Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

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O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

John MacArthur afirma que o livro contém os nomes de todos que foram “escolhidos para salvação”. Como calvinista, isto quer dizer que Deus incondicionalmente os elegeu para salvação, e eles receberão a chamada eficaz interna, graça irresistível, resultando em regeneração seguida de uma inevitável escolha livre para crer. Imediatamente seguindo seguindo essas palavras ele diz “Descrentes, cujos nomes não estão anotados no livro da vida, perecerão, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos (2Ts 2:10). Escritura também ensina que os infiéis serão julgados porque não creram na verdade mas tomaram prazer na malignidade (2Ts 2:12). Enquanto os eternamente eleitos são salvos mediante fé no Senhor Jesus Cristo (Jo 3:16, 5:24; At 13:39, 16:31; Rm 3:22-30, 4:5, 10:9-10; Gl 3:22-26; Ef 2:8-9), os não eleitos são perdidos porque se recusam a crer no evangelho (Jo 3:36; Rm 1:18-32, 2:8; 2Ts 1:8-9; 1Pe 2:8, 4:17). Descrença e rejeição sempre indicam tais pessoas cujos nomes não foram inscritos … no livro da vida” [i]

Como um calvinista desencantado, eu diria a mesma coisa sobre estas Escrituras como MacArthur o fez, mas a verdade do calvinismo transmogrifica estas afirmações e o que elas implicam. A verdade do calvinismo é que aqueles fora do livro não podem receber o amor da verdade para serem salvos; os infiéis não creem porque não podem crer. E mais, os eternamente eleitos não recebem salvação pela fé – fé como a primeira parte da salvação ou da condição de salvação – porque eles na realidade recebem salvação mediante eleição incondicional que é executada pela regeneração forçada e é seguida por um inescapável ato livre de fé. Finalmente os não-eleitos não são perdidos porque eles meramente se recusam a crer no evangelho – claramentente implicando que eles poderiam ter crido – mas em vez disso eles recusam o evangelho porque Deus não escolheu elegê-los mas em vez disso deixá-los fazer aquilo que eles somente poderiam fazer, que é recusar. Esta é uma realidade inquietante.

Calvinismo não é privado de paixão em ver os perdidos vindo a Cristo. Não obstante, se a lógica prevalece, é apenas uma paixão vertical. Quer dizer, é uma paixão de cumprir o mandamento de Deus, de ser usado por Deus para reunir seus eleitos. Não pode ser uma paixão horizontal do Espírito, o que é um peso, amor e pesar por todos os perdidos do mundo, ou mesmo para cada indivíduo particular, de vir a conhecer Cristo. Pois o Deus do calvinismo nem memso tem tal paixão. A paixão de um calvinista consistente não é de fato dirigida para o indivíduo mas sempre para Deus, o que alguns calvinistas se deleitariam como justificando o calvinismo. Porém, isto só é verdadeiro se a Escritura apoiar, e eu não penso que seja o caso. Além do mais, se o calvinismo é verdadeiro, a não ser que o calvinista saiba que Deus verdadeiramente trouxe para ele um de Seus eleitos – o que parece impossível de saber objetivamente – o calvinista precisa recusar a dar paixão horizontal porque ela poder ser mero sentimento humano ou influência satânica, ambas contrárias à paixão divina.

A paixão do calvinismo não pode ser logicamente consistente com o calvinismo, sendo dirigida aos perdidos da mesma forma que a simples leitura da Escritura retrata a paixão de Deus, Cristo, Paulo ou dos outros por todos, cada pessoa, cada perdido no mundo. Se um calvinista é tão disposto, é uma inconsistência com o calvinismo em vez de um corolário do calvinismo. Esta é uma realidade inquietante. Como calvinista eu negava – duplifalava – a veracidade desta conclusão, mas como calvinista desencantado, sua verdade é inegável.

