Traduções Católicas: “Expiação” de acordo com a Escritura – Mais Problemas com a Substituição Penal

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Este post tem mais relação com meus pensamentos acerca da invalidade da expiação penal – ainda que ela seja defendida por quase todos os arminianos que tenho notícia. Este é um post do Nick acerca de como a expiação é tratada na Escritura, e por que a teoria penal não faz jus a ela.

“Expiação” de acordo com a Escritura – Mais Problemas com a Substituição Penal

por CatholicNick

Tradução: Credulo from this Ecumenical Blog

Apesar do termo “expiação” ser frequentemente lançado, especialmente quando discutindo o Sacrifício de Cristo, muitos protestantes não realizam como o uso deste termo no Antigo Testamento realmente se põe diretamente contra suas próprias alegações do que significa “expiação”. O entendimento protestante errôneo da Expiação, popularmente conhecido como Substituição Penal, acarreta a noção de uma parte culpada tendo sua culpa `imputada’ em cima de um substituto inocente, que então recebe a punição que a parte culpada merecia, e então acarretando `perdão’ de seus pecados. Este entendimento errôneo é de tal forma demasiado frequentemente projetado nos sacrifícios levíticos prescritos pela Torah. Uma análise simples de como o termo hebraico para “expiação” é usado no Antigo Testamento irá iluminar propriamente como “expiação” deve ser entendida aqui e, por extensão, acerca de Cristo – Aquele que é o cumprimento de tais símbolos e tipos do AT.

O termo hebraico kaphar (H03722) significa `realizar expiação’, `propiciar’, `cobrir [o pecado]’, `purificar’ etc., e é usado umas 90 vezes no Antigo Testamento (majoritariamente acerca de sacrifícios, como seria esperado). Irei assinalar (em vermelho) alguns exemplos claros de expiação/propiciação tomando lugar no Antigo Testamento (onde “kaphar” aparece) que não envolvem transferência de punição afinal, mas de fato um `afastar da ira’ todos juntos.

E direis também: Eis que o teu servo Jacó vem atrás de nós. Porque dizia: Aplacá-lo-ei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará. {Gn 32:20 AR}

A abordagem de Gênesis 32:13-21 é de Jacó reunindo-se com seu irmão Esaú. Para aqueles que desconhecem o infame passado entre eles, saibam que os irmãos não estavam em bom acordo. Neste caso, Jacó planejou apaziguar (`expiar’) a ira de seu irmão contra ele oferecendo-lhe um presente. Em sentido algum Jacó estava indo defletir a ira de seu irmão em cima de um terceiro inocente.

[15] O rico não dará mais, nem o pobre dará menos do que o meio siclo, quando derem a oferta do Senhor, para fazerdes expiação por vossas almas.

[16] E tomarás o dinheiro da expiação dos filhos de Israel, e o designarás para o serviço da tenda da revelação, para que sirva de memorial a favor dos filhos de Israel diante do Senhor, para fazerdes expiação por vossas almas.

{Ex 30:15-16 AR}

Aqui Moisés está dando instruções (Ex 30:11-16) para uma `taxa de censo’ sobre os israelitas. O que é especialmente interessante (e bastante significativo) é que esta `expiação’ é descrita em termos de um “resgate” (H03724 “kopher”, que é bem semelhante à palavra hebraica para “expiação”). Isto é significativo porque a Vida de Cristo é frequentemente declarada como sendo um `resgate’ e uma `redenção’ (ambos os termos se referindo como comprar algo por preço). Aqui o resgate/expiação protege-os de experimentar uma praga devido à ira de Deus contra desobediência. Mas nada sugere que a ira é defletida em cima de um substituto.

No dia seguinte disse Moisés ao povo Vós tendes cometido grande pecado; agora porém subirei ao Senhor; porventura farei expiação por vosso pecado.

{Ex 32:30 AR}

[19] Fizeram um bezerro em Horebe, e adoraram uma imagem de fundição.

[20] Assim trocaram a sua glória pela figura de um boi que come erva.

[21] Esqueceram-se de Deus seu Salvador, que fizera grandes coisas no Egito,

[22] maravilhas na terra de Cão, coisas tremendas junto ao Mar Vermelho.

