Traduções Crédulas: João 6 por Chris Chapman (Parte I de VI)

Padrão

Trazidos pelo Pai – Parte I: A Grande Figura

[37] Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

[44] Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

[65] E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido.

{João 6:37,44,65}

Desafio Calvinista:

Estes versos são alguns dos mais claros versos ensinando a doutrina do Graça Irresistível. Em João 6:44 Jesus deixa claro que nenhum homem em toda a história pode vir a Jesus exceto se o Pai pessoalmente o trouxer. E no verso 37 Jesus diz claramente que aqueles que têm pertencido a Deus desde toda a eternidade mais que certamente virão. A conclusão é inescapável; somente aqueles escolhidos por Deus mais certamente virão. Isto é graça irresistível pura e simples!

Resposta Bíblica:

Deve ser admitido que sem considerar o contexto histórico do Evangelho de João e a situação da antiga igreja, estas passagens parecem dizer exatamente aquilo que a teologia reformada diz deles. Mas como discípulos de Cristo nós devemos sempre considerar o contexto da escritura antes de traçar quaisquer conclusões. A fim de clarificar o contexto desses versos geralmente mal-compreendidos, nós iremos responder três questôes: Qual, Quem e Como.

Qual É o Contexto Histórico e Propósito do Evangelho de João?

Antes de considerar Jo 6:37,44 e seu contexto imediato, é importante para nós olhar primeiro a grane figura. Olhando o contexto histórico do Evangelho de João como um todo nós chegaremos a entender o propósito para o qual ele foi escrito. Isto nos ajudará enquanto voltamos nossa atenção nos eventos e no diálogo de João capítulo seis.

“No princípio”, desde a história da criação até o capítuo 12 de Gênesis, Deus lidou com a humanidade de todas as nações. Então no capítulo 12 Deus começa a focar suas atenções em Abra`ao e seus descendentes. Deus escolheu Abraão de tal forma que mediante ele Deus pudesse construir uma nação que abençoaria “todas as nações” pela vinda de Cristo (Gn 12:1-3). Ele manteve o foco estreito até o momento para a bênção mundial chegar. O Evangelho de João proclama, “No princípio era o Verbo”, e o eterno Verbo veio agora como “a verdadeira luz que ilumina a todo homem que vem ao mundo” (João 1:1-9).

Deus enviou um mensageiro para ser testemunha da vinda do Messias, João o Batista. João foi enviado a fim de que “todos cressem por meio dele” (Jo 1:7). Mas a maioria dos judeus rejeitoo desejo de Deus para eles. Assim João escreveu, “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1:11). Mas isto não aniquilou o plano de Deus, porque Jesus não veio somente paa Israel. Assim, apesar de a maior parte de Israel o ter rejeitado, “… a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus; o quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” Jo 1:12-13). Deus estava mais uma vez focando em todas as nações. Ele não estava focado com a ancestralidade natural de alguém, mas com como eles responderiam ao seu Filho. Jesus veio para salvar todo aquele que colocasse sua confiança nele não importando de que nação viesse.

Este foi o contexto do Evangelho de João; esta era a controvérsia de seus dias. Bênção messiânica não era para Israel somente, mas mediante Cristo todos poderiam ser salvos. Pelo tempo que João escreveu seu Evangelho existiam mais crentes no Messian dentre os não-judeus do que entre os judeus. Os líderes religiosos judeus dos dias de João perseguiam os judeus crentes no Messias e desprezavam os gentios seguidores de Cristo. Cristãos, mesmo os judeus, não eram permitidos entrar nas sinagogas. Em Revelação 2:9 Jesus refere à atitude dos judeus para os cristãos durante o tempo que estamos considerando, “Conheço a tua tribulação e a tua pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que dizem ser judeus, e não o são, porém são sinagoga de Satanás”. E novamente ele diz “Eis que farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não o são, mas mentem, eis que farei que venham, e adorem prostrados aos teus pés, e saibam que eu te amo” (Rv 3:9).

O Evangelho de João foi escrito para encorajar os crentes em Cristo que eles eram povo de Deus, e para encorajar descrentes de todas as nações para que eles pudessem tornar-se parte do santo povo de Deus confiando em Cristo. A maneira de João para encorajar aqueles perseguidos pelas autoridades judaicas era mostrar a hostilidade que Cristo enfrentou das autoridades judaicas de seus dias. E para que eles vissem que aqueles entre a nação judaica que rejeitaram Cristo nunca foram parte do verdadeiro povo de Deus. O Evangelho de João ensinou-lhes o que Paulo em outro momento ensinou pela mesma razão, “… Porque nem todos os que são de Israel são israelitas” (Rm 9:6).

Uma Olhadela Rápida

Enquanto caminhamos pelo Evangelho de João nós vemos que quase todo capítulo de alguma forma referencia o contexto histórico. João escreveu seu Evangelho para encorajar cristãos, tanto judeus quanto gentios, que eles eram o verdadeiro povo de Deus; que não é ancestralidade, mas a fé, que agrada Deus. No capítulo 1 verso 29 nós lemos o testemunho de João Batista que Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Para nós isto é uma simples afirmação de fato, mas para os líderes judeus dos dias de João Batista ela desafiou sua suposição que o Messias era somente para os judeus. Em Jo 1:47 nós vemos Jesus fazendo do caráter e condição espiritual os meios para determinar quem são os verdadeiros judeus quando ele declara de Natanael, “…Eis um verdadeiro israelita, em quem não há dolo!”.

