Traduções Crédulas: Godismyjudge vs Turretin

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Ufa! Depois de um grande tempo sem postar e com uma série de contratempos, eis uma defesa informal do conhecimento médio.

Revisão em Francis Turretin sobre Conhecimento Médio

O propósito deste post é avaliar e defender o conhecimento médio divino (de outra forma conhecido como molinismo devido ao seu primeiro articulista Luis de Molina). Conhecimento médio tem sido menosprezado nas rdas teológicas. Isto é surpreendente, devido que ele faz o maior progresso dentre qualquer sistema em reconciliar livre arbítrio e predestinação. As razões tipicamente dadas para não adotar o conhecimento médio são as bases para tal conhecimento, a complexidade do sistema, e sua relativa novidade no cenário. Porém, seu valor é imenso, explicando o completo controle do Deus, enquanto mantendo a liberdade libertária.

Francis Turretin, reformador e professor de teologia e filosofia na escola Calvin fundada em Genebra, é comumente citado como autoridade na posição reformada. Ele escreveu uma importante teologia sistemática reformada, na qual ele ataca a posição arminiana e jesuíta sobre conhecimento médio. sendo um dos melhores escritos anti-conhecimento meio disponíveis, eu escolhi defender o conhecimento médio dos argumentos que Turretin lança.

Eu estou ciente que em tempos modernos o conhecimento médio tem sido atacado por teístas abertos. Eles concordam junto com os calvinistas que, se Deus conhece o futuro, então o homem não tem livre arbítrio. Mas ao contrário dos calvinistas que negam liberdade libertária, eles negam a onisciência de Deus. Vendo o conhecimento médio como uma explicação reconciliando presciência e livre-arbítrio, eles o atacam, a fim de deixar as pessoas com apenas duas opções mais drásticas.

A razão de eu ter escolhido não abordar alguns dos mais recentes ataques ao conhecimento médio, é porque eu creio que o conhecimento de Deus acerca do futuro hipotético claramente bíblico. Passagens dizendo que Deus sabe o que aconteceria debaixo de circunstâncias distintas estão ao longo da Escritura. Calvinistas concordam que Deus conhece o futuro hipotético. Porém, eles postulam uma base ou fundamento distinto. Eles alegam que a base para o conhecimento médio é o decreto de Deus. O argumento do teísta aberto é que não há nem pode haver nenhuma base. Então em sua visão Deus não conhece o futuro hipotético, ao menos não com certeza. Mas desde que a Bíblia diz que Deus cenhece o futuro hipotético, esta não é uma opção. Esta é a razão pela qual eu escolhi a posição de Turretin para discutir, em voz da teísta aberta, mas espero cobrir mais ou menos as mesmas objeções.

Começaremas definindo conhecimento médio como o conhecimento de Deus do que se isto ocorrer, aquilo ocorrerá, e também explicando sua importância em reconciliar predestinação e livre arbítrio. A seguir, examinaremos passagens escriturais que ensinam conhecimento médio. Depois nós cobriremos rapidamente um argumento lógico pelo conhecimento médio. Finalmente, nós cobriremos as quatro grandes objeções ao conhecimento médio: simplicidade, fundamento, determinismo causal e determinismo lógico.

Definição de Conhecimento Médio

Conhecimento médio é importante por ser capaz de explicar a coexistência dos decretos e providência de Deus, e o livre arbítrio humano. Resumindo, conhecimento médio é a visão que Deus sabe que se X acontece, Y acontecerá.

Conhecimento médio ganha este nome porque está logicamente entre outros dois tipos de conheimento. Ele vem após o conhecimento natural e antes do conhecimento livre. Conhecimento natural é o conhecimento de todas as coisas que são possíveis, ou coisas que podem ocorrer. Conhecimento livre é o conhecimento do futuro, ou de coisas que ocorrerão. Conhecimento médio é o conhecimento do que ocorreria dada uma circunstância. Simplificando, conhecimento natural é do que pode acontecer, conhecimento médio é do que poderia acontecer, e conhecimento livre é o que acontecerá.

Conhecimento médio inclui atos livres. Assim Deus sabe que se eu estou na situação X, eu livremente responderia Y. Isto é inestimável em explicar a providência de Deus e a predestinação. Se Deus revela o evangelho desta maneira, ente homem livremente responderá. Se Deus provê as circunstâncias nas quais o soldado sabia que Cristo já estava morto, o saldado não teria quebrado as pernas de Cristo.

Conhecimento médio também ajuda a explicar como Deus pode revelar o futuro. Na ordem lógica, Deus primeiramente sabe o que pode acontecer, então o que iria acontecer, e então Ele escolhe que possibilidade exercer, então Ele sabe o que ocorrerá. Então para saber o futuro, Deus não tem que ver eventos que ainda não ocorreram no tempo, o que pode ser difícil de explicar. Em vez disso, Ele tem que saber o que escolheu.

Turretin distingue corretamente o conhecimento médio de três assuntos separados mas fáceis de confundir:

  • “a questão não é se Deus conhece contingências futuras”

  • “a questão não concerne coisas condicionais futuras necessárias”

  • “a questão não é se o conhecimento de coisas futuras condicionais está em Deus antecedentemente a cada decreto”

(Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 214.)

Ambos calvinistas e aqueles que adotam conhecimento médio afirmam que Deus conhece o futuro. Eles não estão falando de coisas necessárias, tais que se eu atear fogo em uma tora ela irá queimar. Ambos concordam que Deus deve estar disposto a garantir concorrência antes te trazer qualquer coisa à existência.

