Traduções Crédulas: Como Revelação 3:20 Cria um Dilema para Calvinistas

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Mais recentemente, notei uma exegese meio forçada de Revelação 3:20 – a famosa ‘eis que bato à porta’. Normalmente o calvinista não aceita a ideia que o homem seja capaz de abrir a porta, e que ela deve de fato ser arrombada. Tá bom, vai: Deus irresistivelmente causa que a pessoa abra a porta. Mas isso não muda nada em termos práticos.

A exegese que tenho encontrado é que esta passagem se refere somente à Laodiceia. Ainda que se conceda tal ponto, isto é trocar seis por meia dúzia. Acompanhe esta tradução…

Como Revelação 3:20 Cria um Dilema para Calvinistas

de Kevin Jackson from WesleyanArminian
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Em Revelação 1-3 João profetiza para as sete igrejas na Ásia. O último grupo que ele aborda é a igreja em Laodiceia. Após abordar os laodicenses, ele conclui com a seguinte profecia:

[20] Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e cearei com ele, e ele comigo.
[21] Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como também eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.
[22] Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
{Revelação 4:20-22 Almeida Recebida}

Esta passagem pode ser interpretada de duas maneiras, ambas apresentando problemas para o calvinismo.

Interpretação #1: Esta passagem é aplicável a todos. Apesar de Jesus estar abordando os laodicenses, ele usa uma linguagem universal (“Se alguém…”, “Quem tem ouvidos…”). Então essa passagem tem aplicação a todos e ajuda a estabelecer a doutrina da graça preveniente. Esta é justamente a posição arminiana.

Interpretação #2: Jesus está falando apenas à igreja em Laodiceia, ou apenas às sete igrejas na Ásia. Esta passagem foi intentada a ser aplicada na audiência original, e não tem aplicação a descrentes de hoje em dia. Esta é normalmente a posição calvinista.

Se a interpretação #1 é a correta temos um claro exemplo de graça preveniente. A passagem ilustra tanto a extensão universal da graça, quanto a capacidade de resistir à graça. Jesus bate à porta de cada pessoa, e a pessoa pode escolher se abre ou não a porta.

Se a interpretação #2 é a correta, o calvinista despercebidamente cria outro problema para si mesmo. Ele disprova a doutrina da segurança eterna. Imediatamente antes, Jesus fala de “vomitar” os laodiceanos porque não eram quentes nem frios. Se Jesus está abordando apenas os crentes laodicenses, a passagem indica que aqueles mesmos crentes poderiam se tornar apóstatas (ênfase minha):

[14] Ao anjo da igreja em Laodiceia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
[15] Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente!
[16] Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.
{Revelação 3:14-16 Almeida Recebida}

Então o calvinista é deixado num dilema. Se a passagem se aplica a descrentes, ela ensina graça preveniente. Se ela se aplica aos crentes laodiceanos, ela ensina a possibilidade de apostasia.

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