Traduções Crédulas: Deus Matou a Figueira Injustamente?

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Uma sobre a figueira que Jesus secou em uma de suas paragens…

Jesus matou injustamente a figueira?

JPH from Tektonics

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fonte: Did Jesus wrongly kill the fig tree?

[19] e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e, não tendo achado senão folhas, disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente.
[20] Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira?
[21] Jesus, porém, respondeu-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até se disserdes a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito;
{Mateus 21:19-21 Almeida Recebida}

[12] No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome,
[13] e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos.
[14] E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso.
{Marcos 11:12-14 Almeida Recebida}

Objeção: Como pode Jesus ser sem-pecado se ele ficou irado e irritado contra a figueira?

Isto é uma não-objeção. Não há nenhuma indicação de irritação ou desgosto na atitude de Jesus; como isto poderia ser lido em cima do texto?

Mesmo que ele tivesse se irritado, ainda não vi nenhum mandamento “Não se irritarás”. E ainda que isto fosse pecado, o que os críticos fazem sobre as ervas daninhas em seus quintais? Eles as matam com herbicidas? Ou eles se irritam e as arrancam, e portanto pecam por não serem gentis com elas?

Não haveria figos nas árvores em abril. Jesus estava pedindo pelo impossível. Mesmo Marcos admite que não era a estação para figos.

Uma explicação comum para que a figueira em questão não tenha produzido “pré-figos” (figos bem jovens, meio comestíveis) que deveria ter vindo junto com as folhas. Portanto ela era estéril e inútil – e portanto se tornou um símbolo profético e um objeto de lição: o que não produz fruto deverá ser cortado – como uma erva daninha.

Isto está correto mas ainda incompleto. Ao longo do AT, e no NT, a figueira como símbolo é ligada à esperança – e murchamento é ligado a julgamento:

Quando eu os colheria, diz o Senhor, já não há uvas na vide, nem figos na figueira; até a folha está caída; e aquilo mesmo que lhes dei se foi deles. {Jr 8:13 AR}
[10] Achei a Israel como uvas no deserto, vi a vossos pais como a fruta temporã da figueira no seu princípio; mas eles foram para Baal-Peor, e se consagraram a essa coisa vergonhosa, e se tornaram abomináveis como aquilo que amaram. [16] Efraim foi ferido, secou-se a sua raiz; eles não darão fruto; sim, ainda que gerem, eu matarei os frutos desejáveis do seu ventre.{Os 9:10,16 AR}
Todas as tuas fortalezas serão como figueiras com figos temporãos; sendo eles sacudidos, caem na boca do que os há de comer.{Na 3:12 AR}

[6] E passou a narrar esta parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha; e indo procurar fruto nela, e não o achou.
[7] Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a; para que ocupa ela ainda a terra inutilmente?
[8] Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que eu cave em derredor, e lhe deite estrume;
[9] e se no futuro der fruto, bem; mas, se não, cortá-la-ás.
{Lucas 13:6-9 Almeida Recebida}

Note também que na era messiânica, frutificação era sinal de bênção:

No meio da sua praça, e de ambos os lados do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a cura das nações.{Rv 22:2 AR}

Witherington (comentário sobre Mateus, 312) acrescenta que a figueira era um sinal especial de frutificação para Israel. Geralmente era o fruto oferecido para trazer as primícias ao Templo. A figueira era um “emblema de paz e prosperidade” e na era messiânica era pensada que desse frutos (313).

Estes pontos servem para responder a questão de por que Jesus esperava figos – naquela época do ano (abril; a estação normal seria muito depois) quando não haveria nenhuma normalmente. Enquanto ele se aproximava de Jerusalém, sua aceitação como Messias teria inaugurado a era messiânica.

Conferir a figueira para frutos fora de época era um sinal: Tivesse ele encontrado frutos (que normalmente viriam após as folhas), seria um sinal do reino messiânico vindouro.

Desde que ele não encontrou frutos, a árvore se tornou um símbolo da Israel estéril, e da sua rejeição, e estava murcha – em linha com os julgamentos do AT prescritos anteriormente. A secura da figueira é uma parábola ordenada (daquela anotada em Lucas) e uma demonstração profética.

Perguntar por que Jesus estava “irritado” ou “descontente” é perder a significância do episódio… E Marcos está de fato oferecendo um duplo significado quando ele diz que não era “a estação dos figos”. A estação em questão não era a estação normal de figos, mas a estação ou tempo do Messias.

A palavra grega que Marcos usa também é usada de uma maneira fortemente simbólica:

[1][14] Ora, depois que João foi aprisionado, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho de Deus
[1][15] e dizendo: O tempo está cumprido, e é chegado o reino de Deus. Arrependei-vos, e crede no evangelho.
[12][2] No tempo próprio, enviou um servo aos lavradores para que deles recebesse do fruto da vinha.
{Marcos 1:14,15, 12:2 Almeida Recebida}

Temos outro problema. Existe contradição cronológica entre as recapitulações de se Jesus atacou as mesas dos cambistas (Mt 21:12) e depois amaldiçoou a figueira (Mt 21:19), ou amaldiçoou a figueira (Mc 11:14) e então atacou os cambistas (Mc 11:15).

A solução correta, que reconhece a prática historiográfica antiga de arranjar o material de arranjar o material (em breve!) em tópicos para fins didáticos, em vez de seguir uma cronologia estrita, é recusada pelo cético como uma resolução que “beira o patético”. Eu encaro tal recusa crua das antigas práticas literárias como sendo mais merecedora de tal descrição.

Mas no evangelho de Mateus a figueira mirrou imediatamente, enquanto em Marcos a figueira seca no dia seguinte.

Na realidade, se quisermos ser particulares, não é isto que Marcos diz. Marcos não fala nada acerca de quando a árvore secou; ele diz que no dia seguinte Pedro em particular notou a árvore seca.

E se nós realmente quisermos ir aos detalhes, a palavra traduzida como “imediatamente” (paracrema) é a mesma usada em Atos 16:33, em que o guarda de Paulo foi “imediatamente” batizado junto com a família. Então, a “clara” marcação cronológica tem um certo grau de latitude.

Mais significante, o maravilhamento dos discípulos sobre a secura da árvore toma lugar “quando os discípulos viram isto…” que certamente não é específica em termos de tempo decorrido, e pode bem ser o dia seguinte como recontado por Marcos (tendo em vista nossa lição sobre narrativa descronologizada).

Finalmente, o argumento decisivo aqui é que a narrativa de Marcos clara e inquestionavelmente está encaixada num padrão de intercalação usado ao longo de seu Evangelho, de tal forma que de uma vez só quaisquer questões de cronologia se tornam acadêmicas quando este padrão vem à tona.


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