Turretin define corretamente a questão como: “Portanto a questão é se além do conhecimento natural (que é apenas das coisas possíveis) e o conhecimento da visão (que é somente das coisas futuras), pode ser concedido em Deus um terceiro tipo oc conhecimento médio acerca de coisas condicionais futuras pelas quais Deus conhece o que os homens ou anjosirão livremente fazer sem um decreto especial precedendo (se colocado com estas ou aquelas circunstâncias em tal ordem das coisas)” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 214.)

O assunto está em ordem. Deus primeiro decreta e então sabe o que ocorreria, ou Ele sabe o que ocorreria e usa este conhecimento em Seu decreto.

O decreto do que realmente ocorrerá não é em si, e nem pode sor, a base do conhecimento de Deus do que poderia hipoteticamente ocorrer, para qualquer evento que não ocorrerá de fato. Portanto, calvinistas geralmente alegam que Deus decreta o que poderia hipoteticamente ocorrer. Outros calvinistas alegam que Deus hipoteticamente decretaria o que hipoteticamente ocorreria. De qualquer forma, eles alegam que o decreto de Deus é a base para o que ocorreria. Agora este parece um decreto um tanto esquisito, dada sua inutilidade. Não obstante, o reformado mantém esta posição como uma alternativa ao conhecimento médio.

Textos Bíblicos Ensinando Conhecimento Médio

A Bíblia em diversos lugares afirma que Deus sabe o que aconteceria sob circunstâncias hipotéticas. Para nossos propósitos, estamos primariamente interessados no conhecimento do que Suas criaturas racionais fariam sob circunstâncias hipotéticas. Como notado acima, não estamos interessados em relacionamentos necessários, como se eu ateasse fogo em uma tora ela queimaria. Um subconjunto especial das relações necessárias são aquelas baseadas numa promessa imutável de Deus tais como:

{7} Então disse Natã a Davi: Esse homem és tu! Assim diz o Senhor Deus de Israel: Eu te ungi rei sobre Israel, livrei-te da mão de Saul,

{8} e te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio; também te dei a casa de Israel e de Judá. E se isso fosse pouco, te acrescentaria outro tanto.

{2Sm 12:7-8}

 

Estas passagens têm geralmente sido mal interpretadas como ensinando conhecimento médio, mas elas não ensinam. Nesta passagem Turretin nota corretamente: “o profeta enumera as bênçãos de Deus para o ingrato Davi, para quem Ele daria mais se Davi tivesse continuado na obediência (não par qualquer decreto condicional ou conhecimento médio, mas de acordo com a promessa feita em piedade)” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 217).

Outro tipo de versos que algumas vezes são citados como apoiando conhecimento médio, mas não estão de fato relacionados a nossas escolhas. Alguns versos ensinam que na ausência de uma circunstância uma escolha nem seria feita afinal. Não que esta escolha fosse feita em vez de outra, mas que nenhuma escolha foi feita. Considere Jo 15:22-24:

{22} Se eu não viera e não lhes falara, não teriam pecado; agora, porém, não têm desculpa do seu pecado.

{23} Aquele que me odeia a mim, odeia também a meu Pai.

{24} Se eu entre eles não tivesse feito tais obras, quais nenhum outro fez, não teriam pecado; mas agora, não somente viram, mas também odiaram tanto a mim como a meu Pai.

{Jo 15:22-24}

 

A escolha dos judeus em rejeitar Cristo não teria sido feita se Cristo não tivesse Se revelado. Isto não é conhecimento de como eles escrolheriam, mas sim do que eles escolheriam.

Em vez disso, os textos que ensinam conhecimento médio relatam-se com como criaturas racionais agiriam diante de dadas circunstâncias.

Passagens Que Comparam Grupos

O primeiro conjunto de textos que vêm a ensinar conhecimento médio são aquelas que comparam as ações de um grupo com as de outro. Elas ou falam de dois grupos, que estavam na realidade sob diferentes circunstâncias, teriam feito a mesma coisa debaixo da mesma circunstância ou elas dizem que os grupos fariam coisas distintas debaixo das mesmas circunstâncias.

Nestes casos um grupo se arrependeria, o outro não.

{21} Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom, fossem feitos os milagres que em vós se fizeram, há muito elas se teriam arrependido com saco e com cinzas.

{22} Contudo, eu vos digo: Haverá menos rigor para Tiro e Sidom, no dia do juízo, do que para vós.

{23} E tu, Cafarnaum, que te elevas até ao céu, serás lançada na cova; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até hoje.

{Mt 11:21-23}

{5} Pois tu não és enviado a um povo de estranha fala, nem de língua difícil, mas à casa de Israel;

{6} nem a muitos povos de estranha fala, e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu aos tais te enviara, certamente te dariam ouvidos.

{7} Mas a casa de Israel não te quererá ouvir; pois eles não me querem escutar a mim; porque toda a casa de Israel é de fronte obstinada e dura de coração.

{Ez 3:5-7}

 

Neste caso, ambos os grupos teriam matado os profetas.

{27} Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia.

{28} Assim também vós, exteriormente, pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.

{29} Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,

{30} e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas.

{31} Assim, vós testemunhais contra vós mesmos de que sois filhos daqueles que mataram os profetas.

{32} Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.

