Traduções Crédulas: Quem Será Salvo?

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Um post rápido, sobre um assunto que abordarei no blog e que muito me interessa: inclusivismo!

Quem Será Salvo?

Por Randy Everist on PossibleWorlds
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Esta é uma questão que para muitos não há uma clara resposta. Para algumas religiões, deve-se trabalhar seu caminho para eterna salvação. Para outras, não existe nada do que ser salvo! Para o cristianismo, o Evangelho são as boas novas de que todos podem receber salvação eterna, totalmente à parte de quaisquer obras. “
[5] não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo,
[6] que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador;
[7] para que, sendo justificados pela sua graça, fôssemos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.”
{Tito 3:5-7 Almeida Recebida}

Mas quem será salvo? Parece que a resposta, biblicamente, é aqueles que recebem Jesus Cristo como seu Salvador. Como isto acontece? Crendo em Deus. Agora há diversas escolas de pensamento; algumas têm sido mantidas em círculos cristãos e outras não. Uma breve definição de cada termo segue.

  • Universalismo – A visão que toda humanidade será finalmente salva. Ele pode ter subseções, incluindo aqueles que creem que todos os homens, sob a morte, serão redimidos com Deus, ou como a visão de Rob Bell[1].
  • Pluralismo – A visão de que existem outros caminhos para salvação de Deus além de simplesmente Jesus Cristo. Ele não especifica o número de religiões que estão corretas (talvez meramente apenas aquelas religiões monoteístas estão), nem um cristão pluralista afirmaria que todas as coisas ensinadas em outras religiões estão corretas. Eles afirmariam que existem “qualidades redentivas” em algumas outras religiões.
  • Exclusivismo – A visão que as bases ontológica e epistemológica para salvação são encontradas exclusivamente no sacrifício expiatório e ressurreição de Jesus Cristo. isto significa que uma pessoa deve ouvir de Cristo a fim de ser salva. Esta tem sido a posição ortodoxa tradicional da igreja.
  • Inclusivismo – A visão que “apesar de Deus salvar pessoas somente nos méritos de Cristo, nem todas que são salvas têm conscientemente conhecido Jesus ou ouvido o Evangelho. Deus salva aqueles que, apesar de não terem ouvido de Jesus, não obstante respondem no melhor de seus conhecimentos à revelação de Deus disponível a eles”[2].

A maioria dos cristãos não adota nem o universalismo nem o pluralismo. Portanto, o maior foco deste artigo é sobre o debate entre exclusivismo e inclusivismo. E sobre aqueles que nunca ouviram? Eles estão fadados? Apesar de eu não ser dogmático, irei expor o caso que o inclusivismo é pelo menos possível, tanto bíblica quanto filosoficamente.

Primeiro, ele é possível por causa dos santos do Antigo Testamento.

Romanos 4:1-3 detalha a salvação de Abraão:

[1] Que diremos, pois, que Abraão, nosso pai segundo a carne, alcançou?
[2] Porque, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.
[3] Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado como justiça.” {Romanos 4:1-3 Almeida Recebida}

Isto nos faz retornar à história de Gênesis 15:6. Deus dissera a Abraão no capítulo 12 que ele faria dele uma grande nação. Abraão mostrou fé ao seguir Deus, mas é claro que no capítulo 15, ele pensava que seu herdeiro seria Eliezer de Damasco (seu imediato). Deus lhe contou plenamente que sua promessa significava que ele teria de seu próprio sangue e carne, um filho! Abraão entendeu e creu em Deus, e isto foi bom o suficiente para afetar sua salvação.

Agora a defesa exclusivista tradicional para isto é afirmar que os personagens do AT como Abraão creram num vindouro Messias. Enquanto eu penso que tais paralelos são geralmente esticados ou anacrônicos (entendidas como procurando o autor nos eventos do texto, bem como os escritores do NT faziam para porções do AT), vamos admitir isto pelo bem do argumento. Como se explica Jó? Jó não era patriarca – ele meramente viveu durante os tempos deles[3].

