Traduções Crédulas: Romanos 3.10-18: Uma Midrash

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Midrash? É, um conceito judaico sendo utilizado por um mestre judaico mas de nacionalidade romana, em sua missiva para os crentes romanos. Aqui, São Paulo fala da universalidade do pecado, e não de uma suposta depravação absoluta.

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Romanos 3.10-18: Uma Midrash

 

por William Birch on SEA
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

O que Paulo quis dizer quando ele fez as asserções de que “não há quem busque a Deus” ou que a garganta dos homens é “sepulcro aberto (Rm 3:10-18)? A maioria dos calvinistas está convencida que Paulo estava falando da condição espiritual de cada ser humano existente. Se é deixado com a impressão que os seres humanos são, no mínimo, repugnantes ao olfato de Deus, e no pior caso, tão malignos quanto demônios. É este um retrato preciso da atitude de Deus diante de Suas criaturas? Paulo está tentando informar o quão desgostoso está Deus com as pessoas em Romanos 3:10-18?

Em Romanos 3:1, Paulo pergunta, “Que vantagem, pois, tem o judeu? Ou qual o proveito da circuncisão?”. Sua carta aos romanos incluía tanto gentios quanto judeus. Ele sumariza o capítulo dois expondo hipocrisia: ninguém, gentio ou judeu, está indesculpável pelos seus pecados. E circuncisão não garante um posicionamento correto diante de Deus.

A última asserção invoca a questão: Então qual é a vantagem da circuncisão ou de ser judeu? “Muito, em todo sentido; especialmente porque a eles foram confiados os oráculos de Deus.” (Romanos 3:2 AR, e seguintes). Paulo confessaria depois que ao judeu pertence

[4]… a adoção, e a glória, e as alianças, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas;
[5] de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém. (Rm 9:4b-5 AR)

Existe toda vantagem em se nascer judeu, um do povo escolhido de Deus. Porém, ser judeu não garante um correto posicionamento com Deus. O judeu, neste ponto, não é melhor que o gentio. ” Pois já demonstramos que, tanto judeus como gentios, todos estão debaixo do pecado;”(Rm 3:9 AR)

Deus outorgara Suas bênçãos sobre o povo judeu, mas de modo algum elas garantiam entrar no céu. Por quê? Por causa do pecado. É aqui, em Romanos 3:10-18, que Paulo toma algumas passagens do Antigo Testamento na Escritura aparentemente fora de seus contextos naturais e aplica-os a pessoas em geral. Ele faz isto para enfatizar o fato que todos pecaram, judeus e gentios, e todos são merecedores da ira de Deus. E sabemos que “Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, a fim de usar de misericórdia para com todos.”(Rm 11:32 AR)

Esta tomada de passagens do Antigo Testamento fora de seus contextos naturais é conhecido na tradição rabínica como Midrash. Gary Porton nota, “Porque os rabis criam que somente eles possuíam ambas as partes da revelação – a Torah Escrita e a Torah Oral – eles afirmavam que eram eles as únicas pessoas que poderiam seguir a palavra de Deus completa e exatamente: Somente eles conheciam tudo que Deus esperava dos seres humanos, somente eles poderiam seguir os caminhos corretos nos quais as pessoas deviam interagir, e assim por diante”[1]

Sabendo, porém, que uma pessoa não pode ser justificada por procuração, como faria o indivíduo que quisesse agradar Deus? Se somente o sacerdote rabínico sabia como seguir Deus, então a única maneira pela qual as pessoas poderiam aprender os caminhos de Deus era mediante o Rabi. Portanto somente o Rabi sabia como interpretar a palavra de Deus. É aqui que a midrash entra em foco.

Jacob Neusner escreve,

Midrash define a maneira que o judaísmo interpreta a Escritura. Sua declaração inicial está contida na Midrash Rabínica, que é estabelecida pelos documentos canônicos dos sábios rabínicos dos primeiros seis séculos da Era Comum … A raiz da palavra midrash é darash, que é usada em Gn 25:22. Neste trecho, Rebeca procura o conselho (liderosh) do Senhor. Em sintonia com este significado genérico, Midrash representa o esforço de procurar a verdade na Escritura: abordar esta questão crucial para a antiga e permanente revelação.
Em termos mais gerais: Midrash é a palavra hebraica para interpretação, amplificação, exegese do texti sagrado revelado: a Torah escrita. Mas a palavra, Midrash, carrega diversos significados. Na corrente utilização a palavra Midrash tem três níveis de significado, como se segue:

  1. o processo, isto é, a maneira particular de ler e interpretar um verso das Escrituras Hebraicas;
  2. o resultado deste processo, portanto um verso dado e sua interpretação;
  3. a coleção dos resultados de tal processo, isto é, a compilação de tais interpretações, p.ex., concernente a um livro particular das Escrituras Hebraicas ou um tema teológico em particular … [2]

Em Romanos 3:10-18, o apóstolo (rabi) Paulo, tinha um tema: a universalidade do pecado. Ele então foi em busca de escrituras hebraicas para provar seu ponto, e ele encontrou algumas das mais ásperas afirmações acerca do pecado na Bíblia. Porém, se lermos cada um destes versos da Escritura em seus contextos naturais, encontraremos que eles são confinados e particulares, e não gerais, que é como Paulo usa aqueles textos.

Por exemplo, seu uso de Eclesiastes 7:20 em Romanos 3:10 não é o verso completo, que se lê “Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque”. Paulo deixa de lado a frase “e nunca peque” em Rm 3:10. O ponto que Salomão fazia em Eclesiastes era que não existe na terra entre os mortais alguém sem pecado, então cuide de levar um vida balanceada e piedosa, não em auto-justiça, e tampouco em pecado. O propósito de Paulo era, porém, enfatizar que os humanos não têm e estão em necessidade da justiça divina.

Paulo também escreve que não há quem busque a Deus (Rm 3:11), citando Salmos 14:1-3. Mesmo assim há muitos que buscaram o Senhor (Dt 4:29, 12:5; 1Cr: 16:10,11, 22:19; Ed 4:2; 6:21; Jó 5:8; Sl 24:6, 27:8, 69:32; Zc 8:21; Mt 6:33; At 15:17,17:27; Hb 11:6), e o autor de Hebreus escreveu que Deus recompensa aqueles que diligentemente O buscam (Hb 11:6).

Não há contradição aqui. A Midrash permite esta interpretação de Romanos 3:10-18; ela não é para ser tomada literalmente de todo e cada ser humano. Mesmo o calvinista Donald Grey Barnhouse notou o mesmo quando escreveu, “Mas nós acrescentamos que a depravação total não implica que não haja bem algum no homem, mas que não exista bem no homem que possa satisfazer Deus … Agora não devemos pensar que esta passagem [Rm 3:10-18] está acusando cada membro da raça humana de ter cometido cada um destes pecados individuais. O que ele está ensinando é que as raízes de todo mal estão em todo homem”[3]

Agora esta é uma visão bastante razoável e balanceada da midrash de Paulo em Romanos 3:10-18. Alguns calvinistas tentam emoldurar a humanidade como demônios e negligenciam o fato de que, apesar de a natureza humana tenha sido contaminada pelo pecado, homens ainda são criados à imagem de Deus.

—-

1 Gary G. Porton, Understanding Rabbinic Midrash (Hoboken: KTAV Publishing House, Inc., 1985), 2-3.

2 Jacob Neusner, “Preface,” Judaism and the Interpretation of Scripture (Peabody: Hendrickson Publishers, LLC, 2004),vii-viii.

3 Donald Grey Barnhouse, Expositions of Bible Doctrines Taking the Epistle to the Romans as a Point of Departure, Vol. I (Grand Rapids: Wm. B. Eerdmans Publishing Company, 1952), 216-217.

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