Traduções Crédulas: Hebreus 12:2 por Richard Coords

Pois bem, mais um texto da Bíblia Comentada por Coords! Aqui ele trata do autor e consumador da fé. Ou melhor, do exemplo de fé.

Puxe a aba!

Continue lendo “Traduções Crédulas: Hebreus 12:2 por Richard Coords”

Anúncios

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte IV de IV

John MacArthur afirma que o livro contém os nomes de todos que foram “escolhidos para salvação”. Como calvinista, isto quer dizer que Deus incondicionalmente os elegeu para salvação, e eles receberão a chamada eficaz interna, graça irresistível, resultando em regeneração seguida de uma inevitável escolha livre para crer. Imediatamente seguindo seguindo essas palavras ele diz “Descrentes, cujos nomes não estão anotados no livro da vida, perecerão, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos (2Ts 2:10). Escritura também ensina que os infiéis serão julgados porque não creram na verdade mas tomaram prazer na malignidade (2Ts 2:12). Enquanto os eternamente eleitos são salvos mediante fé no Senhor Jesus Cristo (Jo 3:16, 5:24; At 13:39, 16:31; Rm 3:22-30, 4:5, 10:9-10; Gl 3:22-26; Ef 2:8-9), os não eleitos são perdidos porque se recusam a crer no evangelho (Jo 3:36; Rm 1:18-32, 2:8; 2Ts 1:8-9; 1Pe 2:8, 4:17). Descrença e rejeição sempre indicam tais pessoas cujos nomes não foram inscritos … no livro da vida” [i]

Como um calvinista desencantado, eu diria a mesma coisa sobre estas Escrituras como MacArthur o fez, mas a verdade do calvinismo transmogrifica estas afirmações e o que elas implicam. A verdade do calvinismo é que aqueles fora do livro não podem receber o amor da verdade para serem salvos; os infiéis não creem porque não podem crer. E mais, os eternamente eleitos não recebem salvação pela fé – fé como a primeira parte da salvação ou da condição de salvação – porque eles na realidade recebem salvação mediante eleição incondicional que é executada pela regeneração forçada e é seguida por um inescapável ato livre de fé. Finalmente os não-eleitos não são perdidos porque eles meramente se recusam a crer no evangelho – claramentente implicando que eles poderiam ter crido – mas em vez disso eles recusam o evangelho porque Deus não escolheu elegê-los mas em vez disso deixá-los fazer aquilo que eles somente poderiam fazer, que é recusar. Esta é uma realidade inquietante.

Calvinismo não é privado de paixão em ver os perdidos vindo a Cristo. Não obstante, se a lógica prevalece, é apenas uma paixão vertical. Quer dizer, é uma paixão de cumprir o mandamento de Deus, de ser usado por Deus para reunir seus eleitos. Não pode ser uma paixão horizontal do Espírito, o que é um peso, amor e pesar por todos os perdidos do mundo, ou mesmo para cada indivíduo particular, de vir a conhecer Cristo. Pois o Deus do calvinismo nem memso tem tal paixão. A paixão de um calvinista consistente não é de fato dirigida para o indivíduo mas sempre para Deus, o que alguns calvinistas se deleitariam como justificando o calvinismo. Porém, isto só é verdadeiro se a Escritura apoiar, e eu não penso que seja o caso. Além do mais, se o calvinismo é verdadeiro, a não ser que o calvinista saiba que Deus verdadeiramente trouxe para ele um de Seus eleitos – o que parece impossível de saber objetivamente – o calvinista precisa recusar a dar paixão horizontal porque ela poder ser mero sentimento humano ou influência satânica, ambas contrárias à paixão divina.

A paixão do calvinismo não pode ser logicamente consistente com o calvinismo, sendo dirigida aos perdidos da mesma forma que a simples leitura da Escritura retrata a paixão de Deus, Cristo, Paulo ou dos outros por todos, cada pessoa, cada perdido no mundo. Se um calvinista é tão disposto, é uma inconsistência com o calvinismo em vez de um corolário do calvinismo. Esta é uma realidade inquietante. Como calvinista eu negava – duplifalava – a veracidade desta conclusão, mas como calvinista desencantado, sua verdade é inegável.

E quanto aos espantalhos? Piper diz “isto representa a eleição livre e incondicional de Deus antes de sequer termos nascido ou feito qualquer coisa para merecer a bênção de Deus” [ii]. Porém, não estou certo que Piper está incluindo o exercício da fé como meritório, é comum para calvinistas acusar qualquer um que creia que Deus condiconou a recepção da salvação à fé como adicionar obras. Esta caricatura pelos calvinistas é na realidade um espantalho não-bíblico. A Escritura é clara que a oferta de salvação é incondicional, mas a condição de recebê-la é a fé habilitada pela graça (Jo 3:16, 8:24).

Além disso, o crente não leva crédito pela fé porque não existe absolutamente nenhum mérito na fé, porque fé é a antítese de obras (Rm 4:2-5). Fé é o meio para receber, não a razão para receber. Fé é desistir de si mesmo e colocar toda esperança em outrem. Fé é o total abandono de toda e qualquer esperança de oferecer qualquer coisa de nós mesmos para obter favor divino ou firmar a nós mesmos diante de Deus. Além disso, fé é a condição para receber salvação, mas não a condição para a oferta da salvação (Ef 2:8-9). Ademais, a razão para uma pessoa ser capaz de receber é a graça de Deus. Fé é um dom de Deus, mas não no sentido de Deus somente dando o dom a alguém. Fé é um dom de Deus porque dá ao homem a capacidade de crer, a possibilidade de crer, o conteúdo do crer, a persuasão da verdade, e a habilitação do indivíduo para a fé[iii].

Paulo afirma “Portanto, é pela fé, para que seja pela graça; a fim de que a promessa seja firme a toda a descendência, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé de Abraão, o qual é pai de todos nós” (Rm 4:16. Veja também Rm 10:3-5). Portanto, a declaração de Paulo de que fé é de acordo com a graça está em direto contraste com os pronunciamentos de muitos calvinistas. Portanto, sendo de acordo com a graça, ela não é de forma alguma meritória ou obra. John Walvoord nota, “Responder em fé à promessa de Deus não é meritório, porque a promessa floresce de Sua graça, Sua disposição em favor daqueles que merecem Sua ira. O exercício humano da fé é simplesmente a resposta pré-requisito da confiança em Deus e na Sua promessa. Desde que fé e graça andam juntas, e desde que a promessa é pela graça, a promessa só pode ser recebida pela fé, não pela Lei”[iv].


[i]John MacArthur, Revelation 12-22, 49 (Chicago, Ill.: Moody Press, 2000).

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 4/9/11

[iii] Robert E. Picirilli, Grace, Faith, Free Will – Contrasting Views of Salvation: Calvinism and Arminianism, (Nashville: Randall House, 2002), 167.

[iv]John F. Walvoord, Roy B. Zuck and Dallas Theological Seminary, The Bible Knowledge Commentary : An Exposition of the Scriptures, (Wheaton, IL: Victor Books, 1983-c1985), 2:454. Walvoord é um calvinista de quatro pontos. Consequentemente, ele pode colocar regeneração antes da fé, mas eu não estou certo sobre, então eu tomo esta afirmação em seu valor de face.

META

Autor: Ronnie Rogers

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out? By Ronnie Rogers – Part 4 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/21/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-3-of-4/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

O Livro da Vida do Cordeiro: Quem Está Dentro, Quem Está Fora? – Parte III de IV

Por que o duplifalar? Como mencionado em diversas ocasiões ao longo do livro, no calvinismo existe um problema que eu chamo de duplifalar. Pelo uso deste termo, eu não estou implicando imoral ou clandestina trucagem. Nem estou sugerindo engano conspiratório. Eu devo admitir que após refletir sobre meu tempo de calvinista, eu fiz a mesma coisa. Eu não o fiz por maus motivos, intenção de enganar, ou por causa de uma falta de desejo de ser fiel à Escritura – nem eu impugno assim meus irmãos e irmãs calvinistas.

