Traduções Crédulas: Arminius sobre Conhecimento Médio

Padrão

Neste post – que há muito estive procrastinando – Dan Chapa defende que Arminius utilizou conhecimento médio para formular suas teorias de eleição, predestinação, providência e oração.

Arminius Sobre Conhecimento Médio

por Godismyjudge from TraditionalBaptistChronicles
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

O propósito deste post é demonstrar que Arminius ensinava que Deus tinha conhecimento médio. Recentemente muitos autores, os quais são de outras formas aderentes à teologia arminiana, têm feito asserções de que Arminius de fato não ensinava o conhecimento médio[1]. Eu espero demonstrar que Arminius ensinava que Deus tem conhecimento médio, e que este era fundamental para sua visão de predestinação e providência. Desde que o propósito deste paper é a clarificação das visões de Arminius e não uma defesa da doutrina em si, eu usarei bem mais citações de Arminius que da Escritura.

O Que É Conhecimento Médio?

Conhecimento Médio é importante ao ser capaz de explicar a coexistência dos decretos e providência de Deus, e livre-arbítrio do homem. Colocando simplesmente, conhecimento médio é a visão que Deus sabe que se X acontecesse então Y iria acontecer.

Conhecimento médio ganha o nome médio, porque ele está logicamente entre dois outros tipos de conhecimento. Ele vem depois do conhecimento natural e antes do conhecimento livre. Conhecimento natural é o conhecimento de todas as coisas que são possíveis, ou coisas que podem acontecer. Conhecimento livre é conhecimento do futuro, ou coisas que acontecerão. Conhecimento médio é conhecimento do que ocorreria, dada uma circunstância. Simplificando, conhecimento natural é o que pode ocorrer, conhecimento médio é o que poderia acontecer, e conhecimento livre é o que irá acontecer.

Conhecimento médio inclui atos livres. Então Deus sabe que se eu estou na situação X eu livremente escolherei Y. Isto é inestimável ao explicar a providência e a predestinação de Deus. Se Deus revela o Evangelho de uma certa maneira, este homem livremente responderá. Se Deus providencia a circunstância na qual o soldado sabe que Cristo já está morto, o soldado não quebrará as pernas de Cristo.

Conhecimento médio também ajuda explicar como Deus conhece e pode revelar o futuro. Na ordem lógica, Deus primeiro sabe o que pode ocorrer, então o que poderia ocorrer, e então Ele escolhe que possibilidade exercer, então Ele sabe o que vai ocorrer. Então para conhecer o futuro, Deus não tem que ver eventos que não ocorreram no tempo, o que pode ser difícil de explicar, De fato, Ele tem que saber o que Ele escolheu.

Por que alguns arminianos dizem que Arminius não ensinava conhecimento médio?

Algumas pessoas pensam que conhecimento médio é muito próximo do calvinismo, e em efeito tem os mesmos problemas. Não está Deus incondicionalmente elegendo ao escolher que circunstâncias providenciar?

Aqui está um exemplo que ilustra o potencial problema. Suponha que Deus escolhe salvar Johnny e Susie, mas não salvar Ronnie. Então Ele planeja as circunstâncias e chamado apropriados para garantir a salvação de Johnny e Susie.

De uma maneira tosca eu descreverei isto como chamadas de nível 1 a 3. Deus sabe que Susie responderia a uma chamada de nível 1, então Deus escolhe providenciar Susie com uma chamada de nível 1. Deus sabe que Johnny não responderia a uma chamada de nível 1, mas que ele responderia a uma chamada de nível 3. Então Deus escolhe providenciar Johnny com uma chamada de nível 3. Deus também sabe que Ronnie responderia a uma chamada de nível 3, mas que ele não responderia a uma chamada de nível 2. Deus providencia uma chamada de nível 2 para Ronnie e Ronnie não responde e está perdido.

Deste modo Deus está na realidade elegendo incondicionalmente e Ele está também fazendo uma distinção nas influências persuasivas do Santo Espírito. Baseados nesta objeção, alguns dizem que Arminius simplesmente não poderia ensinar conhecimento médio. Mas ele o fez. Irei abordar esta objeção a partir dos escritos de Arminius, mas primeiro devemos estabelecer se ele ensinava conhecimento médio ou não.

