Traduções Crédulas: Geisler sobre Livre-Arbítrio

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Esta é uma citação de Norman Geisler sobre as teorias da contingência humana, em especial liberdade da vontade. Achei interessande colocar um artigo mais ‘acadêmico’ sobre este assunto tão nebuloso…

Norman Geisler, Entrada sobre “Livre Arbítrio” na Enciclopédia Baker de Apologética Cristã

Este artigo foi retirado de: http://www.johnankerberg.org/Articles/theological-dictionary/TD1100W3.htm

Livre Arbítrio
por Dr. Norman Geisler
(da  Baker Encyclopedia of Christian Apologetics, Baker Books, 1999)

Conceitos da natureza da escolha humana caem em três categorias: determinismo, indeterminismo e auto-determinismo. Um determinismo observa ações causadas por outrem, um indeterminista para ações incausadas, e um auto-determinista para ações auto-causadas.

Determinismo

Existem dois tipos básicos de determinismo: o naturalista e o teísta. Determinismo naturalista é mais prontamente identificado com o psicólogo comportamental B.F. Skinner. Skinner mantinha que todo o comportamento humano é determinado por fatores comportamentais e genéticos. Humanos simplesmente agem de acordo com o que foram programados.

Todos que aceitam formas fortes da teologia calvinista aderem a alguma medida de determinismo teísta. Jonathan Edwards relacionava todas as ações ultimamente a Deus como Causa Primeira. “Livre escolha” para Edwards é fazer o que se deseja, e Deus pe Autor dos desejos do coração. Deus é soberano, em controle de tudo e tão finalmente a causa de tudo. A humanidade caída está sem nenhuma liberdade de afeições, tal que tal que eles podem fazer o que querem, mas o que eles querem estará para sempre em eterno controle de seu coração mundano e corrupto. A graça de Deus controla as ações bem como Deus controla desejos e seus pensamentos e ações assistentes

Resposta ao Determinismo

Não-deterministas respondem que uma ação auto-causada não é impossível, e nem todas as ações precisam ser atribuídas à Primeira Causa (Deus). Algumas ações podem ser causadas por seres humanos a quem Deus deu livre agência moral. Escolha livre não é, como Edwards contende, fazer aquilo que se deseja (com Deus dando os desejos). Na verdade, é fazer aquilo que se decide, o que nem sempre é a mesma coisa. Não precisamos rejeitar o controle soberano de Deus para negar determinismo. Deus pode controlar via onisciência bem como poder causal.

Duas formas de determinismo devem ser distinguidas, a forte e a suave. Um determinista forte crê que todos os atos são causados por Deus, que Deus é a única causa eficiente. Um determinista suave mantém que Deus como Causa Primária é compatível com liberdade humana como causa secundária.

Indeterminismo

De acordo com o indeterminista, poucas ou mesmo nenhuma das ações humanas são causadas. Eventos e ações são contingentes e espontâneos.

Argumentos para o Indeterminismo

Os argumentos para o indeterminismo seguem a natureza das ações livres. Desde que eles não seguem nenhum padrão determinado, conclui-se que são indeterminados. Alguns indeterministas contemporâneos apelam para o princípio da incerteza de Werner Heisenberg para apoiar sua posição. De acordo com este princípio, eventos em escala subatômica (como o curso específico de uma dada partícula) são completamente imprevisíveis.

De acordo com este argumento da impreditibilidade dos atos livres, um ato deve ser previsível a fim de ser determinado. Mas atos livres não são previsíveis. Portanto, são indeterminados.

Crítica ao Indeterminismo

Todas as formas de indeterminismo naufragam no princípio da causalidade, que estabelece que todos os eventos têm uma causa. Mas a indeterminação estabelece que escolhas livres são eventos não-causados.

Indeterminismo torna o mundo irracional e a ciência impossível. É contrário à razão afirmar que coisas acontecem queira ou não sem uma causa. Portanto, indeterminismo reduz-se ao irracionalismo. Ambas a operação e a origem da ciência são dependentes do princípio da causalidade. Simplesmente porque um ato livre não é causado por outrem, não significa que ele é incausado. Ele pode ser auto-causado.