{Mt 23:27-32}

 

A estes textos Turretin responde: As palavras de Cristo (Porque, se em Tiro e em Sidom, fossem feitos os milagres que em vós se fizeram, há muito elas se teriam arrependido com saco e com cinzas.{Mt 11:21}) não são para serem forçadas à letra, como se elas referissem a algo que em uma certa condição seria determinativamente futura. Pois é um tipo de fala hiperbólico e proverbial onde Cristo (por uma comparação odiosa aos judeus) quis exagerar a contumácia e rebelião de suas cidades (tornadas célebres pelos seus milagres), que, como o buscador dos corações, sabia serem maiores e mais obstinadas que a malignidade dos habitantes de Tiro e Sidom. Então Cristo não fala da presciência de coisas condicionais futuras, mas deseja pelo uso da hipérbole censurar os judeus pela ingratidão e impenitência maiores que as dos de Tiro e Sidom; como se um professor (abordando um aluno lento e inerte) dissesse, se eu ensinasse um burro de carga tanto quanto, ele aprenderia; ou de um juiz inexorável, se eu tivesse batido pedras e rochas eu as teria quebrado; nós não queremos dizer que rochas podem ser amaciadas ou um burrico ensinado, mas somente que a lentidão do estudante e a dureza do juiz são extremas. Da mesma forma, Cristo diz “Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão” (Lc 19:40); não como se elas pudessem clamar, mas para mostrar que esta pessoa, doutrina e obras eram tão claras e além de dúvidas que elas não podiam ser impedidas. Existe uma passagem semelhante em Ez 3:6: “nem a muitos povos de estranha fala, e de língua difícil, cujas palavras não possas entender; se eu aos tais te enviara, certamente te dariam ouvidos” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 216)

O argumento de Turretin é que a afirmação de Cristo acerca do segundo grupo era um exagero, e o único ponto de Jesus era censurar o primeiro grupo. É verdade que o principal ponto de Cristo era rebater o segundo grupo. Porém, a questão é como Cristo está rebatendo-os, mediante uma compração real ou uma exagerada?

O ponto da terceira passagem (Mateus 23, que infelizmente Turretin não aborda) é censurar os fariseus, em parte, pela sua hipocrisia em afirmar que eles não teriam matado os profeetas. A reprimenda perderia sua força se eles não teriam de fato matado os profetas ou mesmo se a implicação que eles o tivessem fosse um exagero.

Ainda que Mt 23 seja suficiente para remover as objeções de Turretin, isto parece injusto, pois Turretin não o aborda. Então nós procederemos ao longo dos detalhes que ele disse.

Os exemplos de hipérbole hipotética de Turetin não se alinham bem com estes textos. Sua ilustração do professor dizendo que ele poderia ensinar um burrico mais rápido ou destruir pedras mais fácil é incongruente com uma comparação entre os dois grupos. Por um lado, burricos são incapazes de ser ensinados enquanto o outro grupo é capaz de responder. É a incapacidade dos burricos que indica bque a afirmação é uma hipérbole.

Agora, se o professor tivesse dito, eu posso ensinar este grupo de estudantes mais rápido que vocês, o exemplo se alinharia com o texto. E ainda seria umo reprimenda. Mas não seria mais um exagero. É uma comparação de habilidades relativas dos estudantes. Em certo sentido, por ser mais realista, ela acaba sendo uma reprimenda mais forte.

O segundo exemplo que Turretin dá é Lucas 19:40, “Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”. Talvez esta afirmação não precise ser lida como hipérbole, apesar de que seria um milagre se as pedras clamassem. Mas mesmo que seja um exagero, o é porrque pedras são incapazes de clamar. Novamente, a incapacidade é crítica para a hipérbole. Novamente, o exemplo não casa com Mateus 11, osde os residentes de Tiro eram capazes de responder.

Afirmar que Cristo estava exagerando é em certo sentido desprezar o que Ele estava dizendo. Toda outra opção deve ser explorada antes que uma passagem deva ser interpretada como hipérbole. Parece que Turretin primeiro apela para a hipérbole, porque ele precisa de uma maneira de escapar. Mas os textos são claros. Deus sabe o que Suas criaturas racionais fariam diante de outras circunnstâncias.

Passagens com futuros alternativos

Outro tipo de passagem que ensina conhecimento médio são aquelas em que Deus afirma o queu hipoteticamente seria escolhido, e porque as circunstâncias por detrás das hipóteses não ocorreriam, a escolha não ocorreria. Considere 1Sm 23:7-13 no qual davi é informado que será traído pelos homens de Queila e ele sai antes de lhes dar chance:

{7} Então foi anunciado a Saul que Davi tinha ido a Queila; e disse Saul: Deus o entregou nas minhas mãos; pois está encerrado, porque entrou numa cidade que tem portas e ferrolhos.

{8} E convocou todo o povo à peleja, para descerem a Queila, e cercar a Davi e os seus homens.

{9} Sabendo, pois, Davi que Saul maquinava este mal contra ele, disse a Abiatar, sacerdote: Traze aqui o éfode.

{10} E disse Davi: Ó Senhor, Deus de Israel, teu servo acaba de ouvir que Saul procura vir a Queila, para destruir a cidade por causa de mim.

{11} Entregar-me-ão os cidadãos de Queila na mão dele? Descerá Saul, como o teu servo tem ouvido? Ah, Senhor Deus de Israel! Faze-o saber ao teu servo. Respondeu o Senhor: Descerá.

{12} Disse mais Davi: Entregar-me-ão os cidadãos de Queila, a mim e aos meus homens, nas mãos de Saul? E respondeu o Senhor: Entregarão.