Arminius Ensinava Conhecimento Médio?

Começaremos com as afirmações de Arminius acerca de conhecimento médio em sua explicação do atributo divino do conhecimento. Então mostraremos os efeitos pervasivos do conhecimento médio no restante da teologia de Arminius, para incluir as explicações de Arminius da predestinação, providência e oração.

Atributos de Deus

Ao discutir os atributos de Deus, Arminius cobre a essência e vida de Deus. Ele identificou conhecimento e vontade como os dois principais atributos da vida de Deus. No conhecimento de Deus, Arminius claramente delineia três tipos de conhecimento em Deus, incluindo conhecimento médio.

XLIII. Os escolásticos dizem além disso, que um tipo de conhecimento de Deus é natural e necessário, outro livre, e um terceiro tipo médio. (1.) Conhecimento natural ou necessário é aquele pelo qual Deus entende a Si mesmo e todas as coisas possíveis. (2.) Conhecimento livre é aquele pelo qual ele sabe, todas as outras coisas. (3.) Conhecimento médio é aquele pelo qual ele conhece que “se Esta coisa acontecer, Aquela terá lugar”. A primeira precede todo ato livre da Vontade Divina; a segunda segue o ato livre da vontade de Deus; e a última precede de fato o ato livre Vontade Divina, mas hipoteticamente a partir deste ato ela vê que alguma coisa particular irá ocorrer. (LINK)

Isto parece um endosso bem claro e deveria resolver todo o assunto. Mas alguns podem dizer que como ele está citando os escolásticos[2], talvez ele não estivesse adotando ele mesmo a visão.

Porém, na Private Disputation de Arminius, encontramos o mesmo pensamento, sem a citação dos escolásticos.

9. Segundo. Uma [qualidade do] conhecimento de Deus é aquela da inteligência simples, pela qual ele entende, em si mesmo, todas as coisas possíveis, e a natureza e essência de todas as entidades; outra é aquela da visão, pela qual ele observa sua própria existência e a de todas as entidades ou seres.

10. O conhecimento pelo qual Deus conhece sua própria essência e existência, todas as coisas possíveis, e a natureza e essência de todas as entidades, é simplesmente necessário, como pertencendo à perfeição de seu próprio conhecimento. Mas este pelo qual ele conhece a existência de outras entidades, é hipoteticamente necessária, isto é, se eles agora têm, já tiveram, ou devem depois ter, qualquer existência. Pois quando qualquer objeto, seja ele qual for, é previsto, ele deve, por necessidade, cair no conhecimento de Deus. O primeiro deles precede todo ato livre da vontade divina; o segundo segue todo ato livre. Os escolásticos, portanto, denominam o primeiro, “natural” e o segundo “livre” conhecimento.

11. O conhecimento pelo qual Deus conhece qualquer coisa se ela é ou existe, é intermediário entre os dois [tipos] descritos nos versos 9 & 10; De fato ele precede o ato livre da vontade com respeito à inteligência. Mas conhece algo futuro de acordo com a visão, apenas mediante sua hipótese.

12. Conhecimento livre, ou aquele da visão, o qual é também chamado “presciência”, não é a causa das coisas; mas o conhecimento que é prático e da simples inteligência, e é denominado “natural”, ou “necessário”, é a causa de todas as coisas pelo meio de prescrever e direcionar ao qual se acrescenta a ação da vontade e da capacidade. O meio ou intermediário [tipo de] conhecimento deve intervir em coisas que dependem da liberdade da escolha ou desejo criados. (LINK)

Aqui, talvez alguém pode dizer que o ponto 11 é escrito de uma maneira confusa e portanto não é uma adoção do conhecimento médio como classicamente definido. Parte da confusão no ponto 11 pode ser devida a uma questão de tradução. A frase “caso ele seja ou exista” parece apontar de volta à coisa que Deus conhece em vez de alguma circunstância na qual a coisa que Deus conhece aconteceria. A frase em latim é “si hoc sit”, que pode ser traduzida “supondo que exista”, a qual colocaria as coisas em uma forma mais normal, se for, que aquela construção. O contexto parece suportar tal conclusão, dado que Arminius chamava tal conhecimento de hipótese.

