Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – Conclusão

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Conclusão

A alegação que os tempos em 1João 5:1 indicam que regeneração precede fé é indefensável porque: (1) é questionável se qualquer relacionamento cronológico entre eles é sugerido, dado que alguns gramáticos negam que tempos gregos gramaticalizam o tempo, e mais importante, um dos tempos no verso ocorre em um particípio substantival, que pode ser desprovido de significância temporal mesmo em uma visão mais tradicional dos tempos verbais gregos; e (2) se os tempos são para serem relacionados temporalmente, como parece mais provável, então a gramática sugere que ou o crer e o ser nascido de Deus são retratados como contemporâneos, ou talvez mais provavelmente , que crer preceda logicamente o ser nascido de Deus. De maneira alguma a gramática por si só dá crédito a ver o verbo perfeito indicativo (`tem nascido’) como necessariamente anterior ao particípio presente (`tem crido’). É surpreendente que alguns estudiosos tenham cometido um erro tão básico acerca da regeneração preceder fé em seu argumento para regeneração preceder fé em 1João 5:1[43]. Isto dá a impressão que, na sanha de encontrar um texto-prova para suportar sua própria convicção teológica, eles têm sido menos que cautelosos ao lidar com o texto. Mas é momento para maior cuidado ser tomado com 1João 5:1 e para seu falacioso argumento ser desprezado. O argumento do contexto epistolar invocando um padrão em 1João para indicar os resultados da regeneração, algumas vezes com as mesmas construções gramaticais de 1João 5:1a, é mais forte, mas falha em resgatar 1João 5:1 como texto-prova para regeneração precedendo fé por uma série de razões delineadas neste artigo, incluindo o distintivo e crucial papel da fé na epístola e na teologia joaninas. Advogados da regeneração anterior à fé fariam melhor se olhassem em outro lugar por suporte escritural. Mas a alegação de Piper, citada no início deste artigo, sobre 1João 5:1 ser `o mais claro texto do Novo Testamento acerca do relacionamento entre fé e novo nascimento'[44] está falando acerca disso, oferecendo pouca esperança de encontrar qualquer suporte escritural sólido para a doutrina da regeneração precedendo fé[45].

Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – O Argumento do Contexto Epistolar para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

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O Argumento do Contexto Epistolar para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

Não obstante a falácia do argumento gramatical que contra-atacamos, alguém pode tentar argumentar que seu ponto fundamental é resgatado pela presença de outras passagens em 1João indicando os resultados da regeneração (2:29, 3:9, 4:7, 5:4,18).[29] Duas delas usam a mesma construção de 5:1a, πας + particípio presente substantival + perfeito passivo indicativo (2:29, 4:7), com o particípio presente substantival identificando o resultado da regeneração em algum sentido. Mas isto não é convincente em favor de 1João 5:1a indicando fé como resultado da regeneração por diversas razões.

1 – Não segue que por causa de 1João identificar outros fenômenos como resultado da regeneração que todo fenômeno que ele conecta com regeneração é seu resultado. Pode igualmente ser que outro fenômeno associado à regeneração é na realidade a causa da última ou não ter qualquer relacionamento causal com a mesma.

2 – O argumento em questão é um baseado no contexto, mesmo assim ainda existe um fator-chave contextual específico envolvido em cada uma das passagens que sugere alguma espécie de papel causativo para regeneração mas não está presente em 1João 5:1a, a saber, que Deus tenha uma certa qualidade (seja ela qual for em cada caso específico), e que portanto, aquele que nasceu dele, seu filho, será como o seu pai. Este é o caso de semelhança familiar por assim dizer (cf. o antigo refrão, `tal pai, tal filho’). Central a cada uma das passagens indicando regeneração como a causa de alguma qualidade no crente é a noção de semelhança causal entre pai e filho[30]. Este não é o caso em 5:1a. O assunto aqui não é o crente sendo como Deus o Pai em crer em Jesus. O Pai não crê em Cristo de maneira salvífica como os homens o fazem.

3 – Como já notado, a preocupação prioritária na epístola com respeito à regeneração era prover segurança a seus leitores que eram fiéis ao seu ensino que eles eram de fato nascidos de Deus, e portanto eram filhos de Deus em possessão da vida eterna. Portanto, a ênfase nas afirmações `nascidos de Deus’ é sobre dar evidência da regeneração, não particularmente da natureza causativa da regeneração. Os efeitos da regeneração são indicados como tais porque seja se causas de regeneração servem automaticamente como evidência certa de regeneração, dando segurança de filiação e vida eterna para a quele possuindo as qualidades produzidas pela regeneração. Mas como notado antes, a causa da regeneração serviria a mesma função. Este ponto é enfatizado pelo tempo perfeito usado para regeneração nas afirmações `nascidos de Deus’, desde que o tempo perfeito aqui quase certamente enfatiza o estado presente regenerado do crente (um perfeito intensivo ou resultativo)[31], como é reconhecido até mesmo por alguns advogados de 1João 5:1 como texto-prova para a regeneração precedendo fé[32]. Portanto, o tempo perfeito em 1João 5:1a enfatiza o interesse de João em abordar o presente estado dos crentes em vez do relacionamento causal entre fé e regeneração.

4 – Fé é relativamente única entre outros fenômenos relacionados à regeneração na epístola, porque ela também é retratada como causando estas outras qualidades para não mencionar outros adicionais. João retrata fé como resultando justiça, obediência, conhecimento salvífico de Deus, amor, vitória sobre o mundo, e vida espiritual[33]. Mais criticamente, João apresenta fé como o meio pelos qual crentes recebem vida espiritual (1Jo 5:10-13; cf. 2:23-25; 5:20)[34], a iniciação do que seria a regeneração. Este é um tema prevalente da teologia joanina (Jo 3:15-16,36; 4:14; 5:24,40; 6:47,51-54; 20:31), para não mencionar o Novo Testamento em geral. Mas se vida espiritual é recebida pela fé, então isto coloca fé pelo menos logicamente anterior à concessão de vida espiritual, e portanto, logicamente anterior à regeneração, que é a concessão inicial de vida espiritual[35]. Em minha opinião, João teria esperado leitores familiares com seu ensino de que vida espiritual vem pela fé soubessem que regeneração é concedida pela fé, e entender 1João 5:1a de acordo, ainda que sua intenção não fosse especificamente fazer este ponto, mas novamente, dar segurança de filiação e vida eterna para sua audiência de crentes.

5 – Jo 1:12-13 é determinativo em estabelecer fé como anterior à regeneração na teologia de João[36]. Jo 1:12 indica que pessoas se tornam filhas de Deus pela fé. Isto é, mediante o crer, Deus lhes dá o direito de se tornarem algo que eles não eram antes de crerem – filhos de Deus. Jo 1:13 então clarifica que eles se tornam filhos de Deus não de ascendência humana (esta é a significância de `não pelo sangue, nem pela vontade da carne [o que se iguala à desejo sexual que pode levar à procriação]’, nem da vontade de um marido [que poderia estar na questão de atividade sexual/procriação]’), mas de Deus, descrevendo o seu tornar-se filhos de Deus como nascidos de Deus. `Tornar-se filhos de Deus’ e `nascer de Deus’ são expressões paralelas referentes ao mesmo fenômeno. De fato, o mesmo tipo de paralelismo entre ser nascido de Deus e ser filho de Deus ocorre em 1Jo 2:29-3:2 e 3:9-10, enquanto 5:1 (de todos os versos!) usa o ‘aquele que tem nascido dele [Deus]’ (τον γεγεννημενον εξ αυτου) como sinônimo virtual de `filho de Deus’, levando diversas traduções a transformar τον γεγεννημενον εξ αυτου como `o filho nascido dele’ ou algo semelhante[37]. Desde que `tornar-se filho de Deus’ e `ser nascido de Deus’ são expressões paralelas referentes ao mesmo fenômeno, e o anterior é claramente apresentado como contingente à fé, o texto apresenta o ato de Deus em regenerar crentes, fazendo-os seus próprios filhos, cono resposta à sua fé. Seria argumentação ad hoc, e um expediente desesperado, argumentar que tornar-se filho de Deus e ser nascido de Deus são distintos no contexto joanino ou que o texto permitiria que uma pessoa pudesse ser nascida de Deus e ainda assim não ser sua filha. Alguns estudiosos têm sugerido que o texto assume uma distinção entre adoção e regeneração, falando do anterior em 1:12 e do posterior em 1:13[38]. Mas a literatura joanina não faz distinção que seja entre adoção e regeneração[39]. Seria exegética e hermeneuticamente ilegítimo insistir que existe tal distinção em Paulo, e portanto, que João deveria ter em mente a distinção de Paulo.

