Traduções Católicas: Como Usar Tiago 2:24 Mais Eficazmente

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Mais um post para o rol de argumentações católicas! Esta será parte de uma série de críticas ao Sola Fide. É, vou me aventurar por essas bandas por ora! Dado que isto tem muito, muito a ver com a teoria da expiação penal, falarei bastante sobre isso…

Enfim, leiam e reflitam!

Como Usar Tiago 2:24 Mais Eficazmente

por CatholicNick

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fonte: How to use James 2:24 most effectively

Como todos estão bem atentos, Tiago 2:24 é um favorito católico quando se vem a refutar a heresia protestante conhecida como Sola Fide (i.e. Justificação pela Fé Somente). O que muitos protestantes e católicos não sabem é que Tiago 2:24 não é de maneira nenhuma o único recurso para lidar com Sola Fide, católicos têm bem mais textos bíblicos tão eficazes quanto este para lidar com essa heresia. Dito isto, o propósito deste post é ensinar católicos como usar Tiago 2:24 mais eficazmente, desde que existem diversas “saídas protestantes” que em uma primeira olhada parecem plausíveis. Creio que o melhor método para abordar isto é providenciar uma lista de pontos para manter em mente quando discutindo este verso com protestantes.

O contexto de Tiago 2:24 é Tiago 2:14-26

Muitas pessoas esquecem a máxima, “texto sem contexto é pretexto”. Em outras palavras, seja cuidadoso quando um verso solto da Escritura é apresentado, porque arrancado de seu contexto ele pode na verdade significar algo completamente diferente. Neste caso, o católico não tem a temer porque o apelo ao verso 24 leva em consideração não apenas o contexto imediato, mas o da Epístola de Tiago como um todo. O contexto desta Epístola, em especial sua perícope, é que os cristãos não estão vivendo seu chamado como cristãos e em vez disso vivendo como hedonistas e materialistas. Muitos protestantes falham em perceber isto quando analisando 2:24, o que acaba por fazer sua abordagem parecer mais plausível do que realmente é. É bem importante que o católico tenha lido a Epístola de Tiago (é bem curta e fácil de ler), e especialmente esteja atento do que 2:14-26 diz.

O verso-tese é Tg 2:14, e não 2:18 (nem mesmo 2:24)

Protestantes geralmente alegam que Tiago está focado em “mostrar que sua fé é genuína”, como 2:18 parece afirmar (mais sobre isto daqui a pouco), em vez de em “ser salvo”. Se alguém simplesmente examinar a introdução de Tiago a esta lição, verá que a abordagem protestante é incorreta: “Que proveito há, meus irmãos se alguém disser que tem fé e não tiver obras? Porventura essa fé pode salvá-lo? A questão que Tiago está perguntando é se fé (por si só) irá “salvar o cristão, significando que o assunto é muito certamente “ser salvo e não provar que você já está salvo. Desde que Tiago está falando a irmãos em Cristo, isto significa que eles já são crentes (Tg 2:1), portanto este “salvar deve ser em referência à salvação futura em vez da conversão (i.e. salvação inicial). Mais importante, Tiago está fazendo uma pergunta, que ele está prosseguindo em responder nos versos 2:15-26, portanto sua resposta (incluindo verso 24) devem ser do mesmo assunto para ser coerente e logicamente válido.

Tiago está falando de fé “em si mesma”, não de “falsa fé”

A objeção protestante clássica é que Tiago fala contra ‘fé falsa’, que eles definem como “fé que meramente reconhece fatos mas não tem verdadeiramente uma convicção no coração”. Esta fé, sendo uma “fé não-salvífica”, jamais salva para começar, e portarnto falha em produzir boas obras, o que então provaria que o “cristão não foi nunca salvo para começar”. Então, quando um protestante vê Tiago mencionar ‘fé morta’, e tal, ele interpregta isto como uma ‘fé inerentemente estéril’ que não pode e nunca salvou. Enquanto isso pode parecer plausível, a verdade é que não se encaixa com o que Tiago está falando, e portanto é uma falsa interpretação. Na realidade, Tiago nunca está distinguindo entre dois ‘tipos’ de fé, uma “inerentemente não-salvífica” e uma “inerentemente salvífica”. Esta categorização é totalmente a-bíblica, e terminologia tal como ‘fé salvífica’ não é achada em lugar nenhum; é completamente forjada. Este erro protestante pode ser demonstrado de diversas maneiras, particularmente fazendo uma simples ‘substituição’ do termo “fé não-salvífica” em qualquer lugar que Tiago mencione fé. Tome o verso 14 como exemplo: “pode fé não-salvífica salvá-lo?”. Agora, isto faz algum sentido? Estaria Tiago seriamente perguntando se ‘fé não-salvífica’ salva alguém? Tal questão é absurda e dificilmente precisara de doze versos para explicar. Outro exemplo, verso 17: “Assim também a fé não-salvífica, se não tiver obras, é morta em si mesma.” Então estaria Tiago tentando demonstrar que “fé não-salvífica” não tem obras e é morta? Isto é algo que de fato ser provado? Não. Isto demonstra que a abordagem protestante dos dois tipos de fé é patentemente falsa.