Se existe qualquer falta de clareza nas citações acima, ela provavelmente será removida por esta terceira, que acuradamente descreve o conhecimento médio.

Ele conhece todas as coisas possíveis, que podem ser referidas a três classes gerais. (i.) Seja a primeira de tais coisas aquela capacidade de Deus poder imediatamente estender a si mesmo, ou que podem existir por seu pero e simples ato. (ii.) Seja a segunda consistindo de tais coisas, pela preservação, movimento, auxílio, concorrência e permissão de Deus, podem ter existência a partir das criaturas, quer estas criaturas existindo ou não, e quer estas criaturas sejam postas nesta ou naquela ordem, ou em infinitas ordens de coisas; seja até mesmo consistindo de tais coisas que podem ter existência a partir das criaturas, se esta ou aquela hipótese fosse admitida. (1Sm 23:11,12; Mt 11:21) (LINK)

Até aqui, alguém pode dizer, “sim, Arminius arrogava conhecimento médio a Deus, mas ele não levava seu ensino ao restante do seu sistema teológico”. Tentarei mostrar a importância do conhecimento médio aos pensamentos de Arminius sobre predestinação, providência e oração.

Predestinação

Arminius via a predestinação em quatro decretos lógicos. O primeiro decreto de predestinação é que Cristo é a Cabeça e fundação da Salvação. O segundo decreto é que fé em Cristo é a condição de salvação. O terceiro decreto é a provisão dos meios necessários para a humanidade caída crer. O quarto decreto é que Deus decidiu salvar aqueles que Ele sabia, dadas as circunstâncias da graça apresentada no terceiro decreto, que creriam.

Destes segue um QUARTO DECRETO, concernente à salvação destas pessoas em particular, e a danação daquelas. Isto repousa ou depende da presciência e providência de Deus, pelas quais ele dantes sabia desde toda a eternidade que os homens iriam, mediante tal administração, crer com o auxílio da graça preveniente ou precedente, e perseverariam pelo auxílio da graça subsequente ou conseguinte, e aqueles que não creriam nem perseverariam. (link)

Note que Arminius não diz irá, mas iriam. Sua crença não era futura, mas hipoteticamente futura. Um comum mal-entendido acerca da visão arminiana de predestinação é que a predestinação divina é uma espécie de carimbo do que Ele já viu como futuro. Predestinação seria como um tipo de loop lógico ou logicamente falando seria “tarde demais” para mudar o futuro. Esta não era a visão de Arminius. Em vez disso, Deus sabe o que aconteceria sob certas circunstâncias e predestinou o que ocorrerá.

Arminius manteve esta posição consistentemente em seu “Certos Artigos a Ser Diligentemente Examinados e Ponderados” acima, de sua “Declaração de Sentimentos”:

A estes segue um quarto decreto, pelo qual Deus decretou salvar e danar cartas pessoas em particular. Este decreto tem suas fundações na presciência de Deus, pela qual ele sabia desde toda a eternidade aqueles indivíduos que iriam, mediante sua graça preveniente, crer, e, mediante sua graça subsequente iriam perseverar, de acordo com a dantes descrita administração destes meios que são adequados e apropriados para conversão e fé; e, por tal pré-conhecimento, ele identicamente conhecia todos os que não creriam nem perseverariam. (LINK)

bem como em sua “Apologia ou Defesa de 31 Artigos”

Aquelas pessoas serão salvas, ou estavam predestinadas e eleitas, quem, Deus dantes conhecia, creriam pela assistência de sua graça preventiva, (adiciono e de sua graça acompanhante), e perseverariam pela ajuda da graça subsequente. (LINK)

As visões de Arminius sobre conhecimento médio impactaram suas visões de predestinação e chegaram em suas visões da providência de Deus.

Providência

Arminius usou o conhecimento médio para explicar como Deus controla os resultados das escolhas livres sem necessitar as escolhas. No tratado de Arminius sobre a Permissão de Deus, Arminius explica que Deus decide apresentar argumentos, sabendo que o argumento resultará em prevenção.