Primeiro, é questionável se as epístolas de Paulo contêm qualquer distinção segura entre adoção e regeneração. É mais provável que adoção e regeneração no nível individual são simplesmente dois lados da mesma moeda no penamento de Paulo, com adoção focando na concessão formal da situação de eleito e herança, enquanto regeneração foca no elemento de mesma realidade que é a concessão da natureza divina/Santo Espírito, que concretamente confere a situação de eleito e herança. Em outras palavras, Paulo parece ver a fase inicial da adoção como sendo praticamente efetuada pela regeneração, a concessão do Espírito de adoção e herança (cf. Rm 8:9-11,14-17). Claro, tanto no pensamento de João quanto no de Paulo a entrega do Espírito ocorre pela fé e é de acordo precedido por ela logicamente (e.g., John 4:14,7:38-39, Gl 3:1-6,14). Interessantemente, a única instância de uso da palavra `regeneração’ (παλιγγενεσια) no corpus paulino tradicional é em Tito 3:5, onde ela parece ser aproximadamente equivalente à entrega do Espírito ou a algo que é completado pela entrega do Espírito.

Se Paulo distinguia entre adoção e regeneração o suficiente para que houvesse qualquer ordem lógica entre eles, então ele tratava adoção – e portanto a fé que a precede – como precedendo regeneração de acordo com Gálatas 4:6 – `Porque sois filhos, Deus derramou o Espírito de seu filho em vossos corações, que clama, “Aba Pai”. Parece que no pensamento de Paulo adoção e regeneração podem ser geralmente tratados como a mesma realidade, mesmo que mais precisamente, eles possam ser distinguidos de uma maneira complementar ao dizer que a situação de filiação é formalmente conferida mediante o crente pela fé-união com Cristo, simultaneamente levando a uma natureza de filiação sendo comunicada ao crente pela regeneração[40]. Isto é, adoção torna crentes filhos pelo decreto e regeneração torna os crentes filhos por natureza. De fato, adoção vem à sua inaugurada completude em regeneração, e então os dois podem ser naturalmente vistos como um só. Bem como o conceito grego nos ensina, o mesmo evento pode ser visto legitimamente em complementariedade de mais de uma maneira.

Segundo, mesmo se existisse uma distinção clara entre adoção e regeneração em Paulo, não segue que existe uma em João. Não há dica de tal distinção em João, e é completamente concebível que o que Paulo pensava como adoção, João cogitava como regeneração. Ou se João mantinha alguma espécie de distinção entre elas, ele ainda poderia tê-las concebido em conjunto como um só evento. De qualquer maneira, é exegeticamente implausível neste caso ler Paulo em cima do texto de João de tal forma a fazer o entendimento do texto de João se apoiar numa distinção que João nunca menciona. Além disso, a lógica absoluta do texto de João permanece contra qualquer movimento dessa espécie, desde que isto contradiria a óbvia ideia que o próprio ato de ser nascido de um pai faz uma pessoa filho de tal pai. Uma pessoa não pode ser nascida de um pai e mesmo assim precisar de alguma coisa além para ser filho deste pai, mesmo se tal elemento adicional é simultâneo ao nascimento. Não se pode ser nascido de Deus e ainda assim não ser seu filho.

Mesmo que alguém negasse, contra a majoridade dos comentaristas, que a referência a θεληματος σαρκος ou θεληματος ανδρος é sobre ascendência humana especificamente e insistir que ela se refere a vontade humana em geral, isto não faria a ação divina da regeneração menos que a resposta à fé humana e portanto condicional a ela. Nem isto seria inconsistente com a atribuição de João 1:13 do ato da regeneração para Deus. O texto indica que Deus é aquele que concede o direito de se tornar filho de Deus e aquele que regenera. Seu fazer isto em resposta à fé é matéria de sua alçada e não deveria de forma alguma fazer a escolha humana ser fonte da regeneração em vez de Deus não mais que a faria fonte da justificação, que inegavelmente é pela fé. Interessantemente, em seu excelente comentário sobre João, o eminente estudioso calvinista D. A. Carson se esforça para evitar a óbvia implicação de João 1:12-13 que crentes se tornam nascidos de novo / nascidos do alto pela fé[41]. Mas num momento posterior de distração no comentário, o senso exegético de Carson dá o melhor de sua teologia, levando- o à franca admissão enquanto comentando em João 3:3 que `Leitores que seguiram o Evangelho até este ponto irão instantaneamente pensar (como Nicodemus não pôde) de Jo 1:12-13: “nascer de novo” ou “nascer do alto” deve significar a mesma coisa que “se tornar filho de Deus”, “ser nascido de Deus”, crendo no nome da Palavra Incarnada[42]. Isto está exatamente correto.

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Eleição Condicional

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Eleição Condicional

(Conditional Election – Artigo 1 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Existem duas visões principais sobre o que a Bíblia ensina acerca do conceito de eleição para salvação: se ela é condicional ou incondicional. A eleição ser incondicional significa que a escolha de Deus por aqueles que ele salvará não tem nada a ver com eles, que não foi nada sobre eles que contribui para a decisão de Deus em escolhê-los, o que parece tornar a escolha por Deus de qualquer indivíduo em detrimento de qualquer outro arbitrária. Isto também implica reprovação incondicional e arbitrária, a escolha por Deus de não salvar certos indivíduos mas daná-los pelos seus pecados por razão nenhuma a ver com eles, o que parece contradizer o espírito de numerosas passagens que enfatizam o pecado humano como razão para divina condenação bem como o desejo de Deus para que as pessoas se arrependam e sejam salvas (e.g. Gn 18:25; Dt 7:9, 12; 11:26-28; 30:15; 2Cr 15:1-2; Sl 145:19; Ez 18:20-24; Jo 3:16-18; veja também “Expiação para Todos” acima e o tratamento da reprovação por John Wesley, incluindo muito mais versos com breve comentário disponível em http://evangelicalarminians.org/wp-content/uploads/2013/07/Wesley-on-Reprobation.pdf). A eleição ser condicional significa que a escolha por Deus daqueles que ele salvará tem algo a ver com eles, que parte de sua razão para escolher eles tem algo a ver com eles. Acerca da eleição para salvação, a Bíblia ensina que Deus escolhe para salvação aqueles que creem em Jesus Cristo e portanto tornam-se unidos a ele, fazendo a eleição condicional à fé em Cristo.

Desejando a salvação de todos, provendo expiação para todos, e tomando a iniciativa de trazer todas as pessoas à salvação entregando o evangelho e habilitando todos os que ouvem o evengelho a responder positivamente em fé (veja “Expiação para Todos” e “Livres para Crer” acima), Deus escolhe salvar aqueles que creem no evangelho / em Jesus Cristo (Jo 3:15-16, 36; 4:14; 5:24, 40; 6:47,50-58; 20:31;
Rm 3:21-30; 4:3-5, 9, 11, 13, 16, 20-24; 5:1-2; 9:30-33; 10:4, 9-13;
1Co 1:21; 15:1-2;
Gl 2:15-16; 3:2-9, 11, 14, 22, 24, 26-28;
Ef 1:13; 2:8;
Fp 3:9;
Hb 3:6, 14, 18-19; 4:2-3; 6:12;
1Jo 2:23-25; 5:10-13, 20).
Esta verdade bíblica clara e básica é equivalente a afirmar que a eleição para salvação é condicional à fé. Assim como a salvação é pela fé (e.g. Ef 2:8 – “8 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé” (assim a eleição para salvação é pela fé, um ponto explicitamente exibido em 2Ts 2:13 – “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (NASB; note: “Deus vos escolheu … mediante … fé na verdade”; sobre a gramática deste verso, veja “Traduções Rápidas: 2Tessalonicenses 2:13, Gramática Grega e Eleição Condicional“). Ou como João 14:21 coloca (com a suposição não-afirmada que o amor por Cristo e obediência a seus mandamentos vêm da fé) “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele”. Ou de novo, nas palavras de 1Co 8:3, “Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele”. Além disto, nós encontramos várias expressões da condição de eleito/salvo sendo dada pela fé, i.e. concedida por Deus em resposta à fé. Crentes são justificados pela fé (Rm 3-4, Gl 3), adotados como filhos de Deus pela fé (Jo 1:12, Gl 3:26), herdeiros de Deus pela fé (Rm 4:13-16; Gl 3:24-29; Tt 3:7; cf. Rm 8:16-17), dados vida espiritual (= regenerados) pela fé (Jo 1:12-13; 3:14-16; Jo 5:24, 39-40; 6:47, 50-58; 20:31; Ef 2:4-8 [note que ser salvo aqui é igualado a ser levantado para a vida espiritual etc., e que isto é então dito como tomando lugar pela fé]; Cl 2:12; 1 Tm 1:16; Tt 3:7), santificados pela fé (At 26:18), dados o Espírito Santo pela fé (Jo 4:14; 7:38-39; At 2:33; Rm 5:1, 5; Ef 1:13-14; Gl 3:1-6, 14), habitados pelo Pai, Filho e Santo Esírito pela fé (com os parênteses anteriores, veja Jo 14:15-17, 23; 17:20-23; Ef 3:14-17), e unidos a Cristo pela fé (Jo 6:53-57; 14:23; 17:20-23; Ef 1:13-14; 2; 3:17; Gl 3:26–28; Rm 6; 1Co 1:30; 2Co 5:21).