Como matéria de fato, após refletir, eu o fazia porque eu cria no calvinismo e na Escritura. Isto trazia conflitos que requeriam respostas inconscientes ou pelo menos impensadas aos conflitos, o que eu agora vejo como duplifalar. Este duplifalar obscurece as duras realidades do calvinismo e as inconsistências entre a Escritura e o calvinismo; o que eu estou a descrever agora como as realidades desconfortantes do calvinismo. Ou existia uma inconsciência da séria deficiência entre o calvinismo e a leitura simples da Escritura, ou eu simplesmente estava indisposto a encarar estas disparidades diretamente. Às vezes, uma falta de reflexão pode ter sido mais fácil que embarcar na bastante desconcertante e incerta jornada que eu eu estava pelos últimos treze anos. Também, eu não tinha o conhecimento e nem a habilidade de vê-las tão claramente ali o tanto quanto eu tenho agora. Por duplifalar, eu me refiro às inconsistências entre os dogmas irredutíveis e a lógica do calvinismo, e às falas, escritos, orações etc. de alguns calvinistas. Isto é particularmente pronunciável em áreas como missões, orações, pregação, e comentários escritos e falados que parecem aliviar ou suavizar as duras realidades do calvinismo. Na realidade, é este duplifalar, o qual eu mesmo me achava tolerante, que eu lia e ouvia calvinistas recitando, todos os quais eu estimo como homens e mulheres piedosas, que estimularam meu desencanto.

O duplifalar é ou uma tentativa inconsciente de evitar pessoalmente as duras realidades do calvinismo ou uma indisposição de inadvertidamente expressas os realmente irredutíveis dogmas, lógicas, corolários, e as austeras verdades do calvinismo para aqueles que são menos encantadoras com os poderes explanatórios do calvinismo. Pode ser também que seja apenas falta de entendimento dos verdadeiros ensinos do calvinismo, da Escritura, ou de ambos. Em minha opinião, enquanto calvinistas continuam a declarar infrequentemente ou evitar afirmar estas inflexíveis e biblicamente impalatáveis verdades, eles continuarão a dar as mesmas respostas vazias aos dilemas criados pelo calvinismo, como por exemplo “isto é um mistério” ou algum duplifalar. Existem alguns calvinistas que procuram sem embaraço celebrar estas duras realidades do calvinismo, e eu os aplaudo por sua abordagem direta, ainda que não pela sua corretude.

Por muitos anos eu via a simples gerência de passagens sem invocar as duras realidades do calvinismo, proclamações sobre missões ou a perda que parece estar de acordo com o espírito e letra da Escritura, orações ausentes dos corolários lógicos do calvinismo, e paixão dirgida a perseguir e persuadir os perdidos a se arrepender, como um tipo mais suave e gentil de calvinismo. Agora eu vejo esras expressões como calvinismo inconsistente – duplifalar. Eu não mais admiro tais sentimentos, mas desejo a exposição de tais incongruências como o que elas são, duplifalar. Minha oração é que alguns vejam este nebuloso duplifalar também e sejam atraídos pela simples e direta mensagem da Escritura e portanto se tornem calvinistas desencantados. No que se segue estão alguns exemplos de duplifalar, os quais, se lidos sem o entendimento das crenças calvinistas dantes mencionadas, não veria tais inconsistências entre a Escritura e o calvinismo.

Por um lado, Piper afirma que o livro contendo os nomes dos que estão “seguros no amor soberano eletivo de Deus”[i]. Isto é seguido pela sua afirmação que “o livro da vida é sinônimo da lista daqueles que são eleitos e predestinados para a vida eterna”[ii]. Esta eleição incondicional para salvação é trazida à tona com graça monergística eficaz. De acordo com Piper e com calvinistas, os eleitos serão irresistivelmente trazidos para Deus, irresistivelmente regenerados, e igualmente irresistivelmente, apesar de livremente, exercer fé a partir de suas novas natureza e desejos.

Piper fala da graça irresistível, “Quando uma pessoa ouve uma chamada do pregador para o arrependimento, ela pode resistir a este chamado. Mas se Deus lhe concede arrependimento ela não pode resistir porque o dom é a remoção da resistência. Não estar disposto a se arrepender é o mesmo que resistir ao Santo Espírito. Então Deus dar arrependimento é o mesmo que remover a resistência. É por isso que chamamos a esta obra ‘graça irresistível'”[iii]. Conversamente, ele diz dos não-eleitos, “Exceto pela contínua exerção de graça salvífica, nós sempre usaremos nossa liberdade para resistir a Deus”[iv]. Novamente ele estabelece, “A natural dureza de nossos corações nos faz indispostos e incapazes de voltar do pecado e confiar no Salvador. Portanto a conversão envolve o milagre do novo nascimento. Este novo nascimento precede e habilita fé e arrependimento”[v]. Portanto, de acordo com Piper, os não-eleitos não podem crer, não podem ser salvos, não podem exercer fé, e não podem receber a oferta da salvação porque Deus não os escolhera para regeneração. Se Ele os tivesse escolhido, eles teriam e haveriam sido salvos.

Então, em outro artigo em seu website ele diz “Eu creio que Cristo morreu como substituto para pecadores para prover uma oferta bona fide de salvação a todas as pessoas, e que ele tem um projeto invencível em sua morte para obter sua noiva escolhida, a saber, a assembleia de todos os crentes, cujos nomes foram eternamente escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto (Jo 3:16, Ef 5:25, Rv 13:8 )”[vi]. Então a morte de Cristo obteve uma “oferta bona fide de salvação para todas as pessoas”, o que inclui todos os não-eleitos, que não apenas não crerão para salvação, mas que não podem crer para salvação. Isto levanta a questão, de que forma qualquer um pode considerar a oferta como sendo bona fide se existe uma decisão predeterminada, inalterável, e invencível pelo soberano Deus do tempo e da eternidade que eles não poderiam receber tal oferta? Isto é duplifalar e uma inquietante realidade.


[i] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessado 9/4/11

[ii] http://www.desiringgod.org/resource-library/taste-see-articles/late-night-meditations-on-the-book-of-life accessed 9/4/11

[iii] John Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe About the Five Points of Calvinism, (copyright Desiring God.org, revised March 1998, http://www.desiringgod.org/resource-library/articles/what-we-believe-about-the-five-points-of-calvinism/print).

[iv] Piper, “Irresistible Grace” in What We Believe.

[v] Piper, Desiring God, 62.

[vi] http://www.desiringgod.org/blog/posts/saying-what-you-believe-is-clearer-than-saying-calvinist?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter&utm_campaign=Feed:+DGBlog+(DG+Blog)#accessed 9-4-11


META

Autor: Ronnie Rogers, Site: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

Título Original: The Lamb’s Book of Life: Who’s In and Who’s Out?- Part 3 of 4

Fonte: http://sbctoday.com/2012/07/20/the-lamb%E2%80%99s-book-of-life-who%E2%80%99s-in-and-who%E2%80%99s-out-by-ronnie-rogers-%E2%80%93-part-2-of-4-2/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (A Eleição de Cristo)

A Eleição de Cristo

Em Efésios, vemos a eleição de um corpo e um plano. O corpo é a Igreja, e o plano é salvação mediante Jesus Cristo. Esta eleição foi pré-temporal mas não vemos nunca esta eleição como sendo inclusiva de certos indivíduos enquanto exclusiva de outros. Nesta seção, a eleição pré-temporalserá demonstrada como abrangida em uma eleição — a eleição de Cristo. Em Cristo, nós encontramos o cumprimento não apenas do plano de salvação, mas o objeto da salvação que é a igreja. As Escrituras apontam para Deus planejando um destino para o corpo do Eleito sem determinar quem teria ou não acesso pela fé à incorporação neste corpo. Abaixo, a eleição de Cristo com relação a Seu corpo eleito será comparada com a eleição de Israel e sua relação com aqueles dentro da nação. Veremos que a eleição de Cristo é a única eleição pré-temporal de um indivíduo especificamente mencionada no Novo Testamento [12].

