OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Eleição Condicional

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Eleição Condicional

(Conditional Election – Artigo 1 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Existem duas visões principais sobre o que a Bíblia ensina acerca do conceito de eleição para salvação: se ela é condicional ou incondicional. A eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus por aqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não foi nada sobre eles que contribui para a decisão de Deus em escolhê-los, o que parece tornar a escolha por Deus de qualquer indivíduo em detrimento de qualquer outro arbitrária. Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha por Deus de não salvar certos indivíduos mas daná-los pelos seus pecados por razão nenhuma a ver com eles, o que parece contradizer o espírito de numerosas passagens que enfatizam o pecado humano como razão para divina condenação bem como o desejo de Deus para que as pessoas se arrependam e sejam salvas (e.g. Gn 18:25; Dt 7:9, 12; 11:26-28; 30:15; 2Cr 15:1-2; Sl 145:19; Ez 18:20-24; Jo 3:16-18; veja também “Expiação para Todos” acima e o tratamento da reprovação por John Wesley, incluindo muito mais versos com breve comentário disponível em http://evangelicalarminians.org/wp-content/uploads/2013/07/Wesley-on-Reprobation.pdf). A eleição ser condicional significa que a escolha por Deus daqueles que ele salvará tem algo a ver com eles, que parte de sua razão para escolher eles tem algo a ver com eles. Acerca da eleição para salvação, a Bíblia ensina que Deus escolhe para salvação aqueles que creem em Jesus Cristo e portanto tornam-se unidos a ele, fazendo a eleição condicional à fé em Cristo.

Desejando a salvação de todos, provendo expiação para todos, e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação entregando o evangelho e habilitando todos os que ouvem o evengelho a responder positivamente em fé (veja “Expiação para Todos” e “Livres para Crer” acima), Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho / em Jesus Cristo (Jo 3:15-16, 36; 4:14; 5:24, 40; 6:47,50-58; 20:31;
Rm 3:21-30; 4:3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9:30-33; 10:4, 9-13;
1Co 1:21; 15:1-2;
Gl 2:15-16; 3:2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28;
Ef 1:13; 2:8;
Fp 3:9;
Hb 3:6, 14, 18-19; 4:2-3; 6:12;
1Jo 2:23-25; 5:10-13, 20).
Esta verdade bíblica clara e básica é equivalente a afirmar que a eleição para salvação é condicional à fé. Assim como a salvação é pela fé (e.g. Ef 2:8 – “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (assim a eleição para salvação é pela fé, um ponto explicitamente exibido em 2Ts 2:13 – “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (NASB; note: “Deus vos escolheu … mediante … fé na verdade”; sobre a gramática deste verso, veja “Traduções Rápidas: 2Tessalonicenses 2:13, Gramática Grega e Eleição Condicional“). Ou como João 14:21 coloca (com a suposição não-afirmada que o amor por Cristo e obediência a seus mandamentos vêm da fé) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Ou de novo, nas palavras de 1Co 8:3, “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Além disto, nós encontramos várias expressões da condição de eleito/salvo sendo dada pela fé, i.e. concedida por Deus em resposta à fé. Crentes são justificados pela fé (Rm 3-4, Gl 3), adotados como filhos de Deus pela fé (Jo 1:12, Gl 3:26), herdeiros de Deus pela fé (Rm 4:13-16; Gl 3:24-29; Tt 3:7; cf. Rm 8:16-17), dados vida espiritual (= regenerados) pela fé (Jo 1:12-13; 3:14-16; Jo 5:24, 39-40; 6:47, 50-58; 20:31; Ef 2:4-8 [note que ser salvo aqui é igualado a ser levantado para a vida espiritual etc., e que isto é então dito como tomando lugar pela fé]; Cl 2:12; 1 Tm 1:16; Tt 3:7), santificados pela fé (At 26:18), dados o Espírito Santo pela fé (Jo 4:14; 7:38-39; At 2:33; Rm 5:1, 5; Ef 1:13-14; Gl 3:1-6, 14), habitados pelo Pai, Filho e Santo Esírito pela fé (com os parênteses anteriores, veja Jo 14:15-17, 23; 17:20-23; Ef 3:14-17), e unidos a Cristo pela fé (Jo 6:53-57; 14:23; 17:20-23; Ef 1:13-14; 2; 3:17; Gl 3:26–28; Rm 6; 1Co 1:30; 2Co 5:21).

Nós devemos ser cautelosos em não perder a expressão da situação de eleitos nos diversos estados de graça. O estado da justificação significa estar em correto relacionamento com Deus. Mas isto implica pertencer a ele como um de seu povo eleito. Adoção/filiação também é uma expressão clássica do Antigo Testamento sobre a eleição de aliança do povo de Deus (Ex 4:22-23). Isto envolve a ideia de pertencer a Deus da mais profunda maneira possível para seres humanos. Herança segue diretamente disto como uma expressão de eleição. Filhos, que pertencem a Deus, são herdeiros de suas bênçãos e promessas pactuais (Rm 8:16-17). Vida espiritual também implica situação de eleito porque é uma das bênçãos providas na aliança. Mas a conexão com a situação de eleito pactual é ainda maior, como Jo 17:3 revela que não apenas aqueles que pertencem a Jesus recebem vida eterna, mas esta vida eterna é conhecer Cristo/Deus, o que é melhor entendido como um relacionamento íntimo de aliança envolvendo a condição de eleitos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste”.

O fato que o Santo Espírito é dado a crentes sob a condição de fé em Cristo também é profundamente confirmatório da eleição condicional. Pois na Escritura a presença de Deus / o Santo Espírito é o doador e marcador da eleição. Como Moisés orou em Ex 33:15-16, “… Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra”. Ou como Paulo estabelece em Rm 8:9-10, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça” (ênfase acrescida). A concessão do Espírito acarreta eleição, e ter o Espírito faz a pessoa eleita. Portanto, tendo o Espírito também separa a pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição também ser pela fé.

De um ponto de vista arminiano não-tradicional (veja mais abaixo sobre diferentes visões arminianas), isto acorda com os fatos que o Santo Espírito santifica os crentes e santificação é por vezes identificada com o meio pelo qual a eleição é obtida (2Ts 2:13, 1Pe 1:2). Santificar significa “ser feito santo, separado para Deus”. A obra santificatória inicial do Espírito é mais ou menos equivalente a crentes-eleitos sendo escolhidos ou separados para serviço e obediência para ele. O Apóstolo Paulo conta à igreja dos tessalonicenses, “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (2Ts 2:13 NASB). Eleição é aqui apresentada como tomando lugar mediante ou pela santificação que o Santo Espírito realiza. Mas como nós temos visto, o Santo Espírito é recebido pela fé, fazendo a santificação que ele traz também condicionada à fé e lançando luz na menção de “fé na verdade” seguindo imediatamente 2Ts 2:13. Semelhantemente 1Pe 1:1-2 fala dos “escolhidos refugiados … segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo…” Eleição toma lugar em ou pelo ou mediante a santificação efetivada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Santo Espírito a separa como pertencente a Deus, para obediência para com Jesus Cristo e para aspersão com seu sangue (i.e. o perdão dos pecados), um ato consequente à entrega do Espírito, o que mais uma vez é a própria consequência da fé em Cristo.

O estado final da graça daqueles acima mencionado para nós considerarmos é a união com Cristo, que é o mais fundamental de todos eles, servindo como base de cada um. Como Ef 1:3 afirma acerca da Igreja, Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. A frase “em Cristo” indica união com Cristo, um estado no qual se adentra pela fé, como já mencionado. Em Ef 1:3, união com Cristo é dada como condição para as bênçãos de Deus para a Igreja. Isto é, Deus abençoou a Igreja com toda sorte de bênçãos espirituais como consequência de serem unidos a Cristo (cf. Rm 9:7b – “Em Isaque será chamada sua descendência”, o que claramente significa que a descendência de Abraão seria nomeada como consequência de estar em Isaque, i.e. aqueles conectados a Isaque seriam contados como descendência de Abraão). Uma das bênçãos espirituais especificadas como entre cada bênção espiritual com a qual a Igreja foi abençoada é eleição (Ef 1:4). Agora se Deus abençoou a Igreja com toda bênção spiritual como consequência de estar unida a Cristo, e a eleição é uma destas bênçãos, então isto significa que a eleição é condicional à união com Cristo e à fé pela qual esta união é estabelecida.