{13} Levantou-se, então, Davi com os seus homens, cerca de seiscentos, e saíram de Queila, e foram-se aonde puderam. Saul, quando lhe foi anunciado que Davi escapara de Queila, deixou de sair contra ele.

{14} E Davi ficou no deserto, em lugares fortes, permanecendo na região montanhosa no deserto de Zife. Saul o buscava todos os dias, porém Deus não o entregou na sua mão.

{1Samuel 23:7-14}

 

Turretin responde afirmando que o assunto eram suas intenções. “1Samuel 23:11-12 não pode favorecer este conhecimento médio porque não é tanto uma predição de coisas futuras que ainda estavam em futurição (como uma revelação de coisas que então existiam apesar de secretas, viz., dos planos discutidos entre os homens de Queila sobre a entrega de Davi se ele permanecesse ali.) Pois quando Davi estava em dúvida acerca do projeto de Saul e da intenção dos homens de Queila para ele mesmo, e portanto inquiriu do Senhor se Saul estava para descer contra os homens de Queila, e eles o teriam entregue nas mãos de Saul (se ele permanecesse entre eles), Deus respondeu que Davi deveria se deter e se afastar da sua fúria, o que Saul desceria e os homens de Queila o entregariam (se ele ali permanecesse), porque em verdade tanto Saul se aparelhou para a jornada, e os homens de Queila estavam até então planejando entregar Davi a ele. “Pois eles irão entregar-te”, i.e. eles tinham a vontade de assim o fazer, como a explanação interlinear tem. Então as palavras “descer” e “entregar-te” não se referem ao ato em si como hipoteticamente futuro, mas (como geralmente em outros lugares) eles são postos para o propósito e a intenção, i.e., ter em mente fazer isto (como em Atos 12:60 e 16:27) (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 216.)

Aqui parece que Turretin faz um erro incaracterístico. Ele troca os argumentos no meio do fluxo. Seu primeiro argumento é que Deus contou a Davi o futuro hipotético, baseado em suas atuais intenções. O segundo argumento é que Deus contou a Davi suas intenções correntes, não um futuro hipotético. Estes são argumentos mutuamente exclusivos.

O segundo argumento, que Deus contou a Davi suas intenções correntes, não um futuro hipotético, contém uma equivocação. A passagem usa a palavra “irá” [FN1]. “Irá” pode ser definido como o futuro ou como nossos desejos e escolhas [FN1]. Turretin também introduz a palavra “iriam” que também tem dois significados. O primeiro, um futuro hipotético, o segundo desejos. Na passagem, o texto obviamente está falando do futuro. Isto é claro do próprio texto hebraico, de cada tradução e de cada comentário que eu já tenha lido.

Agora talvez Turretin simplesmente quis dizer que Deus fez uma afirmação sobre o futuro hipotético, mas sua base são as intenções correntes. Mas, assumindo que a afirmação divina é verdadeira, Deus sabe que, se isto aconteceu, aquilo acontecerá. Conhecimento médio está até aqui garantido.

Agora a base do conhecimento médio é ligeiramente diferente da explicação clássica. Em vez de Deus conhecer os contra-factuais em si, Ele os conhece indiretamente mediante o conhecimento das intenções das pessoas. Mas a base não é o decreto de Deus, mas em vez disso o indivíduo. Então ainda que a base para o conhecimento médio seja ligeiramente diferente, esta explicação essencial concede o conhecimento médio.

Existem diversos problemas com a intenção sendo a base para o conhecimento de Deus do futuro hipotético.

Primeiro, a passagem indica que Davi já conhecia as intenções de Saul. O que ele estava perguntando era se Saul lograria êxito ou não. Versos 9 e 10 afirmam claramente que Davi já conhecia as intenções de Saul. Então se conhecer as intenções era suficiente para saber o que eles iriam fazer, então Davi não teria necessidade de perguntar.

Segundo, a passagem nada fala sobre as intenções das pessoas de Queila. Não parece ser que eles ainda estavam em posição na qual precisariam escolher o que fazer. Ainda assim Deus lhes conta o futuro hipotético.

Terceiro, esta explanação não deixa espaço para as pessoas mudarem de ideia. Nós geralmente experimentamos nós mesmos decidindo o que faremos no futuro, e depois mudando de ideia. Então nossas intenções não predeterminam completamente nossas ações.

Em vez de Deus saber que as intenções de Saul e dos homens de Queila predeterminaram suas ações, deus sabia o que eles escolheriam, dadas as circuntâncias hipotéticas.

Conhecimento Médio Baseado em Estado Alterado

Existem diversas passagens que ensinam que se você tivesse se convertido, perseveraria, ou se recebesse revelação inicial, você responderia a esta maior revelação. Por exemplo:

{5:46} Pois se crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim ele escreveu.

{5:47} Mas, se não credes nos escritos, como crereis nas minhas palavras?

{7:17} Se alguém quiser fazer a vontade de Deus, há de saber se a doutrina é dele, ou se eu falo por mim mesmo.

{8:39} Responderam-lhe: Nosso pai é Abraão. Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão, fazei as obras de Abraão.

{8:42}. Respondeu-lhes Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, vós me amaríeis, porque eu saí e vim de Deus; pois não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

{João 5:46,47; 7:17; 8:39,42}

Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas isto é para que se manifestassem, que não são todos de nós. {1Jo 2:19}

 

Certamente isto tem mais a ver comas promessas de Deus em nos preservar do que com conhecimento médio. Mesmo assim com conhecimento médio nós temos a vantagem de explicar como Deus nos preserva sem remover a liberdade.