Nós devemos ser cautelosos em não perder a expressão da situação de eleitos nos diversos estados de graça. O estado da justificação significa estar em correto relacionamento com Deus. Mas isto implica pertencer a ele como um de seu povo eleito. Adoção/filiação também é uma expressão clássica do Antigo Testamento sobre a eleição de aliança do povo de Deus (Ex 4:22-23). Isto envolve a ideia de pertencer a Deus da mais profunda maneira possível para seres humanos. Herança segue diretamente disto como uma expressão de eleição. Filhos, que pertencem a Deus, são herdeiros de suas bênçãos e promessas pactuais (Rm 8:16-17). Vida espiritual também implica situação de eleito porque é uma das bênçãos providas na aliança. Mas a conexão com a situação de eleito pactual é ainda maior, como Jo 17:3 revela que não apenas aqueles que pertencem a Jesus recebem vida eterna, mas esta vida eterna é conhecer Cristo/Deus, o que é melhor entendido como um relacionamento íntimo de aliança envolvendo a condição de eleitos: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste”.

O fato que o Santo Espírito é dado a crentes sob a condição de fé em Cristo também é profundamente confirmatório da eleição condicional. Pois na Escritura a presença de Deus / o Santo Espírito é o doador e marcador da eleição. Como Moisés orou em Ex 33:15-16, “… Se tu mesmo não fores conosco, não nos faças subir daqui. Como, pois, se saberá agora que tenho achado graça aos teus olhos, eu e o teu povo? Acaso não é por andares tu conosco, de modo a sermos separados, eu e o teu povo, de todos os povos que há sobre a face da terra”. Ou como Paulo estabelece em Rm 8:9-10, “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele. E, se Cristo está em vós, o corpo está morto por causa do pecado, mas o Espírito é vida por causa da justiça” (ênfase acrescida). A concessão do Espírito acarreta eleição, e ter o Espírito faz a pessoa eleita. Portanto, tendo o Espírito também separa a pessoa como eleita. Mas o Espírito é dado aos crentes pela fé, fazendo a eleição também ser pela fé.

De um ponto de vista arminiano não-tradicional (veja mais abaixo sobre diferentes visões arminianas), isto acorda com os fatos que o Santo Espírito santifica os crentes e santificação é por vezes identificada com o meio pelo qual a eleição é obtida (2Ts 2:13, 1Pe 1:2). Santificar significa “ser feito santo, separado para Deus”. A obra santificatória inicial do Espírito é mais ou menos equivalente a crentes-eleitos sendo escolhidos ou separados para serviço e obediência para ele. O Apóstolo Paulo conta à igreja dos tessalonicenses, “Deus vos escolheu desde o princípio para salvação mediante santificação pelo Espírito e fé na verdade” (2Ts 2:13 NASB). Eleição é aqui apresentada como tomando lugar mediante ou pela santificação que o Santo Espírito realiza. Mas como nós temos visto, o Santo Espírito é recebido pela fé, fazendo a santificação que ele traz também condicionada à fé e lançando luz na menção de “fé na verdade” seguindo imediatamente 2Ts 2:13. Semelhantemente 1Pe 1:1-2 fala dos “escolhidos refugiados … segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo…” Eleição toma lugar em ou pelo ou mediante a santificação efetivada pelo Espírito. Isto é, uma pessoa se torna eleita quando o Santo Espírito a separa como pertencente a Deus, para obediência para com Jesus Cristo e para aspersão com seu sangue (i.e. o perdão dos pecados), um ato consequente à entrega do Espírito, o que mais uma vez é a própria consequência da fé em Cristo.

O estado final da graça daqueles acima mencionado para nós considerarmos é a união com Cristo, que é o mais fundamental de todos eles, servindo como base de cada um. Como Ef 1:3 afirma acerca da Igreja, Deus “nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo”. A frase “em Cristo” indica união com Cristo, um estado no qual se adentra pela fé, como já mencionado. Em Ef 1:3, união com Cristo é dada como condição para as bênçãos de Deus para a Igreja. Isto é, Deus abençoou a Igreja com toda sorte de bênçãos espirituais como consequência de serem unidos a Cristo (cf. Rm 9:7b – “Em Isaque será chamada sua descendência”, o que claramente significa que a descendência de Abraão seria nomeada como consequência de estar em Isaque, i.e. aqueles conectados a Isaque seriam contados como descendência de Abraão). Uma das bênçãos espirituais especificadas como entre cada bênção espiritual com a qual a Igreja foi abençoada é eleição (Ef 1:4). Agora se Deus abençoou a Igreja com toda bênção spiritual como consequência de estar unida a Cristo, e a eleição é uma destas bênçãos, então isto significa que a eleição é condicional à união com Cristo e à fé pela qual esta união é estabelecida.

Mais diretamente, Ef 1:4 explicitamente indica a condição de eleição especificamente com a frase “nEle [em Cristo]”: “nos elegeu nele antes da fundação do mundo”. Bem como Deus nos abençoou em Cristo com toda bênção espiritual indica que Deus nos abençoou porque estamos em Cristo (Ef 1:3), então Deus nos escolhendo em Cristo indica que Deus nos escolheu por causa de nossa união com Cristo (Ef 1:4). Efésios 1:4, portanto, articula eleição condicional, uma eleição que é condicional à união em Cristo. Mas o fato que união com Cristo é condicional à fé nele faz a eleição também condicional à fé em Cristo.

A próxima frase em Efésios 1:4 – “antes da fundação do mundo” – nos traz a uma diferença de opinião entre arminianos sobre a natureza da eleição incondicional. A visão tradicional concebe eleição condicional como sendo individualística, com Deus escolhendo separadamente antes da fundação do mundo cada indivíduo que ele dantes soube que livremente estaria em Cristo pela fé e perseveraria nesta fé-em-união. A visão parece encontrar impressionante suporte em duas passagens proeminentes que relatam-se com a eleição.

Romanos 8:29 diz “Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos”. Agora sem questão, o pré-conhecimento de Deus sobre os seres humanos é total e incluiria conhecimento anterior de cada pessoa e se creria ou não. E em Rm 8:29, presciência divina é apresentada como a condição para predestinação. Dado tudo que foi dito até aqui, muitos chegariam que a presciẽncia de Deus sobre a fé dos crentes seria o elemento mais natural de sua presciência deles ser determinativo de sua decisão de salvá-los e predestiná-los para serem conformes à imagem de Cristo.

A outra passagem proeminente provendo suporte para eleição sendo condicionada à presciência divina sobre a fé humana é 1Pe 1:1-2, que fala da situação de eleito como sendo “segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. Aqui a situação de eleito é explicitamente dito como sendo baseado na presciẽncia de Deus. E novamente, o tipo de evidência que estamos revendo leva muitos a crer que é especialmente presciência da fé dos crentes que está em vista como aquela a qual a eleição divina conforma. Desde que este texto não especifica a presciência em vista como sendo de pessoas, outra opção compatível com ambas as visões arminianas de eleição tomaria a presciência divina em 1Pe 1:2 como sendo do próprio plano de Deus para salvação, significando que eleição é baseada no plano de Deus para salvar aqueles que creem.

A visão arminiana não-tradicional da eleição é conhecida como eleição corporativa. Ela observa que a eleição do povo de Deus no Antigo Testamento foi consequência da escolha de um indivíduo que representou o grupo, o cabeça e representante corporativo. Em outras palavras, o grupo foi eleito no cabeça corporativo, isto é, como consequência de sua associação com o representante corporativo (Gn 15:18; 17:7-10, 19; 21:12; 24:7; 25:23; 26:3-5; 28:13-15; Dt 4:37; 7:6-8; 10:15; Ml 1:2-3). Além disso, indivíduos (tais como Raabe e Rute) que não eram naturalmente relacionados ao cabeça corporativo poderiam unir-se ao povo escolhido e à identidade, história, eleição, e bênçãos do cabeça e povo eleitos. Houve uma série de cabeças de alianças no Antigo Testamento – Abraão, Isaque, e Jacó, e a escolha de cada novo cabeça do pacto trouxe uma nova definição do povo de Deus baseado na identidade do cabeça da aliança (juntamente com as referências anteriores deste parágrafo, veja Rm 9:6-13). Finalmente, Jesus Cristo veio como cabeça da Nova Aliança (Rm 3-4; 8; Gl 3-4; Hb 9:15; 12:24)— ele é o Escolhido (Mc 1:11; 9:7; 12:6; Lc 9:35; 20:13; 23:35; Ef 1:6; Cl 1:13; e numerosas referências a Jesus como Cristo/Messias) – e qualquer um unido a ele vem a compartilhar sua identidade, história, eleição, e bênçãos da aliança (nos tornamos coerdeiros com Cristo – Rm 8:16-17; cf. Gl 3:24-29). Portanto, a eleição é “em Cristo” (Ef 1:4), consequência da união com ele pela fé. Assim como o povo de Deus na Antiga Aliança foi escolhido em Jacó/Israel, assim o povo de Deus na Nova Aliança é escolhido em Cristo.

