Traduções Crédulas: Santo Agostinho Contra Perseverança dos Santos

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Sim, ele mesmo! Para quem acha que Santo Agosrtinho era calvinista, isto é de fato o maior tiro no pé. De fato, Agostinho cria em uma forma mais leve de `depravação total’ (mais sobre a doutrina católica do pecado original em posts futuros, aguardem!), em eleição incondicional, em uma forma distintamente própria de graça irresistível (que seria mais semelhante ao congruísmo) e também à expiação ilimitada. Mas, perseverança dos santos de fato é um distintivo calvinista, e nunca foi ensinada por ninguém antes de Calvino.

Achei este post bem interessante, pois de fato mostra uma argumentação completamente calvinista sendo usada contra um ponto calvinista. Espero que se interessem também!

Agostinho sobre Cair da Graça

por Godismyjudge from Traditional Baptist Chronicles
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

O quinto ponto do calvinismo é a Perseverança dos Santos. A Confissão de Westminster define Perseverança dos Santos como:

Aqueles a quem Deus aceitou em seu Amado, eficazmente chamou, e santificou pelo seu Espírito, não podem nem total nem finalmente cair do estado de graça, mas certamente perseverarão nela até o fim, e serão eternamente salvos (LNK).

O propósito deste paper é mostrar que Agostinho não mantinha este dogma. Claramente, a veracidade ou falsidade deste dogma deve ser traçada da escritura, não de Agostinho. Nem Agostinho fala por toda a história da igreja pré-reforma. Porém, a razão que este tópico é de importância é que calvinistas encontram apoio histórico para sua visão em Agostinho. Eles evitam a sobrecarga de “novidade” apelando a seus escritos. Alguns calvinistas extremos vão tão longe ao ponto de dizer que existia uma “igreja oculta” mantendo opiniões semelhantes às suas ao longo da história. Esta igreja oculta mantinha as opiniões de Agostinho, apesar de muitas figuras terem opiniões contrárias.

Sobre o dogma específico da Perseverança dos Santos, a importância é um tanto exagerada. Pelo meu conhecimento, nenhum pai da igreja, nem mesmo nenhum teólogo pré-reforma, ensinou claramente esta visão. Muitos ensinaram bem claramente a visão oposta, que o homem pode cair da graça. O primeiro teólogo a ensinar claramente Perseverança dos Santos foi João Calvino. Como pôde a Igreja, por 1500 anos, deixar passar uma doutrina de tamanha importância? Alguns dizem que ela não esqueceu, e olham para Agostinho como um exemplo de pai da igreja que mantinha esta opinião. Por exemplo, Francis Turretin, um teólogo reformado eminente, cita Agostinho como suporte para sua opinião em seu tratado sobre discípulos temporários (LNK).

Citações de Agostinho que parecem favorecer Perseverança dos Santos

Agostinho mantinha eleição incondicional. Eleição não é baseada em fé ou perseverança antevistas. Em vez disso Deus, das massas caídas, incondicionalmente escolhe quem Ele salvará.

Ele não diz “O que Ele dantes conheceu, Ele é capaz de prometer”; nem “O que Ele dantes prognosticou, Ele é capaz de manifestar”; nem “O que Ele prometeu, Ele é capaz de conhecer antes”; mas “o que Ele prometeu, também é capaz de fazer”. É Ele, portanto, que os faz perseverar no bem, que os faz bons. – Capítulo 36.

Aqueles que Deus escolhe salvar, Ele lhes dá o dom da perseverança.

Iria qualquer pessoa se arriscar a dizer que esta perseverança não é o dom de Deus, e que tão grande possessão como esta é sua de tal conhecimento que se qualquer um a tivesse o apóstolo não poderia lhes dizer `Pois o que vocês têm que não tenham recebido?’ (1Co 4:7) desde que ele tinha isto de tal maneira que ele não tenha recebido?” Para isto, de fato, não somos capazes de negar, que perseverança em bem, progredindo mesmo até o fim, é também um grande dom de Deus; e que ela existe não salvo venha dEle de quem é dito, “Todo melhor dom e todo perfeito dom é do alto, vindo do Pai das luzes'(Tg 1:17) – Capítulo 10

E aqueles a quem foi conferido o dom, certamente perseverarão e terão vida eterna.

Aqueles, então, são eleitos, como geralmente se tem dito, que são chamados de acordo com o propósito, que também são predestinados e dantes conhecidos. Se qualquer um destes perece, Deus está enganado; mas nenhum deles perece, porque Deus não está enganado. Se algum deles perece, Deus é vencido pelo pecado humano; mas nenhum deles perece, porque Deus não é vencido por nada. – Capítulo 14

Isto começa a soar bastante com a visão calvinista. Mas se a evidência em favor de Agostinho adotar Perseverança dos Santos não é firme o suficiente, ele prossegue afirmando que aqueles que parecem ser discípulos na verdade não são discípulos, nem filhos de Deus. Quando explicando passagens que parecem sugerir que alguns estão caindo da graça, Agostinho parece sugerir que eles jamais tiveram graça pra começo de conversa.