Conhecimento Médio Baseado em Informação Alterada

Diversas passagens ensinam que com conhecimento adicional nós teríamos escolhido diferentemente, ou que mesmo com informação adicional n-os teríamos escolhido da mesma forma.

Com Informação Adicional

a qual nenhum dos príncipes deste mundo compreendeu; porque se a tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória. {1Co 2:8}

 

{12:7} Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifícios, não condenaríeis os inocentes.

{24:43} sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa.

{Mateus 12:7, 24:3}

 

Respondeu-lhe Jesus: Se tivesses conhecido o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe terias pedido e ele te haveria dado água viva. {Jo 4:10}

 

Não Importando a Informação Adicional

{16:30} Respondeu ele: Não, pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.

{16:31} Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

{22:67} Se tu és o Cristo, dize-nos. Replicou-lhes ele: Se eu vo-lo disser, não o crereis;

{22:68} e se eu vos interrogar, de modo algum me respondereis, nem me deixareis ir.

{Lucas 16:30,31; 22:67,68}

 

Portanto, informação adicional não é por si só fator determinante, e mesmo assim sob a hipótese da informação adicional, Deus sabe o que escolheríamos.

Defesa Lógica do Conhecimento Médio

Um argumento lógico posto aqui em favor do conhecimento médio é a lei do terceiro excluído. João teria aceito o emprega se lhe fosse oferecido. Esta afirmação é falsa ou verdadeira. A lei do terceiro excluído afirma que não pode ser ambos ou nenhum. Deus, sendo onisciente, sabe todas as verdades. Portanto, Ele sabe o que ocorreria em todas as circunstâncias.

Esta defesa lógica somente funciona contra o ponto de vista teísta aberto que nega o conhecimento médio. Este argumento não disprova a posição calvinista que afirma conhecimento de hipotéticos em uma base distinta.

Objeções Objetáveis de Turretin

Objeção da Simplicidade

Turretin objeta contra um estado entre o potencial e o futuro. “Conhecimentos natural e livre abarcam todas as coisas conhecidas e entidades não são multiplicadas desnecessariamente [1]. Não há nada na natureza das coisas que não são possíveis ou futuras; nem pode coisas condicionais futuras constituir uma terceira ordem. Pois elas são tais ou de uma condicional apenas possível ou potencial, e ainda assim não tomam lugar, ou de um condicional certamente futuro e decretado. Da primeira maneira, eles não retrocedem da natureza de coisas possíveis e pertencem ao conhecimento natural; na última maneira, eles são futuros e decretados por Deus e vêm debaixo do conhecimento livre” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 214.)

Antes do decreto, e no sentido que Turretin entá usando, exentos conhecidos mediante conhecimento médio são somente possíveis. No contraste entre possível e futuro, eles são somente possíveis. O X ou Y na expressão, se X ocorre, Y ocorrerá, são possíveis, não futuros. Eles podem ser ditos futuros em sentido dividido do futuro: isto é, se X é futuro, Y é futuro, mas não num sentido composto, X e Y são futuros. Portanto, nenhum estado intermediário desnecessário entro possível e futuro é estabelecido.

Porém, num sentido diferente, o contraste entre possível e atual (enquanto oposto ao contraste entre possível e futuro), um aspecto do conhecimento médio é atual. Realmente existe um relacionamento entre as duas coisas. Se X acontece, Y ocorrerá. A expressão é atual, mas não futura. Este sentido de atual constitui uma terceira ordem desnecessária? Não. A atualidade não é diferente da atualidade da possibilidade. O que é atualmente possível é possível, pode não ser futuro. Da mesma forma o que aconteceria, atualmente aconteceria, pode não ser futuro.

Objeção Fundamental

Turretin objeta que não existe base para o conhecimento médio, porque coisas condicionais são inconhecíveis. “Coisas não verdadeiras não podem ser conhecidas como verdadeiras. Agora coisas condicionais futuras não são verdadeiras à parte da determinação da vontade divina … Mas nenhuma causa desta coisas [um evento futuro hipotético] pode sser imaginado exceto pela vontade de Deus. Não existe nada desde a eternidade que pudesse ser a causa da determinação de uma coisa indiferente a qualquer das partes exceto a vontade de Deus; não sua essência ou conhecimento, porque nem um num outro podem operar ad extra separados da vontade. Portanto, assim como nenhum efeito pode ser entendido como futuro (seja absoluta ou hipoteticamente) sem o decreto divino (porque nenhuma criatura pode estar no mundo sem a causalidade divina), assim nenhuma coisa condicional futura pode ser conhecível antes do decreto divino” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 214.)

Note que esta objeção fundamental é differente objeção fundamental apresentada por teístas abertos. Não é uma objeção na qual não há bases para conhecimento médio. Em vez disso, é uma objeção que não pode haver outras bases além da vontade de Deus.

Nesta objeção fundamental tem uma dica de determinismo causal. Isto será abordado mais tarde; porém, para nossos propósitos nós assumiremos que indeterminismo causal é verdadeiro e abordaremos a objeção primordial: por que, além do decreto divino, os contrafactuais da liberdade são verdadeiros?

