Traduções Crédulas: Cheque-Sem-Fundos Calvinista

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Passar um cheque polpudo mas sem fundos a uma pessoa reconhecidamente carente de recursos financeiros, mesmo sabendo que a pessoa que o recebe, não terá desejo ou capacidade de descontar tal cheque, é uma atitude honesta?

Joshua Thibodaux faz um paralelo interessante entre o gomarismo (o calvinismo de cinco pontos) e a oferta evangélica, com um cheque sem fundos.

Cheque-Sem-Fundos Calvinista
ou: A Impossibilidade de uma Oferta Sincera do Evangelho a Todos os Homens

por J.C. Thibodaux on ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

A doutrina da expiação limitada (Cristo morrendo pela salvação somente dos eleitos de Deus) é talvez a mais controversa de todas as doutrinas calvinistas. Além de não ter nenhuma fundação escritural para confirmar (evidenciado pelo fato que nenhuma palavra da Escritura implica ninguém sendo excluído da expiação, enquanto sua universalidade é repetidamente proclamada nela), esta é criticada por, entre outras coisas, tornar a oferta evangélica insincera quando os não-eleitos são considerados. Estudiosos e apologistas reformados têm empregado bastante esforço em desviar esta acusação (veja por exemplo Covenant, Universal Call And Definite Atonement, de Dr. Roger Nicole). A defesa padrão que é geralmente montada é declarar que a oferta é genuína mas os não-eleitos (ou reprovados) são simplesmente incapazes de cumprir sua estipulação de fé sem serem regenerados, e portanto nunca obterão o que lhes fora genuinamente oferecido.

Enquanto esta defesa pode ser razoável à primeira vista, um aspecto crucial que ela escamoteia é a relação essencial entre a expiação de Jesus Cristo e a salvação que está sendo oferecida. Isto produz uma inconsistência aparentemente irreconciliável, como os silogismos que se seguem, sucintamente deverão provar.

  • Premissa 1: Uma “oferta” feita a alguém que não pode obter, mesmo se ele[1] cumprisse as estipulações, não é uma oferta genuína ou sincera para aquele homem.
  • Premissa 2: A oferta evangélica que Deus estende a todos os homens[2] em todo lugar é que se qualquer pessoa verdadeiramente crê em Jesus Cristo ela será salva da condenação (Rm 10:9-11, Jo 5:24).
  • Conclusão 1: Portanto se qualquer homem não pode ser salvo ainda que creia verdadeiramente em Cristo, então a oferta evangélica a este homem não é genuína ou sincera.

A primeira premissa do segundo silogismo é onde eu creio que a maioria dos calvinistas se confunde quando declaram que a oferta evangélica é genuína em sua visão.

  • Premissa 1a: Sem o benefício da morte sacrificial de Cristo como expiação pelos pecados[3], então mesmo se alguém verdadeiramente cresse em Cristo, ele não seria salvo.
  • Premissa 2a: A doutrina da Expiação Limitada é que a morte de Cristo como expiação pelos pecados, tal que uma pessoa pode ser salva da eterna condenação caso creia, só se aplica aos eleitos. Ela não se aplica nem pode se aplicar aos não-eleitos.[4]
  • Conclusão 2: Portanto se a doutrina da Expiação Limitada for verdadeira, um homem que não é eleito (e portanto não teve seus pecados expiados na cruz), mesmo se verdadeiramente pudesse crer em Cristo, não poderia ser salvo.[5]

Alguns calvinistas podem contestar a premissa 1a, mas sua verdade deve ser bastante evidente. Contender o contrário, que a fé de e em si mesma pudesse salvar alguém do pecado sem Cristo morrer por ele, é patentemente absurdo.

  • Premissa 1b (da Conclusão 1): Se qualquer homem não pode ser salvo ainda que creia verdadeiramente em Cristo, então a oferta evangélica a este homem não é sincera ou genuína.
  • Premissa 2b (da Conclusão 2): Se a doutrina da Expiação Limitada é verdadeira, um homem que não é eleito, ainda que ele viesse a cresse em Cristo verdadeiramente, não poderia ser salvo.
  • Conclusão 3: Se a doutrina da Expiação Limitada é verdadeira, então a oferta evangélica ao não-eleito não é sincera ou genuína.

Como pode ser facilmente visto, afirmar a uma pessoa que ela será salva se crer em Cristo não pode ser verdadeiro se Cristo não morreu por ela. Mesmo se ele hipoteticamente cresse, não existiria nada para assegurar a oferta feita a ele. Afirmar a um não-eleito por quem Cristo não morreu que ele seria salvo mediante fé se cresse é equivalente a afirmar que sua crença em Cristo poderia salvá-lo à parte de qualquer obra expiatória de Cristo!

A visão calvinista comum da expiação e da oferta evangélica se resume ao equivalente a Deus entregar cheques sem fundo retiráveis de uma conta vazia para seduzir tantas almas malditas e miseráveis, e em seguida levando-as ainsa mais para seu desinteresse em uma sucata inválida. Ela retrata Deus como tentando aqueles que estão morrendo de inanição com convites a uma requintada festa grande o bastante para todos – após dar ao chef ordens explícitas para jamais preparar nada para eles. Se você acha tal duplicidade e falta de sinceridade não parece com a auto-revelação divina na Escritura, você não está sozinho.

FootNotes:

[1] Gênero masculino não-especificado expressa inclusividade de gênero a partir daqui.

[2] Jo 3:16-17, At 17:30, Lc 24:46-47, Tt 2:11-13, Rv 22:17; apesar de que provar tal premissa é raramente necessário, desde que somente hipercalvinistas e calvinistas ‘de borda’ rejeitam a oferta universal do Evangelho.

[3] Aqueles que têm tal benefício neste contexto incluem aqueles por quem tal benefício ainda não fora feito, mas estavam esperando por ele, por exemplo os santos do AT. Aqueles sem este como aqui descritos são aqueles pelos quais a expiação nunca foi feita na perspectiva calvinista.

[4] Quer dizer, apenas aqueles que são eleitos (escolhidos por Deus) podem receber qualquer benefício da morte de Cristo afinal no que se concerne ao perdão dos pecados e salvação eterna. Enquanto calvinistas de cinco pontos podem reconhecer que a expiação faz algo acerca dos não-eleitos em sua visão, seu poder de salvar do pecado é estritamente reservado para os eleitos com exclusão de todos os outros. Qualquer visão contrária é fortemente denunciada por Spurgeon em seu sermão, “The Mission of the Son of Man”: “Que Cristo tenha oferecido uma expiação e satisfação pelos pecados de todos os homens, e que após isso alguns destes mesmos homens devam ser punidos pelos pecados que Cristo já expiara, me parece a mais monstruosa iniquidade que possa ser imputada a Saturno, Juno, à deusa dos Thugs, ou a mais diabólica das deidades pagãs”.

[5] A validade do raciocínio aqui deve ser aparente: fé ou qualquer coisa não será capaz de salvá-lo dado que a expiação sacrificial pelos pecados não se aplica a tal pessoa. Em termos de substituição penal, mesmo se tal não-eleito cumprir a condição de fé em Cristo, não existe nenhum substituto, nenhum pagamento preparado para seus pecados debaixo de sua crença, nem sequer pode haver. Ele por necessidade deve suportar sua própria condenação e continuar a sofrer apesar de crer.

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