[23] Pelo que os teria destruído, como dissera, se Moisés, seu escolhido, não se tivesse interposto diante dele, para desviar a sua indignação, a fim de que não os destruísse.

{Sl 106:19-23 AR}

 

[13] Disse-me ainda o Senhor: Atentei para este povo, e eis que ele é povo de dura cerviz;

[14] deixa-me que o destrua, e apague o seu nome de debaixo do céu; e farei de ti nação mais poderosa e mais numerosa do que esta.

[15] Então me virei, e desci do monte, o qual ardia em fogo; e as duas tábuas do pacto estavam nas minhas duas mãos.

[16] Olhei, e eis que havíeis pecado contra o Senhor vosso Deus; tínheis feito para vós um bezerro de fundição; depressa vos tínheis desviado do caminho que o Senhor vos ordenara.

[17] Peguei então das duas tábuas e, arrojando-as das minhas mãos, quebrei-as diante dos vossos olhos.

[18] Prostrei-me perante o Senhor, como antes, quarenta dias e quarenta noites; não comi pão, nem bebi água, por causa de todo o vosso pecado que havíeis cometido, fazendo o que era mau aos olhos do Senhor, para o provocar a ira.

[19] Porque temi por causa da ira e do furor com que o Senhor estava irado contra vós para vos destruir; porém ainda essa vez o Senhor me ouviu.

[20] O Senhor se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei a favor de Arão ao mesmo tempo.

[21] Então eu tomei o vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei a fogo e o pisei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o seu pó lancei no ribeiro que descia do monte.

[22] Igualmente em Tabera, e em Massá, e em Quibrote-Hataavá provocastes à ira o Senhor.

[23] Quando também o Senhor vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi, e possuí a terra que vos dei; vós vos rebelastes contra o mandado do Senhor vosso Deus, e não o crestes, e não obedecestes à sua voz.

[24] Tendes sido rebeldes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci.

[25] Assim me prostrei perante o Senhor; quarenta dias e quarenta noites estive prostrado, porquanto o Senhor ameaçara destruir-vos.

[26] Orei ao Senhor, dizendo: Ó Senhor Jeová, não destruas o teu povo, a tua herança, que resgataste com a tua grandeza, que tiraste do Egito com mão forte.

[27] Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaque e Jacó; não atentes para a dureza deste povo, nem para a sua iniquidade, nem para o seu pecado;

[28] para que o povo da terra de onde nos tiraste não diga: Porquanto o Senhor não pôde introduzi-los na terra que lhes prometera, passou a odiá-los, e os tirou para os matar no deserto.

[29] Todavia são eles o teu povo, a sua herança, que tiraste com a sua grande força e com o teu braço estendido.

{Dt 9:13-29 AR}

Êxodo 32 descreve a infame história do bezerro de ouro, que é recontada várias outras vezes na Escritura por causa de seu grande pecado e escândalo. Claramente, o Senhor ouviu a intercessão e súplicas de Moisés, fazendo expiação por eles e cedendo a nação inteira da total aniquilação. Isto é bem distante de Deus redirecionando Sua ira em um substituto, a saber o próprio Moisés.

[41] Mas no dia seguinte toda oa congregação dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão, dizendo: Vós matastes o povo do Senhor.

[42] E tendo-se sublevado a congregação contra Moisés e Arão, dirigiu-se para a tenda da revelação, e eis que a nuvem a cobriu, e a glória do Senhor apareceu.

[43] Vieram, pois, Moisés e Arão à frente da tenda da revelação.

[44] Então disse o Senhor a Moisés:

[45] Levantai-vos do meio desta congregação, para que eu, num momento, a possa consumir. Então caíram com o rosto em terra.

[46] Depois disse Moisés a Arão: Toma o teu incensário, põe nele fogo do altar, deita incenso sobre ele e leva-o depressa à congregação, e faze expiação por eles; porque grande indignação saiu do Senhor; já começou a praga.

[47] Tomou-o Arão, como Moisés tinha falado, e correu ao meio da congregação; e eis que já a praga havia começado entre o povo; e deitando o incenso no incensário, fez expiação pelo povo.

[48] E pôs-se em pé entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.

[49] Ora, os que morreram da praga foram catorze mil e setecentos, além dos que morreram no caso de Corá.