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?)

Uma eleição pretemporal individual é consistente com a teologia do Novo Testamento?

A necessidade da vocação redentora de Cristo deve ser suficiente para nós entendermos que a salvação e eleição de indivíduos não ocorre pré-temporalmente mas, em vez disso, ocorre no tempo assim que a pessoa coloca sua fé em Jesus Cristo. Porém, existe outra faceta da teologia do Novo Testamento que serve para demonstrar que a eleição de Efésios 1:3-4 é corporativa. Devemos novamente notar o conceito de nossa eleição. Quando vem o testemunho do restante do Novo Testamento, o fato de se estar em Cristo vem com benefícios explícitos. A frase é sempre vista como inclusão salvífica de todos os benefícios que pertencem a nós mediante fé em Cristo.

Uma breve visão da teologia do “em Cristo” de Paulo a partir de sua epístola aos romanos demonstra este ponto. Nossa justificação é realizada “mediante a redenção que está em Cristo Jesus” (Rm 3:24). “Pois, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (8:1). Em Cristo somos livres da lei do pecado e da morte (Rm 8:2). Se Cristo está em nós, o que é igualado a nós estando nEle (Jo 14:20-21), temos vida no Espírito (Rm 8:10). Somos beneficiários do amor de Deus em Cristo Jesus nosso Senhor (8:39). A mensagem é clara: Estar em Cristo é ter salvação.

Então como isto apresenta um problema para uma visão que afirma eleição pré-temporal individual? Esta interpretação é problemática porque eleição pré-temporal, como delineada em Efésios 1:3-4, é “em Cristo”. Como apontado acima, todos os benefícios da salvação são “em Cristo”. Um destes benefícios seria o fato de que não há condenação. Para a teologia calvinista permanecer consistente com esta interpretação de Efésios 1:3-4, ela teria de concluir que indivíduos eleitos para salvação estavam livres da condenação no momento que foram eleitos “em Cristo” na eternidade passada. Além do fato de ser absurdo para alguém ser retirado da condenação antes de ter entrado nela, este conceito também é a-escritural. Jo 3:18,36 deixa claro para nós que aqueles que presentemente não creem também estão presentemente debaixo de condenação. Calvinistas concordariam que todos os que não creem em Cristo estão em tal estado, mas novamente, eles o fazem de maneira inconsistente com sua teologia. Pois em sua moldura interpretativa, indivíduos foram eleitos em Cristo antes mesmo de crerem. É logicamente impossível para alguém estar “em Cristo” e debaixo de condenação ao mesmo tempo (Rm 8:1).

A descrição de Andrônico e Júnia, dado para nós pelo Apóstolo em Romanos 16:7, é bastante pertinente ao assunto da eleição pré-temporal individual. Paulo estabelece que eles estavam “em Cristo” antes dele. O simples significado do texto é, claro, que sua conversão ocorreu cronologicamente antes da de Paulo. Mas Paulo usou a frase específica ἐν Χριστῷ. Se Efésios 1:3-4 estiver falando da eleição individual em vez da corporativa, então teremos uma contradição aqui. Eleição em Cristo ocorreu antes do tempo. Portanto, se indivíduos foram eleitos em Cristo antes do tempo, qualquer afirmação, como esta que temos em Romanos 16:7, seria sem significado. Porém, se entendermos que uma pessoa está “em Cristo” apenas sob sua conversão, não em um decreto pré-temporal de Deus, então a afirmação de Paulo aqui faria perfeito sentido. Portanto, devemos ser convenientemente capazes de descartar a interpretação de eleição individual em Cristo em Efésios 1:3-4.

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Eleição Individual É Especificamente Tratada Em Efésios?)

Eleição individual é especificamente tratada em Efésios?

Agora nós iremos olhar diversos exemplos em que encontraremos este pareamento de pronomes plurais com nossas bênçãos em Cristo. Note em 1:6 que nos foi dada a graça de Deus, “a qual nos deu gratuitamente no Amado;”. Baseado no seguinte verso que está traduzido “em quem temos a redenção pelo seu sangue…”, existe pouca dúvida que “o Amado” refere-se a Cristo. Ambos os versos 6 e 7 revelam a nós a natureza cristocêntrica e corporativa dos dons divinos da graça e redenção. Claro, eles são realizados temporalmente nas vidas dos indivíduos mediante sua fé em Cristo, mas aqui, eles se referem ao plano e propósito de salvação que foi estabelecida em Cristo como um plano para a plenitude dos tempos (versos 9-10).

Novamente, nos versos 11-14, o mesmo tipo de imagem é usado acerca de nossa herança. Por causa de nossa inclusão no corpo corporativo de Cristo, nós temos obtido esta maravilhosa herança, bem como o selo do Santo Espírito que é a garantia de nossa herança (1:14). Note nestes versos que não foi a escolha pessoal de Deus pelos indivíduos que nos garantiu coisa alguma. É somente a identificação com Cristo mediante fé que traz tal segurança de salvação. Mediante o crer, se é incluso no eleito corporativo (Ef 1:3-4). Com o eleito corporativo sendo o corpo de Cristo (1Co 12:27), Sua eleição (1Pe 2:6) foi essencialmente a eleição da igreja. Portanto, a referência de Paulo para o eleito corporativo (em Cristo) não pode ser separada do próprio Cristo.

Efésios 2:6-7 demonstra que a ênfase de Paulo é no eleito corporativo em Cristo. A igreja é vista como assentada em Cristo nos lugares celestiais. Aqueles de nós que têm sido salvos mediante fé em Cristo, apesar de nossa posição física em vida, podemos estar confidentes que nossa posição espiritual é assentado com Cristo à destra do Pai. Isto só pode ser possível se o apóstolo têm o corpo corporativo de Cristo em mente. Como corpo de Cristo nós estamos posicionados com Ele. Cristo obteve esta posição no Céu desde que Ele ascendeu da terra de volta para o Pai [9]. Indivíduos, por outro lado, só experimentam esta posição em Cristo mediante crença. As “imensuráveis riquezas de Sua graça em benevolência para conosco” são disponíveis para todos que escolhem estar “em Cristo Jesus” (verso 7). Portanto, o corpo corporativo eleito sempre esteve assentado nos céus em Cristo, mas o que estes versos certamente não nos contam é que cada indivíduo crente sempre esteve lá.

Em 3:11, o apóstolo referencia o “eterno propósito de Deus que ele realizou em Cristo Jesus nosso Senhor”. Poucos discordariam que a eleição é cristocêntrica, e este fato é especialmente realçado neste verso. Note no verso 12 que “…temos ousadia e acesso com confiança mediante nossa fé nEle”. Não baseamos nossa confiança em uma eleição pré-temporal na qual fomos escolhidos antes de Cristo morrer por nossos pecados. Em vez disso, nossa confiança é baseada em uma verdade central – Jesus Cristo e Ele crucificado![10] Uma expressão semelhante é encontrada em 2Tm 1:9, em referência a Deus, “… que nos salvou e chamou para um santo chamado… por causa de seu próprio propósito e graça, que ele nos deu em Cristo Jesus antes dos tempos começarem”. O propósito de Deus foi em Cristo pré-temporalmente, mas note que nem na passagem de Efésios e nem na de 2Tm encontramos que alguns indivíduos foram escolhidos para salvação. Certamente, enquanto somos agora parte de um eleito corporativo, em retrospecto, este propósito de Deus foi por nós, mas não podemos concluir que o nós nesta passagem foi um grupo predeterminado de indivíduos eleitos. Porém, sabemos que Deus estabeleceu Seu propósito em Cristo “antes das eras começarem” para todos aqueles que agora são parte da igreja.