Não são estes mesmos nas palavras do Evangelho chamados discípulos? E mesmo assim eles não eram verdadeiros discípulos, porque eles não permaneceram em Sua palavra, de acordo com a qual Ele diz: “Se vocês continuarem em minha palavra, então são de fato meus discípulos”(Jo 8:31). Porque, portanto, eles não possuíam perseverança, como não sendo verdadeiros discípulos de Cristo, então eles não eram verdadeiramente filhos de Deus mesmo que aparentassem assim, e fossem assim chamados. Nós, então, chamamos os homens de eleitos, e discípulos de Cristo, porque eles são para ser aqueles que, sendo regenerados, vemos viver piedosamente; mas eles são então verdadeiramente o que foram chamados se eles permanecerem acerca do que foram chamados. Mas se eles não têm perseverança – isto é, se eles não continuam no que começaram a ser -, eles não são verdadeiramente chamados que eles são chamados e não são; pois eles não são isto na visão dEle a quem sabe que eles hão de ser – quer dizer, de bons homens, maus homens. – Capítulo 22

Sob inicial investigação, pareceria que Agostinho ensinou Perseverança dos Santos. Neste ponto eu apenas apontarei que é possível que Agostinho ensinasse que alguns podem não perseverar. Os comentários acima sobre eleição e o dom da perseverança podem ser explicados de maneira consistente com a visão de que a pessoas não-eleitas pode ser dado o dom da conversão, mas não o da perseverança. Além disso, a citação acima pode ser explicada como tomando a visão de Deus de nosso futuro e não de situação corrente, o que a sentença final parece dar suporte.

Agostinho ensinou que cristãos podem cair?

Existem diversos pontos em que Agostinho parece sugerir que talvez nossa primeira leitura estaria incorreta e que devemos pelo menos considerar o assunto um pouco mais. Considere:

Se, porém, já sendo regenerado e justificado, ele relapsa de sua própria vontade para uma vida maligna, asseguradamente ele não pode dizer “Eu não recebi”, porque de sua própria livre escolha para malignidade ele perdeu a graça de Deus, que havia recebido. – Capítulo 9

Agora esta pessoa é regenerada e justificada e ainda assim perde graça. Mas talvez por perda de graça, Agostinho apenas quer dizer amizade. Mas Agostinho prossegue em afirmar da mesma pessoa que lhe falta o dom da perseverança, que não deveriam todos os cristãos supostamente ter?

É tal a pessoa que está indisposta a ser repreendida ainda capaz de dizer “O que tenho eu feito – eu que não recebi?” quando claramente aparece que ele recebeu, e por sua própria falha perdeu o que recebeu? “Sou capaz”, diz ele, “sou completamente capaz – quando me reprovar por ter de minha própria vontade recaído de uma boa vida para uma má vida – ainda dizer, O que eu fiz- eu que não recebi? Porque eu recebi fé, que opera por amor, mas não recebeu perseverança nela até o fim?” – Capítulo 10

Isto parece indicar que talvez Agostinho ensinou que crentes poderiam cair da graça. Mas e sobre a garantia de perseverança dada pela eleição de Deus? Como podem estes, os eleitos, não terem o dom de perseverança? Agostinho tem uma resposta pronta. Eles não são eleitos.

Mas eles que não perseveram, e que então cairão da fé e conduta cristãs que o fim de sua vida deve encontrá-los neste caso, além de toda dúvida não podem ser contados no número destes [eleitos], mesmo em tal estação que eles estão vivendo bem e piamente. Porque eles não são feitos para diferir da massa de perdição pelo pré-conhecimento e predestinação de Deus, e portanto não são chamados de acordo com o propósito de Deus, e então não são eleitos; mas são chamados entre aqueles a quem é dito, “muitos são chamados”, não entre aqueles a quem é dito “mas poucos escolhidos”. E ainda assim quem poderia negar que eles são eleitos, desde que creem e são batizados, e vivem de acordo com Deus? Manifestamente, eles são chamados eleitos por aqueles que são ignorantes do que eles de fato são, mas não por Aquele que conhece que eles não têm a perseverança que leva o eleito para a vida abençoada, e sabe que eles assim permanecem, como Ele sabia que iriam cair. – Capítulo 16

Por que Deus não lhes dá perseverança? A resposta é a mesma por que Deus incondicionalmente elege uns e não outros. Ninguém sabe, Deus mantém em segredo e não devemos retrucar.