Alguns têm erroneamente tomado o apelo de Paulo em Romanos 9 para a eleição discricionária dos cabeças das alianças anteriores como sendo indicação de que a eleição de Deus para salvação é incondicional. Mas a eleição do cabeça da aliança é única, acarretando a eleição de todos que são identificados com ele em vez de que cada membro individual do povo eleito foi escolhido como um indivíduo para tornar-se parte do povo eleito da mesma forma que o cabeça corporativo foi escolhido. Em harmonia com esta grande ênfase em Romanos sobre salvação/justificação sendo pela fé em Cristo, Paulo apela para a eleição discricionária de Isaque e Jacó a fim de defender o direito de Deus em fazer a eleição ser pela fé em Cristo em vez de obras ou ascendência, bem como sua conclusão na seção evidencia, referindo-se à situação eletiva da justificação:

30. Que diremos pois? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, mas a justiça que vem da fé.

31. Mas Israel, que buscava a lei da justiça, não atingiu a lei da justiça.

32. Por que? Porque não a buscavam pela fé, mas como que pelas obras da lei.

{Romanos 9:30-32b Almeida Recebida}

(Para um bom artigo sobre Romanos 9, veja Traduções Crédulas: Romanos 9 – Uma Leitura sob uma Nova Perspectiva.)

A metáfora da oliveira por Paulo em Rm 11:17-24 dá uma excelente figura da perspectiva da eleição corporativa. A oliveira representa o povo eleito de Deus. Mas indivíduos são enxertados no povo eleito e participam na eleição e suas bênçãos pela fé ou são arrancados do povo escolhido de Deus e de suas bênçãos por causa da descrença. O foco da eleição é o povo corporativo de Deus com indivíduos participando da eleição por meios de sua participação (mediante fé) no grupo eleito, que compreende a história da salvação. Efésios 2:11-12 semelhantemente atesta que os gentios que creem em Cristo são nele feitos para ser parte do corpo de Israel, cidadãos companheiros com os santos, membros da família de Deus, e possessores das alianças da promessa (2:11-12; note especialmente os versos 12,19).

Enquanto concordando que Deus conheça o futuro, incluindo os que crerão, a perspectiva da eleição corporativa tende a entender as referências ao pré-conhecimento em Rm 8:29 e 1Pe 1:1-2 como referindo-se ao conhecimento relacional anterior que se resume a previamente reconhecer ou contar ou adotar ou escolher pessoas como pertencendo a Deus (i.e. em relacionamento/parceria de aliança). A Bíblia algumas vezes menciona este tipo de conhecimento, tal como quando Jeus fala dos que nunca se submeteram verdadeiramente ao seu sehorio: “Então lhes direi claramente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7:23; cf. Gn 18:19, Jr 1:5, Os 13:2-5, Am 3:2, 1Co 8:3). Nesta visão, ser escolhido de acordo com a presciência significa ser escolhido por causa da eleição anterior de Cristo e do povo corporativo de Deus nele. “Os [plural] que previamente conheceu” em Rm 8:29 referir-se-ia à Igreja como um corpo corporativo e sua eleição em Cristo bem como sua identidade como a legítima continuação do povo escolhido de Deus histórico, que crentes individuais compartilham na união-em-fé com Cristo e participação no seu povo. Tal referência é relacionada com afirmações na Escritura ditos a Israel sobre Deus escolhendo-os no passado (i.e. pré-conhecendo eles), uma eleição que a geração contemporânea sendo abordada compartilhava (e.g., Dt 4:37; 7:6-7; 10:15; 14:2; Is 41:8-9; 44:1-2; Am 3:2). Em cada geração, Israel poderia ser dita como escolhida.

A Igreja agora compartilha esta eleição mediante Cristo, o cabeça e mediador da aliança (Rm 11:17-24; Ef 2:11-22).

Semelhantemente, ser escolhido em Cristo antes da fundação do mundo referir-se-ia a compartilhar a eleição de Cristo que tomou lugar antes da fundação do mundo (1Pe 1:20). Como Cristo incorpora e representa seu povo, pode ser dito que seu povo foi eleito quando ele o foi bem como pode ser dito que a nação de Israel estava no útero de Rebeca antes de sua existência porque Jacó estava (Gn 25:23) e que Deus amou/escolheu Israel amando/escolhendo Jacó antes de a nação de Israel existir (Ml 1:2-3) e que Levi pagou dízimo a Melquisedeque em Abraão antes de Levi existir (Hb 7:9-10) e que a igreja morreu, levantou-se e foi assentada com Cristo antes mesmo de a Igreja sequer existir (Ef 2:5-6; cf. Cl 2:11-14; Rm 6:1-14) e que nós (a Igreja) estamos assentados nos lugares celestiais em Cristo quando nós ainda não estamos literalmente no Paraíso mas Cristo está. A eleição de Cristo acarreta a eleição daqueles que estão unidos a ele, e portanto nossa eleição pode ser tida como tendo tomado lugar quando a dele ocorreu, mesmo antes de nós de fato estarmos unidos a ele. Isto é de certo modo semelhante a como eu, enquanto americano, posso dizer que nós (a América) vencemos a Revolutionary War antes que eu ou qualquer americano vivo hoje tenha sequer nascido.

A visão corporativa explica por que somente aqueles que na realidade são do povo de Deus são chamados de eleitos ou apelações semelhantes na Escritura, e não aqueles que não pertencem a Deus mas um dia pertencerão. No Novo Testamento, somente crentes são identificados como eleitos. Como Romanos 8:9 afirma, “…Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele”. Semelhantemente, Rm 11:7-24 apóia o entendimento corporativo da eleição como referindo-se somente àqueles que estão na realidade em Cristo pela fé em vez de também incluir certos descrentes que foram escolhidos para crer desde a eternidade. Porque em Romanos 11:7, “os outros” são não-eleitos. Mas Paulo cria que estes dentre os outros podiam crer ainda, revelando que eleito é um termo dinâmico que permite desvio de e entrada para os eleitos como retratado na passagem da metáfora da oliveita. Desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e do povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto eles creem. Portanto 2Pe 1:10 urge aos crentes para “mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição” e o Novo Testamento é recheado de alertas para perseverar na fé e evitar abandonar a eleição/salvação (veja “Segurança em Cristo” abaixo; para uma introdução à visão corporativa com links para mais fontes, veja
http://evangelicalarminians.org/a-concise-summary-of-the-corporate-view-ofelection-and-predestination/).

Sumarizando, existem duas visões diferentes de eleição condicionada à fé. Primeiro, a eleição individual é a visão clássica, na qual Deus individualmente escolhe cada crente baseado em sua presciência da fé de cada um e assim predestina cada um deles à vida eterna. Segundo, eleição corporativa é a principal visão alternativa, mantendo que a eleição para salvação é primariamente da Igreja como povo e adota indivíduos somente na união-em-fé com Cristo O Escolhido e como membros de seu povo. Além disso, desde que a eleição de indivíduos deriva da eleição de Cristo e o povo corporativo de Deus, indivíduos tornam-se eleitos quando eles creem e permanecem eleitos apenas enquanto creem. Eleição condicional é apoiada pela Escritura por (veja a discussão acima para explanações):

  1. Afirmação direta;
  2. Salvação pela fé;
  3. Várias expressões da situação de eleição sendo pela fé;
  4. A apresentação da eleição como baseada na presciência de Deus, seja a da fé humana ou equivalente à escolha anterior de Cristo e/ou o povo de Deus como um corpo corporativo no qual indivíduos participam pela fé;;
  5. Eleição sendo “em Cristo”, que é um estado em si mesmo condicional à fé;
  6. A linguagem da eleição sendo aplicada somente a crentes e não a crentes que depois creriam;
  7. O desejo de Deus para a salvação de todos;
  8. A provisão de expiação para todos;
  9. A proclamação da chamada do Evangelho para todos;
  10. A atração de todos para a fé em Cristo;
  11. Liberdade humana (para este e os outros 4 pontos anteriores, veja “Expiação para Todos” e “Libertos para Crer” acima); e
  12. Numerosas advertências contra o abandono da fé e portanto da situação de eleição e suas bênçãos da salvação.

A doutrina da eleição condicional centra a eleição em Cristo tornando-a condicional à união com ele em vez de reduzir o papel de Cristo como sendo o meio pela qual a eleição é efetuada. Além disso, eleição condicional sublinha a iniciativa graciosa na salvação em direção a pessoas totalmente depravadas e encoraja a humildade e adoração para a maravilhosa graça de Deus em escolher aqueles que merecem o Inferno para adoção em sua família, salvação, e toda bênção espiritual, um dom livre recebido pela fé (a condição não-meritória para eleição) pelo maior custo para Deus, que sacrificou seu próprio Filho para que pudesse nos escolher, e pelo maior custo para Jesus Cristo, que morreu por nós para que nós pudéssemos ser escolhidos por Deus. Toda glória e louvor a Deus somente!

