Traduções Católicas: Uma Para Fechar as Cortinas do Protestante: Salmo 106:30-31

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Mais uma do Catholic Nick, sobre Sola Fide, mostrando um trecho de Salmos que repete uma famosa passagem de Gênesis/Romanos…

Uma Para Fechar as Cortinas do Protestante: Salmo 106:30-31

por CatholicNick

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fonte: A Protestant Show-Stopper: Psalm 106:30f

Se você quiser puxar o tapete de um protestante, pergunte-lhe o que Salmos 106:30-31 significa,

[30] Então se levantou Finéias, que executou o juízo; e cessou aquela praga.
[31] E isto lhe foi imputado como justiça [ἐλογίσθη αὐτῷ εἰς δικαιοσύνην], de geração em geração, para sempre.

Como será mostrado, este é um dos mais devastadores versos para Sola Fide na Bíblia toda. Ela está bem junto a Tiago 2:24 e Romanos 10:9-10 (veja este artigo e mais este). Eu pessoalmente creio que este tem mais a contribuir que as outras passagens porque ela acerta o protestante onde ele menos espera.

A maioria jamais viu Salmos 106:30-31, e a pequena minoria dos protestantes que sabem dele o mantém sob sete chaves. Por quê? Porque ela mira em uma de suas mais “sagradas” passagens da Escritura, Rm 4:3-5 citando Gn 15:6 ( E creu Abrão no Senhor, e o Senhor imputou-lhe isto como justiça – ἐλογίσθη αὐτῷ εἰς δικαιοσύνην), e definitivamente demole inteiramente seu entendimento disto. (Caso não tenha notado, ambos os versos usam a mesma frase grega para “imputou como justiça”.)

Para propósitos apologéticos, o que isto significa é que a fim de tomar toda vantagem do poder contido neste verso, você deve primeiro saber o que o protestante está pensando.

Pastor e escritor reformado batista, John Piper devotou um monte de tempo recentemente tentando defender a interpretação clássica protestante de Romanos 4:3, que ele corretamente reconhece como a chaveta do Sola Fide e da Reforma. Eis o que ele disse em um sermão devotado a interpretar a frase “creditado como justiça”,

Paulo quis dizer “Nossa Fé É Nossa Justiça?” Eis então minha resposta à questão. Não, quando Paulo diz “fé é creditada a nós como justiça”, ele não quer dizer que nossa fé é nossa justiça, ou qualquer parte de nossa retidão justificadora. Ele quer dizer que fé é o que une-nos a Cristo e tudo que Deus é por nós nele. Quando Deus vê fé em Cristo, ele vê união com Cristo. E quando ele vê união com Cristo, ele vê a justiça de Cristo como nossa justiça. Então fé conecta-nos com Cristo que é nossa justiça e, neste sentido, fé é contada como justiça. Fé vê e prova tudo que Deus é por nós em Cristo, especialmente sua justiça. Isto é o que fé é. Agora qual é a base bíblica desta interpretação? John Owen, no volume cinco de suas obras (pg. 318-319) dá cinco argumentos, e John Murray dá nove argumentos (pg. 353-359) por que “fé creditada como justiça” não significa que fé é nossa justiça. (Faith and the Imputation of Righteousness)

Em resumo, é ultra-crítico entender propriamente a frase bíblica “creditado como justiça”, e note que isto não significa que fé em si mesma foi creditada como justiça ou qualquer coisa semelhante, mas em vez disso significa algo nas linhas de ‘fé captura a Justiça de Cristo e a transfere para sua conta no momento da justificação’. Agora, se isto não significa o que os protestantes historicamente tem dito que significa, então a base da Reforma colapsa.

Dado que John Piper fez referência aos pensamentos do bem respeitado estudioso reformado John Murray sobre o assunto, eu creio que é importante ver os pensamentos de Murray sobre o Salmo 106:30f. Acontece que o apologista reformado James White decidiu lidar com este verso em seu livro The God Who Justifies (pgs, 225-226), e ao fazê-lo apela para as próprias palavras de Murray:

Se Fineias foi justificado na base do que ele fez (uma ação), então claramente Paulo está errado. Seria este o caso? Murray respinde na negativa como se segue,

Devemos, porém, reconhecer a diferença entre os dois casos (Gn 15:6, Sl 106:31). No caso de Fineias é um ato de justo zelo de sua parte; é uma obra. Ele foi creditado com a devoção que sua fé em Deus produziu – justiça no sentido ético e religioso. Mas o que foi reconhecido a Abraão é de uma espécie bem diferente. É a interpretação de Paulo e aplicação de Gênesis 16:5 que isto se torna bem aparente. Paulo não poderia apelar para o Salmo 106:31 nesta conexão sem violar todo seu argumento. Pois se ele tivesse apelado para o Salmo 106:31 acerca de justificação, a justificação dos impios (cf. verso 5), então o caso de Fineias proveria uma inerente contradição e teria demonstrado justificação por um ato justo e zeloso. Apesar de que então a fórmula em Gênesis 15:6 é semelhante ao Salmo 106:31, os assuntos com que eles lidam são diversos. Gênesis 15:6 está tratando de justificação, como Paulo mostra; Salmo 106:31 está lidando com as boas obras que seriam fruto desta fé. Esta distinção deve ser mantida em vista na interpretação de Gênesis 15:6, particularmente enquanto aplicada por Paulo neste capítulo.