O uso do princípio de Heisenberg é mal empregado, desde que ele não lida com causalidade de um evento mas com impreditibilidade.

Indeterminismo elimina dos humanos sua responsabilidade moral, desde que eles não são a causa destas ações. Se eles não são, por que eles deveriam ser repreendidos por suas más ações? Indeterminismo, pelo menos em uma escala cósmica, é inaceitável de uma perspectiva bíblica, desde que Deus está causalmente relacionado com o mundo (Gn 1) e sustentador de todas as coisas (Cl 1:15-16).

Auto-Determinismo

De acordo com esta visão, os atos morais de uma pessoa não são causadas por outra pessoa nem são incausados, mas são causados pelo próprio ser. É importante saber desde o princípio precisamente o que significa o auto-determinismo ou livre escolha. Negativamente, ele significa que uma ação moral não é incausada ou causada por outrem. Ela não é nem indeterminada e nem determinada por outrem. Positivamente, é moralmente auto-determinado, um ato livremente escolhido, sem compulsão, em que se poderia ter agido de outra forma. Diversos argumentos suportam esta posição.

Argumentos para o Auto-Determinismo

Ou ações morais são incausadas, causadas por outrem, ou causadas pelo próprio ser. Porém, nenhuma ação pode ser incausada, desde que isto violaria o princípio racional fundamental que todo evento tem uma causa. Nem podem as ações de uma pessoa serem causadas por outras, porque em tal caso elas não seriam ações pessoais. Além disso, se os atos de alguém são causados por outrem, então como pode este alguém ser tomado responsável por elas? Ambos Agostinho (em “On Free Will” e “On Grace and Free Will”) e Tomás de Aquino eram auto-deterministas, assim como calvinistas moderados e arminianos.

A negação de que algumas ações podem ser livres é auto-refutável. Um determinista completo insiste que ambos deterministas e não-deterministas são determinados a crer naquilo que creem. Porém, deterministas creem que auto-deterministas estão errados e deveriam mudar sua visão. Mas “dever mudar” implica liberdade em mudar, que é contrário ao determinismo. Se Deus é a causa de todas as ações humanas, então seres humanos não são moralmente responsáveis, e não faz sentido elogiar humanos por fazer o bem nem repreendê-los por fazer o mal.

Uma dimensão desta controvérsia tem a ver com como o “auto” é visto. Por “auto” o auto-determinista crê que existe um “eu” (sujeito) que é mais que o objeto. Isto é, minha subjetividade transcende minha objetividade. Não posso colocar todo meu “eu” num microscópio para me analisar como um objeto. Há mas em mim que objetividade. Este “eu” que transcende o ser objetificado é livre. O cientista que tenta estudar o “auto” pessoal sempre transcende o experimento. O cientista está sempre observando ‘de fora’. De fato, “eu” é livre para rejeitar o “eu”. Isto não é determinado por objetividade, não sujeito a nem sujeito a ser trancafiado em análise científica. Como tal, o “eu” é livre.

Objeções ao Auto-Determinismo

Livre arbítrio elimina a soberania. Se seres humanos são livres, eles estão fora da soberania divina? Ou Deus determina tudo, ou então ele não é soberano. E se ele determina tudo então não existem atos auto-determinados.

É suficiente notar que Deus soberanamente delegou escolha livre a algumas de suas criaturas. Não havia necessidade para ele fazê-lo; ele exerceu sua livre vontade. Portanto liberdade humana é um poder soberanamente dado para realizar escolhas morais. Apenas liberdade absoluta seria contrário à absoluta soberania de Deus. Mas liberdade humana é limitada. Humanos não são livres para se tornarem, eles mesmos, Deus.Um ser contingente não pode se ternar um Ser necessário, pois um ser necessário não pode vir a ser. Ele deve sempre seu como é.

Livre arbítrio é contrário à graça. É objetado que ou os bons atos livres surgem da graça de Deus, ou então da nossa própria iniciativa. Mas se for o último, eles não são resultado da graça de Deus (Ef 2:8-9). Porém, isto não necessariamente segue. Livre arbítrio em si é um dom gracioso. Além disso, graça especial não é forçada coercitivamente sobre {onto} a pessoa. Em vez disso, graça atua persuasivamente. A posição do determinista forte confunde a natureza da fé. A capacidade de uma pessoa receber o dom divino gracioso da salvação não é o mesmo que trabalhar por ela. Pensar desta forma é dar o crédito do presente para o receptor em vez do Doador que graciosamente o ofereceu.

Um ato auto-causado é logicamente impossível. É objetado que auto-determinismo significa causar {oneself} a si mesmo, o que é impossível. Alguém não pode ser anterior a si mesmo, que é o que um ato auto-causado implica. Esta objeção interpreta mal o determinismo, que não significa quee algo causa a si mesmo existir, mas em vez disso causa algo mais ocorrer. Um ato auto-determinado é aquele determinado pelo próprio ser, não por outrem.

Auto-determinismo é contrário à causalidade. Se todos os atos necessitam de uma causa, então também precisam os atos da vontade, que não são causados pelo próprio ser mas por algo além. Se tudo necessita de uma causa, então também as pessoas realizando as ações.

Não há violação do real princípio de causalidade no exercício das ações livres. O princípio não afirma que todas as coisas (seres) precisam de uma causa. Coisas finitas necessitam de uma causa. Deus é incausado. A pessoa realizando ações livres é causada por Deus. O poder de liberdade é causado por Deus, mas o exercício da liberdade é causado pela pessoa. O próprio ser é a causa-primeira de ações pessoais. O princípio de causalidade não é violado porque todo ser finito e toda ação tem uma causa.

Auto-determinismo é contrário à predestinação. Outros objetam que auto-determinação é contrário à predestinação de Deus. Mas auto-deterministas replicam que Deus opde predeterminar de várias formas. Ele pode determinar

  1. contrário à escolha livre (forçando a pessoa a fazer o que ela não escolhe fazer);
  2. baseado nas livres escolhas já tomadas (esperando para ver o que a pessoa fará); e
  3. conhecendo omniscientemente o que a pessoa fará “de acordo com sua presciência” (1Pe 1:2).

Porque os que previamente conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. {Rm 8:29 AR} Quaisquer das posições 2 ou 3 é consistente com o auto-determinismo. Ambas insistem que Deus pode determinar o futuro mediante livre escolha, desde que ele onisicientemente sabe com certeza como eles livremente agirão. Então, é determinado do ponto de vista do ibnfalível conhecimento divino mas livre do ponto de vista da escolha humana.

Conectado ao argumento do determinismo forte está que, enquanto Adão teve livre escolha (Rm 5:12), seres humanos caídos estão escravos do pecado e não são livres para responder a Deus. Mas esta visão é contrária tanto com a chamada consistente de Deus para o arrependimento (Lc 13:3, At 2:38) e o crer (p.ex. Jo 3:16,36, At 16:31), bem como afirmações diretas de que até mesmo descrentes têm a capacidade de responder à graça da Deus (Mt 23:37, Jo 7;17, Rm 7:18, 1Co 9:7, fM 1:14, 1Pe 5:2).

Este argumento continua que se humanos têm a capacidade de responder, então a salvação não é pela graça (Ef 2:8-9) mas por esforço humano. Porém, isto é uma confusão sobre a natureza da fé. A capacidade de uma pessoa receber o dom divino gracioso da salvação não é o mesmo que trabalhar por ela. Pensar desta forma é dar o crédito do presente para o receptor em vez do Doador que graciosamente o ofereceu.

Fontes

Augustine, On Free Will

J. Edwards, The Freedom of the Will

J. Fletcher, John Fletcher’s Checks to Antinomianism, abridged by P. Wiseman

R. T. Forster, et al., God’s Strategy in Human History

N. L. Geisler; “Man’s Destiny: Free or Forced,” CSR, 9.2 (1979)

D. Hume, The Letters of David Hume

C. S. Lewis, Miracles

M. Luther, On Grace and Free Will

_______ The Bondage of the Will

B. F. Skinner, Beyond Behaviorism

_______ Beyond Freedom and Dignity

Thomas Aquinas, Summa Theologica

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