Mais diretamente, Ef 1:4 explicitamente indica a condição de eleição especificamente com a frase “nEle [em Cristo]”: “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Bem como Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual indica que Deus nos abençoou porque estamos em Cristo (Ef 1:3), então Deus nos escolhendo em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1:4). Efésios 1:4, portanto, articula eleição condicional, uma eleição que é condicional à união em Cristo. Mas o fato que união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.

A próxima frase em Efésios 1:4 – “antes da fundação do mundo” – nos traz a uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição incondicional. A visão tradicional concebe eleição condicional como sendo individualística, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele dantes soube que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria nesta fé-em-união. A visão parece encontrar impressionante suporte em duas passagens proeminentes que relatam-se com a eleição.

Romanos 8:29 diz “Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Agora sem questão, o pré-conhecimento de Deus sobre os seres humanos é total e incluiria conhecimento anterior de cada pessoa e se creria ou não. E em Rm 8:29, presciência divina é apresentada como a condição para predestinação. Dado tudo que foi dito até aqui, muitos chegariam que a presciẽncia de Deus sobre a fé dos crentes seria o elemento mais natural de sua presciência deles ser determinativo de sua decisão de salvá-los e predestiná-los para serem conformes à imagem de Cristo.

A outra passagem proeminente provendo suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina sobre a fé humana é 1Pe 1:1-2, que fala da situação de eleito como sendo “segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Aqui a situação de eleito é explicitamente dito como sendo baseado na presciẽncia de Deus. E novamente, o tipo de evidência que estamos revendo leva muitos a crer que é especialmente presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela a qual a eleição divina conforma. Desde que este texto não especifica a presciência em vista como sendo de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas de eleição tomaria a presciência divina em 1Pe 1:2 como sendo do próprio plano de Deus para salvação, significando que eleição é baseada no plano de Deus para salvar aqueles que creem.

A visão arminiana não-tradicional da eleição é conhecida como eleição corporativa. Ela observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento foi consequência da escolha de um indivíduo que representou o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo foi eleito no cabeça corporativo, isto é, como consequência de sua associação com o representante corporativo (Gn 15:18; 17:7-10, 19; 21:12; 24:7; 25:23; 26:3-5; 28:13-15; Dt 4:37; 7:6-8; 10:15; Ml 1:2-3). Além disso, indivíduos (tais como Raabe e Rute) que não eram naturalmente relacionados ao cabeça corporativo poderiam unir-se ao povo escolhido e à identidade, história, eleição, e bênçãos do cabeça e povo eleitos. Houve uma série de cabeças de alianças no Antigo Testamento – Abraão, Isaque, e Jacó, e a escolha de cada novo cabeça do pacto trouxe uma nova definição do povo de Deus baseado na identidade do cabeça da aliança (juntamente com as referências anteriores deste parágrafo, veja Rm 9:6-13). Finalmente, Jesus Cristo veio como cabeça da Nova Aliança (Rm 3-4; 8; Gl 3-4; Hb 9:15; 12:24)— ele é o Escolhido (Mc 1:11; 9:7; 12:6; Lc 9:35; 20:13; 23:35; Ef 1:6; Cl 1:13; e numerosas referências a Jesus como Cristo/Messias) – e qualquer um unido a ele vem a compartilhar sua identidade, história, eleição, e bênçãos da aliança (nos tornamos coerdeiros com Cristo – Rm 8:16-17; cf. Gl 3:24-29). Portanto, a eleição é “em Cristo” (Ef 1:4), consequência da união com ele pela fé. Assim como o povo de Deus na Antiga Aliança foi escolhido em Jacó/Israel, assim o povo de Deus na Nova Aliança é escolhido em Cristo.

Alguns têm erroneamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 para a eleição discricionária dos cabeças das alianças anteriores como sendo indicação de que a eleição de Deus para salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça da aliança é única, acarretando a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para tornar-se parte do povo eleito da mesma forma que o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com esta grande ênfase em Romanos sobre salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus em fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou ascendência, bem como sua conclusão na seção evidencia, referindo-se à situação eletiva da justificação:

30. Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

31. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não atingiu a lei da justiça.

32. Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras da lei.

{Romanos 9:30-32b Almeida Recebida}

(Para um bom artigo sobre Romanos 9, veja Traduções Crédulas: Romanos 9 – Uma Leitura sob uma Nova Perspectiva.)

A metáfora da oliveira por Paulo em Rm 11:17-24 dá uma excelente figura da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo eleito de Deus. Mas indivíduos são enxertados no povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou são arrancados do povo escolhido de Deus e de suas bênçãos por causa da descrença. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando da eleição por meios de sua participação (mediante fé) no grupo eleito, que compreende a história da salvação. Efésios 2:11-12 semelhantemente atesta que os gentios que creem em Cristo são nele feitos para ser parte do corpo de Israel, cidadãos companheiros com os santos, membros da família de Deus, e possessores das alianças da promessa (2:11-12; note especialmente os versos 12,19).

Enquanto concordando que Deus conheça o futuro, incluindo os que crerão, a perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências ao pré-conhecimento em Rm 8:29 e 1Pe 1:1-2 como referindo-se ao conhecimento relacional anterior que se resume a previamente reconhecer ou contar ou adotar ou escolher pessoas como pertencendo a Deus (i.e. em relacionamento/parceria de aliança). A Bíblia algumas vezes menciona este tipo de conhecimento, tal como quando Jeus fala dos que nunca se submeteram verdadeiramente ao seu sehorio: “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23; cf. Gn 18:19, Jr 1:5, Os 13:2-5, Am 3:2, 1Co 8:3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significa ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. “Os [plural] que previamente conheceu” em Rm 8:29 referir-se-ia à Igreja como um corpo corporativo e sua eleição em Cristo bem como sua identidade como a legítima continuação do povo escolhido de Deus histórico, que crentes individuais compartilham na união-em-fé com Cristo e participação no seu povo. Tal referência é relacionada com afirmações na Escritura ditos a Israel sobre Deus escolhendo-os no passado (i.e. pré-conhecendo eles), uma eleição que a geração contemporânea sendo abordada compartilhava (e.g., Dt 4:37; 7:6-7; 10:15; 14:2; Is 41:8-9; 44:1-2; Am 3:2). Em cada geração, Israel poderia ser dita como escolhida.

A Igreja agora compartilha esta eleição mediante Cristo, o cabeça e mediador da aliança (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).

Semelhantemente, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo referir-se-ia a compartilhar a eleição de Cristo que tomou lugar antes da fundação do mundo (1Pe 1:20). Como Cristo incorpora e representa seu povo, pode ser dito que seu povo foi eleito quando ele o foi bem como pode ser dito que a nação de Israel estava no útero de Rebeca antes de sua existência porque Jacó estava (Gn 25:23) e que Deus amou/escolheu Israel amando/escolhendo Jacó antes de a nação de Israel existir (Ml 1:2-3) e que Levi pagou dízimo a Melquisedeque em Abraão antes de Levi existir (Hb 7:9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes mesmo de a Igreja sequer existir (Ef 2:5-6; cf. Cl 2:11-14; Rm 6:1-14) e que nós (a Igreja) estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo quando nós ainda não estamos literalmente no Paraíso mas Cristo está. A eleição de Cristo acarreta a eleição daqueles que estão unidos a ele, e portanto nossa eleição pode ser tida como tendo tomado lugar quando a dele ocorreu, mesmo antes de nós de fato estarmos unidos a ele. Isto é de certo modo semelhante a como eu, enquanto americano, posso dizer que nós (a América) vencemos a Revolutionary War antes que eu ou qualquer americano vivo hoje tenha sequer nascido.

A visão corporativa explica por que somente aqueles que na realidade são do povo de Deus são chamados de eleitos ou apelações semelhantes na Escritura, e não aqueles que não pertencem a Deus mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente crentes são identificados como eleitos. Como Romanos 8:9 afirma, “…Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Semelhantemente, Rm 11:7-24 apóia o entendimento corporativo da eleição como referindo-se somente àqueles que estão na realidade em Cristo pela fé em vez de também incluir certos descrentes que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Porque em Romanos 11:7, “os outros” são não-eleitos. Mas Paulo cria que estes dentre os outros podiam crer ainda, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite desvio de e entrada para os eleitos como retratado na passagem da metáfora da oliveita. Desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Portanto 2Pe 1:10 urge aos crentes para “mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição” e o Novo Testamento é recheado de alertas para perseverar na fé e evitar abandonar a eleição/salvação (veja “Segurança em Cristo” abaixo; para uma introdução à visão corporativa com links para mais fontes, veja
http://evangelicalarminians.org/a-concise-summary-of-the-corporate-view-ofelection-and-predestination/).

