Traduções Católicas: O Ensino Bíblico de “Levar os Pecados” — Mais Problemas com a Substituição Penal

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Do blogueiro mais preguiçoso e ecumênico da Terra Média, mais uma sobre substituição penal!

Desta vez o alvo é sobre a ideia de “levar os pecados”. Acredite, fora da expiação penal há uma beleza intensa para esta ideia – pois não é mais uma “imputação de uma punição a um inocente”, mas sim uma confirmação do sacerdócio supremo de Jesus o Cristo.

Leiam e reflitam!

O Ensino Bíblico de “Levar os Pecados” — Mais Problemas com a Substituição Penal

por CatholicNick

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fonte: The Biblical teaching on “bearing sin” – More problems with Penal Substitution

Praticamente toda vez que eu trago à tona a antibíblica e blasfema doutrina da Substituição Penal para um protestante eles imediatamente apontam para textos que se referem a Jesus “levando nossos pecados” (e.g. 1Pe 2:24, Is 53:11), pensando que isto significa que Jesus levou a culpa e punição a nós merecida. Desde que eu mostrei que o termo bíblico para “Expiação” jamais envolve transferência de punição para um substituto, eu argumento que referências a “levar os pecados” igualmente não significam isto também.

No Antigo Testamento, a noção de “levar a iniquidade” normalmente se refere à situação de um pecador reconhecendo que ele pecou e portanto “carrega a culpa” diante de Deus (e.g. Lv 5:1, 7:18, 24:15). Dado isto, é compreensível para alguém pensar que Jesus “carregando nossos pecados” refere-se ao levar nossa culpa e tomar a punição por ela. Mas há mais evidência a considerar que mostra conclusivamente que esta não é como deveríamos entender a obra de Nosso Senhor.

A primeira coisa a entender é o papel do sacerdócio no Antigo Testamento. Quando um israelita pecava e tinha que fazer expiação ele não fazia expiação por si mesmo, mas em vez disso tinha que entregar sua oferta (e.g. o bode sacrificial) para o sacerdote, e o sacerdote “faria expiação por ele” (veja Lv 4:20,26,31,35; 5:6,10,13,16,18; 6:7). De outra maneira, Deus usava santos mediadores entre Ele Mesmo e pecadores, neste caso os sacerdotes. Alguns podem erroneamente pensar que a culpa da pessoa era transferida para o animal sacrificial durante este processo, mas isto simplesmente não está no texto, e é errôneo porque negaria todo o propósito do Sacerdócio. O cordeiro não estava tomando a punição do indivíduo porque era somente após o Sacerdote ter terminado os rituais do sacrifício após o animal ser morto que a expiação era feita. veja Levítico 4:22-35, onde os deveres do pecador (trazer e matar o animal) e os deveres do sacerdote (fazer expiação) são distintos.

Com isto em mente, considere Levítico 10:17,

Porque não comestes a vítima da expiação pelo pecado no lugar santo, tratando-se de uma coisa santíssima? Ela foi-vos concedida para assumir as faltas da comunidade e para expiar o seu pecado diante do SENHOR. {Levítico 10:17 Bíblia dos Capuchinhos}

Este texto é fascinante porque ele liga diretamente o ato do sacerdote de “realizar expiação para eles” com aquele de “carregar sua iniquidade”. Em outras palavras, quando dum sacerdote é dito “carregar a iniquidade” de um pecador, significa que o sacerdote toma a responsabilidade de “fazer expiação” para o pecador. Isto não significa que a culpa é imputada para o sacerdote tal que agora o próprio sacerdote se torna culpado. (E nem a Bíblia diz que o animal sacrificial está “levando a iniquidade”, e com boa razão, porque esta não é a natureza da expiação, como eu mostrei no início.)

Agora considere dois outros textos relacionados a esta questão:

[36]Farás uma lâmina de ouro puro na qual gravarás, como se fora num sinete: “Consagrado ao SENHOR.”
[37]Prendê-la-ás com uma fita de púrpura violácea, à frente da tiara.
[38]Estará sobre a fronte de Aarão, que carregará, assim, os pecados cometidos pelos filhos de Israel, ao consagrarem as suas ofertas religiosas. Estará sempre sobre a fronte de Aarão, na presença do SENHOR, para que os filhos de Israel obtenham benevolência. {Ex 28:36-38}

[1] Disse o SENHOR a Aarão: «Tu e teus filhos, juntamente com a casa de teu pai, carregareis os pecados relativos ao santuário. Tu e teus filhos carregareis os pecados do vosso sacerdócio.
[8] O SENHOR falou a Aarão: «Eis que Eu próprio te dei a guarda dos meus tributos. Todas as coisas santas dos filhos de Israel são dadas a ti e a teus filhos por causa da unção, como lei eterna.
[9]Isto será para ti: de entre todas as coisas santificadas pelo fogo, todas as suas ofertas de todas as oblações, de todos os sacrifícios pelo pecado, de todos os sacrifícios de reparação; as coisas santas que me retribuírem serão para ti e para teus filhos.
[10]: Comê-las-ás como as coisas mais sagradas; todo o varão as poderá comer, pois isso é para ti uma coisa santa.
[21] Aos levitas, eis que Eu darei em Israel todos os dízimos como herança, recompensa pelos serviços que eles prestaram no culto da tenda da reunião.
[22] Os filhos de Israel não mais se aproximarão da tenda da reunião, cometendo um pecado que levaria à morte.
[23] Os levitas prestarão o serviço da tenda da reunião e eles carregarão o seu pecado, lei perpétua através das vossas gerações. No meio dos filhos de Israel, eles não receberão qualquer herança {Nm 18:1,8-10,21-23}