E quanto aos espantalhos? Piper diz “isto representa a eleição livre e incondicional de Deus antes de sequer termos nascido ou feito qualquer coisa para merecer a bênção de Deus” [ii]. Porém, não estou certo que Piper está incluindo o exercício da fé como meritório, é comum para calvinistas acusar qualquer um que creia que Deus condiconou a recepção da salvação à fé como adicionar obras. Esta caricatura pelos calvinistas é na realidade um espantalho não-bíblico. A Escritura é clara que a oferta de salvação é incondicional, mas a condição de recebê-la é a fé habilitada pela graça (Jo 3:16, 8:24).

Além disso, o crente não leva crédito pela fé porque não existe absolutamente nenhum mérito na fé, porque fé é a antítese de obras (Rm 4:2-5). Fé é o meio para receber, não a razão para receber. Fé é desistir de si mesmo e colocar toda esperança em outrem. Fé é o total abandono de toda e qualquer esperança de oferecer qualquer coisa de nós mesmos para obter favor divino ou firmar a nós mesmos diante de Deus. Além disso, fé é a condição para receber salvação, mas não a condição para a oferta da salvação (Ef 2:8-9). Ademais, a razão para uma pessoa ser capaz de receber é a graça de Deus. Fé é um dom de Deus, mas não no sentido de Deus somente dando o dom a alguém. Fé é um dom de Deus porque dá ao homem a capacidade de crer, a possibilidade de crer, o conteúdo do crer, a persuasão da verdade, e a habilitação do indivíduo para a fé[iii].

Paulo afirma “Portanto, é pela fé, para que seja pela graça; a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós” (Rm 4:16. Veja também Rm 10:3-5). Portanto, a declaração de Paulo de que fé é de acordo com a graça está em direto contraste com os pronunciamentos de muitos calvinistas. Portanto, sendo de acordo com a graça, ela não é de forma alguma meritória ou obra. John Walvoord nota, “Responder em fé à promessa de Deus não é meritório, porque a promessa floresce de Sua graça, Sua disposição em favor daqueles que merecem Sua ira. O exercício humano da fé é simplesmente a resposta pré-requisito da confiança em Deus e na Sua promessa. Desde que fé e graça andam juntas, e desde que a promessa é pela graça, a promessa só pode ser recebida pela fé, não pela Lei”[iv].


[i]John MacArthur, Revelation 12-22, 49 (Chicago, Ill.: Moody Press, 2000).

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 4/9/11

[iii] Robert E. Picirilli, Grace, Faith, Free Will – Contrasting Views of Salvation: Calvinism and Arminianism, (Nashville: Randall House, 2002), 167.

[iv]John F. Walvoord, Roy B. Zuck and Dallas Theological Seminary, The Bible Knowledge Commentary : An Exposition of the Scriptures, (Wheaton, IL: Victor Books, 1983-c1985), 2:454. Walvoord é um calvinista de quatro pontos. Consequentemente, ele pode colocar regeneração antes da fé, mas eu não estou certo sobre, então eu tomo esta afirmação em seu valor de face.

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Autor: Ronnie Rogers

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out? By Ronnie Rogers – Part 4 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/21/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-3-of-4/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

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O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

Por que o duplifalar? Como mencionado em diversas ocasiões ao longo do livro, no calvinismo existe um problema que eu chamo de duplifalar. Pelo uso deste termo, eu não estou implicando imoral ou clandestina trucagem. Nem estou sugerindo engano conspiratório. Eu devo admitir que após refletir sobre meu tempo de calvinista, eu fiz a mesma coisa. Eu não o fiz por maus motivos, intenção de enganar, ou por causa de uma falta de desejo de ser fiel à Escritura – nem eu impugno assim meus irmãos e irmãs calvinistas.