A negação por Turretin que o conhecimento e essências de Deus não são a causa pode parecer enigmática sem um contexto. Molina ensinou que Deus conhece a natureza dos homens de uma maneira infinita, uma maneira que transcende a natureza em si. Então a natureza do homem em algum sentido é a base para nossos contrafactuais da liberdade (nada mais precisa ser considerado por Deus para conhecer o que faríamos), mas em algum sentido o infinito conhecimento de Deus é a razão pela qual Ele sabe o que faríamos. Então per Molina, para saber o que Tim faria, Deus cogita Tim, e apesar de o que Tim faria não é uma propriedade de ser Tim, ainda assim o conhecimento transcedente de de Tim sabe o que Tim faria. Turretin nega isto, afirmando que o conhecimento de Deus em si é não-causativo. Eu concordo.

A objeção fundamental não é tanto sobre como Deus conhece contrafactuais, mas se os contrafactuais são verdadeiros e conhecíveis. desde que o conhecimento de Deus é infinito (Sl 147:5), nós não podemos compreender completamente como Ele conhece aquilo que conhece. Mas nós podemos logicamente distinguir Sua forma de conhecer baseado em diferenças no que Ele conhece. Portanto as diferenças devem estar no que Deus conhece, não em como Ele sabe disso. É por isso que eu recuso a explicação de Molina. Molina coloca a carroça na frente dos bois. Em vez de usar um objeto distinto a ser conhecido para entender um modo distinto de conhecimento, ele começa com um modo distinto de conhecer e chega a um objeto distinto.

Existem outras bases para o conhecimento médio além do conhecimento ou vontade de Deus? Simplificando, Deus sabe que nós faríamos X na circunstância Y, porque nós faríamos X em Y. Talvez isto apenas retroceda a questão para por que faríamos X em Y. Agora, se estamos buscando por uma causa suficiente, nós não a encontraremos. Livre arbítrio requer indeterminismo causal. Deve ser claro que afirmações verdadeiras não requerem causa. Deus existe. Nada causou Deus existir, mesmo assim esta afirmativa é verdadeira. Portanto causas não são requeridas para embasar a verdade.

Por outro lado, talvez nós possamos estar olhando para algo atual, como oposto a algo hipotético, para basear a verdade. Eventos passados e futuros não são agora atuais, mesmo assim afirmações sobre eles são verdadeiras ou falsas. Afirmações negativas (tais como Boogie Man não existe) são verdadeiras sem algo atual para embasá-las. É verdade que afirmações sobre o passado tinham algo atual embasando-as, e afirmmativas sobre o futuro terão algo atual embasando-as. E afirmações negativas têm algo atual sobre seus inversos embasando-as. Da mesma forma, afirmações hipotéticas teriam algo atual para embasá-las. Portanto, demanndar algo que é agora atual como base para a verdade requer uma teoria bem estranha sobre as bases da verdade.

Nós não existimos atualmente iesde a eternidade. Porém, nós hipoteticamente existíamos. E nossos “eus hipotéticos” determinam o que nós faríamos[2]. Nossos “eus hipotéticos” estavam baseados no poder e vontade de Deus para hipotetizar e dar aos “nós hipotéticos” a hipotética capacidade de escolha.

Determinismo Causal

Turretin objeta que o conhecimento médio é impossível, porque ele implica que Deus não é a primeira causa das coisas conhecidas. “Se todos os atos da vontade criada caem debaixo da divina providência tal que nenhuma é independente e indeterminada, nenhum conhecimento médio pode ser concedido (o qual é suposto ter para seus objetos a livre determinação da vontade, dependente de nenhuma causa superior). Agora, que há tal sujeição da vontade criada é evidente da dependência entre a primeira causa e a segunda causa, entre Criador e criaturas. Nem pode bastar para salvar esta dependência que a vontade pode ser dita criada e sua liberdade dada por Deus porque ela não cessaria de ser o princípio de sua própria determinação, se seus atos não dependem de algum decreto. Ela não seria de fato o primeiro ser, mas ainda seria o primeiro operador(não mais a segunda, mas a primeira causa porque se ela depende no ser de Deus, ela não depende dEle na operação)” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 215.)

A vontade depende de Deus, ambos para sua existência e para sua operação. A vontade não é a primeira causa da existência de uma escolha. Deus e a vontade produzem o mesmo efeito, a escolha, de diferentes formas. A concorrência de Deus provê existência, a vontade provê especificação. Portanto, a vontade não cria algo do nada.

A concorrência de Deus sustenta a existência de todas as coisas. Ela funciona junto às causas secundárias. Causas secundárias especificam efeitos, Deus como a primeira causa concede existência ao efeito. Por exemplo, quando uma chama queima a madeira, a chama causa a madeira queimar e não ficar ensopada, e Deus causa a chama existir, e não ser reduzida a nada. Livre arbítrio especifica as alternativas, mas não concede existência. Portanto, ele não é a primeira causa em nenhum sentido criativo.

O livre arbítrio é a primeira causa com sentido à especificação? Fogo e madeira operam debaixo de propriedades naturais, que eles recebem via criação. Eles agem diferentemente do livre arbítrio no que eles não podem agir diferentemente do que fazem. Livre arbítrio, por outro lado, é a capacidade de selecionar esta ou aquela alternativa. Mesmo na especificação, livre arbítrio não é uma primeira causa. Mas é uma primeira causa suficiente. Livre arbítrio opera mediante causação indeterminada.

Escolhas requerem objetos a serem escolhhidos. Estes objetos têm que ser apreendidos pelos nossos sentidos e representados pelas nossas mentes à nossa vontade. Sem o objeto e nossos sentidos e mentes, não seríamos capazes de de escolher este objeto. Portanto, o objeto pode ser dito como sendo uma casa necessària das escolhas.Isto é, sem o qual não poderíamos escolher. Porém, ele não é causa suficiente (dada a presença de uma causa suficiente, o efeito deve sser probuzido).