Os levitas e Arão e seus filhos tinham tão doce serviço. Eles eram qualificados para os primeiros e melhores dos animais, grãos, e dízimas. Isto era tanto em troca pelo fato que eles não eram capazes de ter terra, mas também porque Deus afirmou seu trabalho como bastante sagrado. Mas seu ofício também trazia junto um monte de responsabilidades, tal como fazer expiação por quaisquer ofensas cometidas contra a honra de Deus, especialmente relacionadas ao objetos consagrados do Templo. A Bíblia chama isto de “carregar a iniquidade” de outros, fazer expiação. Isto é claro de textos como Números 8:19, mas é especialmente claro nas instruções dadas para o Dia da Expiação, que comentaremos agora.

O Dia da Expiação era um dia bastante sagrado do ano judeu. Levítico 16 é devotado a explicar este dia solene:

[2] Disse o SENHOR a Moisés: «Avisa o teu irmão Aarão de que não pode entrar em qualquer altura no santuário, para além do véu, diante do propiciatório que está sobre a Arca, a fim de não morrer, quando Eu aparecer numa nuvem sobre o propiciatório.
[3] Eis como Aarão deve entrar no santuário: com um novilho para o sacrifício pelo pecado e um carneiro para o holocausto.
[15] Imolará, depois, o bode do sacrifício pelo pecado do povo, e levará o sangue para o santuário, para além do véu, fazendo com esse sangue o mesmo que fez com o sangue do novilho: aspergi-lo-á sobre o propiciatório e diante dele.
[16] Fará, assim, sobre o santuário o rito da purificação das impurezas dos filhos de Israel, das suas impiedades, de todos os seus pecados; procederá da mesma forma para a tenda da reunião, que está entre eles, no meio das suas impurezas. {Lv 16:2,3,15,16}

Assim como qualquer pecado que cometamos, não importa o quão secreto, afeta todo o corpo de Cristo, uma ‘ferida’ semelhante toma o Santo Lugar no meio de uma pecaminosa e suja nação israelita. Então é dever do Sumo Sacerdote realizar o mais sacro rito, ir diante do Assento de Misericórdia (a Tampa da Arca da Aliança) no Santo dos Santos, e assim fazer expiação por toda Israel.

Uma vez que se compreende o serviço do sacerdote em “levar a iniquidade do povo”, levando isto para o Novo Testamento, vemos o papel de Jesus como Sumo Sacerdote em uma luz mais madura. Claramente, quando textos como Isaías 53:11 e 1Pedro 2:24 falam de Jesus “carregando nossa iniquidade”, referem-se ao Seu papel como Sumo Sacerdote tomando o ônus de realizar expiação para outras pessoas. Assim, “levando a iniquidade”, Jesus não era “culpado” em nosso lugar. Isto pode ser até mesmo visto no contexto de Isaías 53 e 1Pedro 2:24, para os quais brevemente me tornarei.

Em Isaías 53:6 diz “o Senhor pôs sobre ele a iniquidade de todos nós”. Mostra-se que a mesma palavra hebraica para “carregar” é usada alguns versos depois, no verso 12, “ele fez intercessão pelos transgressores”. A mesma palavra hebraica é traduzida como significando “fez intercessão”, mostrando claramente que “fazer intercessão” e “fazer expiação por” são sinônimos de “carregar o pecado”, o que vindica a leitura católica de Isaías 53:11. Para mais em Isaías, veja este artigo.

Quando Pedro diz que Jesus levou nossos pecados (1Pedro 2:24), a palavra grega aqui usada não significa tanto “levar” algo como se fosse “erguer”. Interessantemente, das 9 vezes que esta palavra é usada no Novo Testamento, ela jamais é usada como significando “carregar” algo, mas em vez disso “subir a montanha” (Mt 17:1, Mc 9:2), ou “ascender os céus” (Lc 24:51), ou mesmo “oferecer um sacrifício” (Hb 7:27, 9:28, 13:15; Tg 2:21; 1Pe 2:5). Dado que ela é usada para significar “ofertar” sacrifício a maior parte do tempo, especialmente no contexto de 1Pedro 2:5, então pode facilmente ser dito que é assim que ela deve ser referida em 1Pedro 2:24. (Um detalhe legal que eu achei no Antigo Testamento Grego foi que das mais de 150 ocorrências desta palavra grega para “ofertar”, ela se referia ao sacrifício por vota de 70% das vezes que é usada, p.ex. Gn 8:20, 22:2-3; Ex 24:5, 29:18,25; Lv 4:31; assim este detalhe não seria ignorado pela audiência original que lia a Primeira Missiva de Pedro.)

Como, esperadamente, é possível cogitar, a visão católica da Expiação é exaustivamente bíblica e conforma com a evidência bíblica e pode ser verificada de múltiplos ângulos. Isto significa que a visão protestante da Expiação é bastante deficiente e bem antibíblica, e portanto deve ser imediatamente abandonada por qualquer pessoa que seja honesta consigo mesma.


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Um comentário sobre “Traduções Católicas: O Ensino Bíblico de “Levar os Pecados” — Mais Problemas com a Substituição Penal

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