Como matéria de fato, após refletir, eu o fazia porque eu cria no calvinismo e na Escritura. Isto trazia conflitos que requeriam respostas inconscientes ou pelo menos impensadas aos conflitos, o que eu agora vejo como duplifalar. Este duplifalar obscurece as duras realidades do calvinismo e as inconsistências entre a Escritura e o calvinismo; o que eu estou a descrever agora como as realidades desconfortantes do calvinismo. Ou existia uma inconsciência da séria deficiência entre o calvinismo e a leitura simples da Escritura, ou eu simplesmente estava indisposto a encarar estas disparidades diretamente. Às vezes, uma falta de reflexão pode ter sido mais fácil que embarcar na bastante desconcertante e incerta jornada que eu eu estava pelos últimos treze anos. Também, eu não tinha o conhecimento e nem a habilidade de vê-las tão claramente ali o tanto quanto eu tenho agora. Por duplifalar, eu me refiro às inconsistências entre os dogmas irredutíveis e a lógica do calvinismo, e às falas, escritos, orações etc. de alguns calvinistas. Isto é particularmente pronunciável em áreas como missões, orações, pregação, e comentários escritos e falados que parecem aliviar ou suavizar as duras realidades do calvinismo. Na realidade, é este duplifalar, o qual eu mesmo me achava tolerante, que eu lia e ouvia calvinistas recitando, todos os quais eu estimo como homens e mulheres piedosas, que estimularam meu desencanto.

O duplifalar é ou uma tentativa inconsciente de evitar pessoalmente as duras realidades do calvinismo ou uma indisposição de inadvertidamente expressas os realmente irredutíveis dogmas, lógicas, corolários, e as austeras verdades do calvinismo para aqueles que são menos encantadoras com os poderes explanatórios do calvinismo. Pode ser também que seja apenas falta de entendimento dos verdadeiros ensinos do calvinismo, da Escritura, ou de ambos. Em minha opinião, enquanto calvinistas continuam a declarar infrequentemente ou evitar afirmar estas inflexíveis e biblicamente impalatáveis verdades, eles continuarão a dar as mesmas respostas vazias aos dilemas criados pelo calvinismo, como por exemplo “isto é um mistério” ou algum duplifalar. Existem alguns calvinistas que procuram sem embaraço celebrar estas duras realidades do calvinismo, e eu os aplaudo por sua abordagem direta, ainda que não pela sua corretude.

Por muitos anos eu via a simples gerência de passagens sem invocar as duras realidades do calvinismo, proclamações sobre missões ou a perda que parece estar de acordo com o espírito e letra da Escritura, orações ausentes dos corolários lógicos do calvinismo, e paixão dirgida a perseguir e persuadir os perdidos a se arrepender, como um tipo mais suave e gentil de calvinismo. Agora eu vejo esras expressões como calvinismo inconsistente – duplifalar. Eu não mais admiro tais sentimentos, mas desejo a exposição de tais incongruências como o que elas são, duplifalar. Minha oração é que alguns vejam este nebuloso duplifalar também e sejam atraídos pela simples e direta mensagem da Escritura e portanto se tornem calvinistas desencantados. No que se segue estão alguns exemplos de duplifalar, os quais, se lidos sem o entendimento das crenças calvinistas dantes mencionadas, não veria tais inconsistências entre a Escritura e o calvinismo.

Por um lado, Piper afirma que o livro contendo os nomes dos que estão “seguros no amor soberano eletivo de Deus”[i]. Isto é seguido pela sua afirmação que “o livro da vida é sinônimo da lista daqueles que são eleitos e predestinados para a vida eterna”[ii]. Esta eleição incondicional para salvação é trazida à tona com graça monergística eficaz. De acordo com Piper e com calvinistas, os eleitos serão irresistivelmente trazidos para Deus, irresistivelmente regenerados, e igualmente irresistivelmente, apesar de livremente, exercer fé a partir de suas novas natureza e desejos.