Jó foi considerado um homem de Deus. De fato, o livro o chama de “homem íntegro e reto, que temia a Deus e se desviava do mal”. Ainda assim não há evidência, nem existe muita probabilidade, de Jó conhecer qualquer Messias. Qualquer dica de um Messias (a ser conhecido conceitualmente em vez de vagamente) não está realmente presente até Moisés. Exclusivistas ou terão que peticionar o princípio (assumindo que Jó conhecia de um Messias) ou se comprometerem à seriamente doentia proposição que Jó não foi salvo.

Um exemplo final, justo no caso de alguém insistir: os ninivitas. No livro de Jonas, a história diz que a mensagem de arrependimento chegou ao povo, e apesar de serem terríveis e malignos, eles de fato se arrependeram. O Senhor escolheu mostrar misericórdia e conteve julgamento contra eles (para decepção do profeta). Não há nenhuma pista de qualquer Messias redentor falado por Jonas. Mesmo assim eles se arrependeram, e o Senhor aceitou seu arrependimento. Os homens de Nínive adotaram o verdadeiro Deus como deles, e fizeram sacrifícios a ele. Eles não foram salvos? Se não foram, por que não? Estes exemplos demonstram bem claramente uma salvação sem o conhecimento de Cristo.

Para um breve lembrete, deixe-me dizer que o inclusivismo não ensina salvação à parte do sacrifício de Cristo. isto é impossível. Em vez disso, ele diz que os benefícios da obra expiatória de Cristo podem ser aplicados àqueles que nunca ouviram sobre ele.

Seguinte, o inclusivismo é possível porque muitos cristãos implicitamente o aceitam em alguns casos.

Agora o que eu quero dizer com isto? A maioria dos cristãos crê que se um bebê ou uma pessoa mentalmente incapaz se vai Deus imputa justiça a eles baseado na morte e sacrifício de Cristo e os declara moralmente inocentes. Nem todos os cristãos têm crido nisto, mas penso ser significativo. Pense nisto por um momento: bebês ou mentalmente incapazes têm ouvido o Evangelho? Bem, certamente, sons podem ter atingido seus ouvidos. Mas era impossível a eles entender! Eles de fato não “ouviram” — não simplesmente porque não entenderam mas porque eles não podiam entender! Então, nós já permitimos, na maioria dos casos, que uma pessoa possa jamais ter ouvido falar de Cristo e ainda assim desfrutar os benefícios da salvação eterna. Portanto, estritamente falando, inclusivismo é verdadeiro (i.e., que existem algumas pessoas que adentram o Céu que nunca ouviram). Mesmo assim isto não é bem o que estamos procurando.[4]

Seguinte, é possível por causa dos exemplos do Novo Testamento.

Devemos mencionar apenas um. Apolo era um judeu primeiro mencionado em Atos 18:24. Ele nasceu em Alexandria, e então provavelmente era um judeu helenizado. Ele conhecia somente o batismo de João, referente a João o Batista. Ele não conhecia Jesus. Isto é evidente do fato de Áquila e Priscila lhe terem discipulado, mostrando p caminho de Deus “mais perfeitamente”. Após isto, ele saiu e convenceu muitos judeus do AT que Jesus era o Messias, o Cristo. Lucas se refere a Apolo como “instruído no caminho do Senhor e, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão as coisas concernentes a Jesus.”

Outra ideia interessante é que Apolo sabia de Jesus, mas não entendioa ou sabia de sua significância acerca do sacrifício e do Evangelho. Isto parece menos provável. O resumo é, diremos que Apolo não era salvo antes disso? Não vejo razão, além de ad hoc, para fazê-lo.

Finalmente, isto é possível devido à maneira da salvação.

