Copy-Paste: Arminius, O Bode Expiatório Do Calvinismo (Parte 2 de 3)

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Não é muito polido deixar esta série pela metade neste blog. Assim sendo, resolvi chupinhar o post de Paulo Cesar, do portal Arminianismo, para este site, e assim não deixar esta série incompleta por aqui.

Quem sabe eu não aprenda a usar o Google primeiro?

Arminius, O Bode Expiatório Do Calvinismo, Parte 2

 
Dr. Vic Reasoner
1. Arminius é mal representado sobre a depravação total
          Lars Qualben em A History of the Christian Church afirma que Jacob Arminius e seus seguidores ensinaram que o “Homem não era totalmente depravado e poderia, por isso, cooperar com Deus na regeneração espiritual” [p. 351]. Louis Berkhof escreveu, “O homem tem, por natureza, uma irresistível inclinação para o mal. Ele não é capaz de compreender e de amar a excelência espiritual, de procurar e realizar coisas espirituais, as coisas de Deus, que pertencem à salvação. Esta posição, que é agostiniana e calvinista, é peremptoriamente contraditada pelo pelagianismo e pelo socinianismo e, em parte, também pelo semipelagianismo e pelo arminianismo” [Teologia Sistemática, p. 250]. Harbach escreveu, “O Arminianismo, entretanto, em voz baixa sussura a canção sedutora da bondade essencial do homem.”
          Entretanto, Samuel Wakefield, um primitivo teólogo metodista americano escreveu, “O verdadeiro Arminianismo, por essa razão, tão plenamente quanto o Calvinismo, admite a total depravação da natureza humana.” Deixemos Arminius falar por si mesmo.
Por causa desta transgressão, o homem caiu sob o desagrado e a ira de Deus, tornou-se sujeito a uma morte dupla, e merecendo ser privado da justiça e santidade primitiva em que muito da imagem de Deus consistia.
          Arminius descreve os efeitos do primeiro pecado do primeiro homem como “a revogação daquela justiça primitiva e a totalidade deste pecado, entretanto, não é peculiar a nossos primeiros pais, mas é comum a toda a raça e a toda a sua posteridade.” Novamente, Arminius explica os efeitos do pecado de nossos primeiros pais.
Esta foi a razão por que todos os homens que eles deviam gerar de uma forma natural, se tornaram detestáveis à morte temporal e eterna, e destituídos deste dom do Espírito Santo ou a justiça original: Esta punição usualmente recebe a denominação de “uma privação da imagem de Deus,” e “pecado original.”
          Kenneth Gride explica, “O pecado original diz respeito a um estado de pecado em nós devido àquele ato de pecado da parte de Adão.” Na obra de 272 páginas de Wesley, “A Doutrina do Pecado Original,” ele declarou que sem esta doutrina “o sistema cristão desmorona imediatamente” [Works, 9:194]. Wesleyanos-arminianos afirmam a natureza pecaminosa do homem, nossa inclinação básica ao pecado, nossa total depravação que foi herdada de Adão.
2. Arminius é mal representado como ensinando a absoluta liberdade da vontade
 