[50] E voltou Arão a Moisés à porta da tenda da revelação, pois cessara a praga.

{Nm 16:41-50 AR}

Esta é outra infame história da rebelião de Corá, e aqui os israelitas estão murmurando contra Moisés e Deus, o que resultou em uma praga ao longo do acampamento. Como nos exemplos anteriores, vemos o tema da intercessão (mediante boas obras, como incenso), para os pecadores, apaziguando/propiciando a ira de Deus, e não uma parte inocente levando a queda.

[1] Ora, Israel demorava-se em Sitim, e o povo começou a prostituir-se com as filhas de Moabe,

[2] pois elas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu, e inclinou-se aos seus deuses.

[3] Porquanto Israel se juntou a Baal-Peor, a ira do Senhor acendeu-se contra ele.

[4] Disse, pois, o Senhor a Moisés: Toma todos os cabeças do povo, e enforca-os ao senhor diante do sol, para que a grande ira do Senhor se retire de Israel.

[5] Então Moisés disse aos juízes de Israel: Mate cada um os seus homens que se juntaram a Baal-Peor.

[6] E eis que veio um homem dos filhos de Israel, e trouxe a seus irmãos uma midianita à vista de Moisés e à vista de toda a congregação dos filhos de Israel, enquanto estavam chorando à porta da tenda da revelação.

[7] Vendo isso Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, levantou-se do meio da congregação, e tomou na mão uma lança;

[8] o foi após o israelita, e entrando na sua tenda, os atravessou a ambos, ao israelita e à mulher, pelo ventre. Então a praga cessou de sobre os filhos de Israel.

[9] Ora, os que morreram daquela praga foram vinte e quatro mil.

[10] Então disse o Senhor a Moisés:

[11] Finéias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, desviou a minha ira de sobre os filhos de Israel, pois foi zeloso com o meu zelo no meio deles, de modo que no meu zelo não consumi os filhos de Israel.

[12] Portanto dize: Eis que lhe dou o meu pacto de paz,

[13] e será para ele e para a sua descendência depois dele, o pacto de um sacerdócio perpétuo; porquanto foi zeloso pelo seu Deus, e fez expiação pelos filhos de Israel.

{Nm 25:1-13 AR}

[30] Então se levantou Finéias, que executou o juízo; e cessou aquela praga.

[31] E isto lhe foi imputado como justiça, de geração em geração, para sempre.

{Sl 106:30-31 AR}

Se os últimos exemplos não foram o suficiente, Números 25 descreve mais um grande pecado e rebelião dos israelitas. Desta vez um novo herói se apresenta, faz expiação (“desviou a minha ira”), e em vez de tomar a ira sobre si mesmo, ele recebeu uma bênção em vez disso.

[49] e disseram-lhe: Teus servos tomaram a soma dos homens de guerra que estiveram sob o nosso comando; e não falta nenhum de nós.

[50] Pelo que trouxemos a oferta do Senhor, cada um o que achou, artigos de ouro, correntes, braceletes, anéis, brincos e colares, para fazer expiação pelas nossas almas perante o Senhor.

{Nm 31:49-50 AR}

Números 31 descreve a abordagem na qual o Senhor levou Seu povo com sucesso em batalhas, e na qual eles deram a Deus uma oferta dos espólios como “expiação” por eles pela Sua Providencial proteção e vitória. (O termo para “oferta” aqui é “korban”, que é um termo relacionando animais e dons sacrificiais, em especial em Levítico.) Como nos exemplos anteriores, não faz o menor sentido que expiação possa ser feita com ofertas sacrificiais se a teoria protestante é correta na qual a expiação só pode ser feita se a ira é defletida em cima de um substituto inocente.

[6] Pela misericórdia e pela verdade expia-se a iniquidade; e pelo temor do Senhor os homens se desviam do mal.

[14] O furor do rei é mensageiro da morte; mas o homem sábio o aplacará.

{Pv 16:6,14 AR}

A primeira dessas duas passagens é bem interessante no que ela explicitamente afirma que verdade e misericórdia expiam o pecado! Isto é bastante incompatível com a noção protestante, mas bastante alinhada com muitas das passagens anteriores que demonstram como a expiação é realizada. A segunda destas duas passagens é sobre sabedoria apaziguando ira (mediante agradar o rei de alguma forma), e não faz sentido nenhum dizer que um homem sábio toma ira como substituto.