Sumarizando, existem duas visões diferentes de eleição condicionada à fé. Primeiro, a eleição individual é a visão clássica, na qual Deus individualmente escolhe cada crente baseado em sua presciência da fé de cada um e assim predestina cada um deles à vida eterna. Segundo, eleição corporativa é a principal visão alternativa, mantendo que a eleição para salvação é primariamente da Igreja como povo e adota indivíduos somente na união-em-fé com Cristo O Escolhido e como membros de seu povo. Além disso, desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e o povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto creem. Eleição condicional é apoiada pela Escritura por (veja a discussão acima para explanações):

  1. Afirmação direta;
  2. Salvação pela fé;
  3. Várias expressões da situação de eleição sendo pela fé;
  4. A apresentação da eleição como baseada na presciência de Deus, seja a da fé humana ou equivalente à escolha anterior de Cristo e/ou o povo de Deus como um corpo corporativo no qual indivíduos participam pela fé;;
  5. Eleição sendo “em Cristo”, que é um estado em si mesmo condicional à fé;
  6. A linguagem da eleição sendo aplicada somente a crentes e não a crentes que depois creriam;
  7. O desejo de Deus para a salvação de todos;
  8. A provisão de expiação para todos;
  9. A proclamação da chamada do Evangelho para todos;
  10. A atração de todos para a fé em Cristo;
  11. Liberdade humana (para este e os outros 4 pontos anteriores, veja “Expiação para Todos” e “Libertos para Crer” acima); e
  12. Numerosas advertências contra o abandono da fé e portanto da situação de eleição e suas bênçãos da salvação.

A doutrina da eleição condicional centra a eleição em Cristo tornando-a condicional à união com ele em vez de reduzir o papel de Cristo como sendo o meio pela qual a eleição é efetuada. Além disso, eleição condicional sublinha a iniciativa graciosa na salvação em direção a pessoas totalmente depravadas e encoraja a humildade e adoração para a maravilhosa graça de Deus em escolher aqueles que merecem o Inferno para adoção em sua família, salvação, e toda bênção espiritual, um dom livre recebido pela fé (a condição não-meritória para eleição) pelo maior custo para Deus, que sacrificou seu próprio Filho para que pudesse nos escolher, e pelo maior custo para Jesus Cristo, que morreu por nós para que nós pudéssemos ser escolhidos por Deus. Toda glória e louvor a Deus somente!

A Ordem da Fé e Eleição no Evangelho de João: Vós não credes pois não sois das minhas ovelhas – II.F

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F – Os Gentios

Finalmente, como os gentios se encaixam nisto tudo? Isto é, os comentários de Jesus têm relevância para judeus somente, ou eles têm relevância para os gentios procurantes também, incluindo os gentios de nossos dias?

Apesar de até agora neste ensaio eu ter focado inteiramente nas afirmações de Jesus no Evangelho de João enquanto eles são relacionados ao povo judeu (porque parece claro do contexto de suas afirmações que era este o próprio foco de Jesus quando as estava fazendo), é igualmente claro que o próprio Jesus intencionava uma secundária, mais abrangente aplicação aos gentios. Nós vemos isto em João 10:16, onde após ter discutido sua vinda para as ovelhas de Israel, Jesus acrescenta:

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.

Dado o pano de fundo para as notas de Jesus (veja a discussão nas seções B e C acima), o pasto em questão era claramente Israel, a quem Jesus veio como o Messias-Pastor prometido para chamar as ovelhas fiéis do rebanho de Deus. As outras ovelhas que não são deste pasto, então, poderiam referir-se aos gentios, fora do pasto de Israel. Esta visão é apoiada pelas palavras de João no capítulo seguinte, onde, comantando a asserção de Caifás de que “convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda” (11:50), o apóstolo diz: “Ora, ele não disse isso por si mesmo; mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (11:51-52). Aqui, os “filhos de Deus que estão dispersos” são diretamente contrastados com a nação judaica, sugerindo como em 10:16 que os gentios estavam em vista. Significantemente, estes gentios são chamados “filhos de Deus” em 11:52 e “ovelhas de Cristo” em 10:16, ambos os termos que já vimos em nossa precedente discussão referentes àqueles que cumprem as condições suficientes para vir à fé em Cristo. Adicionalmente, a afirmação de Jesus em 10:16 que estas ovelhas gentias também ouviriam sua voz, indicando que ele, assim como as ovelhas judias descritas nas seções anteriores, certamente reconheceriam-non como o Messias-Pastor e segui-lo em fé. A clara implicação de tudo isso é que existiam gentios tementes a Deus também, que, como os fiéis judeus preparados, responderam favoravelmente à graça preveniente de Deus e que, portanto, pertenciam a Deus e seriam dirigidos para a fé no Filho. O Messias-Pastor veio, então, não apenas para ajuntar as ovelhas fiéis de Israel, mas para ajuntar os fiéis entre os gentios também e fazê-los todos um rebanho, um corpo, leal a ele como Messias-Pastor (cf. Ef 2:11-22, 3:6). (Note o foco paralelo em ambos 10:16 e 11:52 sobre o objetivo de unificar o rebanho/povo de Deus; cf. 17:20-21. Veja também Isaías 56:8, que em seu contexto guarda forte semelhança com João 10:16.)

Alguém poderia propor uma interpretação estreitada de João 10:16 para o efeito que Jesus quis se referir somente àqueles gentios que tinham formalmente se convertido ao judaísmo. Tais gentios são mencionados por exemplo em Atos 13:16,26, que anota a abordagem de Paulo à sinagoga judaica em Antioquia da Pisídia. “Então Paulo se levantou e, pedindo silêncio com a mão, disse: Varões israelitas, e os que temeis a Deus, ouvi: […] Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que dentre vós temeis a Deus, a nós é enviada a palavra desta salvação”. Os gentios a que Paulo se referia na sinagoga num dia normal de Sabbath, e portanto eram presumivelmente gentios que acompanhavam regularmente e tinham formalmente se afiliado à fé judaica. Esta suposição é confirmada pelo verso 43, onde nos é dito que após a abordagem de Paulo, “E, despedida a sinagoga, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam a perseverarem na graça de Deus”.

Porém, é improvável que Jesus intencionasse em Jo 10:16 referir-se somente aos prosélitos gentios dentro do judaísmo. Por um lado, é difícil ver por que tais convertidos seriam considerados “não deste pasto [judaico]” (10:16), quando o ponto todo da conversão para o judaísmo era tal que alguém poderia a partir disto ser considerado membro da comunidade da aliança judaica (Is 56:3-8). Além disso, depois na mesma abordagem da visita de Paulo e Barnabé à sinagoga de Antioquia de Pisídia descrita acima (Atos 13), havia evidência que gentios não-prosélitos foram preparados para a mensagem do Evangelho de uma maneira semelhante àquela que nós temos visto antes que era verídica para judeus preparados. No Sabbath seguinte após a primeira apresentação na sinagoga, “No sábado seguinte reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus” [incluindo obviamente muitos gentios não-prosélitos] reunidos para ouvir a palavra do Senhor (verso 44). Porém, “Mas os judeus, vendo as multidões, encheram-se de inveja” e começaram a se opor ao que Paulo falava (verso 45). Considere cuidadosamente o que aconteceu depois:

[46] Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Era mister que a vós se pregasse em primeiro lugar a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos viramos para os gentios;
[47] porque assim nos ordenou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra.
[48] Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.