Por causa da justiça de Deus de sua Palavra revelada, eu creio que sõ há um caminho para salvação. Ele é crer em Deus (não em sua mera existência, mas confiar nele). Existe somente uma fundação ontológica para isto, e esta é a morte de Jesus Cristo na cruz. Nenhuma obra ou outro deus o farão, nem poderão contribuir em nada.

O conjunto daqueles que são salvos e creem/confiam em Deus e ainda assim não conhecem o nome de Jesus é longa (pelo menos todos os santos do AT); isto significa que Deus os declarou responsáveis pela revelação que ele lhes entregou. Note que esta revelação não estava necessariamente limitada ao ideal ou ao padrão do tempo (tome Jó versus a nação de Israel, ou mesmo Raabe).  Desde que existem aqueles que são salvos à parte do conhecimento de Cristo, a proposição “é impossível para aqueles que são salvos estarem à parte do conhecimento de Cristo” é falsa.

Se isto é possível, então não existe razão por que o Novo Testamento faria diferente (em termos de pura possibilidade). Esta é a junção que o exclusivista poderia bem responder, “enquanto é possível, biblicamente falando, é falso”. Mas por quê? A maioria dos versos exclusivistas se refere à natureza ontológica da salvação (que não muda), e aqueles que se referem estritamente à crença geralmente não falam de mera falta de fé, mas de completa rejeição. Ninguém que ouve o Evangelho que é capaz de entender será salvo se ele ultimamente rejeita-o.

Novamente, esta visão não é dogmática, mas penso que filosoficamente falando, é inteiramente plausível que Deus declare pessoas responsáveis pela luz que elas de fato tiveram. Romanos 1 nos fala que todo homem, mulher, e criança tem um conhecimento de Deus em seus corações. Devido ao pecado, eles a suprimem. Isto não me dá muita esperança de que existam muitos, se os há, que vêm à salvação à parte do conhecimento de Cristo. Talvez exista alguém por aí que perceba que existe um Deus criador, que ele é moralmente bom, e que seus pecados pessoais devem ser encarados, clamando perdão. Por que tal pessoa, se sincera, não é salva? Ela se arrependeu para o verdadeiro único Deus e seus pecados já foram pagos. Qual o problema de novo? Ele não é o suficiente para um teólogo?!

Recentemente eu ouvi uma história de missões em que uma tribo estava chocada por encontrar um missionário cristão. Ele se parecia exatamente como o homem em alguns dos sonhos dos aldeões que um dia lhes falaria do verdadeiro Deus. Eles podem não ser muitos por aí, mas Deus pode justamente revelar-Se a pessoas de maneiras não vistas desde os dias de Jesus. Ele ainda é Deus; não é como se ele tivesse prometido não fazer assim. Deixo tudo isto nas mãos de Deus, pois a Bíblia indica que as pessoas morrerão em seus pecados sem Cristo. A maneira mais comum de se ter a Cristo? De longe, é ouvindo sobre ele. Se Deus escolhe usar o Espírito para convencer alguém à parte de falar sobre Cristo, esta é sua prerrogativa.

——————————————————

[1] A visão de Bell é que existirão pessoas que, post mortem, aceitarão Cristo como seu Salvador. Aparentemente, todos aqueles que ainda não o fizeram (pelo menos isto está implícito pela visão de Bell).
[2] Stanley J. Grentz, David Guretzki, e Cherith Fee Nordling, Pocket Dictionary of Theological Terms (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 1999), 65, como citado por “Apologetics 315”, em http://apologetics315.blogspot.com, acessado em 02/08/2011.
[3] Isto não funcionará para um objetor que alega que a narrativa de Jó não é histórica. A narrativa e o NT apontam para um homem redimido – só se pode expressar isto às custas de teologia, não somente história.
[4] Talvez, por exemplo, alguém pode afirmar que apenas tais pessoas que não podem entender seriam contadas. Mas isto é irrelevante para o fato que se o exclusivismo restrito fosse válido, bebês e mentalmente incapazes iriam para o inferno.

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