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Libertos para Crer pela Graça de Deus

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Libertos para Crer pela Graça de Deus

(Freed by Grace to Believe – Artigos 3 e 4 dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Como temos notado, como os humanos são caídos e pecaminosos, eles não são capazes de pensar, desejar, nem fazer nada bom em e de si mesmos, incluindo crer no evangelho de Cristo (veja a descrição de Depravação Total acima). Portanto, desejando a salvação de todos e providenciando expiação para todas as pessoas (veja “Expiação para Todos” acima), Deus continua a tomar a iniciativa para o propósito de trazer todas as pessoas para salvação chamando todas as pessoas em todo lugar para se arrependerem e crerem no Evangelho (At 17:30; cf. Mt 28:18-20), e habilitando aqueles que ouvem o Evangelho a respondê-lo positivamente em fé. Sem o auxílio da graça, o homem não pode nem mesmo escolher agradar Deus ou crer na promessa da salvação mantida no evangelho. Como Jesus disse em Jo 6:44, “Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”. Mas graças a Deus, Jesus também prometeu “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim”(Jo 12:32). Portanto, o Pai e o Filho trazem as pessoas a Jesus, habilitando-as a vir a Jesus em fé. Mesmo que as pessoas pecaminosas estejam cegas para a verdade do evangelho (2Co 4:4), Jesus veio ao mundo da humanidade pecaminosa como “a verdadeira luz que ilumina todo homem” (Jo 1:9; cf 12:36), a luz da qual João o Batista veio a dar testemunho, “para que todos cressem por meio dele” (Jo 1:7). Então nós encontramos Jesus falando ao povo que estava indisposto a crer nele para que pudessem ser salvos (Jo 5:34, 40) e alertando descrentes, “Ainda por um pouco a luz está convosco. Andai enquanto tendes a luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que vos torneis filhos da luz” (Jo 12:35-36). De fato Deus iluminou os corações de seus apóstolos “para a dar iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo” (2Co 4:6), e o Apóstolo Paulo recebeu graça “anunciar aos gentios as riquezas inescrutáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério que, desde o princípio do mundo, esteve oculto em Deus, que criou todas as coisas” (Ef 3:8-9). Isto refere-se ao evangelho da graça de Deus, que “é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1:16), e na realidade torna isto possível, para aqueles que ouvem, crer, porque

[8] Mas que diz? A palavra está perto de ti, na tua boca e no teu coração; isto é, a palavra da fé, que pregamos. {Note que Paulo está aplicando Dt 30:12, que indica capacidade de obedecer a palavra de Deus, a mensagem do Evangelho, indicando que aqueles que ouvem o evangelho recebem habilidade de crer nele!]

[9] Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo;

[10] pois é com o coração que se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.

[11] Porque a Escritura diz: Quem nele crer não será envergonhado.

[12] Porquanto não há distinção entre judeu e grego; porque o mesmo Senhor o é de todos, rico para com todos os que o invocam.

[13] Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.

{Romanos 10:8-13 Almeida Recebida}

Além disso, “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo” (Rm 10:17), apesar de que isto não causa necessariamente a fé, desde que “nem todos deram ouvidos ao evangelho” (Rm 10:16) mesmo que eles tenham ouvido (Rm 10:18). Deus oferece sua maravilhosa graça salvífica em Seu Filho para pecadores, mas permite-lhes escolher se eles aceitarão ou rejeitarão. Portanto, no caso de Israel, o Deus que ama todos e trabalha pela salvação de todos diz “Todo o dia estendi as minhas mãos a um povo rebelde e contradizente” (Rm 10:21).

Continuando a missão de Jesus de salvar o mundo, o Santo Espírito veio para convencer o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16:8). Ainda que descrentes estejam “entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração” (Ef 4:18), o Senhor abre os corações das pessoas para responder positivamente à mensagem do evangelho (At 16:14) e sua bondade leva àqueles com coração duro e impenitente em direção ao arrependimento (Rm 2:4-5). Em sua soberania, ele até mesmo posicionou os povos com o próprio propósito de “que buscassem a Deus, se porventura, tateando, o pudessem achar, o qual, todavia, não está longe de cada um de nós” (At 17:2&). Em suma, Deus chama todas as pessoas a se arrepender e crer no Evangelho, habilitando aqueles que ouvem a respondê-lo positivamente em fé enquanto ele traz todas as pessoas para a fé em Jesus, rompe a escuridão de seus corações e mentes com o esplendor de sua luz, ilumina suas mentes, comunica seu impressionante poder com o evangelho que incita fé, persuade-os com sua bondade, convence-os pelo seu Espírito, abre seus corações para atentar ao seu evangelho, e posiciona-os para buscá-lo já que ele está perto de cada um.

Tudo isso é conhecido no jargão teológico como a graça preveniente de Deus. O termo “preveniente” simplesmente significa “precedente”. Portanto, “graça preveniente” se refere à graça de Deus que precede salvação, incluindo aquela parte da salvação conhecida como regeneração, que é o começo da vida espiritual eterna concedida a todos os que confiam em Cristo (Jo 1:12-12). Graça preveniente é também às vezes chamada de graça capacitante ou graça pré-regenerativa. Este é o favor imerecido de Deus para pessoas totalmente depravadas, que são indignas da bênção de Deus e incapazes de buscar Deus oi de confiar nele de e por si mesmos. De acordo, Atos 18:27 indica que nós cremos mediante graça, colocando a graça prevenientemente (i.e. logicamente anterior) à fé como o meio pelo qual cremos. É a graça que, entre outras coisas, liberta nossas vontades para crer em Cristo e seu Evangelho. Como Tito 2:11 diz, “Porque a graça de Deus, que traz a salvação, se manifestou a todos os homens”.

Nós falamos da vontade do homem sendo liberta pela graça para enfatizar que as pessoas não têm uma liberdade natural quando vêm a crer em Jeussm mas Deus deve graciosamente tomar a ação de libertar nossas vontades a fim de sermos capazes de crer em seu Filho que ele enviou para a salvação de todos. Quando nossas vontades são libertas, podemos ou aceitar a graça salvífica de Deus em fé ou rejeitá-la para nossa própria ruína. Em outras palavras, a graça salvífica de Deus é resistível, o que quer dizer que ele dispensa seu chamado, guia, e graça convincente (que traria salvação se respondida em fé) de tal forma que podemos rejeitá-lo. Nós nos tornamos livre para crer em Jesus e livres para rejeitá-lo. A resistibilidade da graça salvífica de Deus é claramente mostrada na Escritura, como algumas das passagens já mencionadas testificam. De fato, a Bíblia é tristemente preenchida com exemplos de pessoas desprezando a graça de Deus oferecida a elas. Em Isaías 5:1-7 Deus realmente indica que ele não podia ter feito mada mais para Israel produzir bons frutos. Mas se a graça irresistível é algo que Deus dispensa, então ele poderia ter facilmente provido esta e infalivelmente trazido Israel a produzir bom fruto. Muitas passagens do Antigo Testamento falam sobre como Deus estendeu sua graça para Israel várias e várias vezes mas eles repetidamente resistiram e rejeitaram-no (e.g., 2Rs 17:7-23; Jr 25:3-11; 26:1-9; 35:1-19). 2Cr 36:15-16 menciona que o convite insistente de suas mãos para o seu povo, convite o qual foi rejeitado, foi motivado por compaixão por eles. Mas isto só pode ser se a graça que ele estendeu os habilitou a se arrepender e evitar seu julgamento e ainda assim foi resistível desde que eles de fato resistiram-na e sofreram o julgamento de Deus. Neemias 9 apresenta um exemplo impressionante do testemunho do Antigo Testamento que Deus continuamente estendeu as mãos a Israel com sua graça que encontrou resistência e rejeição. Nós não temos espaço para rever a passagem inteira (mas o leitor é encorajado a assim fazer), mas citaremos alguns elementos chave e prestar atenção a alguns pontos importantes. Ne 9:20a diz “Também lhes deste o teu bom espírito para os ensinar”, e é seguido por um extenso catálogo de ações divinas graciosas em favor de Israel nos versos 9b-25. Então em 9:26-31 diz:

[26] Não obstante foram desobedientes, e se rebelaram contra ti; lançaram a tua lei para trás das costas, e mataram os teus profetas que protestavam contra eles para que voltassem a ti; assim cometeram grandes provocações.

[27] Pelo que os entregaste nas mãos dos seus adversários, que os afligiram; mas no templo da sua angústia, quando eles clamaram a ti, tu os ouviste do céu; e segundo a multidão das tuas misericórdias lhes deste libertadores que os libertaram das mãos de seus adversários.

[28] Mas, tendo alcançado repouso, tornavam a fazer o mal diante de ti,; portanto tu os deixavas nas mãos dos seus inimigos, de modo que estes dominassem sobre eles; todavia quando eles voltavam e clamavam a ti, tu os ouvias do céu, e segundo a tua misericórdia os livraste muitas vezes;

[29] e testemunhaste contra eles, para os fazerdes voltar para a tua lei; contudo eles se houveram soberbamente, e não deram ouvidos aos teus mandamentos, mas pecaram contra os teus juízos, pelos quais viverá o homem que os cumprir; viraram o ombro, endureceram a cerviz e não quiseram ouvir.

[30] Não obstante, por muitos anos os aturaste, e testemunhaste contra eles pelo teu Espírito, por intermédio dos teus profetas; todavia eles não quiseram dar ouvidos; pelo que os entregaste nas mãos dos povos de outras terras.

[31] Contudo pela tua grande misericórdia não os destruíste de todo, nem os abandonaste, porque és um Deus clemente e misericordioso.