          R. J. Rushdoony iguala o Humanismo com o Arminianismo. Ele alude ao velho sonho humanístico que todo homem, por sua própria livre escolha, pode efetuar sua salvação. “Se isto parece tanto com o Arminianismo, é porque o mesmo princípio apóia o Arminianismo e o Humanismo: a salvação como a decisão do homem” [Systematic Theology, 2:923].
          John MacArthur escreveu,
O aliado do pragmatismo é o Arminianismo, a teologia que nega a eleição soberana de Deus e afirma que o homem deve decidir por si mesmo confiar em ou rejeitar Cristo. Isso coloca sobre o evangelista o peso de usar técnica que seja esperta o suficiente, imaginativa o suficiente, ou convincente o suficiente para influenciar a decisão de um pessoa… ensinar ou implicar que técnica humana pode trazer alguém a Cristo é contrário à Escritura [Our Sufficiency in Christ, p. 152].
Em Sola Gratia: A Controvérsia Sobre o Livre-Arbítrio na História, R. C. Sproul admite que a linguagem de Agostinho, Martinho Lutero, ou João Calvino dificilmente é mais forte do que a de Arminius sobre a queda [p. 138]. Ele reconhece que os arminianos ensinam a justificação pela fé somente. Todavia o Arminianismo contém “elementos não-cristãos” [p.22]. Para Sproul, o ponto de afastamento foi que Arminius acreditava que a graça preveniente era suficiente, mas não irresistível.
Isto torna a salvação sinergística, não monergística. Sproul argumenta em favor do monergismo e que a regeneração deve preceder a fé. Monergismo, como definido por Sproul, significa que Deus é o único ator na regeneração. Ele define o sinergismo como uma relação em que Deus ajuda e os humanos cooperam. Isto, ele diz, leva à autonomia humana e difere somente um pouco da concepção católica romana de fé como uma obra meritória. Eu não consigo ver como “cooperação com” significa o mesmo que “autonomia de.” Sproul afirma que “qualquer visão da vontade humana que destróia a visão bíblica da responsabilidade humana é seriamente defeituosa. Qualquer visão da vontade humana que destrói a visão bíblica do caráter de Deus é ainda pior” [p. 26].
          Embora o resto do livro seja dedicado a um levantamento histórico dos ensinos de Pelágio, Agostinho, Lutero, Calvino, Arminius, Edwards, Finney, e Chafer em relação ao ensino sobre a queda, o livre-arbítrio, e a regeneração, Sproul nunca define a vontade. Nem ele mostra como o Calvinismo escapa da acusação de destruir a responsabilidade humana. Seu capítulo sobre Arminius termina com uma crítica dos ensinos heréticos de Clark Pinnock. A inferência é que qualquer um que abandona o Calvinismo está sujeito a terminar confuso. Todavia, as novas concepções de Pinnock vão além do Arminianismo histórico e do Cristianismo ortodoxo [p. 159]. Por essa razão, Pinnock é um espantalho.
          O Metodismo primitivo ensinava que somos salvos pela livre graça. Chame-a por outro termo, poderíamos somente cooperar conforme fôssemos capacitados pela graça preveniente. Esta ênfase não é nem Pelagianismo nem a absoluta autonomia humana. James Arminius declarou,
Mas em seu estado caído e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, pensar, desejar, ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário que ele seja regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo através do Espírito Santo, para que ele possa ser capacitado corretamente a entender, avaliar, considerar, desejar, e executar o que quer que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito participante desta regeneração ou renovação, eu considero que, visto que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e fazer aquilo que é bom, todavia não sem a ajuda contínua da Graça Divina.
Neste estado, o Livre-Arbítrio do homem em relação ao Verdadeiro Bem não está somente ferido, mutilado, débil, curvado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E seus poderes não são somente debilitados e inúteis a menos que sejam assistidos pela graça, mas ele não tem poder nenhum exceto quando incitado pela graça divina.
O livre arbítrio não tem a capacidade de fazer ou aperfeiçoar qualquer bem espiritual genuíno sem a graça… Afirmo, portanto, que a graça é simples e absolutamente necessária para a iluminação da mente, para o devido controle das emoções e para a inclinação da vontade ao que é bom. É a graça que opera na mente, nas afeições, e na vontade; que infunde bons pensamentos na mente, inspira bons desejos nas ações, e inclina a vontade a colocar em prática bons pensamentos e bons desejos. Essa graça antecede, acompanha e segue; ela nos desperta, assiste, opera para que queiramos o bem, coopera para que não o queiramos em vão.
          John Wesley disse que a vontade de um pecador é “somente livre para o mal” [“The Spirit of Bondage and of Adoption,” Sermão nr 9, II.7]. Em outro contexto Wesley afirmou que ele chegou ao próprio limite do Calvinismo:
1.    Em atribuir todo o bem à livre graça de Deus
2.    Em negar todo livre-arbítrio natural e todo poder antecedente à graça
3.    Em excluir todo mérito do homem mesmo pelo que ele tem ou faz pela graça de Deus [Works, 8:285].