2Tm 1:10 explica como este propósito de Deus, salvação mediante Cristo, foi “manifesto pelo aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo” no tempo. Com Seu aparecimento, Jesus “aboliu a morte”. Ele não aboliu-a para nós na eternidade passada, mas foi em Sua cruz que Ele triunfou sobre a morte (Cl 2:13-15). Se indivíduos, ainda não existentes, já foram colocados em Cristo pré-temporalmente com todos os benefícios e benesses da salvação (Ef 1:3) mantidos asseguradamente, destinados para vida eterna, então por que a obra redentora de Cristo no primeiro século AD? Como qualquer das bênçãos da salvação ser efetiva sobre nós antes da obra finalizada de Cristo? Alegar isto parece tornar a missão redentora de Cristo um “espalhafato divino”, um mero símbolo do que Deus já havia completado na eternidade passada[11].  Seria mais consistente com a Escritura, que claramente vê a cruz como necessária para nossa salvação, manter que o eterno propósito de Deus foi que a salvação viria mediante Cristo, não que certos indivíduos foram eleitos pré-temporalmente.

Traduções Crédulas: Efésios 1 por Joshua Ratliff (Em Cristo)

Em Cristo

Deve ser primeiro notado que não é nem a linguagem corporativa de Efésios e nem o uso dos pronomes plurais nos versos 3-4 que demonstra que eleição corporativa é a visão acurada na interpretação desta passagem. Porém, o uso por Paulo desta linguagem é necessário neste ponto. Note que nossa eleição, incluindo as bênçãos espirituais que se levantam desta eleição, é cristocêntrica[8]. Em outras palavras, é realizada e centrada em Cristo. Além disso, deve ser notado que cada vez que lemos sobre nós estando “em Cristo” em Efésios, a ideia é sempre descrita com nomes plurais. A carta de Paulo aos efésios foca na igreja como um corpo com Cristo como sua cabeça. Esta ênfase é especialmente realizada enquanto olhamos para passagens como Efésios 2:11-12 em que a igreja é descrita como “santo templo do Senhor” que é “edificada para morada de Deus no Espírito” (versos 21-22). Novamente, o corpo corporativo de crentes está “a crescer em todas as coisas naquele que é a cabeça, em Cristo, no qual o corpo todo” está sendo construído “em amor” (4:15-16). Portanto, quando Paulo usa pronomes como “nós” e “nos”, ele está se referindo à igreja católica, o corpo corporativo de Cristo. Nesta seção responderemos duas questões importantes: 1) É a eleição de indivíduos especificamente mencionada em Efésios? E 2) É uma escolha individual pré-temporal individual consistente com o restante da teologia do Novo Testamento?

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Eleição Condicional

Eleição Condicional

(Conditional Election – Artigo 1 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Existem duas visões principais sobre o que a Bíblia ensina acerca do conceito de eleição para salvação: se ela é condicional ou incondicional. A eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus por aqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não foi nada sobre eles que contribui para a decisão de Deus em escolhê-los, o que parece tornar a escolha por Deus de qualquer indivíduo em detrimento de qualquer outro arbitrária. Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha por Deus de não salvar certos indivíduos mas daná-los pelos seus pecados por razão nenhuma a ver com eles, o que parece contradizer o espírito de numerosas passagens que enfatizam o pecado humano como razão para divina condenação bem como o desejo de Deus para que as pessoas se arrependam e sejam salvas (e.g. Gn 18:25; Dt 7:9, 12; 11:26-28; 30:15; 2Cr 15:1-2; Sl 145:19; Ez 18:20-24; Jo 3:16-18; veja também “Expiação para Todos” acima e o tratamento da reprovação por John Wesley, incluindo muito mais versos com breve comentário disponível em http://evangelicalarminians.org/wp-content/uploads/2013/07/Wesley-on-Reprobation.pdf). A eleição ser condicional significa que a escolha por Deus daqueles que ele salvará tem algo a ver com eles, que parte de sua razão para escolher eles tem algo a ver com eles. Acerca da eleição para salvação, a Bíblia ensina que Deus escolhe para salvação aqueles que creem em Jesus Cristo e portanto tornam-se unidos a ele, fazendo a eleição condicional à fé em Cristo.

Desejando a salvação de todos, provendo expiação para todos, e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação entregando o evangelho e habilitando todos os que ouvem o evengelho a responder positivamente em fé (veja “Expiação para Todos” e “Livres para Crer” acima), Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho / em Jesus Cristo (Jo 3:15-16, 36; 4:14; 5:24, 40; 6:47,50-58; 20:31;
Rm 3:21-30; 4:3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9:30-33; 10:4, 9-13;
1Co 1:21; 15:1-2;
Gl 2:15-16; 3:2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28;
Ef 1:13; 2:8;
Fp 3:9;
Hb 3:6, 14, 18-19; 4:2-3; 6:12;
1Jo 2:23-25; 5:10-13, 20).
Esta verdade bíblica clara e básica é equivalente a afirmar que a eleição para salvação é condicional à fé. Assim como a salvação é pela fé (e.g. Ef 2:8 – “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (assim a eleição para salvação é pela fé, um ponto explicitamente exibido em 2Ts 2:13 – “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (NASB; note: “Deus vos escolheu … mediante … fé na verdade”; sobre a gramática deste verso, veja “Traduções Rápidas: 2Tessalonicenses 2:13, Gramática Grega e Eleição Condicional“). Ou como João 14:21 coloca (com a suposição não-afirmada que o amor por Cristo e obediência a seus mandamentos vêm da fé) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Ou de novo, nas palavras de 1Co 8:3, “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Além disto, nós encontramos várias expressões da condição de eleito/salvo sendo dada pela fé, i.e. concedida por Deus em resposta à fé. Crentes são justificados pela fé (Rm 3-4, Gl 3), adotados como filhos de Deus pela fé (Jo 1:12, Gl 3:26), herdeiros de Deus pela fé (Rm 4:13-16; Gl 3:24-29; Tt 3:7; cf. Rm 8:16-17), dados vida espiritual (= regenerados) pela fé (Jo 1:12-13; 3:14-16; Jo 5:24, 39-40; 6:47, 50-58; 20:31; Ef 2:4-8 [note que ser salvo aqui é igualado a ser levantado para a vida espiritual etc., e que isto é então dito como tomando lugar pela fé]; Cl 2:12; 1 Tm 1:16; Tt 3:7), santificados pela fé (At 26:18), dados o Espírito Santo pela fé (Jo 4:14; 7:38-39; At 2:33; Rm 5:1, 5; Ef 1:13-14; Gl 3:1-6, 14), habitados pelo Pai, Filho e Santo Esírito pela fé (com os parênteses anteriores, veja Jo 14:15-17, 23; 17:20-23; Ef 3:14-17), e unidos a Cristo pela fé (Jo 6:53-57; 14:23; 17:20-23; Ef 1:13-14; 2; 3:17; Gl 3:26–28; Rm 6; 1Co 1:30; 2Co 5:21).