Agora, alguns podem objetar que todos os exemplos acima são de natureza diferente que os sacrifícios animais levíticos, e portanto qualquer implicação traçada dos exemplos acima é (no máximo) de secundária importância para entender o `real significado’ dos sacrifícios animais (i.e. Substituição Penal). Enquanto esta objeção tem algum mérito, é ônus do protestante mostrar por que os sacrifícios levíticos não seguem (e nem podem seguir!) o mesmo princípio dos exemplos anteriores – qualquer coisa menos que isso seria petição de princípio. Dito isto, há boa razão para nós examinarmos o sacrifício levítico para ver o que pode ser traçado dele.

Um dos mais definitivos textos acerca de sacrifícios animais vem de Levítico 17:10-11,

[10] Também, qualquer homem da casa de Israel, ou dos estrangeiros que peregrinam entre eles, que comer algum sangue, contra aquela alma porei o meu rosto, e a extirparei do seu povo.

[11] Porque a vida da carne está no sangue; pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas; porquanto é o sangue que faz expiação, em virtude da vida.

{Lv 17:10-11 AR}

A razão por que sangue é proibido é porque ele é a forca-vital de todas as coisas vivas (não confunda com alma), e portanto carrega uma função sagrada, fazendo expiação. O que é importante notar é que o sangue realiza expiação em virtude de sua força-vital, não em virtude de ser derramado. Em outras palavras, o foco aqui não é alguém inocente levando a culpa penal, mas em vez disso o valor da vida é de tal mensura que pode fazer expiação pelo pecado. Este ponto é feito especialmente claro no Novo Testamento:

[18] sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver, que por tradição recebestes dos vossos pais,

[19] mas com precioso sangue, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha, o sangue de Cristo,

{1Pe 1:18-19 AR}

Aqui, existe uma clara ligação entre “resgate” e o “sangue do cordeiro”, bem como um contraste entre o quanto o Sangue de Cristo excede infinitamente o valor de ouro e prata. Portanto, o ponto do sangue aqui não tem nada a ver com transferência de punição, portanto Substituição Penal não é a moldura na qual os judeus estavam operando. Com isto em mente, os diversos sacrifícios levíticos podem ser examinados.

Os quatro sacrifícios básicos eram a oferta queimada ou Holocausto (Lv 1), a oferta de grãos ou Oblação (Lv 2), a Oferta de Paz ou Comunhão (Lv 3) e a Oferta pelo Pecado (Lv 4). Elas poderiam ser oferecidas individualmente, ou em combinação, tudo dependendo das circunstâncias (por exemplo, um feriado judaico poderia requerer múltiplos sacrifícios, até mesmo muitos de um mesmo tipo). O que é interessante, ou mais ainda, revelador, é que enquanto estas diferentes ofertas variam em função, elas não obstante eram semelhantes em suas instruções. Por exemplo, advogados da Substituição Penal estabelecem que as instruções de `pôr as mãos na cabeça’ (e.g. Lv 4:4) do animal antes de matá-lo acarreta a imputação da culpa para o animal, e a consequente transferência da punição ao substituto inocente. Mas esta é simplesmente uma suposição, porque em lugar algum o texto indica que é intencionada uma `culpa transferida’. E isto não é tudo, a maior das falhas neste argumento é que sacrifícios que não envolvem pecado, como a Oferta de Paz, envolviam virtualmente as mesmas instruções de colocar as mãos sobre a cabeça do animal e matá-lo (e.g. Lv 3:2), apontando contra tal suposição. Em vez disso, tal ato de tocar a cabeça do animal deve ser algum rito de dedicação. E o simples fato que sacrifícios não envolvendo pecado eram mortos é um tiro sério contra toda a moldura da Substituição Penal. Outro fato que milita fortemente contra o sistema de Substituição Penal são instruções como aquelas encontradas em Levítico 5:11-13, que estabelecem que se alguém não puder dispor de um animal para a oferta de pecado, um punhado de farinha pode ser usado no lugar. (Claramente, um punhado de farinha não pode receber pena capital.) Uma nota final é que geralmente aquele que mata o animal e aquele que realiza expiação não são a mesma pessoa, e a desunião destes eventos conflita com a Substituição Penal. Tipicamente, o pecador matava o animal, e dali o sacerdote levítico aplicava o sangue de acordo com o ritual apropriado a fim de fazer expiação para o pecado (p.ex. Lv 4:27-31). Dados fatores como este (e tem mais), o advogado da Substituição Penal não apenas está assumindo o que tenta provar, ele de fato está indo contra a evidência bíblica.