Deus age, preventivamente, na vontade por suasão, quando Ele persuade a vontade por um argumento qualquer, que pode não desejar realizar um ato, pelo qual tende por sua própria inclinação, e ao efeito de que a criatura tem, ou parece a si mesma ter, força suficiente. Por isto, a vontade é agida preventivamente, não por necessidade, de fato, mas de certeza. Mas desde que Deus, na infinidade de Sua sabedoria, prevê que a mente da criatura racional será persuadida pela apresentação do argumento, e que, a partir de sua persuasão, uma prevenção do ato resultará, Ele não está debaixo de necessidade de usar nenhum outro tipo de prevenção. (LINK)

O converso do uso do conhecimento médio de Deus para prevenção é Sua não-prevenção ou Sua permissão. Conhecimento médio é uma parte fundamental da definição de permissão divina. Definir permissão é crítico nos debates calvinismo/arminianismo acerca da entrada do pecado no mundo, e vemos que conhecimento médio está na vanguarda de sua definição.

VIII. (2.) Da capacidade também um impedimento é colocado. O efeito disso é que a criatura racional não pode realizar o ato, porque o desempenho para o que ele tem uma inclinação, e competências que, sem este impedimento, seriam suficientes. …

Mas permissão é a suspensão, não de um impedimento ou dois, que pode ser apresentado à competência ou a vontade, mas de todos os impedimentos de uma só vez, o que, Deus sabe, se fossem todos empregados, efetivamente impedem o pecado. Tal necessariamente seria o resultado, porque pecado seria prejudicado por um simples impedimento desse tipo. (1.) Pecado portanto é permitido pela capacidade da criatura, quando Deus Deus não emprega nenhum destes obstáculos dos quais já mencionamos na 8a. Tese: por esta razão, essa permissão consiste dos seguintes atos que Deus permite, a continuação da vida e essência para a criatura, a conservação de sua capacidade, uma prudência contra isto ser oposta por uma maior capacidade, ou pelo menos por uma que seja igual, e a exibição de um objeto no qual o pecado é cometido. (LINK).

Determinação causal à parte, é difícil imaginar um grau maior de controle. Deus sabe que se eu fornecesse este argumento, este seria certamente o resultado. Então, o resultado está em Seu poder, sem necessitar o evento. Arminius levou esta lógica até a crucifixão. Deus sabia que se Ele enviasse Cristo ao mundo, duas coisas ocorreriam, Cristo seria assassinado e alguns seriam convertidos. A circunstância do envio de Cristo ao mundo foi o meio de realizar a salvação.

XII. O resultado foi duplo: O Primeiro foi aquele que concordou com a natureza da doutrina em si – a conversão de alguns homens a ele, mas sem tal conhecimento dele como a doutrina necessária; porque seus pensamentos foram envolvidos com a noção de restaurar o reino exterior. O Segundo, que surgiu da depravada iniquidade de seus auditores, foi a rejeição da doutrina, e daquele que a ensinou, sua crucifixão e assassinato. Por isso, ele reclama acerca de si mesmo em Is 49:4, “tenho labutado em vão e gastei minhas forças por nada”.

XIII. Como Deus pré-conhecia que isto ocorreria, é certo que ele desejou este ofício profético para servir, pela consagração de Cristo, mediante sofrimentos, para empreender e administrar o ofício real sacerdotal. E assim o ofício profético de Cristo, na medida que era administrado por ele através de seus apóstolos e outros de seus servos, foi o meio pelo qual sua igreja foi trazida à fé, e foi salva. (LINK).

Nem pecado, nem salvação, escapam o conhecimento médio e portanto estão sob o controle providencial de Deus.

Oração

Arminius utilizou conhecimento médio para abordar a difícil questão acerca da oração. O que a oração faz? Arminianos geralmente desafiam calvinistas neste ponto, perguntando “se Deus já decidiu tudo o que se havia de passar, por que orar sobre isto?”. Calvinistas replicam, “se Deus não controla o futuro, por que pedi-Lo para mudar?”. Calvino adotou a visão que oração é somente sobre nosso relacionamento com Deus e não modifica os resultados predeterminados.