Nós devemos ser cautelosos em não perder a expressão da situação de eleitos nos diversos estados de graça. O estado da justificação significa estar em correto relacionamento com Deus. Mas isto implica pertencer a ele como um de seu povo eleito. Adoção/filiação também é uma expressão clássica do Antigo Testamento sobre a eleição de aliança do povo de Deus (Ex 4:22-23). Isto envolve a ideia de pertencer a Deus da mais profunda maneira possível para seres humanos. Herança segue diretamente disto como uma expressão de eleição. Filhos, que pertencem a Deus, são herdeiros de suas bênçãos e promessas pactuais (Rm 8:16-17). Vida espiritual também implica situação de eleito porque é uma das bênçãos providas na aliança. Mas a conexão com a situação de eleito pactual é ainda maior, como Jo 17:3 revela que não apenas aqueles que pertencem a Jesus recebem vida eterna, mas esta vida eterna é conhecer Cristo/Deus, o que é melhor entendido como um relacionamento íntimo de aliança envolvendo a condição de eleitos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste”.

O fato que o Santo Espírito é dado a crentes sob a condição de fé em Cristo também é profundamente confirmatório da eleição condicional. Pois na Escritura a presença de Deus / o Santo Espírito é o doador e marcador da eleição. Como Moisés orou em Ex 33:15-16, “… Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra”. Ou como Paulo estabelece em Rm 8:9-10, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça” (ênfase acrescida). A concessão do Espírito acarreta eleição, e ter o Espírito faz a pessoa eleita. Portanto, tendo o Espírito também separa a pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição também ser pela fé.

De um ponto de vista arminiano não-tradicional (veja mais abaixo sobre diferentes visões arminianas), isto acorda com os fatos que o Santo Espírito santifica os crentes e santificação é por vezes identificada com o meio pelo qual a eleição é obtida (2Ts 2:13, 1Pe 1:2). Santificar significa “ser feito santo, separado para Deus”. A obra santificatória inicial do Espírito é mais ou menos equivalente a crentes-eleitos sendo escolhidos ou separados para serviço e obediência para ele. O Apóstolo Paulo conta à igreja dos tessalonicenses, “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (2Ts 2:13 NASB). Eleição é aqui apresentada como tomando lugar mediante ou pela santificação que o Santo Espírito realiza. Mas como nós temos visto, o Santo Espírito é recebido pela fé, fazendo a santificação que ele traz também condicionada à fé e lançando luz na menção de “fé na verdade” seguindo imediatamente 2Ts 2:13. Semelhantemente 1Pe 1:1-2 fala dos “escolhidos refugiados … segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo…” Eleição toma lugar em ou pelo ou mediante a santificação efetivada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Santo Espírito a separa como pertencente a Deus, para obediência para com Jesus Cristo e para aspersão com seu sangue (i.e. o perdão dos pecados), um ato consequente à entrega do Espírito, o que mais uma vez é a própria consequência da fé em Cristo.

O estado final da graça daqueles acima mencionado para nós considerarmos é a união com Cristo, que é o mais fundamental de todos eles, servindo como base de cada um. Como Ef 1:3 afirma acerca da Igreja, Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. A frase “em Cristo” indica união com Cristo, um estado no qual se adentra pela fé, como já mencionado. Em Ef 1:3, união com Cristo é dada como condição para as bênçãos de Deus para a Igreja. Isto é, Deus abençoou a Igreja com toda sorte de bênçãos espirituais como consequência de serem unidos a Cristo (cf. Rm 9:7b – “Em Isaque será chamada sua descendência”, o que claramente significa que a descendência de Abraão seria nomeada como consequência de estar em Isaque, i.e. aqueles conectados a Isaque seriam contados como descendência de Abraão). Uma das bênçãos espirituais especificadas como entre cada bênção espiritual com a qual a Igreja foi abençoada é eleição (Ef 1:4). Agora se Deus abençoou a Igreja com toda bênção spiritual como consequência de estar unida a Cristo, e a eleição é uma destas bênçãos, então isto significa que a eleição é condicional à união com Cristo e à fé pela qual esta união é estabelecida.

Mais diretamente, Ef 1:4 explicitamente indica a condição de eleição especificamente com a frase “nEle [em Cristo]”: “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Bem como Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual indica que Deus nos abençoou porque estamos em Cristo (Ef 1:3), então Deus nos escolhendo em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1:4). Efésios 1:4, portanto, articula eleição condicional, uma eleição que é condicional à união em Cristo. Mas o fato que união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.

A próxima frase em Efésios 1:4 – “antes da fundação do mundo” – nos traz a uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição incondicional. A visão tradicional concebe eleição condicional como sendo individualística, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele dantes soube que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria nesta fé-em-união. A visão parece encontrar impressionante suporte em duas passagens proeminentes que relatam-se com a eleição.

Romanos 8:29 diz “Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Agora sem questão, o pré-conhecimento de Deus sobre os seres humanos é total e incluiria conhecimento anterior de cada pessoa e se creria ou não. E em Rm 8:29, presciência divina é apresentada como a condição para predestinação. Dado tudo que foi dito até aqui, muitos chegariam que a presciẽncia de Deus sobre a fé dos crentes seria o elemento mais natural de sua presciência deles ser determinativo de sua decisão de salvá-los e predestiná-los para serem conformes à imagem de Cristo.

A outra passagem proeminente provendo suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina sobre a fé humana é 1Pe 1:1-2, que fala da situação de eleito como sendo “segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Aqui a situação de eleito é explicitamente dito como sendo baseado na presciẽncia de Deus. E novamente, o tipo de evidência que estamos revendo leva muitos a crer que é especialmente presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela a qual a eleição divina conforma. Desde que este texto não especifica a presciência em vista como sendo de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas de eleição tomaria a presciência divina em 1Pe 1:2 como sendo do próprio plano de Deus para salvação, significando que eleição é baseada no plano de Deus para salvar aqueles que creem.

A visão arminiana não-tradicional da eleição é conhecida como eleição corporativa. Ela observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento foi consequência da escolha de um indivíduo que representou o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo foi eleito no cabeça corporativo, isto é, como consequência de sua associação com o representante corporativo (Gn 15:18; 17:7-10, 19; 21:12; 24:7; 25:23; 26:3-5; 28:13-15; Dt 4:37; 7:6-8; 10:15; Ml 1:2-3). Além disso, indivíduos (tais como Raabe e Rute) que não eram naturalmente relacionados ao cabeça corporativo poderiam unir-se ao povo escolhido e à identidade, história, eleição, e bênçãos do cabeça e povo eleitos. Houve uma série de cabeças de alianças no Antigo Testamento – Abraão, Isaque, e Jacó, e a escolha de cada novo cabeça do pacto trouxe uma nova definição do povo de Deus baseado na identidade do cabeça da aliança (juntamente com as referências anteriores deste parágrafo, veja Rm 9:6-13). Finalmente, Jesus Cristo veio como cabeça da Nova Aliança (Rm 3-4; 8; Gl 3-4; Hb 9:15; 12:24)— ele é o Escolhido (Mc 1:11; 9:7; 12:6; Lc 9:35; 20:13; 23:35; Ef 1:6; Cl 1:13; e numerosas referências a Jesus como Cristo/Messias) – e qualquer um unido a ele vem a compartilhar sua identidade, história, eleição, e bênçãos da aliança (nos tornamos coerdeiros com Cristo – Rm 8:16-17; cf. Gl 3:24-29). Portanto, a eleição é “em Cristo” (Ef 1:4), consequência da união com ele pela fé. Assim como o povo de Deus na Antiga Aliança foi escolhido em Jacó/Israel, assim o povo de Deus na Nova Aliança é escolhido em Cristo.

Alguns têm erroneamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 para a eleição discricionária dos cabeças das alianças anteriores como sendo indicação de que a eleição de Deus para salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça da aliança é única, acarretando a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para tornar-se parte do povo eleito da mesma forma que o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com esta grande ênfase em Romanos sobre salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus em fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou ascendência, bem como sua conclusão na seção evidencia, referindo-se à situação eletiva da justificação:

30. Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

31. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não atingiu a lei da justiça.

32. Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras da lei.

{Romanos 9:30-32b Almeida Recebida}

(Para um bom artigo sobre Romanos 9, veja Traduções Crédulas: Romanos 9 – Uma Leitura sob uma Nova Perspectiva.)

A metáfora da oliveira por Paulo em Rm 11:17-24 dá uma excelente figura da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo eleito de Deus. Mas indivíduos são enxertados no povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou são arrancados do povo escolhido de Deus e de suas bênçãos por causa da descrença. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando da eleição por meios de sua participação (mediante fé) no grupo eleito, que compreende a história da salvação. Efésios 2:11-12 semelhantemente atesta que os gentios que creem em Cristo são nele feitos para ser parte do corpo de Israel, cidadãos companheiros com os santos, membros da família de Deus, e possessores das alianças da promessa (2:11-12; note especialmente os versos 12,19).

Enquanto concordando que Deus conheça o futuro, incluindo os que crerão, a perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências ao pré-conhecimento em Rm 8:29 e 1Pe 1:1-2 como referindo-se ao conhecimento relacional anterior que se resume a previamente reconhecer ou contar ou adotar ou escolher pessoas como pertencendo a Deus (i.e. em relacionamento/parceria de aliança). A Bíblia algumas vezes menciona este tipo de conhecimento, tal como quando Jeus fala dos que nunca se submeteram verdadeiramente ao seu sehorio: “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23; cf. Gn 18:19, Jr 1:5, Os 13:2-5, Am 3:2, 1Co 8:3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significa ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. “Os [plural] que previamente conheceu” em Rm 8:29 referir-se-ia à Igreja como um corpo corporativo e sua eleição em Cristo bem como sua identidade como a legítima continuação do povo escolhido de Deus histórico, que crentes individuais compartilham na união-em-fé com Cristo e participação no seu povo. Tal referência é relacionada com afirmações na Escritura ditos a Israel sobre Deus escolhendo-os no passado (i.e. pré-conhecendo eles), uma eleição que a geração contemporânea sendo abordada compartilhava (e.g., Dt 4:37; 7:6-7; 10:15; 14:2; Is 41:8-9; 44:1-2; Am 3:2). Em cada geração, Israel poderia ser dita como escolhida.

A Igreja agora compartilha esta eleição mediante Cristo, o cabeça e mediador da aliança (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).

Semelhantemente, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo referir-se-ia a compartilhar a eleição de Cristo que tomou lugar antes da fundação do mundo (1Pe 1:20). Como Cristo incorpora e representa seu povo, pode ser dito que seu povo foi eleito quando ele o foi bem como pode ser dito que a nação de Israel estava no útero de Rebeca antes de sua existência porque Jacó estava (Gn 25:23) e que Deus amou/escolheu Israel amando/escolhendo Jacó antes de a nação de Israel existir (Ml 1:2-3) e que Levi pagou dízimo a Melquisedeque em Abraão antes de Levi existir (Hb 7:9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes mesmo de a Igreja sequer existir (Ef 2:5-6; cf. Cl 2:11-14; Rm 6:1-14) e que nós (a Igreja) estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo quando nós ainda não estamos literalmente no Paraíso mas Cristo está. A eleição de Cristo acarreta a eleição daqueles que estão unidos a ele, e portanto nossa eleição pode ser tida como tendo tomado lugar quando a dele ocorreu, mesmo antes de nós de fato estarmos unidos a ele. Isto é de certo modo semelhante a como eu, enquanto americano, posso dizer que nós (a América) vencemos a Revolutionary War antes que eu ou qualquer americano vivo hoje tenha sequer nascido.

A visão corporativa explica por que somente aqueles que na realidade são do povo de Deus são chamados de eleitos ou apelações semelhantes na Escritura, e não aqueles que não pertencem a Deus mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente crentes são identificados como eleitos. Como Romanos 8:9 afirma, “…Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Semelhantemente, Rm 11:7-24 apóia o entendimento corporativo da eleição como referindo-se somente àqueles que estão na realidade em Cristo pela fé em vez de também incluir certos descrentes que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Porque em Romanos 11:7, “os outros” são não-eleitos. Mas Paulo cria que estes dentre os outros podiam crer ainda, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite desvio de e entrada para os eleitos como retratado na passagem da metáfora da oliveita. Desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Portanto 2Pe 1:10 urge aos crentes para “mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição” e o Novo Testamento é recheado de alertas para perseverar na fé e evitar abandonar a eleição/salvação (veja “Segurança em Cristo” abaixo; para uma introdução à visão corporativa com links para mais fontes, veja
http://evangelicalarminians.org/a-concise-summary-of-the-corporate-view-ofelection-and-predestination/).

Sumarizando, existem duas visões diferentes de eleição condicionada à fé. Primeiro, a eleição individual é a visão clássica, na qual Deus individualmente escolhe cada crente baseado em sua presciência da fé de cada um e assim predestina cada um deles à vida eterna. Segundo, eleição corporativa é a principal visão alternativa, mantendo que a eleição para salvação é primariamente da Igreja como povo e adota indivíduos somente na união-em-fé com Cristo O Escolhido e como membros de seu povo. Além disso, desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e o povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto creem. Eleição condicional é apoiada pela Escritura por (veja a discussão acima para explanações):

  1. Afirmação direta;
  2. Salvação pela fé;
  3. Várias expressões da situação de eleição sendo pela fé;
  4. A apresentação da eleição como baseada na presciência de Deus, seja a da fé humana ou equivalente à escolha anterior de Cristo e/ou o povo de Deus como um corpo corporativo no qual indivíduos participam pela fé;;
  5. Eleição sendo “em Cristo”, que é um estado em si mesmo condicional à fé;
  6. A linguagem da eleição sendo aplicada somente a crentes e não a crentes que depois creriam;
  7. O desejo de Deus para a salvação de todos;
  8. A provisão de expiação para todos;
  9. A proclamação da chamada do Evangelho para todos;
  10. A atração de todos para a fé em Cristo;
  11. Liberdade humana (para este e os outros 4 pontos anteriores, veja “Expiação para Todos” e “Libertos para Crer” acima); e
  12. Numerosas advertências contra o abandono da fé e portanto da situação de eleição e suas bênçãos da salvação.

A doutrina da eleição condicional centra a eleição em Cristo tornando-a condicional à união com ele em vez de reduzir o papel de Cristo como sendo o meio pela qual a eleição é efetuada. Além disso, eleição condicional sublinha a iniciativa graciosa na salvação em direção a pessoas totalmente depravadas e encoraja a humildade e adoração para a maravilhosa graça de Deus em escolher aqueles que merecem o Inferno para adoção em sua família, salvação, e toda bênção espiritual, um dom livre recebido pela fé (a condição não-meritória para eleição) pelo maior custo para Deus, que sacrificou seu próprio Filho para que pudesse nos escolher, e pelo maior custo para Jesus Cristo, que morreu por nós para que nós pudéssemos ser escolhidos por Deus. Toda glória e louvor a Deus somente!

A Ordem da Fé e Eleição no Evangelho de João: Vós não credes pois não sois das minhas ovelhas – II.F

F – Os Gentios

Finalmente, como os gentios se encaixam nisto tudo? Isto é, os comentários de Jesus têm relevância para judeus somente, ou eles têm relevância para os gentios procurantes também, incluindo os gentios de nossos dias?

Apesar de até agora neste ensaio eu ter focado inteiramente nas afirmações de Jesus no Evangelho de João enquanto eles são relacionados ao povo judeu (porque parece claro do contexto de suas afirmações que era este o próprio foco de Jesus quando as estava fazendo), é igualmente claro que o próprio Jesus intencionava uma secundária, mais abrangente aplicação aos gentios. Nós vemos isto em João 10:16, onde após ter discutido sua vinda para as ovelhas de Israel, Jesus acrescenta:

Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.

