Traduções Crédulas: Deus Ama Seus Inimigos?

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Mais um artigo calvinista fazendo uma ponta neste site! É algo mais reflexivo e não se preocupa muito em defender coisas como eleição incondicional e graça irresistível, apenas em defender algo um pouco mais importante: amor e compaixão universais.

É algo útil mostrar que nem todos são estúpidos a ponto de afirmar que a única coisa que Deus sente pela raça humana seja ódio.

Deus Ama Seus Inimigos?

por Tommy Clayton, Content Developer and Broadcast Editor, Grace To You
Tradução: Credulo, blogueiro desocupado

Ainda posso lembrar da cadeira que eu estava sentado anos atrás quando li uma página edificante no livro de John MacArthur, The God Who Loves. Em uma economia de palavras, João expôs, confrontou, e mudou meu pensar sobre uma das mais críticas áreas da teologia, a natureza de Deus. meu entendimento do amor de Deus – especificamente Seu amor pelos não-eleitos – nunca mais foi o mesmo.

Por meses, eu tinha lutado com a questão de se o amor de Deus se estende além daqueles que Ele escolheu para salvação. “Deus ama toda a humanidade, mesmo os Judas Iscariotes e os Adolf Hitlers do mundo?” No momento eu não podia responder esta questão com qualquer grau de certeza. E apesar de eu estar apoiado em ensino bíblico convincente,  eu começara a acatar a ideia que os eleitos de Deus tinham monopólio do Seu amor. Não poderia reconciliar a ideia de um Deus amando Seus inimigos com os seguintes textos:

[5][5] Os arrogantes não subsistirão diante dos teus olhos; detestas a todos os que praticam a maldade.
[7][1] Senhor, Deus meu, confio, salva-me de todo o que me persegue, e livra-me;
[26][5] Odeio o ajuntamento de malfeitores; não me sentarei com os ímpios.
{Salmos 5:5,7:11, 26:5 Almeida Recebida}

Além destes textos problemáticos, eu estava agarrado a explícita afirmação sobre Deus odiar Esaú encontrada em Romanos 9 e Malaquias 1. Amei Jacó, odiei Esaú. Você deve admitir, é um verso difícil de refutar. O ódio divino não foi relacionado à conduta ou caráter de Deus. Ele estava enraizado nos Seus eternos e soberanos propósitos.

Quanto mais ponderava nestes versos, mais resistente me tornava em reconhecer o amor de Deus sobre toda a humanidade. Falhei em ver tais efeitos trágicos que tal pensamento tinha sobre meu fervor evangelístico. Eu adotei uma mentalidade hipócrita, pensando que Deus estava absolutamente rechaçado por descrentes – provavelmente tão repulsivo quanto eu estava. Me tornei cego a todas as Escrituras falando do inabalável amor e compaixão de Deus pelos perdidos. Em algum ponto do caminho, meu amor e compaixão pelos pecadores feneceu.

Eu estava convencido em minha própria mente. Deus ama os eleitos e odeia os não-eleitos. Fim de discussão.

Mas então, eu li as seguintes palavras de John MacArthur:

Escritura claramente diz que Deus é amor. O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas obras{Salmo 145:9 Almeida Recebida}. Cristo até nos comanda amar nossos inimigos, e a razão que Ele dá é esta: para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus; porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons, e faz chover sobre justos e injustos.{Mateus 5:45 Almeida Recebida}. A clara implicação é que de alguma forma Deus ama Seus inimigos. Ele ama tanto os bons quanto os maus, os justos quanto os injustos,  precisamente da mesma forma que somos comandados a amar nossos inimigos.