Piper fala da graça irresistível, “Quando uma pessoa ouve uma chamada do pregador para o arrependimento, ela pode resistir a este chamado. Mas se Deus lhe concede arrependimento ela não pode resistir porque o dom é a remoção da resistência. Não estar disposto a se arrepender é o mesmo que resistir ao Santo Espírito. Então Deus dar arrependimento é o mesmo que remover a resistência. É por isso que chamamos a esta obra ‘graça irresistível'”[iii]. Conversamente, ele diz dos não-eleitos, “Exceto pela contínua exerção de graça salvífica, nós sempre usaremos nossa liberdade para resistir a Deus”[iv]. Novamente ele estabelece, “A natural dureza de nossos corações nos faz indispostos e incapazes de voltar do pecado e confiar no Salvador. Portanto a conversão envolve o milagre do novo nascimento. Este novo nascimento precede e habilita fé e arrependimento”[v]. Portanto, de acordo com Piper, os não-eleitos não podem crer, não podem ser salvos, não podem exercer fé, e não podem receber a oferta da salvação porque Deus não os escolhera para regeneração. Se Ele os tivesse escolhido, eles teriam e haveriam sido salvos.

Então, em outro artigo em seu website ele diz “Eu creio que Cristo morreu como substituto para pecadores para prover uma oferta bona fide de salvação a todas as pessoas, e que ele tem um projeto invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembleia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto (Jo 3:16, Ef 5:25, Rv 13:8 )”[vi]. Então a morte de Cristo obteve uma “oferta bona fide de salvação para todas as pessoas”, o que inclui todos os não-eleitos, que não apenas não crerão para salvação, mas que não podem crer para salvação. Isto levanta a questão, de que forma qualquer um pode considerar a oferta como sendo bona fide se existe uma decisão predeterminada, inalterável, e invencível pelo soberano Deus do tempo e da eternidade que eles não poderiam receber tal oferta? Isto é duplifalar e uma inquietante realidade.


[i] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessado 9/4/11

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 9/4/11

[iii] John Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe About the Five Points of Calvinism, (copyright Desiring God.org, revised March 1998, http://www.desiringgod.org/resource-library/articles/what-we-believe-about-the-five-points-of-calvinism/print).

[iv] Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe.

[v] Piper, Desiring God, 62.

[vi] http://www.desiringgod.org/blog/posts/saying-what-you-believe-is-clearer-than-saying-calvinist?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed:+DGBlog+(DG+Blog)#accessed 9-4-11


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Autor: Ronnie Rogers, Site: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out?- Part 3 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

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Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (A Eleição de Cristo)

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A Eleição de Cristo

Em Efésios, vemos a eleição de um corpo e um plano. O corpo é a Igreja, e o plano é salvação mediante Jesus Cristo. Esta eleição foi pré-temporal mas não vemos nunca esta eleição como sendo inclusiva de certos indivíduos enquanto exclusiva de outros. Nesta seção, a eleição pré-temporalserá demonstrada como abrangida em uma eleição — a eleição de Cristo. Em Cristo, nós encontramos o cumprimento não apenas do plano de salvação, mas o objeto da salvação que é a igreja. As Escrituras apontam para Deus planejando um destino para o corpo do Eleito sem determinar quem teria ou não acesso pela fé à incorporação neste corpo. Abaixo, a eleição de Cristo com relação a Seu corpo eleito será comparada com a eleição de Israel e sua relação com aqueles dentro da nação. Veremos que a eleição de Cristo é a única eleição pré-temporal de um indivíduo especificamente mencionada no Novo Testamento [12].

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?)

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Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?

A necessidade da vocação redentora de Cristo deve ser suficiente para nós entendermos que a salvação e eleição de indivíduos não ocorre pré-temporalmente mas, em vez disso, ocorre no tempo assim que a pessoa coloca sua fé em Jesus Cristo. Porém, existe outra faceta da teologia do Novo Testamento que serve para demonstrar que a eleição de Efésios 1:3-4 é corporativa. Devemos novamente notar o conceito de nossa eleição. Quando vem o testemunho do restante do Novo Testamento, o fato de se estar em Cristo vem com benefícios explícitos. A frase é sempre vista como inclusão salvífica de todos os benefícios que pertencem a nós mediante fé em Cristo.

