Salvação e Soberania de Deus: A Grande Comissão como a Expressão da Vontade Divina (III-B)

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B. Opção Quatro: O Paradigma das Vontades Antecedente/Consequente

Ao longo da história da igreja tanto as Igrejas Ocidentais quanto as Orientais têm ensinado que Deus deseja a salvação de todos, mas ele requer a resposta em fé da parte do ouvinte [50]. Esta abordagem das vontades oculta/revelada não vê conflito entre as duas vontades de Deus. Deus antecedentemente quer que todos sejam salvos. Mas para aqueles que se recusam a se arrepender e crer, ele consequentemente deseja que eles sejam condenados. Desta maneira Deus é compreendido como sendo semelhante a um justo juiz que deseja que todos vivam mas que relutantemente ordena a execução do assassino [51]. Os desejos antecedente e consequente são diferentes mas não estão em conflito.

A posição das vontades oculta/revelada parece ser o claro ensino da Escritura. Deus antecedentemente “amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito,” para que consequentemente “todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Cristo antecedentemente ordena que o Evangelho seja pregado a toda criatura, mas ele consequentemente decreta que aquele que não crê seja danado. O paradigma das vontades antecedente/consequente se ajusta muito bem com a Grande Comissão.

Oden lista quatro características da vontade antecente de Deus [52]. Primeiro, ela é universal. Salvação é desejada para todos, providenciada para todos, e ofertada a todos. Esta atitude omnibenevolente incondicional é verdadeiramente antecedente no que ela é direcionada a toda humanidade antes de sua aceitação ou rejeição. Segundo, a vontade antecedente é imparcial. Cristo morreu pelos pecados do mundo todo. Amor universal logicamente requer expiação ilimitada. Terceiro, a vontade de Deus em salvar todos é sincera. Não existe vontade oculta; nenhum decreto secreto de reprovação. E quarto, a vontade antecente é uma vontade ordenada. É impossível para o desejo de Deus permanecer impotente ou não-cumprido. A vontade antecedente de Deus de salvar todos é a base de suas ações para prover os meios da graça para pecadores mediante Cristo.

A vontade consequente de Deus possui três componentes [53]. Primeiro, ela é consistente com as qualidades com as quais ele dotou suas criaturas. Humanos estão caídos, mas ainsda são à imagem de Deus, não obstante. A graça de Deus não é coercitiva e pode ser recusada. Quando o ouvinte encontra o Evangelho, ele é graciosamente habilitado pelo Espírito a responder livremente. A decisão do ouvinte de aceitar ou rejeitar o Evangelho é genuína e apavorantemente dele. Admitidamente, por que alguns rejeitam o Evangelho é um mistério. Mas no paradigma antecedente/consequente, o mistério da iniquidade reside no homem e não em Deus.

O segundo aspecto da vontade de Deus segue do primeiro. Se Deus quer que a salvação seja consequente à nossa escolha, então sua vontade é condicional. Terceiro, a vontade consequente é justa. A concessão de salvação por Deus para aqueles que creem é perfeitamente consistente com sua santa natureza por casua da obra propiciatória de Cristo (Rm 3:21-26). Sua danação de todos que não creem está de completo acordo com sua justiça. A vontade antecedente é perfeitamente graciosa; a vontade consequente é perfeitamente justa.

Geralmente, teólogos reformados acham a abordagem das vontades antecedente/consequente inaceitável. Eles dão um tanto de objeções das quais três figuram mais proeminentemente. Primeiro, o paradigma das vontades antecedente/consequente parece tomar a decisão de Deus como sendo contingente à escolha humana. Eles contendem que esta abordagem sutilmente coloca o homem no trono de Deus. Berkhouwer argumenta que uma salvação que dependa da decisão do homem torna Deus “impotente e esperançoso” [54]. Robert Shank replica que Deus pode estar esperançoso, mas ele não é impotente [55]. De fato a lustração de um Deus à espera é um tema rico encontrado ao longo da Bíblia (Is 1:18-20 por exemplo). A abordagem das vontades antecedente/consequente entende Deus como sendo o soberano Iniciador e opgracioso Consumador da redenção. Se o homem está para escolher entre céu e inferno, é porque o Senhor da Criação colocou tal escolha diante dele.