{Neemias 9:26-31 Almeida Recebida}

O texto afirma que Deus deu seu Espírito para instruir Israel (9:20) e que Deus enviou seus profetas e alertou Israel para o propósito de que eles retornassem a ele. Deus propôs estas ações para que tornar Israel de volta a ele / à sua Lei, e ainda assim eles se rebelaram. Isto mostra Deus permitindo seu propósito não vindo a ocorrer por permitir a seres humanos uma escolha de render-se à sua graça ou não. Intrigantemente, a palavra traduzida como “aturar” em Neemias 9:30 usa um vocábulo hebraico que geralmente significa algo como “trazer, tragar, puxar” e foi traduzida na tradução grega do AT usada pela antiga igreja com a mesma palavra usada em Jo 6:44a (“Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer”). Uma tradução melhor de Ne 9:30 seria “Muitos anos tu os trouxeste e os alertaste pelo seu Espírito mediante os profetas. Ainda assim eles não deram ouvidos”. O texto fala de um trazer divino resistível que busca colocar as pessoas para o Senhor em arrependimento. Estêvão também forneceu um bom exemplo de graça resistível quando ele disse a seus compatriotas judeus,

[51] Homens de dura cerviz, e incircuncisos de coração e ouvido, vós sempre resistis ao Espírito Santo; como o fizeram os vossos pais, assim também vós.

[52] A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que dantes anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora vos tornastes traidores e homicidas,

[53] vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes.

{Atos 7:51-53}

Lucas 7:30 nos diz que os fariseus e doutores da lei rejeitaram o propósito de Deus para si mesmos. E Jesus, que falou ao povo com o propósito de salvá-los (Jo 5:34), ainda assim notou que eles recusaram a vir até ele para terem vida (Jo 5:40), e que veio para desviar todo judeu de seu pecado (At 3:26; veja o tratamento deste texto em “Expiação para Todos”), mesmo assim claramente nem todo judeu creu nele, lamentou sobre a indisposição do povo para receber sua graça, dizendo “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que a ti são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta a sua ninhada debaixo das asas, e não quiseste!” (Lc 13:34; veja também Ez 24:13; Mt 23:37; Rm 2:4-5; Zc 7:11-14; Hb 10:29; 12:15; Jd 1:4; 2Co 6:1-2; Sl 78:40-42).

Arminianos divergem entre si mesmos sobre alguns dos detalhes de como a graça preveniente de Deus funciona, provavelmente porque a própria Escritura não dá uma descrição detalhada. Alguns arminianos creem que Deus continuamente habilita todas as pessoas a crer em todo tempo como benefício da expiação. Outros creem que Deus somente concede a capacidade de em Cristo para pessoas em tempos selecionados de acordo com sua boa vontade e sabedoria. Ainda outros creem que graça preveniente geralmente acompanha quaisquer dos movimentos específicos de Deus em direção às pessoas, tornando-as capazes de responder positivamente a tais movimentos conforme Deus assim os efetuaria. Mas todos os arminianos concordam que as pessoas são incapazes de crer em Jesus à parte da intervenção da graça de Deus e que Deus de fato concede sua graça que traz para a salvação todas as pessoas moralmente responsabilizáveis. Com respeito ao Evangelho, o bispo arminiano do século XVII, Laurence Womack, bem dissera, “em todos aqueles que a palavra da fé é pregada, o Santo Espírito concede, ou está pronto para conceder, tanta graça quanto é suficiente, no grau adequado, para trazer-lhes à conversão”.

O conceito de “vontade liberta” levanta uma questão mais geral de se seres humanos tenham livre arbítrio geralmente, à parte do domínio de agradar Deus e realizar o bem espiritual (novamente, as pessoas não são livres neste quesito a não ser que Deus as habilite). A resposta arminiana é sim. Pessoas têm livre arbítrio em toda espécie de coisas. Por isto nós queremos dizer que quando as pessoas são livres com respeito a uma ação, então elas podem pelo menos ou realizar a ação ou abster-se de fazê-la. Pessoas geralmente têm escolhas genuínas e são correspondentemente capazes de realizar escolhas. Quando livre, a escolha específica que alguém faz não foi eficientemente predeterminada ou necessitada por qualquer um ou qualquer coisa além da pessoa em si. De fato, se as ações da pessoa foram tornadas necessárias por outrem, e a pessoa não pode evitar realizar a ação, então ele não tem nenhuma escolha e ele não é livre neste quesito. E se ele não tem uma escolha, então nem pode propriamente ser dito que ele escolhe. Mas a Escritura bem claramente indica que as pessoas têm escolhas e fazem escolhas sobre muitas coisas (e.g., Dt 23:16; 30:19; Js 24:15; 2Sm 24:12; 1Rs 18:23, 25; 1Cr 21:10; At 15:22, 25; Fp 1:22). Além disto, ela explicitamente fala de liberdade humana (Ex 35:29; 36:3; Lv 7:16; 22:18, 21, 23; 23:38; Nm 15:3; 29:39; Dt 12:6, 17; 16:10; 2Cr 31:14; 35:8; Ed 1:4, 6; 3:5; 7:16; 8:28; Sl 119:108; Ez 46:12; Am 4:5; 2Co 8:3; Fm 1:14; cf. 1Co 7:37) e atesta seres humanos violando a vontade de Deus, mostrando que ele não predetermina suas vontades e ações para o pecado. Além disto, o fato de Deus manter as pessoas responsáveis por suas escolhas e ações implica que tais escolhas e ações foram livres. Não obstante, é importante lembrar que arminianos não creem em liberdade ilimitada. Existem muitas coisas nas quais não somos livres. Nós não podemos escolher voar batendo os braços por exemplo. Nem negamos que nossas ações são influenciadas por todas as espécies de causas. Mas quando somos livres, estas causas são resistíveis e nós temos uma escolha genuína do que fazemos e não são causadas necessariamente a agir de uma certa maneira por Deus ou por qualquer outra coisa além de nós mesmos.

Finalmente, o conceito de vontade liberta também implica que Deus tem definitivo e absoluto livre arbítrio. Pois é Deus que sobrenaturalmente libera a vontade dos pecadores pela sua graça para crerem em Cristo, o que é um assunto da própria livre vontade e soberania divina. Deus é onipotente e soberano, tendo o poder e autoridade para fazer qualquer coisa que ele queira e não sendo restrito em suas próprias ações e vontade por nada fora de si mesmo e seu próprio julgamento (Gn 18:14; Ex 3:14; Jó 41:11; Sl 50:10-12; Is 40:13-14; Jr 32:17, 27; Mt 19:26; Lc 1:37; At 17:24-25; Rm 11:34-36; Ef 3:20; 2Co 6:18; Rv 1:8; 4:11). Nada pode ocorrer exceto se ele fizer ou permitir. Ele é o Todo-Poderoso Criador e Deus do universo a quem devemos todo o amor, adoração, glória, honra, agradecimento, louvor, e obediência. Portanto, é bom para nós lembrar que detrás da vontade humana liberta está Aquele que liberta a vontade, e este é um assunto de sua gloriosa, livre, e soberana graça, totalmente imerecida de nossa parte, e providenciada para nós pelo amor e misericórdia de Deus. Louvado seja seu santo nome!

Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – O Argumento Gramatical para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

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O Argumento Gramatical para Regeneração Precedendo Fé em 1João 5:1

O argumento gramatical tem a ver com o tempo verbal como ele é usado em 1João 5:1a, e tende a vir em duas formas básicas. A forma 1 mantém que a combinação dos tempos estabelece regeneração como precedendo fé[3]. John Stott faz o argumento em seu comentário de 1João: `A combinação do tempo presente (ο πιστευων `crê’) e o perfeito [γεγεννηται, `nasceu de Deus’] é importante. Ela mostra claramente que crer é a consequência, não a causa, do novo nascimento. Nossa contínua atividade presente de crer é o resultado, e portanto a evidência, de nossa experiência passada do novo nascimento pela qual nos tornamos e permanecemos filhos de Deus[4]. A forma 2 não menciona explicitamente o contraste dos tempos verbais (tempo presente vs. perfeito), mas sem explícita menção do tempo presente do particípio do verso, invoca o verbo no tempo perfeito indicativo de 1João 5:1a (γεγεννηται) como estabelecendo sua ação (regeneração) como anterior à fé (que é afinal a ação indicada no presente particípio do verso)[5]. Robert Peterson e Michael Williams afirmam esta forma de argumento sucintamente: `O verbo no tempo perfeito em 1João 5:1, “nasceu”, indica que o novo nascimento é a causa da fé em Cristo'[6].

Porém, existem problemas fatais com este argumento de qualquer forma que o tornam inválido. Primeiro, alguns gramáticos gregos agora contendem que as formas de tempo gregas não expressam tempo (exceto talvez pelo tempo futuro), mas somente aspecto[7]. Se eles estiverem corretos, isto negaria o argumento gramatical para regeneração precedendo fé {n-sic} em 1João 5:1. Mas esta visão de um sistema de verbos atemporal grego permanece como minoria entre estudiosos[8], e eu estou inclinado a concordar com uma abordagem mais tradicional, perspectiva na qual este artigo é escrito[9].