Arminius, usando conhecimento médio, tomou uma abordagem distinta numa explicação. Deus não decide abençoar, até que Ele saiba que nós oremos por tal bênção.

1. PERGUNTA. — A oração, ou invocação de Deus, guarda relação somente com o desempenhar da adoração para seu louvor? Ou não é semelhante a conter a relação de meios necessária para obter o que é pedido — meios, de fato, que Deus previu que seriam empregados antes que ele absolutamente determinasse concedê-los no requerente? (LINK)

Os impactos bastante difundidos do conhecimento médio na teologia de Arminius são óbvios. Apesar de quaisquer problemas perceptíveis não devemos negar que esta era sua visão.

Como Arminius abordava as objeções que o conhecimento médio levava ao determinismo e eleição incondicional?

Sobre a questão de se sua visão levava ao determinismo, Arminius traçou uma distinção entre tipos de determinismo.

Pois ele significa (1.) ou “a determinação de Deus pela qual ele resolve que algo deva ser feito; e quando tal determinação é fixada, (por uma ação, moção e impulso de Deus , ou qualquer tipo que ele possa ser,) a segunda causa, com relação a seu poder e o uso de tal poder, continua livre para agir ou não agir, de forma que, se for o obséquio desta segunda causa, ela pode suspender [ou deferir] sua própria ação”. Ou ele significa (2.) “tal determinação, tal que, quando uma vez fixada, a segunda causa (ao menos acerca do uso de seu poder,) não mais permanece livre de tal forma que ela possa suspender sua própria ação, quando a ação, moção e impulso de Deus foram fixados; mas por esta determinação, ela [a segunda causa] é necessariamente dobrada ou inclinada para um curso ou outro, toda indiferença para qualquer parte sendo completamente removida antes deste ato determinado ser produzido por uma criatura livre e espontânea.”

Se a palavra “DETERMINADO,” no artigo aqui proposto, for interpretada de acordo com este primeiro método, longe está de mim negar tal espécie de determinação Divina. Pois estou ciente que isto é dito, no quarto capítulo de Atos dos Apóstolos, “Ambos Herodes e Pôncio Pilatos, com os gentios e o povo de Israel, estavam reunidos contra Jesus, para fazer aquilo que a mão e o conselho de Deus determinaram dantes (ou previamente apontaram) ser feito.” Mas sei também, que Herodes, Pôncio Pilatos, e os judeus, livremente realizaram estas mesmas ações; e (não obstante esta pré-determinação de Deus, e embora pelo seu poder cada ação, moção e impulso Divino que foi necessário para a execução desta “pré-determinação”, foi tudo fixado,) ainda assim foi possível para este ato (a crucifixão de Cristo,) que foi “previamente apontada” por Deus, não ser produzida por estas pessoas, e elas poderiam ter permanecido livres e indiferentes à realização desta ação, até o momento no tempo em que eles perpetraram o ato.

Mas se a palavra “DETERMINADO” for recebida de acordo com a segunda aceitação, confesso, que eu abomino e detesto tal axioma (como sendo FALSO, ABSURDO, e preparando o caminho para MUITAS BLASFÊMIAS,) que, declara que “Deus pelo seu eterno decreto determinara à parte de um ou outro coisas contingentes futuras.” (LINK)

Arminius adotava que o tipo de determinismo que isto leva não é necessidade causal, mas certeza na mente de Deus.

“Mas se ele resolve usar uma força que não é resistível, mas que pode ser resistida pela criatura, então tal coisa é dita ser feita, não necessária mas contingentemente, apesar de sua atual ocorrência ser certamente pré-conhecida por Deus, de acordo com a infinidade de seu entendimento, pelo qual ele conhece todos os resultados que sejam, que surgirão de certas causas que são previstas, e se tais causas produzem a coisa necessária ou contingentemente. De tal motivo os escolásticos dizem que “todas as coisas são feitas por necessidade de infalibilidade”, cuja frase é usada em um determinado sentido, apesar de as palavras em sua enunciação sejam mal-escolhidas. Pois infalibilidade não é afeição de um ser, que existe de causas; mas é uma afeição de uma Mente que vê ou prevê qual será o efeito de certas causas”. (LINK)

Por que Deus vê o que os homens livremente fariam sob certas circunstâncias, Ele não está causalmente necessitando-os. Eles ainda são livres. Nem que é conhecido ser livre mediante conhecimento médio e torna necessário após Deus escolher. Pelo contrário, a escolha estabelece a liberdade.