Dado isto, Tiago não está falando hostilmente da fé em si mesma, de forma alguma, em vez disso o problema é quando boas obras não acompanham a (já boa) fé. Note a linguagem; “tem fé mas não obra”, fé por si só, se não tem obras, “fé à parte de obras” etc.

Quando Tiago fala coisas como “mostre-me sua fé”, o que ele quer dizer?

Como notado anteriormente, a fim de desviar o assunto da salvação, protestantes tem argumentado que o contexto de Tiago é o de mostrar sua ‘verdadeira fé’ pela manifestação externa de boas obras (o que, como também notado acima, eles falsamente ensinam que fluirá automaticamente da ‘verdadeira fé’). Por causa disso, protestantes se tornam fixados em Tiago 2:18-19, alegando que a ‘fé de demônios’ que Tiago descreve é a ‘falsa fé’ que nunca salva em primeiro lugar e portanto não produzirá boas obras automaticamente. Mas não é disto que Tiago está falando. A fraseologia de “mostrar” não é a de uma manifestação pública e visível de boas obras, mas em vez disso de “provar seu argumento”, como em “mostre-me que seu argumento é válido”. (Lexicons padrão até mesmo indicam que a palavra grega para “mostrar” é usada metaforicamente para provar um argumento.) Como isto é provado? Porque quando Tiago diz “quer que mostre”, ele não sai diante deles a fazer boas obras, em vez disso ele prossegue (em 2:20ff) a usar Abraão como exemplo do argumento de Tiago. Em outras palavras, Tiago está “mostrando” mediante “provar seu argumento”, ele não está focado em manifestações públicas de boas obras para provar que ele possui ‘fé verdadeira’. Esta ideia continua a ser construída enquanto continuamos.

O que Tiago quer dizer com o termo “justificar”?

Com a nossa análise, protestantes não podem permitir o termo “justificar” como se falasse de salvação. Dado isso, quando Tiago usa o termo “justificar”, protestantes alegam que “justificar” nesta situação significa “vindicar” (i.e. provar como sendo verdadeiro), em vez de “salvar”. Portanto quando Tiago diz que um homem é justificado por obras, protestantes interpretam isto como “vindicado por obras” (i.e. provaram ter ‘fé verdadeira’ pelo testemunho de suas obras). Enquanto o termo “justificar” pode significar vindicar, o contexto é que ultimamente decide isto. Neste contexto, lembre-se do primeiro ponto feito: o contexto é 2:14-26, com a tese sendo 2:14, e o assunto da disputa sendo salvação futura. Portanto, quando Tiago responde sua questão-tese sobre salvação, ele deve estar usando “justificar” como sinônimo de “salvar”. Para apoiar este ponto, no verso 2:23, Tiago cita a epítome da ‘justificação salvífica’, Gênesis 15:6 (Romanos 4:3), significando que Tiago deve estar no mesmo assunto – ou então ele estaria equivocado com o termo justificar, indo de ‘vindicar’ no verso 21, para ‘salvar’ no verso 23, e voltando para ‘vindicar’ no verso 24. (Ironicamente, usando sua própria abordagem enviesada protestantes seriam fortemente pressionados a por que Paulo não está usando o “justificar” significando “vindicar” (em vez de “salvar”) em lugares como Romanos 4.)