De especial interesse é a descrição de Lucas dos gentios não-prosélitos que vieram à fé em Cristo. No verso 48 é dito deles que eles foram “destinados à vida eterna”. Calvinistas têm geralmente usado este verso para apoiar a doutrina da eleição incondicional particular para salvação. Porém, como Robert Shank argumenta em uma excelente discussão deste verso (Elect in the Son: A Study of the Doctrine of Election, Minneapolis, MN: Bethany House, 1970, 1989, pp. 183-187), o verbo grego tetagmenoi (masculino, plural, nominativo, perfeito, particípio passivo/médio de tasso, ‘colocar em ordem’) não especifica um agente neste verso, então é uma questão aberta se é Deus ou as pessoas em si que (ou alguma combinação de ambos) que causou estes gentios a serem ‘postos em ordem’ ou dispostos à vida eterna. Como Shank nota (seguindo diversos outros comentaristas), o fato de ser dito dos judeus no verso 46 terem rejeitado o Evangelho e portanto não se considerarem (ou julgarem) a si mesmos dignos da vida eterna (um paralelo negativo com o verso 48b) “fortemente mitiga contra qualquer suposição de agência divina no verso 48) (Shank, ibid., p. 184). Isto é, o paralelo contrastivo entre os versos 46b e 48b sugere que foram os gentios responsivos que se posicionaram em ordem [tetagmenoi] para a vida eterna na base de sua receptividade às palavras de Paulo e Barnabás, assim como os judeus descrentes se dispuseram a si mesmos contra receber a vida eterna por causa de sua resistência à mesma mensagem.

Além disto, Shank astutamente observa:

Todos aqueles que assumem que tetagmenoi em Atos 13:48 implica que aqueles que creram no Evangelho naquele momento e lugar particular o fizeram como a consequência de um decreto eterno de eleição incondicional particular adotam impensadamente uma segunda suposição, completamente absurda: todos os presentes na sinagoga que tenham crido no Evangelho, o fizeram de uma vez só; não houve oportunidade posterior de cogitar o Evangelho, e nenhum homem que falhou em crer naquele momento poderia jamais subsequentemente crer” (Shank, ibid., p. 187).

É claramente melhor, então, ver estes gentios que receberam o Evangelho com alegria em Antioquia de Pisídia naquele dia como gentios que se prepararam a fim de receber vida eterna mediante sua própria disposição para arrependimento e sendo receptivos à palavra de Deus. Neste sentido eles eram semelhantes aos judeus preparados que discutimos nas seções anteriores deste ensaio. Eles responderam favoravelmente à graça preveniente de Deus e netse sentido foram “dispostos”, “postos em ordem”, ou [uma tradução marginal] “apontados” para a vida eterna.

Outro exemplo de um gentio que qualificaríamos como uma das ovelhas de Cristo, preparada de antemão para a chegada de Cristo mediante receptividade voluntária à graça preveniente de Deus, é Cornélio em Atos 10. Em 10:1-2 Cornélio é descrito como um gentio de Cesareia, um “centurião da coorte chamada italiana”, que junto com sua família (ou pelo menos um de seus domésticos; veja o verso 7), era “piedoso e temente a Deus”. Nós somos informados que Cornélio generosamente ajudava os necessitados e orava a Deus regularmente. Em uma visão Cornélio foi informado por um anjo que “…As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus” (verso 4). Claramente ele era um homem que fora receptivo à graça preveniente de Deus em direção a ele e que em consequência permaneceu, em algum sentido significativo, no favor de Deus. O próprio apóstolo Pedro disse isto quando viu a devoção de Cornélio após ter chegado à casa deste último em obediência a uma visão de Deus. “Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo” (At 10:34-35). A aceitação por Deus de Cornélio parece ter precedido a fé de Cornélio em Cristo, pois esta aceitação parece ter sido baseado na reverência e devoção expressas mediante as orações e esmolas de Cornélio, atos que foram recebidos como uma oferta memorial ao Senhor antes do tempo que Cornélio ouviu o evengelho de Pedro. Neste sentido, Cornélio paraleliza o caso dos judeus tementes a Deus que eram fiéis à aliança e portanti pertenciam a Deus antes da vinda de Jesus. Como eles, Cornélio foi receptivo à graça preveniente de Deus e portanto estava a postos e pronto para reconhecer Jesus como Messias e Salvador.

Estou eu dizendo que Cornélio iria para o Céu se tivesse morrido antes da vinda de Pedro? A resposta a esta questão depende, penso eu, da relação de Cornélio com a aliança como ela foi revelada ao povo judeu no Antigo Testamento. É possível que ele fosse familiar com a aliança e de forma privada, se não formal e publicamente, tenha se submetido ao termos daquela aliança, a saber, arrependimento e fé obediente em Deus e nas suas promessas, incluindo a promessa de Deus em enviar o Messias-Pastor. Neste caso, sua aceitação por Deus pode ter envolvido uma dispensação da graça salvífica paralela àquela dada aos judeus fiéis debaixo dos termos da aliança. Por outro lado, pode ser que, apesar de sua devoção, Cornélio ainda fosse considerado um gentio não-prosélito e um “estrangeiro às alianças da promessa”, portanto “separado da comunidade de Israel” e “sem esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12). O que é claro é que Cornélio foi receptivo à graça preveniente, e por causa desta receptividade lhe foi concedido adicional graça preveniente e a oportunidade de receber a mensagem de salvação mediante Jesus Cristo. Isto mais uma vez demonstra o princípio descoberto acima, de que Cristo é a única meta do Pai na dispensação da graça preveniente. Deus não estaria contente em deixar Cornélio na ignorância de Cristo, dada a dramática receptividade de Cornélio à graça preveniente. Nesta nova era na qual o Messias chegou e trabalhou a redenção para toda a humanidade, não existe “terceira opção” para gentios mais do que existe “terceira opção” para judeus. Deus não permite que nenhum gentio que é receptivo à graça preveniente continuar em seu favor sem ser direcionado à fé consciente intencional em Cristo. Como com o povo judeu, qualquer gentio que continua aberto à verdade revelada de Deus (i.e. como revelada mediante a criação, a consciência, e a revelação verbal) ultimamente será direcionado por Deus a Cristo, pois Deus não tem outra intenção além de todos na terra e no céu sejam trazidos juntos sobre uma cabeça, Cristo (Ef 1:10).

A consideração acima sobre gentios tementes a Deus, então, leva-nos a afirmar o que é uma visão bem comum nas igrejas evangélicas acerca daqueles que nunca ouviram o Evangelho. Colocando esta visão nos termos nos quais ela é majoritariamente expressa, Deua dá mais luz àqueles que respondem à luz já dada. Arminius essencialmente mantinha esta posição, como visto na seguinte citação na qual ele aborda a situação daqueles que jamais ouviram o evangelho:

… Enquanto eles são destituídos do conhecimento de Cristo, mesmo assim Deus não deixou a Si Mesmo sem testemunha, mas mesmo durante este período ele revelou a eles alguma verdade concernente a Seu poder e bondade; cujos benefícios se eles tivessem usado corretamente, pelo menos de acordo com sua consciência, Ele teria lhes concedido maior graça; de acordo com a tal, ‘Ao que se tem se dará’ [Mateus 13:12] … ‘Todos os homens sao chamados com algum chamado’, a saber, por aquele testemunho de Deus pelo qual eles podem ser trazidos a encontrar Deus sentindo-O, e por aquela verdade que eles mantém, ou detém, em injustiça, isto é, cujo efeito eles guardam em si mesmos; e por aquela escrita da lei em suas mentes, de acordo com a qual eles têm seus próprios pensamentos acusando-os. Mas esta chamada, apesar de não ser salvífica, dao que da tal salvação não pode ser imediatamente obtida, pode ainda ser dita antecedente à graça salvífica pela qual Cristo é ofertado, e se corretamente usada, adquirirá aquela graça da misericórdia de Deus. (“Examination of Perkin’s Pamphlet,” The Works of James Arminius, London Ed., Vol. 3, trans. William Nichols, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1986, pp. 483-484, ênfase acrescida)

Nós vemos esta verdade dramaticamente demonstrada no caso de Cornélio. Deus foi bem longe a fim de trazer o Evangelho a Cornélio, que devido à sua favorável resposta à graça preveniente de Deus pode ser considerado uma das ovelhas de Cristo afora do pasto de Israel. Uma vez exposto ao evangelho de Jesus, Cornélio continuou a responder em fé e foi apropriadamente recolhido a ajuntar-se ao restante do rebanho do Messias-Pastor, judeus e gentios de igual forma, que reconhecera a voz do Pastor e o seguira. Cornélio foi dado pelo Pai para o Filho, porque Cornélio persistiu nesta resposta-em-fé à verdade revelada de Deus. O mesmo presumivelmente é verdadeiro hoje em dia para judeus e gentios da mesma forma: Todos que são receptivos à graça preveniente de Deus e que persistem nesta resposta-em-fé terão concedidas mais graça preveniente, levando-os ultimamente à fé deliberada em Jesus, o Messias-Pastor.