Dado o pano de fundo para as notas de Jesus (veja a discussão nas seções B e C acima), o pasto em questão era claramente Israel, a quem Jesus veio como o Messias-Pastor prometido para chamar as ovelhas fiéis do rebanho de Deus. As outras ovelhas que não são deste pasto, então, poderiam referir-se aos gentios, fora do pasto de Israel. Esta visão é apoiada pelas palavras de João no capítulo seguinte, onde, comantando a asserção de Caifás de que “convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda” (11:50), o apóstolo diz: “Ora, ele não disse isso por si mesmo; mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação, e não somente pela nação, mas também para reunir em um só corpo os filhos de Deus que estão dispersos” (11:51-52). Aqui, os “filhos de Deus que estão dispersos” são diretamente contrastados com a nação judaica, sugerindo como em 10:16 que os gentios estavam em vista. Significantemente, estes gentios são chamados “filhos de Deus” em 11:52 e “ovelhas de Cristo” em 10:16, ambos os termos que já vimos em nossa precedente discussão referentes àqueles que cumprem as condições suficientes para vir à fé em Cristo. Adicionalmente, a afirmação de Jesus em 10:16 que estas ovelhas gentias também ouviriam sua voz, indicando que ele, assim como as ovelhas judias descritas nas seções anteriores, certamente reconheceriam-non como o Messias-Pastor e segui-lo em fé. A clara implicação de tudo isso é que existiam gentios tementes a Deus também, que, como os fiéis judeus preparados, responderam favoravelmente à graça preveniente de Deus e que, portanto, pertenciam a Deus e seriam dirigidos para a fé no Filho. O Messias-Pastor veio, então, não apenas para ajuntar as ovelhas fiéis de Israel, mas para ajuntar os fiéis entre os gentios também e fazê-los todos um rebanho, um corpo, leal a ele como Messias-Pastor (cf. Ef 2:11-22, 3:6). (Note o foco paralelo em ambos 10:16 e 11:52 sobre o objetivo de unificar o rebanho/povo de Deus; cf. 17:20-21. Veja também Isaías 56:8, que em seu contexto guarda forte semelhança com João 10:16.)

Alguém poderia propor uma interpretação estreitada de João 10:16 para o efeito que Jesus quis se referir somente àqueles gentios que tinham formalmente se convertido ao judaísmo. Tais gentios são mencionados por exemplo em Atos 13:16,26, que anota a abordagem de Paulo à sinagoga judaica em Antioquia da Pisídia. “Então Paulo se levantou e, pedindo silêncio com a mão, disse: Varões israelitas, e os que temeis a Deus, ouvi: […] Irmãos, filhos da estirpe de Abraão, e os que dentre vós temeis a Deus, a nós é enviada a palavra desta salvação”. Os gentios a que Paulo se referia na sinagoga num dia normal de Sabbath, e portanto eram presumivelmente gentios que acompanhavam regularmente e tinham formalmente se afiliado à fé judaica. Esta suposição é confirmada pelo verso 43, onde nos é dito que após a abordagem de Paulo, “E, despedida a sinagoga, muitos judeus e prosélitos devotos seguiram a Paulo e Barnabé, os quais, falando-lhes, os exortavam a perseverarem na graça de Deus”.

Porém, é improvável que Jesus intencionasse em Jo 10:16 referir-se somente aos prosélitos gentios dentro do judaísmo. Por um lado, é difícil ver por que tais convertidos seriam considerados “não deste pasto [judaico]” (10:16), quando o ponto todo da conversão para o judaísmo era tal que alguém poderia a partir disto ser considerado membro da comunidade da aliança judaica (Is 56:3-8). Além disso, depois na mesma abordagem da visita de Paulo e Barnabé à sinagoga de Antioquia de Pisídia descrita acima (Atos 13), havia evidência que gentios não-prosélitos foram preparados para a mensagem do Evangelho de uma maneira semelhante àquela que nós temos visto antes que era verídica para judeus preparados. No Sabbath seguinte após a primeira apresentação na sinagoga, “No sábado seguinte reuniu-se quase toda a cidade para ouvir a palavra de Deus” [incluindo obviamente muitos gentios não-prosélitos] reunidos para ouvir a palavra do Senhor (verso 44). Porém, “Mas os judeus, vendo as multidões, encheram-se de inveja” e começaram a se opor ao que Paulo falava (verso 45). Considere cuidadosamente o que aconteceu depois:

[46] Então Paulo e Barnabé, falando ousadamente, disseram: Era mister que a vós se pregasse em primeiro lugar a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e não vos julgais dignos da vida eterna, eis que nos viramos para os gentios;
[47] porque assim nos ordenou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até os confins da terra.
[48] Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.

De especial interesse é a descrição de Lucas dos gentios não-prosélitos que vieram à fé em Cristo. No verso 48 é dito deles que eles foram “destinados à vida eterna”. Calvinistas têm geralmente usado este verso para apoiar a doutrina da eleição incondicional particular para salvação. Porém, como Robert Shank argumenta em uma excelente discussão deste verso (Elect in the Son: A Study of the Doctrine of Election, Minneapolis, MN: Bethany House, 1970, 1989, pp. 183-187), o verbo grego tetagmenoi (masculino, plural, nominativo, perfeito, particípio passivo/médio de tasso, ‘colocar em ordem’) não especifica um agente neste verso, então é uma questão aberta se é Deus ou as pessoas em si que (ou alguma combinação de ambos) que causou estes gentios a serem ‘postos em ordem’ ou dispostos à vida eterna. Como Shank nota (seguindo diversos outros comentaristas), o fato de ser dito dos judeus no verso 46 terem rejeitado o Evangelho e portanto não se considerarem (ou julgarem) a si mesmos dignos da vida eterna (um paralelo negativo com o verso 48b) “fortemente mitiga contra qualquer suposição de agência divina no verso 48) (Shank, ibid., p. 184). Isto é, o paralelo contrastivo entre os versos 46b e 48b sugere que foram os gentios responsivos que se posicionaram em ordem [tetagmenoi] para a vida eterna na base de sua receptividade às palavras de Paulo e Barnabás, assim como os judeus descrentes se dispuseram a si mesmos contra receber a vida eterna por causa de sua resistência à mesma mensagem.

Além disto, Shank astutamente observa:

Todos aqueles que assumem que tetagmenoi em Atos 13:48 implica que aqueles que creram no Evangelho naquele momento e lugar particular o fizeram como a consequência de um decreto eterno de eleição incondicional particular adotam impensadamente uma segunda suposição, completamente absurda: todos os presentes na sinagoga que tenham crido no Evangelho, o fizeram de uma vez só; não houve oportunidade posterior de cogitar o Evangelho, e nenhum homem que falhou em crer naquele momento poderia jamais subsequentemente crer” (Shank, ibid., p. 187).

É claramente melhor, então, ver estes gentios que receberam o Evangelho com alegria em Antioquia de Pisídia naquele dia como gentios que se prepararam a fim de receber vida eterna mediante sua própria disposição para arrependimento e sendo receptivos à palavra de Deus. Neste sentido eles eram semelhantes aos judeus preparados que discutimos nas seções anteriores deste ensaio. Eles responderam favoravelmente à graça preveniente de Deus e netse sentido foram “dispostos”, “postos em ordem”, ou [uma tradução marginal] “apontados” para a vida eterna.