O exemplo de Abraão sendo justificado por obras

Neste ponto, está claro que os protestantes considerarão o exemplo de Abraão sendo ‘justificado por obras’ uma lição de como Abraão provou a seus irmãos crentes que ele tinha fé verdadeira. Novamente, o católico deve manter em mente que tudo isso é uma grande pressuposição protestante, de nenhuma maneira provada. Mas mais importante, esta grande pressuposição vai diretamente contra os seguintes fatos:

  1. Tiago está referenciando o famoso evento de Gênesis 22, onde Abraão estava a sacrificar Isaque, e mesmo assim nesta mesma situação, foi Deus que comandou Abraão a fazer isto e era para ser feito diante de Deus somente (sempre referencia Gn 22:1-2, 9-12), que é o porquê de Abraão ter comandados seus servos permanecerem onde estavam (Gn 22:5). Se Tiago estava pensando como um protestante aqui, ele pegou o pior exemplo possível, porque isto é a antítese de fazer obras diante dos homens. Em vez disso, isto é sobre ser justificado diante de Deus, a própria coisa que os protestantes estão tentando se afastar.
  2. O evento de Gênesis 22 aconteceu anos após o evento de Gênesis 15:6 (que Tiago também cita). Se tIago está tentando provar que boas obras fluem automaticamente da pessoa que tem “fé verdadeira”, ele novamente pegou o pior exemplo, pois aqui o exemplo primário de uma boa obra não seguiu de Abraão por muitos anos depois! Isto só pode significar que a pressuposição protestante novamente falha.
  3. Se Tiago estava discutindo a natureza da ‘verdadeira fé’ versus ‘falsa fé’, por que ele usou Gênesis 15:6 como seu exemplo primário? Quem é que iria questionar se a fé de Abraão era ou não genuína? O texto claramente diz que a fé de Abraão encontrou favor em Deus, quem somos nós ou qualquer outro para questionar a validade disto? Abraão realmente precisava “provar” que sua fé era genuína? Novamente, o caso protestante não faz sentido.
  4. Tiago 2:22-23 indica que a fé de Abraão foi “ativa com obras” e “completa com obras”, e que a obra de Abraão (sacrificar Isaque) cumpriu uma profecia escritural encapsulada em Gênesis 15:6. Em outras palavras, Gênesis 15:6 não está sozinho, ele contém um ‘cumprimento’! E para apoiar isto, é desta forma que os judeus pré-cristianismo entendiam também. Por exemplo em 1Macabeus 2:52 (um livro do Antigo Testamento que católicos aceitam como Escritura mas protestantes rejeitam) diz-se: “Porventura não foi na prova que Abraão foi achado fiel? E não lhe foi isto contado como justiça?” Caso não tenha pego a ideia, macabeus descreve o sacrifício de Isaque por Abraão usando a mesma linguagem (“creditado a ele como justiça”, “reputado para ele como justiça”) de Gênesis 15:6, incluindo a tradução grega (Septuaginta)! Muitas pessoas não sabem disso.

Entendendo o significado de Tiago 2:24, “Vedes, pois, como o homem fica justificado pelas obras e não somente pela fé”

Finalmente chegamos ao verso mais importante, e com tudo que foi estabelecido até agora, podemos estar bastante confiantes que a abordagem católica não tem nenhum mérito (e até mesmo mina o texto sagrado), enquanto a abordagem católica é a única que harmoniza tudo. Como com os pontos anteriores, Deus providencialmente inspirou este texto para ser escrito de uma tal forma a fim de asfixiar qualquer tentativa de distorcer seu verdadeiro sentido (i.e. que o crente possa aumentar sua justificação diante de Deus fazendo boas obras). O primeiro detalhe a focar é que Tiago está concluindo seu argumento no verso 24 (que ele introduziu no verso 14) com “Vede, pois” (i.e. a tese está provada). Segundo, o termo “justificar” aqui é distributivo, isto é, ele aplica-se duas vezes, uma para obras e outra para fé, e mantém a mesma definição em cada caso (ou então seria uma equivocação). Portanto, quando examinando a maneira que o verso é escrito, o assunto é entre obras “justificando” e fé (sozinha) não “justificante”, e mesmo assim se alguém injeta o “fé não-salvífica” na passagem, ela se torna sem sentido: quem sugeriria em algum momento que um homem é justificado por fé não-salvífica? Ou se o protestante toma isso como sendo “vindicado”, a falta de sentido permanece: Tiago estaria “provando” que um homem não é vindicado por uma “falsa fé” que por definição não vindica. Terceiro, o termo “somente” aqui não é um adjetivo modificando o nome “fé”, como se estivesse criando um tipo único de fé chamada “fé somente”, mas em vez disso um advérbio modificando o verbo “justificado”. Em outras palavras, é meljhor traduzido como “fé apenas” em vez de “fé somente”. Então, quando expandindo o verso original, Tiago 2:24 está de fato afirmando: um homem não é justificado por fé, mas também [é justificado] por obras. Espantosamente, alguns protestantes na realidade sugerem que isto indica que Tiago está falando de dois tipos de justificação, sem imaginar que ele usa o termo “justificar” uma vez e que seria equivocação assumir que ele está usando a mesma palavra para dizer “salvar” e no mesmo respiro usá-la novamente significando “vindicar”.