Portanto, em sentido algum o livre arbítrio é a primeira causa com relação à existência, que é o sentido primário no qual Deus é dito ser a primeira causa. Nem é a vontade uma primeira causa com respeito à especificação, a não ser que assumamos o determinismo e neguemos causação indeterminada.

Determinismo Lógico

Turretin objeta que se o conhecimento médio é certo, a vontade não é livre. “Nenhum conhecimento incerto deveria ser atribuído a Deus. O conhecimento médio não pode ter certeza porque é ocupado por um objeto ncerto e contingente (viz. a indiferença da vontade). Eu pergunto, portanto, de onde Deus pode certamente conhecer o que tomará ou não lugar? … Novamente conhecimento ou faz o evzento certo ou o prevê como certo. Se o faz, como pode pré-conhecê-lo como tal; onde então está a indiferença da vontade? Se ele o prevê como certo, como pode a previsão de uma coisa incerta e indiferente ser ela mesma certa? Ou da eterna existência eterna das coisas pelas quais elas são ditas presentes a Deus (como outros preferem); mas desde que elas não podiam ter existência real da eternidade (mas somente intencional, elas não podem ser ditas como tendo existido desde a eternidade além de pela razão do decretono qual elas obtêm sua futurição. Desde que portanto a certa necessidade do evento não pode ser fundada na conexão contingente dos fins ou no conhecimento que reconhece mas não torna certas as coisas, segue que isto é somente do decreto eficaz do conector” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 215.)

A base do conhecimento já foi tratada na seção sobre a objeção fundamental. Mesmo que estes argumentos estejam conectados, eu não repetirei o que lá foi dito por aqui. Porém, uma faceta distinta da objeção fundamental surge aqui. Como Deus pode conhecer contrafactuais da liberdade antes que nós existamos? E uma segunda questão, se um ato é preconhecido, como ele permanece livre?

Turretin pergunta: como algo que ainda não tem “real ser” ou existência pode ser conhecida? Debaixo do conhecimento médio hipotéticos não tem ser real, mesmo assim são conhecidos.

Todos os eventos passados são certos. Mas eles são certos de maneiras diferentes. Escolhas poderiam ser diferentes, mas eventos naturais não poderiam ter sdo diferentes. Mas ambos são certos. Esta distinção é por vezes chamada necessidade natural versus necessidade acidental. Também é chamada fatos suaves versus fatos rígidos.

Contrafactuais da liberdade são necessários no primeiro sentido. Eles poderiam ter sido, mas não foram de outra forma. A razão por que escolhas passadas são certas é porque eventos atuais ocorreram. A razão por que escolhas hipotéticas são certas é porque os eventos hipotéticos hipoteticamente ocorreram. Portanto, a resposta para a questão: como Deus pode conhecer contrafactuais antes de nós existirmos é que contrafactuais hipoteticamente ocorreram, e eram portanto acidentalmente necessários.

Turretin pergunta “onde então entá a indiferença da vontade?”. A vontade é indiferente com respeito a causação precedente. Isto é, dadas todas as causas precedentes, a vontade pode fazer isto ou aquilo. Porém, dado que a vontade fez isso, agora ela não pode ter feito aquilo. Neste sentido seus atos são (mas não eram) necessários. Este sentido nada mais é que uma tautologia. O passado não pode não ser o passado e o futuro não pode não ser o futuro. Porém, em um sentido diferente, escolhas não são necessárias. No sentido que escolhas escolhas poderiam ser de outra forma (a qual é anterior à escolha) as ações da vontade não são necessárias.

No esquema do conhecimento médio, este conhecimento precede o decreto de Deus. Portanto, o conhecimento médio de Deus era certo, antes de Ele escolher o que ocorreria. Assim, o conhecimento médio tinha as mesmas necessidades que eventos passados tinham. Mas considerando as causas precedentes de eventos hipotéticos, eles poderiam ser diferentes. Então porque eles são passados eles são certos, mas antes de acontecer eles eram incertos. Esta é a indiferença da vontade.

Talvez alguém possa objetar adicionalmente que apesar de os eventos hipotéticos poderem ser livres, os eventos atuais não serão. A razão para que Deus conheça o futuro é dupla. Primeiro, os eventos eram hipoteticamente futuros, e segundo, o decreto de Deus. Portanto, a base para a certeza de Deus envolvendo o futuro não é a determinada natureza do futuro, mas o conhecimento médio de deus e o Seu decreto.

Nem o conhecimento médio ou o decreto determinam o futuro. O que hipoteticamente aconteceria corresponde ao que atualmente acontecerá sem causalmente determiná-lo. Desde que o que hipoteticamente aconteceria, poderia ter sido diferente, então também o que acontecerá poderia ser diferente. O decreto não altera o que aconteceria, então se ocorreria livremente então ocorrerá livremente.

