Traduções Católicas: De que forma Jesus se tornou uma “maldição” por nós? por CatholicNick

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Mais uma para o rol de argumentos contra a expiação penal! Aqui, temos uma exegese de Gálatas 3, no qual Paulo diz que Jesus “fez-se maldição”.

Mas isto é bastante diferente do que se pensa…

De que forma Jesus se tornou uma “maldição” por nós? (Mais problemas com Substituição Penal)

por CatholicNick

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fonte: In what way did Jesus become “a curse” for us? (More problems with Penal Substitution)

Leitores frequentes deste blog sabem que não existe nenhuma boa evidência bíblica para a heresia protestante da Substituição Penal. E por causa disto, eles são forçados a desesperadamente se agarrar a qualquer coisa que puderem para tentar justificar seu erro. Um dos poucos textos primários que eles apelam é Gálatas 3:13, que fala de Jesus sendo feito “maldição” por nós.

Todos podem concordar que não basta somente fazer uma afirmação, especialmente em um texto disputado. Em vez disso, alguma real exegese deve ser feita e um argumento real deve ser posto. Eu diria logo de cara que o protestantismo não tem nada para se firmar neste verso, então tudo que podem fazer é desesperadamente afirmar que tal “maldição” aqui significa algo nas linhas de Jesus sendo eternamente cortado do Pai e sofrendo a Ira do Pai. Mas se tal tipo de exegese fosse válida, então os arianos estariam certos desde o dia que Jesus disse “O Pai é maior que eu”, desde que os arianos poderiam simplesmente insistir que isto só pode significa que Jesus é inferior ao Pai de todas as formas.

Então com o desespero protestante claramente estabelecido eu prossigo em mostrar como a real exegese é feita.

Primeiro, considere a passagem em questão:

[12] E a Lei não está dependente da fé; pelo contrário: Quem cumprir as suas prescrições viverá por elas.
[13] Cristo resgatou-nos da maldição da Lei, ao fazer-se maldição por nós, pois está escrito: Maldito seja todo aquele que é suspenso no madeiro.
[14] Isto, para que a bênção de Abraão chegasse até aos gentios, em Cristo Jesus, para recebermos a promessa do Espírito, por meio da fé. {Gálatas 3:12-14 Bíblia dos Capuchinhos}

O contexto é sobre justificação, particularmente notando que a Lei Mosaica não é o que salva, e que de fato Jesus nos salva dela. Antes de dizer qualquer coisa mais, vamos observar a citação de Paulo por Deuteronômio 21:

[22] Quando um homem tiver cometido um crime de morte e for condenado, será enforcado.
[23] Não deixarás o seu cadáver permanecer de noite na forca; procurarás enterrá-lo no mesmo dia, pois o enforcado é uma maldição de Deus, e não deves manchar a tua terra, que o SENHOR, teu Deus, te dará por herança. {Deuteronômio 21:22-23 Bíblia dos Capuchinhos}

De relance isto pode parecer bem duro, desde que o texto parece implicar que Jesus de fato foi amaldiçoado por Deus. Mas a pegada aqui é que não podemos simplesmente criar nossas definições do que “amaldiçoado por Deus” de fato significa. Então a não ser que exista uma razão convincente para pensar que esta maldição se refira a sofrer a ira eterna, então ninguém está livre para simplesmente afirmar isto como fato.

Os Pais da Igreja, do que eu pude encontrar, não comentam este texto detalhadamente, mas eram claros que isto não significava que Jesus foi de qualquer maneira espiritualmente amaldiçoado por Deus nem que Jesus sofreu a ira do Pai. Em vez disso, os Pais da Igreja mantiveram que a ‘maldição’ aqui era a maldição de uma morte humilhante, e é para isto que o dado bíblico aponta também. Isto é plenamente o que Deuteronômio 21:22-23 está falando, uma punição capital para crimes graves. E isto faz perfeito sentido à luz do fato que este estilo de execução tomou lugar poucas vezes no AT (Js 8:28-29, 10:26-27), e a lição é que crucifixão é uma maneira humilhante de morrer. A implicação é que qualquer um que sofre desta forma deve estar debaixo do desprazer de Deus. Assim, em resumo, Jesus ‘tornou-se maldição’ no que Ele suportou uma morte humilhante pela crucifixão. Mas tem mais.