Um detalhe final mas necessário: Tiago 2:26: “Assim como o corpo sem alma está morto, assim também a fé sem obras está morta”{Capuchinhos}

A analogia que Tiago dá é de puro brilho, pois é impossível perder o ponto: ele não está falando de dois ‘tipos’ de fé, uma falsa e uma real, mas em vez disso de apenas um tipo de fé sob dois ‘modos’ (viva ou morta). Se a interpretação protestante fosse correta, Tiago estaria fazendo uma comparação entre um corpo falso e um verdadeiro! Fé por si só é bom, mas à parte de boas obras (p.ex. em pecado, Tiago 2:15-17), a fé ‘morre’ e não mais salva. É por isto que católicos ensinam que Fé apenas justifica se ‘animada’ pela Esperança e Amor (cf. 1Co 13:2,13; Gl 5:6), caso contrário é só crença (que é boa em si mesma, mas não é suficiente). Protestantes ensinam que “fé verdadeira” automaticamente virá acompanhada de Esperança e Amor, mas fé é tudo que é necessário para justificação (i.e. Esperança e Amor estão incidentalmente presentes, essencialmente apenas para demonstrar que a fé é da variedade ‘real’). A descrição protestante, apesar de soar boa, na realoidade não é bíblica e baseia-se em vários erros teológicos.

A leitura católica de Tiago 2:24 contradiz Paulo (p.ex. em Romanos 4:2-3)?

A resposta é não, e a razão é fácil: as “obras” que Paulo está falando contra eram “obras da lei [mosaica]” (Rm 3:28ff, 4:9ff), enquanto Tiago está falando de boas obras feitas em união com Cristo. (Nota Bene: sacrificar o próprio filho nem mesmo é um comando da lei mosaica.) Protestantes comumente perdem esta simples ‘solução’ porque eles recusam-se a distinguir categoricamente entre “obras da lei mosaica” e obras em geral, feitas em união a Cristo – as ‘obras’ não são as mesmas.


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2 comentários sobre “Traduções Católicas: Como Usar Tiago 2:24 Mais Eficazmente

  1. Se entendi bem, no final das contas, allguem que esta nos ultimos instantes de vida e que apenas manifesta fé no Cristo, o que e bom, mas nao suficiente, como diz o texto, e em seguida morre sem a oportunidade de praticar boas obras, nao poderá ser salvo. Correto?

    • Do pouco que sei, um católico costuma responder que estes casos – como o ladrão na cruz – são pontos fora da curva, e não a regra geral. (Há quem diga
      que a manifestação audível do ladrão também contaria como obra, mas preciso procurar um tanto mais).

      P.S.:achei isto de uma página católica:

      Seguramente, nossos irmãos protestantes refutarão o que foi dito acima com base na narrativa da Crucificação de Cristo, haja vista a promessa do Paraíso feita ao bom ladrão. Não obstante, no caso do bom ladrão temos o exemplo de alguém que pouco antes de morrer recebeu não apenas a graça da fé justificante, que o levou a confessar Cristo como o Senhor, mas que praticou a boa obra de defendê-lo da injustiça dos seus executores. Apesar de sua condição, o bom ladrão fez tudo o que lhe era possível fazer para reconciliar-se com Deus, isso aos olhos dEle foi suficiente para assegura-lo o Paraíso. Mas e quanto a santificação? perguntam-nos os protestantes. Ora, a salvação do bom ladrão Dimas serve acima de tudo para atentar-nos sobre a benevolência Divina. Deus é misericordioso e assim pois favorece a quem quer favorecer e usa de misericórdia com quem quer usar de misericórdia (Ex. 33,19).

      http://www.paraclitus.com.br/2012/cartas-do-leitor/protestantes-argumentam-que-somente-a-fe-e-suficiente-para-a-salvacao-para-nos-catolicos-e-a-fe-somada-as-obras/

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