Aqui, se me tivessem perguntado por que Deus não tem dado perseverança para aqueles que Ele deu este amor pelo qual eles pudessem viver cristãmente respondo que não sei. Pois eu não falo arrogantemente, mas com reconhecimento de minha pequena medida, quando ouço o apóstolo dizer, “Homem, quem és tu que a Deus replicas?”(Rm 9:20) e “Oh, que profundidade de riqueza, de sabedoria e de ciência é a de Deus! Como são insondáveis as suas decisões e impenetráveis os seus caminhos!” (Rm 11:33). Até aqui, como Ele condescende em manifestar Seu julgamento para nós, vamos agradecer; mas enquanto Ele pensa ser melhor ocultá-lo, não vamos murmurar contra Seu conselho, mas crer que isto é também o mais saudável para nós. – Capítulo 17

Talvez eles não fossem verdadeiramente cristãos? Agostinho afirma bem claramente que eles eram regenerados, justificados e adotados.

É, de fato, de se admirar, e grandemente se admirar, que alguns de Seus próprios filhos – os quais Ele regenerou em Cristo – aos quais Ele deu fé, esperança, e amor, Deus não lhes dê perseverança também, quando para filhos de outrem Ele perdoa tais malignidades, e, pela concessão de Sua graça, os faz Seus próprios filhos. – Capítulo 18

São estes dons possivelmente erroneamente relacionados a estas pessoas por nós, mas não de fato por Deus? Não. Agostinho vai ao ponto de afirmar que Deus poderia tê-los salvo tomando suas vidas antes que eles caíssem. Apenas um relacionamento com Deus, não uma identidade errônea pelo homem, permite vida eterna.

Deixe os objetores responderem, se puderem, por que, quando estes estavam vivendo fiel e piamente, Deus não os arrebatou dos perigos dessa vida, para que “a malícia não lhe corrompesse a inteligência, nem a astúcia lhe corrompesse a alma” (Sabedoria 4:11)? Não estava isto em seu poder, ou Ele era ignorante de sua futura pecaminosidade? – Capítulo 19

O momento das suas mortes não importa se sua vida nunca foi em estado de salvação. Mas por que Deus não os toma deste mundo enquanto eles ainda estão em fé e em estado de graça? Para que ninguém saiba se eles estão no número predestinado.

Mas, além disso, que tais coisas como essas são faladas a santos que perseverarão, como se eles fossem contados incertos se perseverarão, é uma razão que eles não devem de outra forma ouvir tais coisas, desde que bom para eles “não serem soberbos mas temerem” (Rm 11:20). Pois quem na multidão de crentes pode presumir, que enquanto ele vive neste estado mortal, que ele está no número dos predestinados? – Capítulo 40

E assim ninguém presumirá que tem segurança.

Pois acerca da utilidade deste segredo, para que, por acaso, qualquer deva ser levantado, mas que todos, mesmo que estejam bem, devam temer, no que não se sabe quem conseguirá – acerca da utilidade deste segredo, deve ser crido que alguns dos filhos da perdição, que não receberam o dom da perseverança para o fim, comecem a viver em fé com obras de amor, e vivam por algum tempo fiel e justamente, e mais tarde caem, e não são levados dessa vida antes que isto aconteça a eles. Se isto não tivesse ocorrido a nenhum destes, os homens teriam este bem saudável temor, pelo qual o pecado da presunção é afastado, apenas até que eles possam alcançar a graça de Cristo pela qual vivam piamente, e depois o tempo de se assegurarem que jamais se afastarão dEle. – Capítulo 40

Ainda assim em último caso é o propósito oculto de Deus.

Ou eles recebem a graça de Deus, mas são apenas para uma estação, e não perseveram; eles desertaram e estão desertados. Pelo seu próprio livre arbítrio, como eles não têm recebido o dom da perseverança, eles são arrancados para o justo e oculto julgamento de Deus. – Capitulo 42

Resumindo, a visão de Agostinho era a de que aqueles que têm fé com obras por amor, aqueles que são fiéis e justos, que são justificados, que são regenerados em Cristo, aqueles na graça de Deus, aqueles que se tivessem morrido teriam vida eterna, aqueles com fé, esperança e amor, e que são filhos de Deus, podem não estar no número dos eleitos, e pode não ter-lhes sido dado o dom da perseverança, e podem cair e se perderem. Portanto ninguém pode ser presunçoso e ninguém sabe com certeza se lhe foi dado o dom da perseverança. Quanta diferença para a visão calvinista.

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NOTA: Todas as citações tomadas de On Rebuke and Grace, St. Augustine of Hippo in A.D. 426 or 427 (link)

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