Traduções Crédulas: A Regra de Granville-Sharp Indica que ‘Presciência’ É Sinônimo de ‘Determinado Conselho’?

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Mais uma sobre particularidades e nuances obscuras do grego!

A Regra de Granville-Sharp Indica que ‘Presciência’ É Sinônimo de ‘Determinado Conselho’?

por J.C. Thibodaux on SEA

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Uma alegação feita por muitos autores calvinistas trata dos termos usados em Atos 2:23.

a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos{Atos 2:23}

O raciocínio vai como segue abaixo, citei o endereço http://www.smallings.com/english/Essays/Foreknowledge.html:

Aqui, propósito determinado e presciência são conectados por uma forma gramatical grega chamada Regra de Granville-Sharp. Esta faz os dois nomes sinônimos por ênfase, como dizer “certo e bom” ou “mau e errado”.

(Roger Smalling, D.Min, Does Foreknowledge Explain Election?)

A asserção feita por diversos teólogos calvinistas (incluindo John MacArthur – veja: The Progress of Salvation) é que a regra de Granville-Sharp estabelece que dois nomes, o primeiro precedido de ‘ho’ são conectados pela palavra grega ‘kai’ (e) sem artigos antes do próximo nome, então os dois nomes são sinônimos. A escrita da primeira regra é lida como se segue:

Quando o copulativo kai conecta dois nomes do mesmo caso, [viz. nomes (ou substantivos ou adjetivos, ou particípios) de descrições pessoais a respeito de ofício, dignidade, afinidade, ou conexão, e atributos, propriedades ou qualidades, boas ou débeis], se o artigo ho, ou qualquer de seus casos, precede o primeiro dos ditos nomes ou particípios, e não é repetido antes do segundo nome ou partícula, o último sempre se relata à mesma pessoa que é expressa ou descrita pelo primeiro nome ou particípio: i.e. denota descrição adicional da pessoa nomeada primeiro, como:

Trouxeram-lhe então um endemoninhado cego e mudo; e ele o curou, de modo que o mudo falava e via.{Mt 12:22 AR}

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação{2Co 1:3 AR}

Ora, para que vós também possais saber como estou e o que estou fazendo, Tíquico, irmão amado e fiel ministro no Senhor, vos informará de tudo;{Ef 6:21}

[lista muitos outros exemplos]

E não há exceção ou instância de tal modo de expressão, que eu conheça, que necessariamente requeira uma construção diferente desta que está aqui estabelecida, EXCETO que os nomes sejam próprios, ou no plural; casos nos quais existem muitas exceções; ainda que não sejam exemplos satisfatórios, mesmo de nomes plurais, que são expressados exatamente concordantes com esta regra.

Muitos teólogos simplesmente tomam isto e aplicam, sem se atentar aos qualificadores que Granville-Sharp notou: para a regra se aplicar, os nomes devem ser:

  • Pessoais (descritivos de pessoa, epítetos comuns como ‘senhor’, ‘cristão’ ou ‘cego’ [como usado para descrever as pessoas em Mt 12:22])
  • Singulares
  • Nomes não-próprios
  • Do mesmo caso

Se qualquer destas condições é violada, então a regra não se aplica. Como Daniel B. Wallace (uma das mais proeminentes autoridades na regra de Granville-Sharp) escreveu,

Quase sem exceções, aqueles que parecem ser familiarizados com a regra de Sharp e concordam com sua validade distorcem e abusam dela. Este mal entendido não mostra parcialidade – gramáticos, exegetas, e teólogos são igualmente culpados. Tipicamente a regra é percebida como estendendo a plurais e construções impessoais, a despeito do fato que Sharp restringiu a regra para nomes pessoais singulares. Quais são as razões para tal abuso? Por um lado, como temos visto, a afirmação da regra de Sharp não é clara. Apenas um exame de sua monografia revela explicitamente seu requerimento de pronomes pessoais singulares. Segundo, a última afirmação clara das limitações da regra de Sharp em algum trabalho proeminente foi publicada há mais de 150 anos no Middleton’s Doctrine of the Greek Article.

“Granville Sharp: A Model of Evangelical Scholarship and Social Activity” (Journal of the Evangelical Theological Society 41 [December 1998] p. 609)

Alguns contra-exemplos válidos incluem

Mas, vendo ele que muitos dos fariseus e saduceus vinham ao seu batismo, disse-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? {Mateus 3:7 Almeida Recebida}

(Construção correta, mas os nomes ‘fariseus’ e ‘saduceus’ [duas facções religiosas rivais] são plurais)

possais compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade {Efésios 3:18 Almeida Recebida}

(Novamente, construção correta, mas os nomes ‘largura’, ‘comprimento’, ‘altura’, ‘profundidade’, não são pessoais).

Deve ser óbvio neste ponto que tentar aplicar a regra de Granville-Sharp a Atos 2:23 em um esforço de forçar sinonímia entre ‘presciência’ (nome não-pessoal) e ‘determinado conselho’ (nome não-pessoal) é errante no mínimo.

Finalizando:

  • A Regra de Granville-Sharp aplica-se somente a nomes pessoais, singulares, não-próprios e do mesmo caso.
  • Atos 2:23 não cumpre as condições acima, e a regra portanto não é aplicável.
  • Enquanto a presciência de Deus e Sua determinada vontade são indubitavelmente correlacionados, nada na Escritura indica que elas são sinônimas.
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