Uma breve visão da teologia do “em Cristo” de Paulo a partir de sua epístola aos romanos demonstra este ponto. Nossa justificação é realizada “mediante a redenção que está em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (8:1). Em Cristo somos livres da lei do pecado e da morte (Rm 8:2). Se Cristo está em nós, o que é igualado a nós estando nEle (Jo 14:20-21), temos vida no Espírito (Rm 8:10). Somos beneficiários do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (8:39). A mensagem é clara: Estar em Cristo é ter salvação.

Então como isto apresenta um problema para uma visão que afirma eleição pré-temporal individual? Esta interpretação é problemática porque eleição pré-temporal, como delineada em Efésios 1:3-4, é “em Cristo”. Como apontado acima, todos os benefícios da salvação são “em Cristo”. Um destes benefícios seria o fato de que não há condenação. Para a teologia calvinista permanecer consistente com esta interpretação de Efésios 1:3-4, ela teria de concluir que indivíduos eleitos para salvação estavam livres da condenação no momento que foram eleitos “em Cristo” na eternidade passada. Além do fato de ser absurdo para alguém ser retirado da condenação antes de ter entrado nela, este conceito também é a-escritural. Jo 3:18,36 deixa claro para nós que aqueles que presentemente não creem também estão presentemente debaixo de condenação. Calvinistas concordariam que todos os que não creem em Cristo estão em tal estado, mas novamente, eles o fazem de maneira inconsistente com sua teologia. Pois em sua moldura interpretativa, indivíduos foram eleitos em Cristo antes mesmo de crerem. É logicamente impossível para alguém estar “em Cristo” e debaixo de condenação ao mesmo tempo (Rm 8:1).

A descrição de Andrônico e Júnia, dado para nós pelo Apóstolo em Romanos 16:7, é bastante pertinente ao assunto da eleição pré-temporal individual. Paulo estabelece que eles estavam “em Cristo” antes dele. O simples significado do texto é, claro, que sua conversão ocorreu cronologicamente antes da de Paulo. Mas Paulo usou a frase específica ἐν Χριστῷ. Se Efésios 1:3-4 estiver falando da eleição individual em vez da corporativa, então teremos uma contradição aqui. Eleição em Cristo ocorreu antes do tempo. Portanto, se indivíduos foram eleitos em Cristo antes do tempo, qualquer afirmação, como esta que temos em Romanos 16:7, seria sem significado. Porém, se entendermos que uma pessoa está “em Cristo” apenas sob sua conversão, não em um decreto pré-temporal de Deus, então a afirmação de Paulo aqui faria perfeito sentido. Portanto, devemos ser convenientemente capazes de descartar a interpretação de eleição individual em Cristo em Efésios 1:3-4.

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Eleição Individual É Especificamente Tratada Em Efésios?)

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Eleição individual é especificamente tratada em Efésios?

Agora nós iremos olhar diversos exemplos em que encontraremos este pareamento de pronomes plurais com nossas bênçãos em Cristo. Note em 1:6 que nos foi dada a graça de Deus, “a qual nos deu gratuitamente no Amado;”. Baseado no seguinte verso que está traduzido “em quem temos a redenção pelo seu sangue…”, existe pouca dúvida que “o Amado” refere-se a Cristo. Ambos os versos 6 e 7 revelam a nós a natureza cristocêntrica e corporativa dos dons divinos da graça e redenção. Claro, eles são realizados temporalmente nas vidas dos indivíduos mediante sua fé em Cristo, mas aqui, eles se referem ao plano e propósito de salvação que foi estabelecida em Cristo como um plano para a plenitude dos tempos (versos 9-10).

