Traduções Crédulas: Fletcher sobre “Morto em Pecados” (II)

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Não sei se dá para chamar de `Parte 2′ – afinal não há nada de novo neste post – mas a argumentação ainda é interessante. Aliás, eis a Parte 1. Divirtam-se!

Fletcher sobre “Morto em Pecados” Parte 2

por kangaroodort from Arminianerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Fletcher demonstrou que as Escrituras usam a palavra “morto” mais de uma maneira, e entender o termo “morto” acerca de questões espirituais como significando morto comno um cadáver físico torna muitas dessas passagens, como Rv 3:1-4, sem sentido. Fletcher também demonstrou a inconsistência no pensamento calvinista entre o que se quer dizer com “morto em pecado” e “morto para o pecado”. Ele estabelece:

Me impressiono com a parcialidade de certas pessoas. Se nós afirmamos, que “fortes crentes estão mortos PARA o pecado”, eles nos dizem bem apropriadamente que os tais não estão tão mortos, mas podem cometer pecado se desejarem, ou se não estão vigiando. Mas se dissermos, que “muitos que estão mortos NO pecado, não estão tão mortos, mas na força comunicada, juntamente à Luz que ilumina todo homem, que eles possam abandonar alguns de seus pecados se assim desejarem”, somos exclamados contra como usando distinções metafísicas, e morto deve significar necessariamente impotente como um cadáver.

Creio ser este o mais significante argumento de Fletcher. Calvinistas geralmente apelarão para Efésios 2:1, “…mortos em vossos delitos e pecados”, e Cl 2:13 que também fala de “mortos em suas transgressões”. Destas passagens o calvinista deduz que não se pode responder à graça de Deus mais que um cadáver possa responder a estímulos externos. É dito que deve primeiro haver uma ressurreição [regeneração espiritual] antes de se poder responder à graciosa oferta de salvação de Deus. Somos então informados que o regenerado irá “livremente” escolher Cristo de acordo com sua nova natureza. Existem diversos problemas com este argumento calvinista.

  1. Quando a Escritura fala de morte ela está falando de separação entre espírito e corpo. Estar “morto em pecados” é estar separado de um Deus santo que não pode tolerar o pecado. Nosso pecado causou separação de Deus e teve como efeito nossa morte espiritual (Rm 6:21, Tg 1:14-15). A única cura para nosso lastimável estado é chegar em união vital com a única fonte de vida: Jesus Cristo (João 15).

  2. As Escrituras falam do crente como estando “morto para o pecado” e um “escravo para justiça” enquanto reconhecendo que aqueles que estão assim mortos ainda são capazes de pecar. Paulo traça um paralelo estrito entre ser “escravos para o pecado” e “escravos para justiça” e ser “morto em pecados” e “morto para o pecado” em Romanos 6:12-13. Desde que o crente que é “morto para o pecado” e “escravo para justiça” ainda pode se render às influências da natureza pecaminosa, do mundo, e de Satanás, não há razão para crer que aquele que é “morto em pecado” e “escravo para pecado” é incapaz de responder à graciosa obra do Santo Espírito sem antes ser regenerado. O Espírito de Deus constrói uma ponte na separação mortal e habilita o pecador a se render a Cristo.

  3. Só há uma forma pela qual um pecador pode experimentar nova vida, e é pela união a Jesus Cristo. Tão certamente quanto separação de Deus causa morte espiritual, união a Cristo é a única maneira para o pecador experimentar nova vida. É impossível ter vida fora de Jesus Cristo. Isto coloca um sério problema com a doutrina calvinista. Calvinismo trem pecadores sendo regenerados antes de virem à união com Cristo. Nós só podemos experimentar os benefícios da cruz, porém, mediante união com Cristo. Mediante tal união Sua morte se torna nossa morte, Sua vida se torna nossa vida, e Seu sangue nos purifica de toda injustiça. Nada disso pode ocorrer antes da união a Ele. A Bíblia é clara que nós alcançamos união em Cristo mediante fé. Considere as seguintes passagens:

[4] Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou,

[5] estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

[6] e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus,

[7] para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça, pela sua bondade para conosco em Cristo Jesus.

[8] Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus;

[9] não de obras, para que ninguém se glorie.