No capítulo 2 Jesus profetizou, com suas ações, sobre a iminente destruição do templo judaico. Ele mostrou seu desprazer com as práticas corruptas da nação judaica virando as mesasdos cambistas e expulsando aqueles vendedores de animais para sacrifício com um chicote (versos 13-17). Ele vai ainda mais longe declarando que de agora em diante seu corpo seria templo de Deus, fazendo a si mesmo o centro de todos aqueles devotados a adorar Deus (versos 18-22).

Em João 3:16 nós lemos a afirmação controversa definitiva. Jesus proclama que Israel não era o único foco do amor salvífico de Deus, mas que Deus amou o mundo. E ele novamente enfatiza que não é ser judeu que faz alguém aceitável a Deus, mas todo aquele que crê receberá vida eterna. No verso 18 Jesus declara que ser judeu não pode salvar ninguém quando ele declara “Quem crê nele não é julgado; mas quem não crê, já está julgado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus”. O que para nós é um sumário tão natural da fé cristã era horrivelmente ofensivo para os líderes judeus dos dias do Apóstolo João, e seria bem encorajador aos leitores cristãos de João.

No capítulo 4 lemos sobre um dia confuso na vida dos discípulos judaicos de Jesus. Não apenas ele ministrou para uma mulher samaritana, mas então ela foi ministrar a toda sua vila. Em seu ministério para ela ele deixou claro que a posição espiritual com Deus não mais seria dependente de quaisquer tradições nacionais ou raciais. Ele contou-lhe nos versos 21 e 23: “Mulher, crê-me, a hora vem, em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai… Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”. Ele fez a si mesmo o centro de toda verdadeira religião quando ele lhe disse, “aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna” (verso 14). Ao fim de seu tempo com os samaritanos eles fizeram uma declaração explosiva sobre o Messias judeu, “…nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo” (verso 24).

No capítulo 5 versos 19-47 Jesus confronta os líderes religiosos e lhes diz que rejeitando-o, eles estavam rejeitando Deus. Ele ofende seu orgulho religioso acusando-os de não crer nos escritos de Moisés quando ele diz “Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu. Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?” (versos 46-47). Ele os desafia a parar de meramente ler as escrituras e crer nelas; pois vida não é encontrada na Bíblia, é encontrada nele (verso 39). Mas ele sabe que eles não querem vir a ele para vida porque eles jamais ouviram a voz de Deus e não tem a palavra de Deus dentro deles (versos 37-38). Por causa de sua rejeição dele ele concluiu que eles não tinham o amor de Deus neles (verso 42). Nós devemos entender que ele está declarando plenamente que estes religiosos judeus, zelosos da Lei, não pertenciam a Deus. Não espanta quererem matá-lo!

No capítulo 7 verso 17 ele acusa os líderes religiosos de não quererem fazer a vontade de Deus quando ele diz, “se alguém quiser fazer a vontade de Deus”, ele crerá em mim. Eles mostraram que não queriam fazer a vontade do Pai rejeitando-o. No capítulo 8 ele lhes diz que são escravos do pecado (verso 34) e não são verdadeiros filhos de Abraão (versos 39-40). Ele prossegue afirmando-lhes que eles não são filhos de Deus como eles alegam, mas na realidade são filhos do diabo, que procuram os desejos de seu pai (versos 41-44). Ele conclui lnhes dizendo “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso vós não as ouvis, porque não sois de Deus” (verso 47). Esta é uma coisa bem impressionante de se dizer para os líderes da nação escolhida por Deus! Fazendo assim ele deixou claro mais uma vez que ancestralidade não tem nenhum benefício no reino de Deus.

No capítulo 9 ele fala aos “iluminados” líderes religiosos que eles eram espiritualmente cegos (versos 39-41). Em João 10:7 ele chama os líderes de Israel de ladrões e salteadores. Em João 12:41 nos é informado que alguns dos judeus creram nele, “mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga”. E no verso 32 quando os apóstolos trouxeram alguns gregos para falar com ele, ele declara que após sua morte ele traria todos a ele mesmo, não apenas judeus mas também gentios.

João escreveu seu Evangelho para desafiar as alegações dos judeus de seus dias. Eles alegavam que somente aqueles descendentes de Abraão pertenciam a Deus. Quaisquer gentios dissessem que seguiam o Messias judeu estavam completamente enganados. E aqueles judeus que seguiam Jesus não mais eram considerados parte do povo santo de Deus. João usou episódios no ministério e ensino de Jesus para mostrar que suas alegações eram completamente infundadas. Não era mais a ancestralidade ou as tradições que determinariam se se pertence ou não a Deus, mas seria sua fé no Messias judeu que os faria verdadeiros membros do povo de Deus. O ponto do Apóstolo João é melhor sumarizado pelas palavras de João o Batista em Mt 3:8-9, “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; e não penseis em dizer entre vós mesmos: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão“. João está nos falando que isto é exatamente o que Deus tem feito!