Apesar de o entendimento de Deus ser certo e infalível, ainda assim ele não impõe qualquer necessidade nas coisas, ou melhor, de fato estabelece neles uma contingência. Pois desde que é um entendimento não da coisa em si, mas semelhantemente de seu modo, deve conhecer a coisa e seu modo como ambas são; e portanto se o modo da coisa ser contingente, ela será conhecida ser contingente; o que não pode ser feito, se esse modo da coisa ser mudada em um modo necessário, mesmo somente pela razão do entendimento Divino.  (Atos 27:22-25,31, 23:11 em conexão com os versos 17,18, &c., com 25:10,12; e com 26:32; Rm 11:33, Sl 147:5) (LINK)

Esta liberdade da necessidade leva até a salvação. Aqueles que são salvos poderiam ter resistido e aqueles que são perdidos poderiam ter crido. Esta é a fundação de sua responsabilidade. A predestinação de Deus é côngrua com sua liberdade.

3. São aqueles que são portanto eleitos necessariamente salvos na base da eficácia da graça, que foi destinada a eles somente que não possam ser capazes de fazer de outra forma além de assentir com ela, já que é irresistível,

4. São aqueles que são portanto reprovados necessariamente danados, porque graça nenhuma, ou não suficiente, foi destinada a eles, para que pudessem assentir e crer,

5. Ou melhor, de acordo com Santo Agostinho, São aqueles que são portanto eleitos asseguradamente salvos, porque Deus decretou empregar graça a eles como ele sabia que seria adequada e côngrua que eles pudessem ser persuadidos e salvos; apesar de no que se refere à eficácia interna da graça, eles não poderiam ser impelidos ou beneficiados por ela,

6. São aqueles que foram então reprovados certamente danados, porque Deus não aplicou a eles graça como ele sabia ser adequada e côngrua, embora no meio-tempo eles receberam graça suficiente, que eles possam ser capazes de produzir seu assentimento e serem salvos. (LINK)

A resposta de Arminius ao desafio de que o conhecimento médio leva à eleição incondicional é que A) ninguém é eleito para salvação sem a condição da fé, ou para a reprovação sem a condição do pecado e resistência, e B) Deus providencia graça suficiente àqueles que estão perdido, para que eles possam ser salvos. Estas duas diferenças fazem sua visão diferente da calvinista.

Ele porém mantinha o direito soberano de Deus em não fornecer todos os meios possíveis para salvar, enquanto Deus estiver fornecendo graça suficiente para salvação.

Deus não está limitado a empregar todos os modos que são possíveis para ele para a salvação de todos os homens. Ele executou sua parte, quando empregou ou uma ou mais desses meios possíveis para salvar. (LINK)

O amor de Deus e a responsabilidade do homem são vistas através de Deus fornecendo os meios que tornam a salvação possível.

Quem quer que Deus chame, ele os chama seriamente, com uma vontade desejosa de seu arrependimento e salvação. Também não há qualquer volição sobre ou a respeito daqueles que ele chama como sendo uniformemente considerada, isto é, seja afirmativa ou negativamente contrária a esta vontade. (LINK)

Esta visão de soberania divina na predestinação e providência, na qual a teologia de Arminius fornece uma ideia impressionante para os pontos de vista dos calvinistas que se opunham a ele. Controle não era o suficiente para aqueles calvinistas. Deus tinha que necessitar causalmente as ações do homem. Algum tanto do que se passa como calvinismo nos nossos dias na verdade é arminianismo, e infelizmente muitos do que se passa como arminianismo é semipelagianismo.

FootNotes:

1 – Roger Olson, Arminian Theology Myths and Realities. P 196.
2 – Escolásticos é uma referência aos filósofos católicos que reconciliavam fé e razão. Molina, o primeiro a articular completamente conhecimento médio, foi um deles.

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