Objeções Aceitáveis de Turretin

O Domínio de Deus

Turretin argumenta que debaixo do conhecimento médio escolhas livres não dependem de Deus, mas Deus as causa. “Este conhecimento médio elimina o domínio de Deus sobre atos livres são supostamente antecedentes ao decreto e portanto têm sua futurição não de Deus, mas de si mesmos. De fato Deus parece em vez disso depender da criatura enquanto ele poderia decretar ou dispor nada, a não ser que uma determinação da vontade humana fosse postulada pela qual Deus veria nela uma conexão de coisas. Nem deve a resposta ser feita que o domínio de Deus não é portanto eliminado porque ele pode remover esta conexão ou alguma circunstância dela; por exemplo, na presciência pela qual Deus sabia que Pedro negaria Cristo se colocado em certas condições, Deus poderia restringi-lo de negar Cristo pela retirada de alguma circunstância (por exemplo, o medo de morrer) ou adicionando maior luz no intelecto e maior inclinação na vontade papa confessar, entre outros. Porque não é suficiente para o suporte do domínio de Deus que ele pudesse impedir Pedro de negar Cristo, porque ele podia ter privado Pedro da vida antes da apreensão de Cristo (mas isto seria domínio sobre a vida de Pedro, não sobre seu livre arbítrio); mas é requisitado que os atos livres de Pedro, de negar ou não Cristo, deveriam depender dele (o que é negado na suposição desse conhecimento). Em suma, se Deus pode retirar uma circunstância prevista, ele portanto pode mudar o evento da coisa: se ele pode em um grau modificar o evento de uma coisa, portanto também pertence ao decreto procurá-lo; pois aquele que impede o evennto pela remoção de algumas circunstâncias deveria causá-lo fornecendo as circunstâncias” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 215-16.)

O argumento de Turretin parece um tanto despareado com sua conclusão. Sua conclusão parece indicar que Deus, mediante conhecimento médio, tem domínio sobre atos livres, porque Ele está causando eventos pelo fornecimento das circunstâncias. O corpo de seu argumento, porém, nega que o conhecimento médio garanta o domínio sobre os atos livres dos homens, porque eles são conhecidos antes do Seu decreto.

Sua conclusão em certo sentido é correta. Não que a circunstância causalmente determine o evento, mas desde que Deus está certo da relação circunstância/evento, suprindo a circunstância, Ele está certo que o evento ocorrerá.

Isto é de grande importância no entendimento do domínio de Deus. Ele comanda todas as coisas. Ele não determina tudo causalmente, não obstante, mediante conhecimento médio Ele controla todo resultado. Então eu concordo com a conclusão de Turretin.

Eu também concordo que Deus não determina atos livres, porque atos livres são conhecidos anteriores ao decreto. Sem isto, eu não saberia como afirmar livre arbítrio. Nem eu seria capaz de explicar como Deus não é o autor do pecado ou como manter a responsabilidade humana.

Na maior parte, eu concordo com o que Turretin está falando aqui. Eu as vejo como vantagens, não desvantagens. Debaixo do conhecimento médio, Deus tem controle providencial completo do futuro, sem ser o autor do pecado ou minar a responsabilidade humana.

Predestinação

Turretin argumenta que debaixo do conhecimento médio a predestinação é condicional. “Na suposição de tal conhecimento, uma razão para a predestinação pode ser atribuída fora de Deus além de seu propósito e bel prazer porque o consentimento previsto da vontade de Jacó colocado em tais circunstâncias seria pelo menos a condição sem a qual Deus não poderia predestinar para a salvação Jacó em vez de Esaú” (Francis Turretin. Institutes of Elenctic Theology. Thirteenth Question: Middle Knowledge. P 216.)

Enquanto eu discordo de Tiurretin na explicação de Romanos 9, eu concordo com estas implicações acerca da predestinação. Pelo conhecimento médio, em um sentido Deus pedestina incondicionalmente, em outro condicionalmente. No sentido que Deus escolhe que circunstâncias atualizar, Ele incondicionalmente escolhe quem será salvo. Por exemplo, se ele prega para os cidadãos de Tiro (Mt 11:21), eles seriam salvos. Mas Ele soberanamente decide não fazê-lo. Por outro lado, sob o conhecimento médio, ninguém que não teria a condição de fé é escolhido, e ninguém sem a condição de obstinação é rejeitado. Eu vejo esta como uma grande vantagem sobre o calvinismo, balanceando o amor de Deus com a Sua soberania.

Conclusão

Conhecimento médio nos dá uma explanação compreensível da harmonia entre liberdade e predestinação. Ele é ensinado nas Escrituras, é racional, explicável e resiste contra todas as objeções. Em muitas conversações ele é tão intuitivamente óbvio que nem mesmo é questionado. Por exemplo, a questão comum “desde que Deus sabia o que ocorreria, por que Ele permitiu a queda?” pressupõe conhecimento médio. Mais cristãos deveriam explorar o conhecimento médio como solução para algumas das mais severas questões sobre a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

FootNotes:

1 – Este princípio é comumente chamado Navalha de Occham. Interessantemente, Guillermo de Ockham desenvolveu as teorias sobre contrafactuais da liberdade e necessidade acidental que são fundamentais ao conhecimento médio.

FootNotes:
FN1 – Aqui, o autor cita a palavra em inglês “will”, a qual pode significar tanto “irá” quanto “quer, tem vontade”. Este tipo de equívoco não existe nem no hebraico e nem no português. Infelizmente por causa disso a tradução deste trecho é complicada…

META

Autor: Dan Chapa, vulgo Godismyjudge, Site: http://www.traditionalbaptistchronicles.com/

Título Original: Review of Francis Turretin on Middle Knowledge

Fonte: http://www.traditionalbaptistchronicles.com/2009/04/review-of-francis-turretin-on-middle.html

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

4 comentários sobre “Traduções Crédulas: Godismyjudge vs Turretin

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