Segundo, o presente particípio πιστευων é um particípio substantival, que funciona como nome[10]. O elemento de tempo tende a ser diminuído em particípios substantivais e pode ser completamente perdido[11]. De fato, particípios substantivais presentes `identificam por alguma característica ou ação costumeira ou condição, e frequentemente são equivalentes a um nome ou título'[12]. Portanto, ο πιστευων em 1João 5:1a é provavelmente equivalente aproximado a `o crente’, caracterizando seu referente como o crente sem qualquer indicação de quando começou a crença. Isto pode ser vazio de qualquer significado temporal de todo modo[13], o que o que claramente invalidaria o argumento gramatical que estamos criticando. Porém, a caracterização do referente de πιστευων como ação progressiva e função condicional de πας ο πιστευων[14] provavelmente implicam alguma forma de relacionamento temporal com o verbo principal γεγεννηται. Mas se assim for, então o argumento gramatical pra regeneração precedendo fé é invalidado tanto se não mais fortemente.

Se ο πιστευων e γεγεννηται são para serem relacionados temporalmente de alguma forma, como parece provável, então a gramática na realidade sugere que crer e ser nascido de Deus são retratados como contemporâneos (ou talvez que crer precede ser nascido de Deus; veja abaixo). É bem reconhecido pela maioria dos gramáticos que verbos indicativos gregos normalmente indicam o tão-chamado `tempo absoluto’ ou `tempo independente’, isto é, o tempo relativo à própria moldura temporal do autor/falante, o tempo da escrita ou expressão, enquanto particípios normalmente indicam tempo relativo ao tempo do verbo principal[15]. Especificamente, o perfeito indicativo `descreve um evento que, completado no passado… tem resultados existentes no tempo presente (i.e. em relação ao tempo do falante)'[16], enquanto o tempo presente normalmente sugere a ação do particípio como contemporânea à ação do verbo principal[17]. Portanto, exceto se na realidade isto retratar crer como precedendo regeneração (novamente, veja abaixo), a gramática de 1João 5:1a mais naturalmente retrata a ação do particípio substantival do verso (crer) como contemporânea com a ação do verbo perfeito indicativo (regeneração e seu estado resultante).

Mesmo se alguém postulasse que particípios substantivais normalmente transmitem tempo absoluto, ou que eles o fazem ocasionalmente e 1João 5:1a contém uma instância deste fenômeno[18], isto não implicaria que o tempo do particípio e o verbo principal seriam relacionados mediante o ponto de vista do autor de tal maneira que um particípio presente, localizado no presente do autor, seria necessariamente precedido no tempo por um indicativo perfeito, localizado no passado e presente do falante. Pois o tempo presente relacionado ao tempo do autor/falante não limita a ação do tempo presente, mas retrata a ação como tomando lugar no presente sem qualquer indicação de quando a ação começou ou quando ela pode acabar. Consequentemente, se o tempo presente particípio é relativo ao perfeito indicativo em 1João 5:1a ou transmite tempo absoluto, a gramática do texto deixa a ordem de fé e regeneração sem resposta (a não ser que ela sugira que fé precede regeneração; mais uma vez, veja abaixo), nulificando o argumento para regeneração precedendo fé.

Porém, isto não significa que a gramática impede fé ou regeneração precedendo a ordem. Pois como Daniel Wallace observou, a contemporaneidade assinalada pelo particípio presente `é geralmente bastante largamente concebida’, e de qualquer maneira permite prioridade lógica mesmo quando as ações em vista são cronologicamente simultâneas[19]. Mas isto significa que a gramática por si mesma não sugere qualquer prioridade, e que se alguma indicação de prioridade estiver presente no texto, ela deve ser derivada do contexto e não da gramática.

Por outro lado, pode ser que a gramática na realidade sugira que crer precede regeneração. Ernest De Witt Burton observa que com o particípio presente, `A ação do verbo e a do particípio podem ser da mesma extensão (Mc 16:20), mas não necessariamente. Mais frequentemente a ação do verbo cai no período coberto pelo particípio (At 10:44)'[20]. De fato, Wallace observa que o particípio presente `pode ser largamente antecedente ao tempo do verbo principal, especialmente se ele é articular (e portanto adjetival; cf. Mc 6:14, Ef 2:13)'[21]. E um particípio presente articular é exatamente o que temos em 1João 5:1a.

Além disso, ei já havia notado que a construção de 1João 5:1a contendo o particípio (‘Aquele que crer’, πας ο πιστευων) tem uma função condicional. O sentido condicional que ele capitula para a sentença carrega uma ideia genérica que transmite que se qualquer um, seja quem for, crê, então esta pessoa nasceu de Deus[22]. Agora, desde que ideias condicionais mais frequentemente indicam uma relação de causa-efeito entre a prótasis (causa; neste caso, crer) e a apódoses (efeito; neste caso, regeneração), o sentido condicional de 1João 5:1a fortalece ainda mais o caso que a gramática do verso sugere que fé precede regeneração[23].

Mas isto não é definitivo. Wallace faz o importante ponto que a prótasis e apódoses de uma sentença condicional podem se relacionar de outras maneiras além de causa e efeito[24]. Especificamente, elas podem se relacionar como evidência e inferência (i.e. a prótasis serve como evidência para a apódoses) ou como partes semanticamente equivalentes de uma sentença. O relacionamento evidência-inferência é a alternativa que é relevante aqui. Pois é concebível que fé evidencia que alguém nasceu de Deus. Ainda assim mesmo se 1João 5:1a fosse uma condicional evidência-inferência, isto não resolveria a questão da ordem entre fé e regeneração, porque fé poderia servir como evidência da regeneração ou porque fé causa regeneração[25] ou porque regeneração causa fé.

Agora um dos principais temas de 1João é a segurança da salvação, e portanto, evidências de salvação, de vida eterna, de pertencer a Deus (situação de filiação salvífica/nascido-de-Deus), etc[26]. Aparentemente, certos membros da comunidade cristã que João aborda na epístola vieram a comportar visões heréticas, deixando a comunidade, e desafiando a confidência de seus membros na doutrina apostólica e sua permanência como genuínos filhos de Deus (veja p.ex. 1Jo 2:18-3:3, 5:13). Então João identifica diversos fundamentos para segurança pelos quais sua audiência pode conhecer que eles, que continuam no ensino de João, são genuínos filhos de Deus, que portanto têm a divina aprovação e a vida eterna concedida. As várias asserções `nascidos de Deus’ na epístola servem a este propósito de dar segurança para a audiência de João, incluindo 1João 5:1 (veja também 2:29, 3:9, 4:7, 5:4,18). Portanto o sentido implicitamente condicional do verso provavelmente carrega um importe de evidência-inferência.

Porém, isto não elimina que também se possa carregar um sentido de causa-efeito. Como Wallace observa, as categorias de condições podem se sobrepor[27]. De fato, é praticamente auto-evidente que a presença observável de uma causa automaticamente dá evidência do efeito. Em outras palavras, se sabemos que A causa B, então observar A providenciaria evidência para a existência de B. Se fé acarreta regeneração, então alguém poderia estar certo que aqueles que creem foram regenerados. Em balanço, parece que ambos causa-efeito e evidência-inferência estão em jogo aqui, e portanto, todas as coisas estando iguais, a gramática do verso na realidade aponta um tanto fracamente que fé precede regeneração. Quer dizer, a própria gramática de 1João 5:1a dá algum leve suporte para tomar o verso como refletindo a visão que fé precede regeneração. Mas isto está longe de dizer que a gramática demanda fé como anterior à regeneração ou que ela foi intencionada afirmar isto especificamente ou mesmo que ela proíbe a ordem oposta. Mesmo assim, uma coisa é certa: a gramática não dá suporte positivo para a alegação que o verso ensina que regeneração precede fé.

Nós podemos demonstrar ambos, a falsidade da visão que os tempos dos verbos em 1João 5:1a necessariamente indicam que regeneração precede fé e precede fé, e o fato que particípios presentes podem pelo menos ser logicamente antecedentes aos seus verbos principais, olhando apenas nove versos adiante, em 1João 5:10b, onde a mesma combinação básica de tempos é usada: ‘Quem não crê [particípio presente substantival] em Deus tem feito [perfeito indicativo] dele mentiroso, porque ele não tem crido [perfeito indicativo] no testemunho que ele tem testificado [perfeito indicativo] acerca de seu filho'(ο μη πιστευων τω θεω ψευστην πεποιηκεν αυτον οτι ου πεπιστευκεν εις την μαρτυριαν ην μεμαρτυρηκεν ο θεος περι του υιου αυτου). Aqui o particípio presente substantival negado, ‘Quem não crê’, logicamente precede o perfeito indicativo, ‘tem feito’ (Deus mentiroso). No tempo, elas provavelmente são aproximadamente coincidentes. Mas é claro do contexto que alguém faz Deus mentiroso (i.e. faz dele mentiroso, implica que ele é mentiroso) por não crer. A descrença inicia a ação de fazer de Deus um mentiroso e permanece concorrente com ela ao longo da ocorrência. O descrente faz de Deus mentiroso como resultado de não crer nele. A próxima cláusula estabelece esta conexão explicitamente: `porque ele não tem crido…’ (ênfase minha). João 3:18 fornece outro claro exemplo: `mas quem não crê[presente particípio substantival] já está condenado [perfeito indicativo] porque ele não creu [perfeito indicativo] no nome do filho unigênito de Deus’ (ο δε μη πιστευων ηδη κεκριται οτι μη πεπιστευκεν εις το ονομα του μονογενους υιου του θεου). Novamente este texto explicitamente nos diz que a ação do particípio presente (descrer) é a causa da ação do perfeito indicativo (condenação). Mais exemplos podem ser produzidos[28], mas estes devem ser suficientes para provar o ponto que os tempos de 1João 5:1a não necessariamente indicam que regeneração precede fé, e de fato, que a construção usada no verso pode ser usada quando a ação do particípio presente precede a ação do perfeito indicativo de alguma forma.