De fato o segundo maior mandamento, “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” {Mc 12:31 AR}(Cf. Lv 19:18), é um mandamento para nós amarmos a todos. Podemos estar certos que a abrangência deste mandamento é universal, porque Lucas 10 anota que um doutor da lei, desejando justificar a si mesmo disse a Jesus “E quem é meu próximo?” (Lc 10:29) — e Jesus respondeu com a Parábola do Bom Samaritano. O ponto? Até mesmo samaritanos, uma raça semipagã que corrompeu definitivamente a adoração judaica e a quem os inimigos geralmente detestavam como inimigos de Deus, eram vizinhos a quem eles eram comandados amar. Em outras palavras, o comando para amar o próximo se aplica a todos. Este amor aqui é claramente um amor universal indiscriminado.

Considere isto: Jesus completou perfeitamente a lei em cada aspecto (Mt 5:17-18), incluindo seu comando de amor universal. Seu amor pelos outros certamente foi tão longe quanto Sua própria aplicação do mandamento em Lucas 10. Portanto, podemos estar certos que Ele amou todos. Ele deve ter amado todos a fim de cumprir a Lei. Afinal, o apóstolo Paulo escreve, “Pois toda a lei se cumpre numa só palavra, a saber: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”{Gl 5:14 AR}. Ele reitera este tema em Romanos 13:8, “pois quem ama ao próximo tem cumprido a lei”. Portanto Jesus deve ter amado Seu próximo. E desde que Ele definiu “próximo” em termos universais, nós sabemos que Seu amor enquanto esteve na terra foi universal.

Podemos nós imaginar que Jesus, como perfeito homem, ama aqueles que Jesus como Deus não ama? Nos comandaria Deus amar de uma forma que Ele não amaria? Demandaria Deus que nosso amor seja maior que o Seu próprio? E Cristo, tendo amado toda a humanidade durante Sua temporada terrena, então reverteria após Sua ascensão para puro ódio pelos não-eleitos? Isto seria impensável; “Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente”{Hebreus 13:8 Almeida Recebida} (John MacArthur, The God Who Loves, 102-03).

A explicação simples de John sobre estas escrituras me compeliu a repensar minha posição sobre o amor de Deus. Jesus era Deus, Jesus amou seus próximos – mesmos seus próximos não-eleitos. Jesus foi um amigo para pecadores. Jesus amou Seus inimigos – todos eles. Como eu pude desprezar isto? O que me causou a ignorar verdades tão claras e vitais acerca do caráter de Deus? A resposta é orgulho, aquele pecado hediondo à espreita em todos nós, esperando pela oportunidade de se expressar.

Se você luta com alguns destes versos que listei, ou digladia para reconciliar o amor de Deus com Sua ira, recomendo que você pegue uma cópia do livro de John, The God Who Loves.

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3 comentários sobre “Traduções Crédulas: Deus Ama Seus Inimigos?

  1. É motivo de alegria ver um calvinista admitindo que Deus ama todo mundo, mas essa alegria se evapora quando se descobre que esse “amor” de Deus se resume a levantar o sol e descer chuva sobre os não-eleitos.

    Mas de que adianta Deus “amar” o não-eleito a ponto de conceder bens temporais, ou até mesmo fazê-lo “ganhar o mundo inteiro, se” Deus irá deixá-lo “perder a sua alma?” Que amor é esse que predestina alguém incondicionalmente para o inferno? Que amor é esse que Deus tem pelo não-eleito que não quer passar a eternidade com o objeto amado? Faz algum sentido dizer que amo minha filha mas quero que ela vá para o inferno?

    • É, de fato é um motivo para ainda ter alguma esperança. Como talvez diria Spurgeon, o amor pela ortodoxia não pode ser maior que a clareza da palavra.

      É comum ver apologistas mais recentes na internétcha dizendo que Deus é puro ódio sobre os homens que Ele escolheu odiar (e não somente ‘esqueceu de amar’), e pior – que devemos sentir exatamente o mesmo ódio.

      Mas é aquilo, sempre haverá uma resposta… ‘Amor não-salvífico’, por exemplo :/

  2. Pingback: Uma Defesa Informal da Expiação Ilimitada: Tessalonicenses contra Jo 3:16 (Parte II) | Deforming Blindness

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