Outro exemplo de um gentio que qualificaríamos como uma das ovelhas de Cristo, preparada de antemão para a chegada de Cristo mediante receptividade voluntária à graça preveniente de Deus, é Cornélio em Atos 10. Em 10:1-2 Cornélio é descrito como um gentio de Cesareia, um “centurião da coorte chamada italiana”, que junto com sua família (ou pelo menos um de seus domésticos; veja o verso 7), era “piedoso e temente a Deus”. Nós somos informados que Cornélio generosamente ajudava os necessitados e orava a Deus regularmente. Em uma visão Cornélio foi informado por um anjo que “…As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus” (verso 4). Claramente ele era um homem que fora receptivo à graça preveniente de Deus em direção a ele e que em consequência permaneceu, em algum sentido significativo, no favor de Deus. O próprio apóstolo Pedro disse isto quando viu a devoção de Cornélio após ter chegado à casa deste último em obediência a uma visão de Deus. “Então Pedro, tomando a palavra, disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo” (At 10:34-35). A aceitação por Deus de Cornélio parece ter precedido a fé de Cornélio em Cristo, pois esta aceitação parece ter sido baseado na reverência e devoção expressas mediante as orações e esmolas de Cornélio, atos que foram recebidos como uma oferta memorial ao Senhor antes do tempo que Cornélio ouviu o evengelho de Pedro. Neste sentido, Cornélio paraleliza o caso dos judeus tementes a Deus que eram fiéis à aliança e portanti pertenciam a Deus antes da vinda de Jesus. Como eles, Cornélio foi receptivo à graça preveniente de Deus e portanto estava a postos e pronto para reconhecer Jesus como Messias e Salvador.

Estou eu dizendo que Cornélio iria para o Céu se tivesse morrido antes da vinda de Pedro? A resposta a esta questão depende, penso eu, da relação de Cornélio com a aliança como ela foi revelada ao povo judeu no Antigo Testamento. É possível que ele fosse familiar com a aliança e de forma privada, se não formal e publicamente, tenha se submetido ao termos daquela aliança, a saber, arrependimento e fé obediente em Deus e nas suas promessas, incluindo a promessa de Deus em enviar o Messias-Pastor. Neste caso, sua aceitação por Deus pode ter envolvido uma dispensação da graça salvífica paralela àquela dada aos judeus fiéis debaixo dos termos da aliança. Por outro lado, pode ser que, apesar de sua devoção, Cornélio ainda fosse considerado um gentio não-prosélito e um “estrangeiro às alianças da promessa”, portanto “separado da comunidade de Israel” e “sem esperança, e sem Deus no mundo” (Efésios 2:12). O que é claro é que Cornélio foi receptivo à graça preveniente, e por causa desta receptividade lhe foi concedido adicional graça preveniente e a oportunidade de receber a mensagem de salvação mediante Jesus Cristo. Isto mais uma vez demonstra o princípio descoberto acima, de que Cristo é a única meta do Pai na dispensação da graça preveniente. Deus não estaria contente em deixar Cornélio na ignorância de Cristo, dada a dramática receptividade de Cornélio à graça preveniente. Nesta nova era na qual o Messias chegou e trabalhou a redenção para toda a humanidade, não existe “terceira opção” para gentios mais do que existe “terceira opção” para judeus. Deus não permite que nenhum gentio que é receptivo à graça preveniente continuar em seu favor sem ser direcionado à fé consciente intencional em Cristo. Como com o povo judeu, qualquer gentio que continua aberto à verdade revelada de Deus (i.e. como revelada mediante a criação, a consciência, e a revelação verbal) ultimamente será direcionado por Deus a Cristo, pois Deus não tem outra intenção além de todos na terra e no céu sejam trazidos juntos sobre uma cabeça, Cristo (Ef 1:10).

A consideração acima sobre gentios tementes a Deus, então, leva-nos a afirmar o que é uma visão bem comum nas igrejas evangélicas acerca daqueles que nunca ouviram o Evangelho. Colocando esta visão nos termos nos quais ela é majoritariamente expressa, Deua dá mais luz àqueles que respondem à luz já dada. Arminius essencialmente mantinha esta posição, como visto na seguinte citação na qual ele aborda a situação daqueles que jamais ouviram o evangelho:

… Enquanto eles são destituídos do conhecimento de Cristo, mesmo assim Deus não deixou a Si Mesmo sem testemunha, mas mesmo durante este período ele revelou a eles alguma verdade concernente a Seu poder e bondade; cujos benefícios se eles tivessem usado corretamente, pelo menos de acordo com sua consciência, Ele teria lhes concedido maior graça; de acordo com a tal, ‘Ao que se tem se dará’ [Mateus 13:12] … ‘Todos os homens sao chamados com algum chamado’, a saber, por aquele testemunho de Deus pelo qual eles podem ser trazidos a encontrar Deus sentindo-O, e por aquela verdade que eles mantém, ou detém, em injustiça, isto é, cujo efeito eles guardam em si mesmos; e por aquela escrita da lei em suas mentes, de acordo com a qual eles têm seus próprios pensamentos acusando-os. Mas esta chamada, apesar de não ser salvífica, dao que da tal salvação não pode ser imediatamente obtida, pode ainda ser dita antecedente à graça salvífica pela qual Cristo é ofertado, e se corretamente usada, adquirirá aquela graça da misericórdia de Deus. (“Examination of Perkin’s Pamphlet,” The Works of James Arminius, London Ed., Vol. 3, trans. William Nichols, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1986, pp. 483-484, ênfase acrescida)

Nós vemos esta verdade dramaticamente demonstrada no caso de Cornélio. Deus foi bem longe a fim de trazer o Evangelho a Cornélio, que devido à sua favorável resposta à graça preveniente de Deus pode ser considerado uma das ovelhas de Cristo afora do pasto de Israel. Uma vez exposto ao evangelho de Jesus, Cornélio continuou a responder em fé e foi apropriadamente recolhido a ajuntar-se ao restante do rebanho do Messias-Pastor, judeus e gentios de igual forma, que reconhecera a voz do Pastor e o seguira. Cornélio foi dado pelo Pai para o Filho, porque Cornélio persistiu nesta resposta-em-fé à verdade revelada de Deus. O mesmo presumivelmente é verdadeiro hoje em dia para judeus e gentios da mesma forma: Todos que são receptivos à graça preveniente de Deus e que persistem nesta resposta-em-fé terão concedidas mais graça preveniente, levando-os ultimamente à fé deliberada em Jesus, o Messias-Pastor.

A noção de persistência na resposta em fé é importante, pois nenhum dos comentários de Jesus sobre o assunto implica que a graça de Deus sequer se torne irresistível. Ainda que Jesus dissera que “todo aquele que o Pai me dá virá a mim” (Jo 6:37), esta afirmativa supõe que aqueles assim dados estão naquele tempo em um estado de receptividade à verdade revelada de Deus. Em lugar nenhum das de nenhuma passagens exploradas anteriormente encontramos alguma dica que uma pessoa que está resistindo à graça de Deus possa simultaneamente ser recipiente das ações salvíficas de Deus. Nem existe qualquer indicação que uma vez que uma pessoa comece a se alinhar com a verdade e responde favoravelmente à graça preveniente de Deus (portanto pertencendo a Deus neste sentido) ela irá necessária e irresistivelmente continuar a assim agir. As passagens que temos acima explorado apenas ensinam que se uma pessoa pertence a Deus (i.e. mediante receptividade à graça preveniente), Deus ativamente interferirá para direcioná-lo à fé intencional em Cristo. Estas passagens de e por si mesmas não excluem a possibilidade que uma pessoa que era em um certo momento receptiva à graça preveniente possa subsequentemente começar a resistir a tal graça, caso no qual ele não mais pertenceria a Deus e nem cumpriria as condições suficientes para vir à fé em Cristo. Deus neste caso não estaria obrigado a dirigi-lo a Cristo[6].