Novamente, nos versos 11-14, o mesmo tipo de imagem é usado acerca de nossa herança. Por causa de nossa inclusão no corpo corporativo de Cristo, nós temos obtido esta maravilhosa herança, bem como o selo do Santo Espírito que é a garantia de nossa herança (1:14). Note nestes versos que não foi a escolha pessoal de Deus pelos indivíduos que nos garantiu coisa alguma. É somente a identificação com Cristo mediante fé que traz tal segurança de salvação. Mediante o crer, se é incluso no eleito corporativo (Ef 1:3-4). Com o eleito corporativo sendo o corpo de Cristo (1Co 12:27), Sua eleição (1Pe 2:6) foi essencialmente a eleição da igreja. Portanto, a referência de Paulo para o eleito corporativo (em Cristo) não pode ser separada do próprio Cristo.

Efésios 2:6-7 demonstra que a ênfase de Paulo é no eleito corporativo em Cristo. A igreja é vista como assentada em Cristo nos lugares celestiais. Aqueles de nós que têm sido salvos mediante fé em Cristo, apesar de nossa posição física em vida, podemos estar confidentes que nossa posição espiritual é assentado com Cristo à destra do Pai. Isto só pode ser possível se o apóstolo têm o corpo corporativo de Cristo em mente. Como corpo de Cristo nós estamos posicionados com Ele. Cristo obteve esta posição no Céu desde que Ele ascendeu da terra de volta para o Pai [9]. Indivíduos, por outro lado, só experimentam esta posição em Cristo mediante crença. As “imensuráveis riquezas de Sua graça em benevolência para conosco” são disponíveis para todos que escolhem estar “em Cristo Jesus” (verso 7). Portanto, o corpo corporativo eleito sempre esteve assentado nos céus em Cristo, mas o que estes versos certamente não nos contam é que cada indivíduo crente sempre esteve lá.

Em 3:11, o apóstolo referencia o “eterno propósito de Deus que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor”. Poucos discordariam que a eleição é cristocêntrica, e este fato é especialmente realçado neste verso. Note no verso 12 que “…temos ousadia e acesso com confiança mediante nossa fé nEle”. Não baseamos nossa confiança em uma eleição pré-temporal na qual fomos escolhidos antes de Cristo morrer por nossos pecados. Em vez disso, nossa confiança é baseada em uma verdade central – Jesus Cristo e Ele crucificado![10] Uma expressão semelhante é encontrada em 2Tm 1:9, em referência a Deus, “… que nos salvou e chamou para um santo chamado… por causa de seu próprio propósito e graça, que ele nos deu em Cristo Jesus antes dos tempos começarem”. O propósito de Deus foi em Cristo pré-temporalmente, mas note que nem na passagem de Efésios e nem na de 2Tm encontramos que alguns indivíduos foram escolhidos para salvação. Certamente, enquanto somos agora parte de um eleito corporativo, em retrospecto, este propósito de Deus foi por nós, mas não podemos concluir que o nós nesta passagem foi um grupo predeterminado de indivíduos eleitos. Porém, sabemos que Deus estabeleceu Seu propósito em Cristo “antes das eras começarem” para todos aqueles que agora são parte da igreja.

2Tm 1:10 explica como este propósito de Deus, salvação mediante Cristo, foi “manifesto pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo” no tempo. Com Seu aparecimento, Jesus “aboliu a morte”. Ele não aboliu-a para nós na eternidade passada, mas foi em Sua cruz que Ele triunfou sobre a morte (Cl 2:13-15). Se indivíduos, ainda não existentes, já foram colocados em Cristo pré-temporalmente com todos os benefícios e benesses da salvação (Ef 1:3) mantidos asseguradamente, destinados para vida eterna, então por que a obra redentora de Cristo no primeiro século AD? Como qualquer das bênçãos da salvação ser efetiva sobre nós antes da obra finalizada de Cristo? Alegar isto parece tornar a missão redentora de Cristo um “espalhafato divino”, um mero símbolo do que Deus já havia completado na eternidade passada[11].  Seria mais consistente com a Escritura, que claramente vê a cruz como necessária para nossa salvação, manter que o eterno propósito de Deus foi que a salvação viria mediante Cristo, não que certos indivíduos foram eleitos pré-temporalmente.