A noção de persistência na resposta em fé é importante, pois nenhum dos comentários de Jesus sobre o assunto implica que a graça de Deus sequer se torne irresistível. Ainda que Jesus dissera que “todo aquele que o Pai me dá virá a mim” (Jo 6:37), esta afirmativa supõe que aqueles assim dados estão naquele tempo em um estado de receptividade à verdade revelada de Deus. Em lugar nenhum das de nenhuma passagens exploradas anteriormente encontramos alguma dica que uma pessoa que está resistindo à graça de Deus possa simultaneamente ser recipiente das ações salvíficas de Deus. Nem existe qualquer indicação que uma vez que uma pessoa comece a se alinhar com a verdade e responde favoravelmente à graça preveniente de Deus (portanto pertencendo a Deus neste sentido) ela irá necessária e irresistivelmente continuar a assim agir. As passagens que temos acima explorado apenas ensinam que se uma pessoa pertence a Deus (i.e. mediante receptividade à graça preveniente), Deus ativamente interferirá para direcioná-lo à fé intencional em Cristo. Estas passagens de e por si mesmas não excluem a possibilidade que uma pessoa que era em um certo momento receptiva à graça preveniente possa subsequentemente começar a resistir a tal graça, caso no qual ele não mais pertenceria a Deus e nem cumpriria as condições suficientes para vir à fé em Cristo. Deus neste caso não estaria obrigado a dirigi-lo a Cristo[6].

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Libertos para Crer pela Graça de Deus

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Libertos para Crer pela Graça de Deus

(Freed by Grace to Believe – Artigos 3 e 4 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Como temos notado, como os humanos são caídos e pecaminosos, eles não são capazes de pensar, desejar, nem fazer nada bom em e de si mesmos, incluindo crer no evangelho de Cristo (veja a descrição de Depravação Total acima). Portanto, desejando a salvação de todos e providenciando expiação para todas as pessoas (veja “Expiação para Todos” acima), Deus continua a tomar a iniciativa para o propósito de trazer todas as pessoas para salvação chamando todas as pessoas em todo lugar para se arrependerem e crerem no Evangelho (At 17:30; cf. Mt 28:18-20), e habilitando aqueles que ouvem o Evangelho a respondê-lo positivamente em fé. Sem o auxílio da graça, o homem não pode nem mesmo escolher agradar Deus ou crer na promessa da salvação mantida no evangelho. Como Jesus disse em Jo 6:44, “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”. Mas graças a Deus, Jesus também prometeu “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”(Jo 12:32). Portanto, o Pai e o Filho trazem as pessoas a Jesus, habilitando-as a vir a Jesus em fé. Mesmo que as pessoas pecaminosas estejam cegas para a verdade do evangelho (2Co 4:4), Jesus veio ao mundo da humanidade pecaminosa como “a verdadeira luz que ilumina todo homem” (Jo 1:9; cf 12:36), a luz da qual João o Batista veio a dar testemunho, “para que todos cressem por meio dele” (Jo 1:7). Então nós encontramos Jesus falando ao povo que estava indisposto a crer nele para que pudessem ser salvos (Jo 5:34, 40) e alertando descrentes, “Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz” (Jo 12:35-36). De fato Deus iluminou os corações de seus apóstolos “para a dar iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo” (2Co 4:6), e o Apóstolo Paulo recebeu graça “anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que, desde o princípio do mundo, esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas” (Ef 3:8-9). Isto refere-se ao evangelho da graça de Deus, que “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16), e na realidade torna isto possível, para aqueles que ouvem, crer, porque

[8] Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. {Note que Paulo está aplicando Dt 30:12, que indica capacidade de obedecer a palavra de Deus, a mensagem do Evangelho, indicando que aqueles que ouvem o evangelho recebem habilidade de crer nele!]

[9] Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo;

[10] pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.

[11] Porque a Escritura diz: Quem nele crer não será envergonhado.

[12] Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam.

[13] Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

{Romanos 10:8-13 Almeida Recebida}

Além disso, “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo” (Rm 10:17), apesar de que isto não causa necessariamente a fé, desde que “nem todos deram ouvidos ao evangelho” (Rm 10:16) mesmo que eles tenham ouvido (Rm 10:18). Deus oferece sua maravilhosa graça salvífica em Seu Filho para pecadores, mas permite-lhes escolher se eles aceitarão ou rejeitarão. Portanto, no caso de Israel, o Deus que ama todos e trabalha pela salvação de todos diz “Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente” (Rm 10:21).

Continuando a missão de Jesus de salvar o mundo, o Santo Espírito veio para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Ainda que descrentes estejam “entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4:18), o Senhor abre os corações das pessoas para responder positivamente à mensagem do evangelho (At 16:14) e sua bondade leva àqueles com coração duro e impenitente em direção ao arrependimento (Rm 2:4-5). Em sua soberania, ele até mesmo posicionou os povos com o próprio propósito de “que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós” (At 17:2&). Em suma, Deus chama todas as pessoas a se arrepender e crer no Evangelho, habilitando aqueles que ouvem a respondê-lo positivamente em fé enquanto ele traz todas as pessoas para a fé em Jesus, rompe a escuridão de seus corações e mentes com o esplendor de sua luz, ilumina suas mentes, comunica seu impressionante poder com o evangelho que incita fé, persuade-os com sua bondade, convence-os pelo seu Espírito, abre seus corações para atentar ao seu evangelho, e posiciona-os para buscá-lo já que ele está perto de cada um.

Tudo isso é conhecido no jargão teológico como a graça preveniente de Deus. O termo “preveniente” simplesmente significa “precedente”. Portanto, “graça preveniente” se refere à graça de Deus que precede salvação, incluindo aquela parte da salvação conhecida como regeneração, que é o começo da vida espiritual eterna concedida a todos os que confiam em Cristo (Jo 1:12-12). Graça preveniente é também às vezes chamada de graça capacitante ou graça pré-regenerativa. Este é o favor imerecido de Deus para pessoas totalmente depravadas, que são indignas da bênção de Deus e incapazes de buscar Deus oi de confiar nele de e por si mesmos. De acordo, Atos 18:27 indica que nós cremos mediante graça, colocando a graça prevenientemente (i.e. logicamente anterior) à fé como o meio pelo qual cremos. É a graça que, entre outras coisas, liberta nossas vontades para crer em Cristo e seu Evangelho. Como Tito 2:11 diz, “Porque a graça de Deus, que traz a salvação, se manifestou a todos os homens”.

Nós falamos da vontade do homem sendo liberta pela graça para enfatizar que as pessoas não têm uma liberdade natural quando vêm a crer em Jeussm mas Deus deve graciosamente tomar a ação de libertar nossas vontades a fim de sermos capazes de crer em seu Filho que ele enviou para a salvação de todos. Quando nossas vontades são libertas, podemos ou aceitar a graça salvífica de Deus em fé ou rejeitá-la para nossa própria ruína. Em outras palavras, a graça salvífica de Deus é resistível, o que quer dizer que ele dispensa seu chamado, guia, e graça convincente (que traria salvação se respondida em fé) de tal forma que podemos rejeitá-lo. Nós nos tornamos livre para crer em Jesus e livres para rejeitá-lo. A resistibilidade da graça salvífica de Deus é claramente mostrada na Escritura, como algumas das passagens já mencionadas testificam. De fato, a Bíblia é tristemente preenchida com exemplos de pessoas desprezando a graça de Deus oferecida a elas. Em Isaías 5:1-7 Deus realmente indica que ele não podia ter feito mada mais para Israel produzir bons frutos. Mas se a graça irresistível é algo que Deus dispensa, então ele poderia ter facilmente provido esta e infalivelmente trazido Israel a produzir bom fruto. Muitas passagens do Antigo Testamento falam sobre como Deus estendeu sua graça para Israel várias e várias vezes mas eles repetidamente resistiram e rejeitaram-no (e.g., 2Rs 17:7-23; Jr 25:3-11; 26:1-9; 35:1-19). 2Cr 36:15-16 menciona que o convite insistente de suas mãos para o seu povo, convite o qual foi rejeitado, foi motivado por compaixão por eles. Mas isto só pode ser se a graça que ele estendeu os habilitou a se arrepender e evitar seu julgamento e ainda assim foi resistível desde que eles de fato resistiram-na e sofreram o julgamento de Deus. Neemias 9 apresenta um exemplo impressionante do testemunho do Antigo Testamento que Deus continuamente estendeu as mãos a Israel com sua graça que encontrou resistência e rejeição. Nós não temos espaço para rever a passagem inteira (mas o leitor é encorajado a assim fazer), mas citaremos alguns elementos chave e prestar atenção a alguns pontos importantes. Ne 9:20a diz “Também lhes deste o teu bom espírito para os ensinar”, e é seguido por um extenso catálogo de ações divinas graciosas em favor de Israel nos versos 9b-25. Então em 9:26-31 diz:

[26] Não obstante foram desobedientes, e se rebelaram contra ti; lançaram a tua lei para trás das costas, e mataram os teus profetas que protestavam contra eles para que voltassem a ti; assim cometeram grandes provocações.