Além de João

João encara de frente esta atitude da nação judaica para o movimento messiânico recém-formado em seu Evangelho. Mas ele não é o único que enfrenta e aborda isso. Em Mateus 21:33-46 nós vemos que isto também estava na mente de Mateus. Ele relata uma parábola de Jesus sobre os líderes religiosos judeus (verso 45). No verso 42 ele explica que era a pedra angular de Israel e que rejeitando-o os líderes de Israel estavam trazendo julgamento sobre si mesmos. Por esta razão o reino de Deus estava sendo tomado deles e dado para um povo que produzisse fruto (verso 43). Em sua rebelião contra Deus eles rejeitaram o Messias que lhes foi enviado. Eles logo estavam para cair em Jesus e crucificá-lo, mas ele seria vindicado por Deus e voltaria para esmagá-los (verso 44). A coisa importante a se notar no que Mateus relata é que ele estava deixando claro que Israel seria redefinida. Ele estava contando a seus leitores que Israel não era mais identificada pela sua relação de sangue por Abraão, mas por sua relação espiritual com o Messias.

Pedro faz um ponto semelhante em 1Pedro 2:1-10. Ele também aponta que Jesus é a pedra angular na qual o verdadeiro Israel de Deus é construído. Aqueles que o rejeitam estão debaixo do julgamento de Deus aqueles que creem não feitos parte da raça escolhida, sacerdócio real e santa nação de Deus (verso 9). Pedro lhes fala que eles uma vez foram pessoas de nenhuma importância, mas que em Cristo eles foram feitos povo de Deus (verso 10). Israel é definido pela sua responsabilidade com Jesus Cristo, ele é a pedra angular! Se você confia nele você está nele, se você o rejeita está fora!

Ninguém fala mais deste assunto que Paulo o Apóstolo. Só precisamos ler Gálatas 3:15-29 para ver este princípio claramente apresentado. Paulo quis que os gentios gálatas, e quaisquer judeus que estivessem lendo, soubessem que não somos filhos de Abraão pela ancestralidade, mas pela fé em Cristo Jesus. Jesus foi a semente de Abraão ela qual a bênção para o mundo foi prometida (verso 16). E aqueles que recebem-no serão feitos verdadeira semente de Abraão (verso 29).

Em Romanos 9:6-7 Paulo escreve “Porque nem todos os que são de Israel (i.e Jacó) são israelitas (i.e. povo de Deus); nem por serem descendência [física] de Abraão são todos filhos”. Começando na segunda metade do verso 7 e continuando até o verso 13 ele compartilha o princípio de como Deus escolhe seu povo. Deus prometeu que os filhos de Abraão seriam abençoados, mas então ele estreita esta promessa aos descendente de Isaque somente. Isto significa que os descendentes de Abraão mediante Ismael foram excluídos da promessa de Abraão. Mas ele não parou aí; ele estreitou a promessa ainda mais dizendo que nem todos os descendentes de Isaque receberiam a bênção, mas apenas aqueles nascidos de Jacó. Os filhos de Esaú eram descendentes de Isaque e poderiam ter partilhado da promessa da aliança com Isaque, mas Deus em sua soberania limitou a promessa à linha de Jacó.

Paulo mostra este padrão na maneira de eleição de Deus para nos ensinar que agora Deus estava limitando sua promessa a um dos descendentes de Abraão. Pedro chamou este descendente de pedra angular. Em Gálatas Paulo usa a palavra “semente” para descrevê-lo. Mas em Romanos 9:32-33 ele o chama de “pedra de tropeço e uma rocha de escândalo”. Ele então nos conta que aqueles que nele creem não serão envergonhados. Desta forma Paulo está falando justamente o que João está tentando transmitir em seu Evangelho, a saber que a promessa de aceitação por Deus como um de seu povo é determinado pela conexão com Cristo. Os judeus que se gloriavam em serem filhos de Abraão não tinham chão para se manter se eles rejeitassem Cristo porque era mediante Cristo que os filhos de Abraão foram nomeados.

Se nós ignorarmos o contexto histórico e propósito geral do Evangelho de João quando nós chegamos aos versos que estamos considerando nesta série de posts nós iremos desinterpretá-los como a teologia reformada tem feito. Mas se nós mantivermos o contexto da perseguição da antiga igreja pelos judeus descrentes em mente nós começaremos a ver Jo 6:37,44,65 em uma luz totalmente nova, uma luz bíblica.

Neste post nós começamos a olhar o contexto geral de João 6. No próximo olharemos no coneúde de João capítulos 5, 7, 8, focando em como eles afetam o entendimento de João capítulo seis.

META

Autor: Christopher Chapman

Site: http://christopherchapman.wordpress.com

Título Original: Drawn by the Father – John 6 (Part 1 – The Big Picture)

Fonte: http://christopherchapmanblog.wordpress.com/2012/11/21/drawn-by-the-father-john-6-part-1-the-big-picture/

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

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