Agora nós podemos voltar em Gálatas 3:13-14 e traçar alguns detalhes chave. Primeiro note que Paulo diz que Jesus nos “redimiu” da maldição da Lei, significando que Sua obra funcionou como redenção, um preço de pagamento, e não uma transferência de punição. isto é crucial e não um detalhe irrelevante. Então, lendo a gramática apropriadamente, Jesus suportou a maldição da crucifixão, e esta funcionou como um preço de redenção que compensou/pagou o preço de outra maldição, a maldição da Lei.

Note a seguir por que Jesus nos redimiu da maldição da Lei: para que as bênçãos de Abraão pudessem chegar aos gentios. Isto indica que o real problema em mãos era que a lei estava impedindo a salvação de chegar aos gentios, e portanto a Lei tinha que ser abordada. E portanto a morte de Jesus funcionou como maneira de quebrar a Lei Mosaica, e não alguma tomada genérica da Ira do Pai contra os pecados da humanidade. Considere os seguintes textos paralelos:

[15] Por isso, Ele é o mediador de uma nova aliança, um novo testamento; para que, intervindo a morte para a remissão das transgressões cometidas sob a primeira aliança, os chamados recebam a herança eterna prometida. {Hebreus 9:15 Bíblia dos Capuchinhos}

[4] Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob o domínio da Lei,
[5] para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei, a fim de recebermos a adopção de filhos. {Gálatas 4:4-5 Bíblia dos Capuchinhos}

Note o tema triplo em cada texto: redenção, a lei mosaica sendo removida, tal que a adoção pudesse seguir. Basicamente, a Lei (Aliança) Mosaica foi violada pela infidelidade de Israel, e como resultado isto estava estagnando o plano de Deus de cumprir Sua promessa a Abraão, a saber, que ele seria pai espiritual dos judeus e gentios. Desde que a Lei fora violada, ela tinha que ser expiada, e foi isto o que a morte de Cristo realizou tanto quanto o “estar debaixo da Lei” possa ser relacionado.

Considere agora o mote do anti-tipo, em que Jesus é prefigurado nas histórias do AT mas de maneira oposta ao que se esperaria. Por exemplo, Jo 3:14 diz: “Assim como Moisés ergueu a serpente no deserto, assim também é necessário que o Filho do Homem seja erguido ao alto”. Isto nos relembra Nm 21:4-9. Claramente, Jesus não corresponde diretamente à serpente (de todos os animais possíveis, desde que a serpente corresponde a Satanás!). Então isto significa que Jesus pode ser prefigurado de uma forma contrária àquela como Jesus seria visto. Agora considere Deuteronômio 21:22 que diz “Quando um homem tiver cometido um crime de morte e for condenado, será enforcado” – ainda assim claramente Jesus não cometeu crime civil passível de morte, tal que o completo horror deste estatuto nem mesmo tecnicamente mantém sua força (um homem inocente sendo injustamente morto oblitera o estatuto). Sem mencionar que o estatuto não está dizendo que uma pessoa pendurada no madeiro tem o Pai despejando Sua ira sobre sua alma, sofrendo o fogo do inferno naquele momento. E certamente esta lei não foi originalmente escrita e entendida para significar que algum dia o Messias seria assassinado mediante Crucifixão por um exército estrangeiro. Portanto, existe boa razão para ver Jesus sendo ‘amaldiçoado’ como uma espécie de maldição injusta ou anti-maldição, desde que o completo ponto desta penalidade era para o Estado condenar pessoas verdadeiramente culpadas, e Jesus jamais teve que suportá-la. E esta lente de anti-tipo é demonstrada ainda mais pelo fato que todas as vezes que os Apóstolos pregavam sobre o assunto da Crucifixão em Atos, eles sempre faziam a aguda distinção entre Jesus sendo injustamente morto e pendurado num madeiro por judeus, versus a vindicação de Deus em resgatar e ressuscitar Jesus por conta da injustiça (At 2:23-24; 3:15; 3:10; 5:30-31; 10:39-40; 13:28-30).

Penso eu que isto deve cobrir as bases principais. Creio que esta abordagem que eu tomei invalida completamente a afirmação desesperada que o termo “maldição” necessita que Jesus foi espiritualmente amaldiçoado e cortado do Pai. Se os protestantes querem empurrar este erro, eles terão que abordar os pontos que mostrei, e eu não penso que eles possam.

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