[27] Pelo que os entregaste nas mãos dos seus adversários, que os afligiram; mas no templo da sua angústia, quando eles clamaram a ti, tu os ouviste do céu; e segundo a multidão das tuas misericórdias lhes deste libertadores que os libertaram das mãos de seus adversários.

[28] Mas, tendo alcançado repouso, tornavam a fazer o mal diante de ti,; portanto tu os deixavas nas mãos dos seus inimigos, de modo que estes dominassem sobre eles; todavia quando eles voltavam e clamavam a ti, tu os ouvias do céu, e segundo a tua misericórdia os livraste muitas vezes;

[29] e testemunhaste contra eles, para os fazerdes voltar para a tua lei; contudo eles se houveram soberbamente, e não deram ouvidos aos teus mandamentos, mas pecaram contra os teus juízos, pelos quais viverá o homem que os cumprir; viraram o ombro, endureceram a cerviz e não quiseram ouvir.

[30] Não obstante, por muitos anos os aturaste, e testemunhaste contra eles pelo teu Espírito, por intermédio dos teus profetas; todavia eles não quiseram dar ouvidos; pelo que os entregaste nas mãos dos povos de outras terras.

[31] Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso.

{Neemias 9:26-31 Almeida Recebida}

O texto afirma que Deus deu seu Espírito para instruir Israel (9:20) e que Deus enviou seus profetas e alertou Israel para o propósito de que eles retornassem a ele. Deus propôs estas ações para que tornar Israel de volta a ele / à sua Lei, e ainda assim eles se rebelaram. Isto mostra Deus permitindo seu propósito não vindo a ocorrer por permitir a seres humanos uma escolha de render-se à sua graça ou não. Intrigantemente, a palavra traduzida como “aturar” em Neemias 9:30 usa um vocábulo hebraico que geralmente significa algo como “trazer, tragar, puxar” e foi traduzida na tradução grega do AT usada pela antiga igreja com a mesma palavra usada em Jo 6:44a (“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”). Uma tradução melhor de Ne 9:30 seria “Muitos anos tu os trouxeste e os alertaste pelo seu Espírito mediante os profetas. Ainda assim eles não deram ouvidos”. O texto fala de um trazer divino resistível que busca colocar as pessoas para o Senhor em arrependimento. Estêvão também forneceu um bom exemplo de graça resistível quando ele disse a seus compatriotas judeus,

[51] Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós.

[52] A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas,

[53] vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes.

{Atos 7:51-53}

Lucas 7:30 nos diz que os fariseus e doutores da lei rejeitaram o propósito de Deus para si mesmos. E Jesus, que falou ao povo com o propósito de salvá-los (Jo 5:34), ainda assim notou que eles recusaram a vir até ele para terem vida (Jo 5:40), e que veio para desviar todo judeu de seu pecado (At 3:26; veja o tratamento deste texto em “Expiação para Todos”), mesmo assim claramente nem todo judeu creu nele, lamentou sobre a indisposição do povo para receber sua graça, dizendo “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste!” (Lc 13:34; veja também Ez 24:13; Mt 23:37; Rm 2:4-5; Zc 7:11-14; Hb 10:29; 12:15; Jd 1:4; 2Co 6:1-2; Sl 78:40-42).

Arminianos divergem entre si mesmos sobre alguns dos detalhes de como a graça preveniente de Deus funciona, provavelmente porque a própria Escritura não dá uma descrição detalhada. Alguns arminianos creem que Deus continuamente habilita todas as pessoas a crer em todo tempo como benefício da expiação. Outros creem que Deus somente concede a capacidade de em Cristo para pessoas em tempos selecionados de acordo com sua boa vontade e sabedoria. Ainda outros creem que graça preveniente geralmente acompanha quaisquer dos movimentos específicos de Deus em direção às pessoas, tornando-as capazes de responder positivamente a tais movimentos conforme Deus assim os efetuaria. Mas todos os arminianos concordam que as pessoas são incapazes de crer em Jesus à parte da intervenção da graça de Deus e que Deus de fato concede sua graça que traz para a salvação todas as pessoas moralmente responsabilizáveis. Com respeito ao Evangelho, o bispo arminiano do século XVII, Laurence Womack, bem dissera, “em todos aqueles que a palavra da fé é pregada, o Santo Espírito concede, ou está pronto para conceder, tanta graça quanto é suficiente, no grau adequado, para trazer-lhes à conversão”.

O conceito de “vontade liberta” levanta uma questão mais geral de se seres humanos tenham livre arbítrio geralmente, à parte do domínio de agradar Deus e realizar o bem espiritual (novamente, as pessoas não são livres neste quesito a não ser que Deus as habilite). A resposta arminiana é sim. Pessoas têm livre arbítrio em toda espécie de coisas. Por isto nós queremos dizer que quando as pessoas são livres com respeito a uma ação, então elas podem pelo menos ou realizar a ação ou abster-se de fazê-la. Pessoas geralmente têm escolhas genuínas e são correspondentemente capazes de realizar escolhas. Quando livre, a escolha específica que alguém faz não foi eficientemente predeterminada ou necessitada por qualquer um ou qualquer coisa além da pessoa em si. De fato, se as ações da pessoa foram tornadas necessárias por outrem, e a pessoa não pode evitar realizar a ação, então ele não tem nenhuma escolha e ele não é livre neste quesito. E se ele não tem uma escolha, então nem pode propriamente ser dito que ele escolhe. Mas a Escritura bem claramente indica que as pessoas têm escolhas e fazem escolhas sobre muitas coisas (e.g., Dt 23:16; 30:19; Js 24:15; 2Sm 24:12; 1Rs 18:23, 25; 1Cr 21:10; At 15:22, 25; Fp 1:22). Além disto, ela explicitamente fala de liberdade humana (Ex 35:29; 36:3; Lv 7:16; 22:18, 21, 23; 23:38; Nm 15:3; 29:39; Dt 12:6, 17; 16:10; 2Cr 31:14; 35:8; Ed 1:4, 6; 3:5; 7:16; 8:28; Sl 119:108; Ez 46:12; Am 4:5; 2Co 8:3; Fm 1:14; cf. 1Co 7:37) e atesta seres humanos violando a vontade de Deus, mostrando que ele não predetermina suas vontades e ações para o pecado. Além disto, o fato de Deus manter as pessoas responsáveis por suas escolhas e ações implica que tais escolhas e ações foram livres. Não obstante, é importante lembrar que arminianos não creem em liberdade ilimitada. Existem muitas coisas nas quais não somos livres. Nós não podemos escolher voar batendo os braços por exemplo. Nem negamos que nossas ações são influenciadas por todas as espécies de causas. Mas quando somos livres, estas causas são resistíveis e nós temos uma escolha genuína do que fazemos e não são causadas necessariamente a agir de uma certa maneira por Deus ou por qualquer outra coisa além de nós mesmos.