[10] Porque somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus já antes ordenou para que andássemos nelas.

{Efésios 2:4-9 Almeida Recebida}

Muitos calvinistas gostam de citar porções do texto acima porque eles creem que ela suporta as suas conclusões que regeneração precede fé e que fé é um “dom” que Deus irresistivelmente dá aos eleitos. Quando se lê estas passagens em conjunto tal conclusão não pode ser traçada. Todos os benefícios espirituais graciosos dos versos 4-7, incluindo a ressurreição espiritual descrita no verso 6, são “mediante fé” (verso 8). A gramática dos versos 8 e 9 não permite a interpretação calvinista geralmente atribuída a elas. O “dom” de Deus não se refere à “fé” mas ao dom gracioso da salvação de Deus. Isto essencialmente diria que “fé” não é “de obras”, o que seria uma afirmação sem propósito do óbvio.

Todas estas bênçãos espirituais são ditas como estando “com” e “em” Cristo [versos 5-7], o que é um tema recorrente em Efésios e em todas as epístolas paulinas. É especialmente proeminente em Efésios capítulos um e dois. Efésios 1:12 explica como alguém vem a estar em união com Cristo e Efésios 3:17 nos diz como Cristo vem a habitar em nossos corações. Em ambos os casos esta união é pela fé.

Este mesmo pensamento é paralelizado em Colossenses 2:9-12:

[9] porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade,

[10] e tendes a vossa plenitude nele, que é a cabeça de todo principado e potestade,

[11] no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo;

[12] tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé do poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos;

{Colossenses 2:9-12 Almeida Recebida} (Veja também Rm 6:4)

Novamente o tema da união com Cristo é óbvio. Nós podemos também ver que nossa ressurreição espiritual é “pela fé” na obra [ou poder] de Deus, que levantou [Cristo] dos mortos.

É inegável que o regenerado precise de uma ressurreição espiritual. Também é inegável que esta ressurreição venha pela fé que nos traz à união salvífica com Cristo, de onde podemos experimentar todos os benefícios de Sua morte e ressurreição.

Conclusão:

Não há razão bíblica para aceitar o entendimento calvinista que ser “morto em pecados” implica que alguém deva ser primeiro regenerado antes de ser capaz de exercer fé salvífica. Isto não desconta a necessidade de uma obra poderosa do Santo Espírito no não-regenerado, mas demonstra que esta obra não resulta em regeneração até que o pecador primeiramente cumpra a condição de fé. Quando o pecador responde em fé à graciosa obra e habilitação do Santo Espírito, ele é imediatamente enxertado em Cristo e recebe todos os benefícios de Sua expiação, o que inclui a regeneração.

Eu também gostaria de apontar um problema com a insistência calvinista que aquele que é regenerado irá “livremente” escolher depositar fé em Cristo. Creio que seria mais honesto ao calvinista afirmar que Deus “causa” o regenerado a colocar fé em Cristo. Dizer que alguém escolhe livremente é enganoso. A maioria dos calvinistas entende tal “liberdade” em sentido compatibilista no qual nós “livremente” fazemos aquilo que Deus causa-nos a fazer [seja direta ou indiretamente mediante circunstâncias etc.]. Se o calvinista quiser insistir que alguém livremente escolhe colocar fé em Cristo num sentido libertário [sem ser causado por necessidade], então rapidamente se torna aparente que não se pode garantir que o indivíduo recém-regenerado colocaria fé em Cristo.

O calvinista quer que creiamos que uma vez que uma pessoa é regenerada então ela naturalmente escolherá de acordo com a nova natureza regenerada. O problema com esta explicação é que calvinistas também afirmam que ninguém é completamente livre da natureza pecaminosa até após a morte. Se este é o caso então a pessoa recém-regenerada pode agora escolher ou se render à nova natureza ou à antiga. Isto significaria que não existe maneira de estar certo que uma pessoa regenerada escolherá seguir Cristo se ela é livre no sentido libertário. Ela poderia escolher em vez disso se render à natureza pecaminosa que ainda reside em si. A única maneira de estar certo que o regenerado escolheria Cristo é admitir que Deus deve irresistivelmente causá-la a tal. Se este é o caso então calvinistas deveriam ser honestos o suficiente para descartar a retórica de “escolher livremente”.

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