Uma segunda objeção que a abordagem das vontades antecedente/consequente é que ele aparenta tocar a noção de mérito. Se todos os ouvintes estão igualmente habilitados pela graça a receber o Evangelho, e uma pessoa aceita a Mensagem enquanto a outra rejeita, então isto não implica de alguma forma que a primeira pessoa foi mais virtuosa que a segunda? [56] Esta é uma objeção difícil, mas duas coisas devem ser mantidas em mente. Primeiro, esta objeção parece ver fé como alguma espécie de obra enquanto a Bíblia consistentemente contrasta fé de obras (Rm 3:21 – 4:8). Fé, por sua própria natureza, é o oposto de obras porque é uma admissão de uma completa falta de mérito ou capacidade. O clemente não incorrem em mérito quando abre suas mãos para receber um presente gratuito [57]. Segundo, o mistério não é por que alguns creem, mas sim por que nem todos creem. Isto mais uma vez aponta para o mistério do mal. Não existe mérito em aceitar o Evangelho mas existe culpa em rejeitá-lo.

Uma terceira objeção feita pelos teólogos reformados é que o paradigma das vontades antecedente/consequente dá “destaque de orgulho” para o livre arbítrio humano acima da glória de Deus [58]. John Piper argumenta que as visões das vontades oculta/revelada e antecedente/consequente são basicamente as mesmas exceto por uma importante diferença [59]. Ambas as visões contendem que Deus genuinamente deseja a salvação de todos, ambas as visões mentêm que este desejo é sobrescrito por uma vontade ainda maior, mas as duas visões discordam em que maior vontade é essa. Piper estabelece que a posição oculta/revelada vê a maior vontade como sendo um desejo de glorificar a si mesmo enquanto a posição antecedente/consequente entende a maior vontade como sendo dar a liberdade de auto-determinação para os homens. Piper conclui que o paradigma oculto/revelado faz mais justiça à glória de Deus.

Porém, na sua resposta a Piper, Walls e Dongell enfatizam que proponentes da posição das vontades antecedente/consequente não afirmam uma habilidade humana de auto-determinação graciosamente habilitada por si só. Em vez disso, a preocupação é em retratar fielmente o caráter de Deus. Deus coloca o descrente por responsável porque ele não creu no evangelho. Aqueles condenados por Deus são condenados justamente porque receber Cristo foi uma escolha genuinamente disponível. Aderir a uma doutrina de auto-determinação humana não é um fim em si mesmo. Manter a integridade do caráter de Deus é. Em vez de falhar em magnificar a glória de Deus, a posição das vontades antecedente/consequente glorifica Deus mantendo que suas deliberações são justas e consistentes com sua santa natureza [60]. Se a maior maneira para os humanos darem glória a Deus é escolhendo-o livremente, então a visão das vontades antecedente/consequente cumpre melhor este objetivo.

Interessantemente, Piper utiliza a analogia do justo juiz para fazer seu caso a favor do cenário das vontades oculta/revelada [61]. Ele dá a instância específica de quando George Washington encarou o difícil dilema de ter um de seus oficiais favoritos culpado de um crime capital. Apesar de sua afeição pelo jovem, Washington deu a ordem para sua execução. A ilustração de Piper na verdade é um exemplo do paradigma das vontades antecedente/consequente, pois de acordo com o modelo das vontades oculta/revelada, Whashington secretamente desejou o crime do oficial e inclinou a vontade do jobvem para cometer o delito.


Um comentário sobre “Salvação e Soberania de Deus: A Grande Comissão como a Expressão da Vontade Divina (III-B)

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