Nossa ênfase não é sobre o livre-arbítrio, mas sobre a graça de Deus, incluindo a graça preveniente. John Fletcher declarou que o Arminianismo afirma “que o livre-arbítrio obediente é sempre dependente da livre graça de Deus; e o livre-arbítrio desobediente da justa ira de Deus” [Works, 2:229]. John Wesley escreveu, “O livre-arbítrio natural, no estado presente da humanidade, eu não reconheço: eu somene afirmo, que há uma medida de livre-arbítrio sobrenaturalmente restaurada a todo homem, junto com essa luz sobrenatural que ‘ilumina todo homem que vem ao mundo’” [Works, 10:229-30].
Não é o histórico Arminianismo wesleyano que superenfatiza o livre-arbítrio, mas foi o ensino posterior de Charles Finney, um pelagiano, que influenciou o movimento holiness a este ponto. Robert Chiles avaliou três principais transições no Metodismo americano entre 1790 e 1935. Ele concluiu,
A terceira principal mudança na teologia metodista, ‘de livre graça para livre-arbítrio,’ começou com a doutrina wesleyana da graça como livre para todos e em todos e como o único poder de salvação. Constantemente as áreas de realização atribuídas à liberdade do homem foram aumentadas…. O arrependimento e, eventualmente, a fé vieram a ser consideradas essencialmente atos humanos, não dádivas de Deus, e a salvação propriamente dita tornou-se uma esforço humano divinamente assistido para moralizar e espiritualizar sua vida.
3. Arminius é mal representado como ensinando salvação pelas obras
          Louis Berkhof escreveu em sua Teologia Sistemática, “A ordem da salvação elaborada pelos arminianos, embora atribuindo ostensivamente a obra da salvação a Deus, realmente a torna dependente da atitude e da obra do homem.” [p. 422].
          J. I. Packer concluiu, “Assim, o Arminianismo tornou a salvação do homem depender no final das contas do próprio homem, a fé salvadora sendo vista do começo ao fim como obra do homem e, porque é sua própria obra, não é de Deus nele.”
          Em contraste, Kenneth Grider afirmou que “nós arminianos-wesleyanos não somos pelagianos, visto que acreditamos no pecado original e visto que cremos que a graça preveniente é necessária para capacitar-nos a usar nossa liberdade para tomar direções corretas em nossas vidas.” Grider então esclarece o que ele quer dizer.
Esta visão significa que nós não diremos a uma congregação em um culto evangelístico, “Façam a sua parte e Deus fará a dele.” Pessoas não-regeneradas não podem fazer qualquer coisa desse tipo a menos que Deus primeiro faça Sua parte de estender a graça preveniente a elas.
          Esta visão também significa que o arminiano-wesleyano não dirá, “Deus encontrará você na metade de caminho.” Não podemos iniciar nossa própria salvação. Sendo criaturas caídas, inclinadas ao mal e isso continuamente, Deus deve vir todo o caminho até onde estamos e iniciar em nós nosso “primeiro débil desejo” para voltar-se para Cristo – como John Wesley dizia.
          Arminius declarou que “a fé, e somente a fé, é imputada por justiça. Por isto apenas somos justificados diante de Deus, absolvidos de nossos pecados, e somos contados, pronunciados e declarados JUSTOS por Deus, que profere seu julgamento do trono da graça.” Arminius também escreveu,
A fé evangélica é um assentimento da mente, produzida pelo Espírito Santo, através do Evangelho, nos pecadores, que através da lei sabem e reconhecem seus pecados, e são penitentes por causa deles: Pela qual eles não estão somente completamente persuadidos dentro de si mesmos, que Jesus Cristo tem sido constituído por Deus o autor da salvação àqueles que Lhe obedecem, e que Ele é seu próprio Salvador se eles crerem nele; e pela qual eles também crêem nele como tal, e através dele em Deus como o Pai Benevolente nele, para a salvação dos crentes e para a glória de Cristo e Deus.
          Dois anos depois de sua experiência de Aldersgate, Wesley explicou que ele tinha andado muitos anos no “novo caminho da salvação pela fé e obras, mas há cerca de dois anos aprouve a Deus nos mostrar o velho caminho da salvação pela fé somente” [Jornal, 22 de junho de 1740]. Aqueles que alegam que a doutrina wesleyana-arminiana ensina de outra forma precisa ler “Justificação pela Fé,” que é o quinto sermão dos padrões doutrinários do Metodismo.
          Arminius não objetou em dizer, “a justiça de Cristo é imputada a nós,” mas ele objetava em dizer que “a justiça de Cristo é imputada a nós por justiça.” Ele queria evitar dizer que a justiça de Cristo é um manto sobre a nossa justiça. Ele acreditava que na imputação da justiça de Cristo nós somos participantes em Cristo.
          John Wesley também adotou a doutrina da justiça imputada, mas pronunciou uma advertência similar, “Entretanto o que receamos é isto: a fim de que alguém não use a frase, “A justiça de Cristo,” ou, “A justiça de Cristo é ‘imputada a mim,’” como uma capa para sua justiça” [“The Lord our Righteousness,” Sermão 20, II.19].
Tradução: Paulo Cesar Antunes
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