Aqueles que apontam esta passagem como sendo subversiva ao sola fide provavelmente ignoram alguns outros detalhes. O contexto de Gênesis 15:6 é claramente o de Deus dando a pormessa a Abraão tal que sua fé é nesta promessa, um ponto que Paulo enfatizará no restante do capítulo. Não há promessa em Números 25 ou Salmo 106. Abraão deposita fé em Deus como sendo capaz de manter Suas promessas. Fineias age debaixo da lei de Deus e traz punição para os malignos, e como resultado é recompensado. A justiça que ele recebe é, porém, definida num contexto bem diferente que o que temos em Gênesis 15:6. Fineias já era um homem de fé, e seu zelo pela glória de Deus resultou em sua recepção de uma “aliança de paz” e “aliança de perpétuo sacerdócio”. Não era este o encontro inicial de Fineias com Deus ou com fé nEle.

Agora é bem claro por que o Salmo 106:31 é tão problemático: ele afirma que Fineias realizou uma boa obra, e que esta boa obra foi creditada como uma ação justa. Mais importante, isto significa que Fineias foi justificado por uma obra, em vez de pela fé somente.

Note que White e Murray estão perfeitamente cientes deste “dilema” e francamente admitem que se Paulo tivesse apelado para este verso ele teria refutado seu argumento de “fé somente” em Romanos 4:3 — mas eles esquecem-se que não é Paulo que está em problemas, mas sim sua interpretação inconsistente de Paulo! A única chance para eles é enrolar o assunto, fazendo toda sorte de alegações sem substância e ultimamente inúteis, tais como dizer que

  1. a “justiça” mencionada no Salmo 106:31 é “ética” em vez de “legal” como em Paulo,
  2. o Salmo 106 não lida com justificação enquanto Paulo lida,
  3. o Salmo está falando de boas obras que seguem a justificação como fruto da fé,
  4. não há promessa mencionada no Salmo 106:30f (recontando o evento de Números 25:1-12), e
  5. não era o primeiro encontro de Fineias com Deus porque ele já era homem de fé.

Todas essas alegações não são nada além de desculpas desesperadas e tolas. É uma grande alegação ad hoc que o Salmo 106 não possa possivelmente estar falando de justificação. As alegações adicionais de White são tão infundadas quanto (porque existe uma promessa feita a Fineias aqui, e Gênesis 12 e Hebreus 11:8 nos mostram que Gênesis 15:6 não foi o primeiro encontro de Abraão com Deus).

Por detrás de toda a fumaça, não apenas eles focam no fato que a mesma frase grega (não somente uma ou duas palavras coincidentes!) foi usada, e que a gramática demanda que a mesma fraseologia tenha o mesmo significado. Claro, se existe alguma exceção aqui, o ônus de mostrar isto (e neste caso um bem pesado) está sobre o protestante (o que eles sequer chegaram perto de fazer).

Mesmo se o salmo 106:31 não esteja falando de justificação, nem uma única vez consideraram o pensamento que se “foi creditado como justiça” significa que a obra de Fineias foi contada como um ato justo então talvez – só talvez – isto signifique que a fé de Abraão foi creditada como um ato justo também. Este ‘pequeno detalhe’ foi convenientemente ignorado, mas para o indivíduo bem-informado, sabemos o porquê.

Mais ironicamente, estes protestantes violam as próprias regras de interpretação que sua Confissão de Fé de Westminster tão firmemente apresenta:

A infalível regra de interpretação da Escritura é a própria Escritura: e portanto, quando existir uma questão sobre o verdadeiro e completo significado de qualquer Escritura (que não é múltiplo, mas um), deve ser procurado e conhecido de outros locais que falam mais claramente. (Cap. 1.9)

Se o Salmo 106:30f não se encaixa nesta instrução, não sei mais o que se encaixa. Ao fim de tudo, está além de toda dúvida que a fraseologia e significado do Salmo 106:30-31 poderosa e decisivamente refuta a interpretação protestante de Romanos 4:3, no qual o Sola Fide repousa.


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