Finalmente, o conceito de vontade liberta também implica que Deus tem definitivo e absoluto livre arbítrio. Pois é Deus que sobrenaturalmente libera a vontade dos pecadores pela sua graça para crerem em Cristo, o que é um assunto da própria livre vontade e soberania divina. Deus é onipotente e soberano, tendo o poder e autoridade para fazer qualquer coisa que ele queira e não sendo restrito em suas próprias ações e vontade por nada fora de si mesmo e seu próprio julgamento (Gn 18:14; Ex 3:14; Jó 41:11; Sl 50:10-12; Is 40:13-14; Jr 32:17, 27; Mt 19:26; Lc 1:37; At 17:24-25; Rm 11:34-36; Ef 3:20; 2Co 6:18; Rv 1:8; 4:11). Nada pode ocorrer exceto se ele fizer ou permitir. Ele é o Todo-Poderoso Criador e Deus do universo a quem devemos todo o amor, adoração, glória, honra, agradecimento, louvor, e obediência. Portanto, é bom para nós lembrar que detrás da vontade humana liberta está Aquele que liberta a vontade, e este é um assunto de sua gloriosa, livre, e soberana graça, totalmente imerecida de nossa parte, e providenciada para nós pelo amor e misericórdia de Deus. Louvado seja seu santo nome!

Salvação e Soberania de Deus: A Grande Comissão como a Expressão da Vontade Divina (III-B)

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B. Opção Quatro: O Paradigma das Vontades Antecedente/Consequente

Ao longo da história da igreja tanto as Igrejas Ocidentais quanto as Orientais têm ensinado que Deus deseja a salvação de todos, mas ele requer a resposta em fé da parte do ouvinte [50]. Esta abordagem das vontades oculta/revelada não vê conflito entre as duas vontades de Deus. Deus antecedentemente quer que todos sejam salvos. Mas para aqueles que se recusam a se arrepender e crer, ele consequentemente deseja que eles sejam condenados. Desta maneira Deus é compreendido como sendo semelhante a um justo juiz que deseja que todos vivam mas que relutantemente ordena a execução do assassino [51]. Os desejos antecedente e consequente são diferentes mas não estão em conflito.

A posição das vontades oculta/revelada parece ser o claro ensino da Escritura. Deus antecedentemente “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,” para que consequentemente “todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Cristo antecedentemente ordena que o Evangelho seja pregado a toda criatura, mas ele consequentemente decreta que aquele que não crê seja danado. O paradigma das vontades antecedente/consequente se ajusta muito bem com a Grande Comissão.

Oden lista quatro características da vontade antecente de Deus [52]. Primeiro, ela é universal. Salvação é desejada para todos, providenciada para todos, e ofertada a todos. Esta atitude omnibenevolente incondicional é verdadeiramente antecedente no que ela é direcionada a toda humanidade antes de sua aceitação ou rejeição. Segundo, a vontade antecedente é imparcial. Cristo morreu pelos pecados do mundo todo. Amor universal logicamente requer expiação ilimitada. Terceiro, a vontade de Deus em salvar todos é sincera. Não existe vontade oculta; nenhum decreto secreto de reprovação. E quarto, a vontade antecente é uma vontade ordenada. É impossível para o desejo de Deus permanecer impotente ou não-cumprido. A vontade antecedente de Deus de salvar todos é a base de suas ações para prover os meios da graça para pecadores mediante Cristo.

A vontade consequente de Deus possui três componentes [53]. Primeiro, ela é consistente com as qualidades com as quais ele dotou suas criaturas. Humanos estão caídos, mas ainsda são à imagem de Deus, não obstante. A graça de Deus não é coercitiva e pode ser recusada. Quando o ouvinte encontra o Evangelho, ele é graciosamente habilitado pelo Espírito a responder livremente. A decisão do ouvinte de aceitar ou rejeitar o Evangelho é genuína e apavorantemente dele. Admitidamente, por que alguns rejeitam o Evangelho é um mistério. Mas no paradigma antecedente/consequente, o mistério da iniquidade reside no homem e não em Deus.

O segundo aspecto da vontade de Deus segue do primeiro. Se Deus quer que a salvação seja consequente à nossa escolha, então sua vontade é condicional. Terceiro, a vontade consequente é justa. A concessão de salvação por Deus para aqueles que creem é perfeitamente consistente com sua santa natureza por casua da obra propiciatória de Cristo (Rm 3:21-26). Sua danação de todos que não creem está de completo acordo com sua justiça. A vontade antecedente é perfeitamente graciosa; a vontade consequente é perfeitamente justa.

Geralmente, teólogos reformados acham a abordagem das vontades antecedente/consequente inaceitável. Eles dão um tanto de objeções das quais três figuram mais proeminentemente. Primeiro, o paradigma das vontades antecedente/consequente parece tomar a decisão de Deus como sendo contingente à escolha humana. Eles contendem que esta abordagem sutilmente coloca o homem no trono de Deus. Berkhouwer argumenta que uma salvação que dependa da decisão do homem torna Deus “impotente e esperançoso” [54]. Robert Shank replica que Deus pode estar esperançoso, mas ele não é impotente [55]. De fato a lustração de um Deus à espera é um tema rico encontrado ao longo da Bíblia (Is 1:18-20 por exemplo). A abordagem das vontades antecedente/consequente entende Deus como sendo o soberano Iniciador e opgracioso Consumador da redenção. Se o homem está para escolher entre céu e inferno, é porque o Senhor da Criação colocou tal escolha diante dele.

Uma segunda objeção que a abordagem das vontades antecedente/consequente é que ele aparenta tocar a noção de mérito. Se todos os ouvintes estão igualmente habilitados pela graça a receber o Evangelho, e uma pessoa aceita a Mensagem enquanto a outra rejeita, então isto não implica de alguma forma que a primeira pessoa foi mais virtuosa que a segunda? [56] Esta é uma objeção difícil, mas duas coisas devem ser mantidas em mente. Primeiro, esta objeção parece ver fé como alguma espécie de obra enquanto a Bíblia consistentemente contrasta fé de obras (Rm 3:21 – 4:8). Fé, por sua própria natureza, é o oposto de obras porque é uma admissão de uma completa falta de mérito ou capacidade. O clemente não incorrem em mérito quando abre suas mãos para receber um presente gratuito [57]. Segundo, o mistério não é por que alguns creem, mas sim por que nem todos creem. Isto mais uma vez aponta para o mistério do mal. Não existe mérito em aceitar o Evangelho mas existe culpa em rejeitá-lo.

Uma terceira objeção feita pelos teólogos reformados é que o paradigma das vontades antecedente/consequente dá “destaque de orgulho” para o livre arbítrio humano acima da glória de Deus [58]. John Piper argumenta que as visões das vontades oculta/revelada e antecedente/consequente são basicamente as mesmas exceto por uma importante diferença [59]. Ambas as visões contendem que Deus genuinamente deseja a salvação de todos, ambas as visões mentêm que este desejo é sobrescrito por uma vontade ainda maior, mas as duas visões discordam em que maior vontade é essa. Piper estabelece que a posição oculta/revelada vê a maior vontade como sendo um desejo de glorificar a si mesmo enquanto a posição antecedente/consequente entende a maior vontade como sendo dar a liberdade de auto-determinação para os homens. Piper conclui que o paradigma oculto/revelado faz mais justiça à glória de Deus.

Porém, na sua resposta a Piper, Walls e Dongell enfatizam que proponentes da posição das vontades antecedente/consequente não afirmam uma habilidade humana de auto-determinação graciosamente habilitada por si só. Em vez disso, a preocupação é em retratar fielmente o caráter de Deus. Deus coloca o descrente por responsável porque ele não creu no evangelho. Aqueles condenados por Deus são condenados justamente porque receber Cristo foi uma escolha genuinamente disponível. Aderir a uma doutrina de auto-determinação humana não é um fim em si mesmo. Manter a integridade do caráter de Deus é. Em vez de falhar em magnificar a glória de Deus, a posição das vontades antecedente/consequente glorifica Deus mantendo que suas deliberações são justas e consistentes com sua santa natureza [60]. Se a maior maneira para os humanos darem glória a Deus é escolhendo-o livremente, então a visão das vontades antecedente/consequente cumpre melhor este objetivo.

Interessantemente, Piper utiliza a analogia do justo juiz para fazer seu caso a favor do cenário das vontades oculta/revelada [61]. Ele dá a instância específica de quando George Washington encarou o difícil dilema de ter um de seus oficiais favoritos culpado de um crime capital. Apesar de sua afeição pelo jovem, Washington deu a ordem para sua execução. A ilustração de Piper na verdade é um exemplo do paradigma das vontades antecedente/consequente, pois de acordo com o modelo das vontades oculta/revelada, Whashington secretamente desejou o crime do oficial e inclinou a vontade do jobvem para cometer o delito.


Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – Duas Formas de Graça Preveniente

Padrão

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – Duas Formas de Graça Preveniente

Então, o que encontramos é que a forma incondicionada da eleição referida por Paulo em Romanos 9:7-13 e encarnada na escolha divina de Isaque, Jacó e (por extensão) seus descendentes não foi uma eleição garantindo sua salvação final afinal, mas em vez disso uma eleição pela qual Deus garantiu-lhes uma oportunidade avantajada de exercer fé salvífica. Podemos dizer que a escolha dos descendentes físicos de Israel constituiu um compromisso por Deus de agressivamente buscar um relacionamento salvífico com eles dando-lhes acesso privilegiado à sua verdade. Note que esta caracterização da eleição por Deus do povo judeu paraleliza fortemente o conceito tradicional de graça preveniente (veja a seção “Definições” acima), que é esta forma de graça resistível estendida por Deus para uma pessoa pela qual tal pessoa pode ser trazida à fé e arrependimento, se a pessoa responder cooperativamente e deliberadamente à graça assim estendida. Sem tal graça preveniente, é impossível para a pessoa natural não-regenerada exercer autêntica decisão em fé em direção a Deus (Jo 6:44). Por meio da graça preveniente, ao descrente está ao mesmo tempo concedido acesso às verdades do Evangelho e habilitada a livremente responder em fé a estas verdades se assim desejar. A graça estendida à descendência física de Israel (linhagem tipo 2 acima) pode ser considerada uma forma da graça preveniente que constitui uma oportunidade que concedia ao povo judeu acesso e interação com as verdades salvíficas de Deus de tal forma que poderia potencialmente levá-los à sua salvação.

Uma vez que a forma de graça preveniente estendida a Isaque e Jacó foi discriminatória (no que Deus discriminou entre Isaque e Ismael, e entre Jacó e Esaú, como recipientes desta graça preveniente), Paulo fala em Romanos capítulo um e dois de outra forma mais básica de graça preveniente que claramente não é discriminatória afinal mas de fato universalmente dispensada. Em 1:19-20 Paulo diz que Deus tem deixado evidente para todos os homens Seus atributos invisíveis, Seu eterno poder e divina natureza mediante o mundo que ele fez. Em 1:21 Paulo diz que por meio desta revelação todas as pessoas conhecem Deus, em 1:25 ele diz que eles têm acesso à verdade de Deus, e em 1:32 ele diz que eles conhecem as ordenanças de Deus. Em 2:15 Paulo diz que mesmo os gentios têm a obra da Lei escrita em seus corações. Esta auto-revelação de Deus a toda humanidade mediante a natureza e a consciência humana é suficiente para deixar as pessoas sem desculpas para seus pecados (1:20; 2:1). Não apenas isto, mas a afirmação de Paulo sugere fortemente que a dispensação divina daquilo que podemos chamar de graça preveniente universal provê todas as pessoas com uma básica habilidade de exercer se elas assim escolherem.[8] Paulo diz “porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se tornaram vãos, e o seu coração insensato se obscureceu.” (1:21) As atividades mencionadas aqui de honrar Deus e agradecer pressupõem o exercício da fé. A menção por Paulo destas atividades neste contexto implica que todas as pessoas são supridas com uma real capacidade de responder à auto-revelação de Deus destas formas (i.e. responder em fé), mas que elas falham em fazê-lo, escolhendo em vez disso suprimir a verdade em injustiça (verso 18). Como resultado, seu coração insensato é obscurecido (verso 21) e eles trazem para si mesmos a justa condenação e ira de Deus (verso 18a).

Esta interpretação de graça universal preveniente como habilitando uma uma verdadeira resposta em fé para todas as pessoas é adicionalmente confirmado pela escrita de Paulo em Romanos 2:4, em que ele aponta a hipocrisia daqueles que cometem os mesmos pecados dos quais julgam os outros. Paulo os reprova, “Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te conduz ao arrependimento?”. A benignidade, paciência, longanimidade mencionadas aqui são todas expressões de sua graça preveniente universal, pela qual ele adia a total manifestação de sua ira sobre os pecadores a fim de dar-lhes adicional oportunidade para o arrependimento (cf. 2Pedro 3:9). De importância, Paulo diz que esta benignidade da parte de Deus tem intenção em levar tais pecadores ao arrependimento. Esta expressão “conduz ao arrependimento?” no verso 2:4b sugere tanto que tal arrependimento da parte de qualquer pessoa é genuinamente possível – não somente na teoria, mas na realidade, bem como mostram as expressões de fé mencionadas em 1:21 são verdadeiramente possíveis para qualquer pessoa – e que este arrependimento é feito possível somente diante da influência (o “levar”) da bondade de Deus, isto é, pela habilitação advinda da graça preveniente de Deus.

Note que não estou dizendo aqui que pessoas tenham capacidade natural de vir à fé e arrependimento sem divina assistência (o erro dos pelagianos). Em vez disso, de fato estou concluindo que dos capítulos um e dois de Romanos que Deus universalmente estende uma forma básica de graça preveniente (mediante a revelação da criação, e o atraso da ira de Deus para o pecado) pela qual todas as pessoas vêm a entender intuitivamente em alguma medida significativa a glória e perfeição morais de Deus e são dados tanto a oportunidade quanto a capacidade de responder livremente a esta revelação em fé e arrependimento, se assim escolherem. Pessoas não fazem assim, porém, mas preferem em vez disso livremente seguir as tendências de seus corações imprudentes, que mediante os efeitos do pecado de Adão foram tornados propensos a crer nas decepções do pecado (veja meu ensaio “Reflexões sobre Pecado Original”). Como resultado, todas as pessoas trazem a condenação de Deus sobre si mesmas, não porque Deus unilateralmente predeterminara que elas pecariam (um dos erros calvinistas) mas porque eles, devido ao exercício do livre arbítrio autêntico contra-causal (veja meus ensaios “As Vontades de Deus” e “Reflexões Filosóficas sobre o Livre Arbítrio”) suprimem o conhecimento de Deus via sua graça preveniente universal.

A existência da graça preveniente universal deste gênero como descrita por Paulo nos capítulos um e dois de Romanos explica como Deus pode ser justo em dispensar uma graça preveniente discriminatória do tipo descrita em Romanos 9:7-13 (que pelo bem da discussão eu chamarei de graça preveniete particular, como distinguindo da graça preveniente universal). Apesar de Isaque e Jacó serem de fato eleitos para uma posição de acesso privilegiado à verdade de Deus como membros da linhagem física da promessa, não é como se Ismael, Esaú e a outra multidão de gentios na terra foram abandonados a encarar a vida sem qualquer oferta de graça preveniente de Deus. No mínimo, eles todos foram recipientes da mesma graça preveniente universal descrita por Paulo em Romanos capítulos um e dois. Isto por si só é suficiente para torná-los, pelo exercício de seu próprio livre arbítrio, indesculpáveis, e esta dispensação divina da graça preveniente universal apenas é suficiente para provar a verdade da asserção que “Deus deseja que todos os homens sejam salvos e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2:4; também Ex 18:23, Is 45:22, 2Pe 3:9)[9]. Deus expressou seu desejo seu de que todos sejam salvos não somente concedendo a cada pessoa uma intuição de Deus e de sua Lei justa, mas também concedendo a cada pessoa a capacidade de livremente responder a esta intuição com fé e arrependimento. O desejo de Deus neste assunto segue de sua própria natureza moral como um verdadeiro ser bom que deseja o que é bom para suas criaturas. Não há sentido, porém, que a natureza moral de Deus o obrigue a conceder a qualquer descrente mais que isto; de fato, Deus não está nem mesmo obrigado a estender esta graça preveniente universal para começar (i.e. isto é verdadeiramente graça), exceto enquanto ele estava restrito a fazer isto pela sua própria natureza moral que o causa a verdadeiramente desejar a salvação de todos os criados à sua imagem. Consequentemente, provendo adicional graça preveniente particular da espécie descrita por Paulo em Romanos 9:7-11, Deus está indo além, “andando uma milha a mais” por assim dizer, e pode dispensar esta graça desigualmente sem violações de quaisquer obrigações morais da parte de Deus, seja para si mesmo ou para suas criaturas.