Algumas passagens finais lidando com a expiação que são dignas de breve consideração:

  1. Ex 21:30 é um estatuto civil da Torah, que ensina que se um boi é sabido ser violento, e mata um irmão inocente judeu. o proprietário é sujeito à penalidade capital, apesar de que um “resgate” monetário (hebraico: kopher, veja nota acima) pode ser paga em lugar, “redimindo” a vida do proprietário.
  2. Nm 35:31-33 ensina que assassinato e homicídio não podem ser resgatados, e isto é porque tais crimes são tão sérios que nada menos que a própria vida do assassino poderia pagá-los. Isto é significativo pois os sacrifícios animais não serviriam para expiar tais pecados de qualquer forma, disprovando diretamente a noção de que a penalidade capital possa ser transferida para um animal inocente (e portanto os sacrifícios do AT não operavam numa moldura de Substituição Penal). De fato, as ofertas de pecado dos sacrifícios levíticos eram primariamente concernentes a pecados “não-intencionais” (e.g Lv 4:2) e pecados menores (não requerendo pena capital), enquanto pecados maiores (intencionais) permanentemente eliminavam a pessoa do povo israelita (e.g. Nm 15:27-30).
  3. Fortemente relacionadas com os dois pontos acima estão as instruções dadas em Dt 21:1-8, lidando com o assassinato desconhecido de um indivíduo. Desde que o assassino não é conhecido, a vila mais próxima deve matar uma vaca ali para simbolicamente lavar suas mãos de qualquer responsabilidade. Não existe transferência de pena capital desde que o verdadeiro assassino não está sendo liberto. Em vez disso, o conceito sendo transmitido é o de que Deus abomina `assassinatos não-resolvidos’ porque tal coisa é uma injustiça monstruosa para Ele e a sociedade.
  4. Expiação às vezes é feita para coisas não-vivas, como o altar (Ex 29:36-37; Lv 16:33), a terra (Nm 35:33), a casa (Lv 14:49-53), e em tais casos é utilizado para purificar um objeto não-santificado. Apesar de isto envolver morte de animais, obviamente não pode ter nada a ver com transferência de culpa.
  5. Alguns textos falam de fazer expiação por `oferta ou sacrifício’ (e.g. 1Sm 3:14, 2Sm 21:3-4), indicando que expiação é feita devido ao valor de algo e não como matéria de transferência de punição.

Conclusão: Após observar como a escritura do AT usa o termo “expiação” (bem como termos correlatos como “resgate”), não se vê o conceito de Substituição Penal sendo ensinado. Desde que o AT aponta e prenuncia o NT, claramente não existe precedente para onde assumir que a Substituição Penal é o que toma lugar no NT, especialmente dado que o sacrifício de Cristo é muito frequentemente ligada a sacrifícios levíticos (especialmente ao longo de todo o Livro de Hebreus). Em vez disso, existe evidência tanto direta quanto indireta apoiando a noção católica de expiação, popularmente chamada Satisfação, a qual espero que seja coberta em um post futuro.

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6 comentários sobre “Traduções Católicas: “Expiação” de acordo com a Escritura – Mais Problemas com a Substituição Penal

  1. Pingback: Traduções Católicas: O Ensino Bíblico de “Levar os Pecados” — Mais Problemas com a Substituição Penal | credulo

  2. Caro Crédulo, tenho percebido que você não é muito inclinado à substituição penal. Eu estou meditando sobre o assunto e queria saber se você pode indicar algum texto bom que você tenha encontrado nas suas pesquisas e que explique de forma “unilateral” a Satisfação, sem referências a teorias alternativas, mas uma afirmação e explicação positivas da doutrina católica.
    Fico agradecido

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