Como dantes mencionado, uma forma (a forma 2) do argumento que estamos criticando não apela explicitamente para o relacionamento entre o tempo presente particípio e o perfeito indicativo em 1João 5:1a, mas apenas ao verbo no tempo perfeito `tem nascido’ (μεμαρτυρηκεν). É difícil saber cm certeza se existe um apelo implícito aqui à combinação dos tempos em 1João 5:1a. Alguém pode pensar assim, desde que o ponto do argumento é estabelecer um relacionamento particular entre fé  (expresso no particípio presente) e regeneração (expresso no verbo perfeito indicativo). Se for assim, então a forma 2 do argumento é invalidada pelas observações que já fizemos.

Mas se não for o caso, então considerações gramaticais básicas ainda tornam a forma 2 do argumento inválida. Pois, como mencionado acima, se os verbos gregos indicarem tempo afinal (e eu concordo com os muitos estudiosos que pensam que eles tipicamente indicam no indicativo), verbos indicativos indicam tempo relativo ao tempo de escrita/fala do escritor/falante, não tempo relativo a outros elementos da sentença. Além disso, exemplos tais como 1João 5:10b (discutido acima) se aplicam tão justamente quanto à segunda forma do argumento, mostrando que é tão indefensável quanto a forma 1. Pode haver outros argumentos que possam ser empregados para apoiar 1João 5:1 como texto-prova que regeneração precede ou causa fé, mas um apelo à gramática no assunto não é o mais razoável. É completamente sem base afirmar que o tempo perfeito de 1João 5:1a indica que regeneração preceda ou cause fé.

OS FACTS da Salvação : Um Sumário da Teologia Arminiana – ou As Doutrinas Bíblicas da Graça: Expiação Para Todos

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Expiação Para Todos

(Atonement for All – O Segundo dos Cinco Artigos da Remonstrância)

Como observado anteriormente, devido à depravação total, ninguém pode ser salvo a não ser que Deus tome a iniciativa. As boas novas são que, desde que “Deus é Amor” (1Jo 4:8,16), “suas misericórdias estão sobre todas as suas obras” (Sl 145:14), ama até mesmo seus inimigos (Mt 5:38-43), ele “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tm 2:4), “não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se” (2Pe 3:9), e não toma qualquer prazer na morte do ímpio, mas em vez disso deseja que ele se arrependa de seus pecados e viva (Ez 18:23,33), ele tomou a iniciativa enviando seu único Filho para morrer pelos pecados do mundo. Como João 3:16-18 tão belamente nos afirma:

16. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

18. Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

Deus providenciou o perdão de pecados e salvação de toda pessoa pela morte de Jesus Cristo em favor da humanidade pecaminosa. De fato, pela graça de Deus, Jesus experimentou a morte por todos (Hb 2:9). Como 1Jo 2:2 nos diz, “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”. Após a sentença de 1Tim 2:4 citada acima que Deus ” deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade”, os versos que se seguem continuam:

5. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,

6. o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo;

De fato, “o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 11:10), “Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores” (1Tim 1:15), “o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo” (1Jo 4:14; cf. Jo 4:42), Deus é “Salvador de todos os homens” (1Tim 4:10), Jesus é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29), que “morreu pelos ímpios” (Rm 5:6), e “morreu por todos” (2Co 5:14-15) quando “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões” (2Co 5:19). Jesus até mesmo morreu por aqueles que o rejeitaram e a sua palavra, o negaram e pereceram (Lc 22:17-21; Jo 12:46-48; Rm 14:15; 1Co 8:11; 2Pe 2:1; Hb 10:29). A provisão foi feita por tantos quantos pecaram, que é todas as pessoas (Rm 3:22-25; 5:18).

Mas ainda que Jesus morreu por todos e tem provido expiação para todos, a intenção da expiação provida foi que sua real aplicação (que concede oo perdão dos pecados, situação de justiça com Deus, e salvação) seja condicional à fé em Jesus Cristo. Isto é estabelecido bem claramente em Jo 3:16-18 citado acima. Por amor, Deus sacrificou seu único Filho pelo mundo tal que aqueles do mundo que confiam em Jesus e em seu sacrifício expiatório se beneficiarão de tal sacrifício expiatório e serão salvos enquanto aqueles do mundo que rejeitam este sacrifício expiatório em descrença não se beneficiarão dele mas permanecerão condenados e perecerão (cf. várias outras passagens que deixam claro que fé é a condição debaixo da qual e os meios pelo qual perdão, vida eterna, e salvação são recebidas, por exemplo: Lc 8:12; Jo 1:12; 3:36; 5:24; 6:40,47; 20:31; At 16:31; Rm 1:16; 3-4; 10:9-10; 1Co 1:21; Gl 2:16; 3; Ef 2:8-9; 1Tm 1:16). Desde que a expiação foi providenciada para todos, tornando a salvação disponível a todos, a Escritura por vezes retrata a justificação como potencial para todas as pessoas (Rm 3:22-25; 5:18) ainda que nem todos sejam ultimamente salvos. Apesar de Deus desejar que todos creiam e sejam salvos mediante o sangue de Cristo, muitos perecerão, não por falta de disponibilidade de salvação, mas porque eles rejeitaram a provisão salvífica feita para eles na morte de Cristo e “porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3:18). Semelhantemente, as referências escriturais a Deus ou Cristo como Salvador do mundo/de todos (Jo 4:4; 1Tm 4:10; 1Jo 4:14)não significam que todos serão de fato salvos, mas que o Pai e o Filho providenciaram salvação para todos, a qual é efetivada somente para aqueles que creem. Como a própria passagem de 1Tm 4:10 diz, “Pois para isto é que trabalhamos e lutamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, especialmente dos que creem”. E Tito 2:11 pode dar encorajamento a crentes para apresentar um bom testemunho para Cristo ao mundo descrente com esta razão: “Porque a graça de Deus, que traz a salvação, se manifestou a todos os homens”. De fato, é a expiação ilimitada de Cristo que serve como fundação necessária da genuína oferta de salvação mantida para todos no evangelho e está de acordo com o comando para pregar o evangelho a todos. Por exemplo, falando a uma audiência judaica geral, o Apóstolo Pedro baseou a chamada ao arrependimento na obra de Cristo e implicou que a obra foi para todos naquela audiência quando ele assegurou-lhes que Deus enviou Cristo para retirar cada um deles de seus pecados:

18. Mas Deus assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado que o seu Cristo havia de padecer.

19. Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor,

20. e envie ele o Cristo, que já dantes vos foi indicado, Jesus,

21. ao qual convém que o céu receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio. […]

26. Deus suscitou a seu Filho Jesus, e a vós primeiramente vo-lo enviou para que vos abençoasse, desviando-vos, a cada um, das vossas maldades. {Atos 3:18-21,26 Almeida Recebida}

Como Lucas 24:45-47 reporta,

45. Então lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras;

46. e disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e, ao terceiro dia, ressuscitasse dentre os mortos;

47. e que em seu nome se pregasse o arrependimento para remissão dos pecados, a todas as nações, começando por Jerusalém.
{Lc 24:45-47, cf. Mt 28:18-20, At 17:30).

Regeneração Precede Fé? O Uso de 1João 5:1 Como Texto-Prova – Introdução

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Introdução

Calvinistas discordam de arminianos e muitos outros evangelicais não-calvinistas sobre a ordem entre fé e regeneração, argumentando que regeneração precede fé (pelo menos logicamente). Um montante de calvinistas tem apelado para a gramática grega de 1João 5:1 como forte suporte à sua visão. De fato, John Piper, que usa este argumento gramatical, vai longe ao ponto de afirmar `Este é o mais claro texto do Novo Testamento acerca do relacionamento entre fé e novo nascimento'[1]. Mas o argumento gramatical é completamente inválido. Este é de preocupação especial pois apelo à gramática tende a implicar um bais objetivo, e portanto mais pesado, argumento que praticamente decide o assunto de disputa. Os propósitos deste artigo são (1) dar atenção à falsidade do argumento e explicar por que ele não convence, e (2) contra-atacar um argumento não-gramatical correlato que pode ser pensado para resgatar o argumento gramatical, a afirmação que 1João 5:1 implica que regeneração precede fé. Mas antes de prosseguir, será útil colocar a parte relevante do texto grego (1Jo 5:1a) diante de nós: πας ο πιστευων οτι ιησους εστιν ο χριστος εκ του θεου γεγεννηται (Aquele que crer que Jesus é o Cristo nasceu de Deus)[2]