (verso 16). E aqueles que recebem-no serão feitos verdadeira semente de Abraão (verso 29).

Em Romanos 9:6-7 Paulo escreve “Porque nem todos os que são de Israel (i.e Jacó) são israelitas (i.e. povo de Deus); nem por serem descendência [física] de Abraão são todos filhos”. Começando na segunda metade do verso 7 e continuando até o verso 13 ele compartilha o princípio de como Deus escolhe seu povo. Deus prometeu que os filhos de Abraão seriam abençoados, mas então ele estreita esta promessa aos descendente de Isaque somente. Isto significa que os descendentes de Abraão mediante Ismael foram excluídos da promessa de Abraão. Mas ele não parou aí; ele estreitou a promessa ainda mais dizendo que nem todos os descendentes de Isaque receberiam a bênção, mas apenas aqueles nascidos de Jacó. Os filhos de Esaú eram descendentes de Isaque e poderiam ter partilhado da promessa da aliança com Isaque, mas Deus em sua soberania limitou a promessa à linha de Jacó.

Paulo mostra este padrão na maneira de eleição de Deus para nos ensinar que agora Deus estava limitando sua promessa a um dos descendentes de Abraão. Pedro chamou este descendente de pedra angular. Em Gálatas Paulo usa a palavra “semente” para descrevê-lo. Mas em Romanos 9:32-33 ele o chama de “pedra de tropeço e uma rocha de escândalo”. Ele então nos conta que aqueles que nele creem não serão envergonhados. Desta forma Paulo está falando justamente o que João está tentando transmitir em seu Evangelho, a saber que a promessa de aceitação por Deus como um de seu povo é determinado pela conexão com Cristo. Os judeus que se gloriavam em serem filhos de Abraão não tinham chão para se manter se eles rejeitassem Cristo porque era mediante Cristo que os filhos de Abraão foram nomeados.

Se nós ignorarmos o contexto histórico e propósito geral do Evangelho de João quando nós chegamos aos versos que estamos considerando nesta série de posts nós iremos desinterpretá-los como a teologia reformada tem feito. Mas se nós mantivermos o contexto da perseguição da antiga igreja pelos judeus descrentes em mente nós começaremos a ver Jo 6:37,44,65 em uma luz totalmente nova, uma luz bíblica.

Neste post nós começamos a olhar o contexto geral de João 6. No próximo olharemos no coneúde de João capítulos 5, 7, 8, focando em como eles afetam o entendimento de João capítulo seis.

META

Autor: Christopher Chapman

Site: http://christopherchapman.wordpress.com

Título Original: Drawn by the Father – John 6 (Part 1 – The Big Picture)

Fonte: http://christopherchapmanblog.wordpress.com/2012/11/21/drawn-by-the-father-john-6-part-1-the-big-picture/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog