Traduções Crédulas : Arminianos Creem na Depravação Total?

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Que pergunta! É claro que sim! Arminianos creem na depravação total, com certeza!

Ah, por acaso uns três ou quatro calvinistas ‘com diploma’ disseram o contrário? Oh, um blogueiro disse que retirou tal citação de um ótimo livro calvinista? E, curiosamente, nenhum deles citou Arminius, Wesley, Fletcher, Molina (este é católico, eu sei), Goodwin, Cottrell, Olson? Interessante… Pv 12:17 talvez?

Pode ser que este pequeno post seja para você. Leia e guarde com carinho!

Arminianos Creem na Depravação Total?

por Arminian on Arminian Theology Blog
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Líder calvinista John MacArthur afirma que

A ideia contemporânea é que existe algum bem residual deixado no pecador. Enquanto esta progresão vem do pelagianismo para o semipelagianismo, e então chegou a algum arminianismo contemporâneo, talvez ficou definida um pouco mais cuidadosamente por Wesley, que era uma espécie de, eh, um calvinista confuso, porque Wesley queria dar toda glória a Deus, mas como vocês bem sabem, ele queria encontrar no homem algum lugar aonde o homem pudesse iniciar sua salvação de sua própria vontade … Tal que o pecador, sem o auxílio do Santo Espírito, deve realizar o primeiro mover. Esta é essencialmente a teologia arminiana: o pecador, sem ajuda, deve tomar o primeiro passo.[1] (ênfase minha)

Loraine Boettner escreve

Enquanto lemos as obras de vários escritores arminianos, parece que seu primeiro e provavelmente mais sério erro é que eles não davam suficiente importância à rebelião pecaminosa e separação espiritual da raça humana de Deus que ocorreu na queda de Adão. Alguns a negligenciam completamente, enquanto para outros ela parece ser um evento tão distante que tenha pouca influência nas vidas das pessoas hoje. Mas ao menos que insistamos na realidade desta separação de Deus, e os efeitos totalmente desastrosos que ela tem em toda raça humana, jamais seremos capazes de apreciar adequadamente nossa real condição ou nossa real necessidade de um Redentor.[2]

Não apenas Boettner explicitamente afirma que arminianos “não dão suficente importância para a rebelião pecaminosa e separação espiritual da raça humana de Deus”, sua última sentença é um golpe na cara se eu tivesse visto: arminianos são incapazes de apreciar adequadamente a necessidade de um Redentor.

A dupla calvinista Steele e Thomas alega que o arminianismo ensina que

Apesar de a natureza humana fora seriamente afetada pela queda, o homem não foi abandonado em um estado de total desesperança espiritual. Deus graciosamente habilita cada pecador a se arrepender e crer, mas Ele não interfere na liberdade do homem. Cada pecador possui livre arbítrio, e seu eterno destino depende de como ele o usa. A liberdade do homem consiste em sua capacidade de escolher o bem sobre o mal em matéria espiritual; sua vontade não está escravizada pela sua natureza pecaminosa. O pecador tem o pode de ou cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido precisa da assistência do Espírito, mas ele não tem que ser regenerado pelo Espírito antes de crer, pois a fé é ato do homem e precede o novo nascimento. Fé é o presente do pecador para Deus; é a contribuição do homem para salvação.[3]

O Christian Apologetics and Research Ministry (CARM) alega

Depravação Total é a doutrina de que o homem caído está completamente tocado pelo pecado e que ele é completamente pecador. Ele não é tão mau quanto pode ser, mas em todas as áreas do seu ser, corpo, alma, espírito, mente, emoções, etc., ele é tocado pelo pecado. Neste sentido ele é totalmente depravado, nada de bom pode vir dele (Rm 3:10-12) e Deus deve aplicar a retidão de Cristo a ele. Esta retidão é obtida somente mediante fé em Cristo e no que Ele fez na cruz.

Depravação total é geralmente crida pelos grupos calvinistas e rejeitada pelos grupos arminianos.[4]

William MacLean escreve

Arminianos negam a depravação total do homem, em que eles adotam que a vontade do homem é livre e tem a habilidade de escolher Cristo e a salvação que está nEle.[5]

Apesar do quão convencidos os calvinistas acima, suas asserções são bastante infundadas. De fato, nada poderia estar mais longe da verdade; arminianos com toda a sinceridade afirmam a depravação total do homem.

Jacob Arminius escreve

No estado de Primitiva Inocência, o homem tinha uma mente dotada com um claro entendimento da luz celestial e verdade concernente a Deus, e suas obras e vontade, na medida em que eram suficientes para a salvação do homem e a glória de Deus; ele tinha um coração dotado de ‘justiça e verdadeira santidade’, e com um verdadeiro e salvífico amor do bem; e poderes abundantemente qualificados ou fornecidos perfeitamente para cumprir a lei que Deus impusera nele. A isto se admite facilmente a prova, da descrição da imagem de Deus, após a qual o homem é dito ser criado (Gn 1:26-27), da lei divinamente imposta a ele, que tinha uma promessa e uma ameaça anexos a ela (Gn 2:17), e finalmente da restauração análoga da mesma imagem em Cristo Jesus (Ef 4:24, Cl 3:10).

Mas o homem não estava tão assegurado nesse estado de inocência, como sendo incapaz de ser movido, pela representação apresentada a ele de algum bem, (fosse este de um tipo inferior e relativo a esta vida animal, ou de um tipo superior e relativo à vida espiritual) desordenada e ilegalmente olhar para ela e desejá-lo, e de sua própria espontânea bem como livre moção, e mediante um absurdo desejo de tal bem, declinar da obediência que lhe foi prescrita. Negativo, tendo se voltado contra a luz de sua própria mente e seu bem maior, que é Deus, ou, pelo menos, tendo se voltado para o bem maior não da maneira que ele deveria ter feito, e além disso ter se tornado em mente e coração para um bem inferior, ele transgrediu o comando que lhe foi dado para vida. Por esta ação falha, ele precipitou-se a si mesmo da nobre e elevada condição em um estado de mais profunda infelicidade, que é debaixo do domínio do pecado. Pois ‘daquele a quem vos apresentais como servos para lhe obedecer, sois servos desse mesmo a quem obedeceis’ (Rm 6:16) e ‘de quem um homem é vencido, do mesmo é feito escravo’ e é regularmente assinalado escravo (2Pe 2:19).

Neste estado, o livre arbítrio do homem para o verdadeiro bem não é somente ferido, mutilado, enfermo, retorcido e enfraquecido; mas é também aprisionado, destruído e perdido. E tais poderes não são somente debilitados e inúteis a não ser que sejam assistidos pela graça, mas não tem poder algum exceto se forem excitados pela Divina Graça. Porque Cristo disse ‘Sem mim nada podeis fazer’. Santo Agostinho, após ter diligentemente meditado em cada palavra desta passagem, nos fala: ‘Cristo não diz, sem mim nada além de Pouca-Coisa podeis fazer; nem Ele diz, sem mim nada Árduo podeis fazer, nem diz sem mim nada podeis fazer com dificuldade. Mas ele diz, sem mim Nada podei fazer! Nem diz ele, sem mim nada podeis completar; mas sem mim nada podeis fazer’. Que isto pode mais manifestamente aparente, nós separadamente cogitaríamos a mente, as afeições ou vontade, e a capacitação, como contra-distinguidos para eles, bem como a própria vida do homem não-regenerado. [6]

Arminius diz mais

Esta é minha opinião concernente ao livre-arbítrio do homem: em sua condição primitiva como ele saiu das mãos de seu criador, o homem foi dotado de tal porção de conhecimento, santidade e poder, como lhe habilitou a compreender, estimar, cogitar, desejar, e realizar o verdadeiro bem, de acordo com o comando entregue a ele. Ainda assim nenhum desses atos ele poderia realizar, exceto mediante a assistência da Divina Graça. Mas em seu estado lapso e pecaminoso, o homem não é capaz, de e por si mesmo, de pensar, desejar ou fazer aquilo que é realmente bom; mas é necessário para ele ser regenerado e renovado em seu intelecto, afeições ou vontade, e em todos os seus poderes, por Deus em Cristo mediante o Santo Espírito, que ele possa ser qualificado retamente a compreender, estimar, cogitar, desejar, e realizar o que seja verdadeiramente bom. Quando ele é feito um participante desta regeneração ou renovação, eu cogito que, desde que ele está liberto do pecado, ele é capaz de pensar, desejar e realizar o que é bom, mas ainda não sem o contínuo auxílio da Divina Graça.[7]

Dr. Brian Abasciano e Martin Glynn, presidente e vice respectivamente da SEA[8], escreveu isto acerca da depravação humana:

A humanidade foi criada à imagem de Deus, boa e reta, mas caiu de seu estado original sem pecado mediante intencional desobediência, deixando a humanidade pecaminosa, separada de Deus, e debaixo da sentença de condenação divina… Depravação total não quer dizer que seres humanos são tão maus quanto podem ser, mas que o pecado impacta cada parte do ser da pessoa e que tais pessoas agora têm uma natureza pecaminosa com uma inclinação natural para o pecado, tornando cada ser humano fundamentalmente corrupto em seu coração… Portanto, seres humanos não são capazes de pensar, desejar, nem fazer nada de bom em e de si mesmo, incluindo favor meritório de Deus, salvar-se a si mesmos do julgamento e condenação de Deus que eles merecem de seu pecado, ou mesmo crer no evangelho … se qualquer pessoa é salva, Deus deve tomar iniciativa. [9]

A Opinião dos Remonstrantes:

O homem não tem fé salvífica de si mesmo, nem dos poderes de seu livre arbítrio, desde que no estado de pecado ele é incapaz de e por si mesmo de pensar, desejar, ou fazer qualquer bem (o que seria de fato o bem salvífico, o mais proeminente sendo a fé). É necessário portanto que por Deus em Cristo mediante o Santo Espírito ele seja regenerado e renovado em intelecto, afeições, vontade, e em todos os seus poderes, de tal forma que ele possa ser capaz de entender, refletir sobre, desejar e efetuar as boas coisas pertinentes à salvação. Mantemos, porém, que a graça de Deus não é somente o começo mas também a progressão e completude de todo bem, tanto que até mesmo o próprio regenerado é incapaz de pensar, desejar ou fazer o bem, ou resistir a quaisquer tentações para o mal, à parte da precedente ou preveniente, excitadora, seguidora e cooperativa graça. Portanto toda boa obra e ação que qualquer um por cogitação é capaz de entender é para ser atribuída à graça de Deus… A vontade humana em seu estado caído, antes do chamado, não tem o poder e liberdade de fazer nenhum bem salvífico. [10]

Roger Olson, autor de Arminian Theology: Myths and Realities, e Against Calvinism, escreve que

Arminianos e calvinistas igualmente afirmam a depravação total devido à queda da humanidade em Adão e sua consequência herdada de uma natureza corrupta em escravidão ao pecado. Um mito comum sobre o arminianismo é que ele promove ima teologia otimista. [11]

Mesmo os calvinistas Peterson e Williams reconhecem que arminianos adotam a doutrina da depravação total:

Arminianos e calvinistas igualmente creem em depravação total: devido à queda, cada aspecto da natureza humana está corrompido pelo pecado. [12]

John Wesley, comentando Gênesis 6:5, abertamente ensina que

acerca do homem em seu estado natural sem assistência da graça de Deus… toda imaginação dos pensamentos de seu coração é ainda má, somente má e isso continuamente. [13]

Arminianos portanto com toda sinceridade aderem à seguinte definição dada pelo calvinista Charles Ryrie:

Por causa dos efeitos da queda, que a relação original de comunhão com Deus foi quebrada e a natureza toda do homem foi poluída. Como resultado, ninguém pode fazer nada, nem mesmo coisas boas, que podem obter mérito soteriológico aos olhos de Deus. Portanto, podemos concisamente definir depravação total como a não-meritoriedade do homem diante de Deus por causa da corrupção do pecado original. O conceito de depravação total não significa (1) que as pessoas depravadas não podem ou não realizam ações que são boas para a vista do homem ou de Deus. Mas nenhuma de tais ações pode obter favor de Deus para a salvação. Nem significa também (2) que o homem caído não tem consciência que julgue entre o bem e o mal para ele. Mas que a consciência foi afetada pela queda de tal maneira que ela não pode ser uma guia seguro e confiável. Nem significa (3) que as pessoas se entregam a toda forma de pecado ou a qualquer pecado na maior extensão possível. Positivamente, depravação total significa que a corrupção se estendera a todos os aspectos da natureza humana, em todo seu ser; e depravação total significa que por causa desta corrupção não há nada que o homem pode fazer para merecer favor salvífico com Deus. [14]

—–
Notas

1 Sermon: The Sinner Neither Able Nor Willing – The Doctrine of Absolute Inability, preached at the Together for the Gospel (T4G) Conference, 2008.  Relevant Time: 31:54 – 33:15

2 Boettner, L., ‘Man’s Totally Helpless Condition,’ in The Reformed Faith

3 Steele, D., Thomas, C., w Quinn, S., The Five Points of Calvinism: Defined, Defended, and Documented (2004: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 2nd Ed.), pp. 5-6

4 ‘Total Depravity,’ in the Dictionary of Theology: <http://carm.org/dictionary-total-depravity&gt;

5 MacLean, W., ‘Arminian Errors,’ in the tract Another Gospel

6 Arminius, J., Complete Works of Arminius, Volume 1, Public Disputations of Arminius, Disputation 11 (On the Free Will of Man and its Powers)

7 Ibid. Declaration of the Sentiments, 5:3

8 According to announcement made on 20 July 2011: <http://evangelicalarminians.org/node/1179&gt;

9 Abasciano, B., e Glynn, M., Um Esboço do FACTS Arminiano Contra o TULIP Calvinista <LINK>

10 10 The Opinions of the Remonstrants, 1618: The Opinion of the Remonstrants regarding the third and fourth articles, concerning the grace of God and the conversion of man, sections 1, 2, and 4

11 Olson, R., Arminian Theology: Myths and Realities (2006: InterVarsity Press), pp.55-6

12 Peterson, R., and Williams, M., Why I Am Not An Arminian (2004: InterVarsity Press), p.163

13 Wesley, J., Sermon XLIV: Original Sin, in The Essential Works of John Wesley (2011: Barbour Publishing Inc.), p.128

14 Ryrie, C., Entrada para ‘Depravity, Total,’ in Walter A. Elwell, Editor, Evangelical Dictionary of Theology (2001: Baker Academic, Grand Rapids, MI, 2nd Edition), p. 337

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