Traduções Históricas: Arminius, o Bode Expiatório do Calvinismo (Parte 1 de 3)

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Mais imediatamente estou procurando toda informação disponível acerca do Sínodo Nacional. Como este argumento é repetido à exaustão por quem adora um apelinho à autoridade, não é por pouca coisa que eu deveria me interessar por este evento histórico (ainda mais quando ele é magnificado à exaustão…)

Pois bem, vou traduzir três artigos da The Arminian Magazine acerca de Jacobus Arminius. Leiam e reflitam em frente a um espelho!

Arminius, o Bode-Expiatório do Calvinismo (Parte I de III)

por Dr. Vic Reasoner, The Arminian Magazine
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

John Wesley observou que “falar ‘este homem é arminiano’ tem o mesmo efeito em muitos ouvintes como dizer ‘este cachorro está louco'” [Works 10:358]. Richard Watson escreveu que Arminius é acusado de introduzir corrupções na Igreja cristã, as quais ele provavelmente jamais pensou e certamente não tem lugar em suas obras [Theological Dictionary, p. 41].

Christopher Ness em An Antidote Against Arminianism, primeiro publicada em 1700, chamou o arminianismo de “o último e maior monstro do homem de pecado, o elixir do anti-cristianismo; o mistério do mistério da iniquidade, a cria do papado, e o escamoteado rebento dos antigos pelagianos”.

Em seu comentário de Romanos, Richard Haldane escreveu, “É o ódio à soberania de Deus que influencia o arminiano”.

Robert C. Harbach escreveu, “Arminianismo é o erro rejeitado que tem se tornado a mais insidiosamente projetada heresia a reivindicar suporte bíblico”. Harbach lamenta-se que os calvinistas são o povo mais odiado do universo porque eles somente apoiam a verdade. Em contraste, ele define arminianismo como tudo que ele rejeita, incluindo universalismo, romanismo and pelagianismo.

Louis Berkhof frequentemente amontoa arminianos e heréticos juntos, como Pelágio e Socínio, sem distinguir as crenças da posição arminiana. Isto se resume a culpa por associação. Grant Osborne escreve,

Uma das tragédias da nossa corrente situação no evangelicalismo são os rótulos ou palavras-chave que anexamos a certas posições e que nos habilitam a automaticamente rejeitar a totalidade da posição com base no rótulo. Uma das piores dessas ‘palavras-chave’ é ‘semipelagiano’, que significa automaticamente que a posição é a-bíblica, e que os dados nela não precisam ser mais estudados. Para muitos calvinistas fortes qualquer posição wesleyana-arminiana é automaticamente ‘semipelagiana’.

Arminius algumas vezes é censurado por quase levar a Reforma para fora de seu rumo. Carl Bangs caracterizou esta versão como “O calvinismo veio, Arminius quase o arruinou, e o Sínodo de Dort o restaurou”.

Primeiro, vamos olhar para o homem que foi tão marginalizado e então observar seus ensinos que foram distorcidos. Jacob Hermasz foi um teólogo holandês do final do século XVI. Nós o conhecemos pelo seu nome latinizado, Jacobus Arminius. Em 1582 James Arminius chegou em Genebra para estudar sob o genro e sucessor de Calvino, Theodore Beza. Beza tornou a posição calvinista mais rígida e ensinou o supra-lapsarianismo – em que os decretos de eleição e danação vieram antes do decreto de criação do homem.

O fato é que os pioneiros reformadores holandeses não eram calvinistas quando derrubaram o catolicismo em 1566. Quando James Arminius foi instalado como pastor em Amsterdã em 1587, o calvinismo não estava no controle. Arminius tinha a reputação de ser um brilhante pregador, um agraciado exegeta bíblico, e um dedicado e humilde cristão. Sua pregação expositiva trazia imensas multidões.

Enquanto a cidade se abria ao comércio, novos mercantes chegavam trazendo o calvinismo e apenas ao fim de seu décimo quinto ano de mandato como pastor o calvinismo se tornou forte o bastante para criar problemas a Arminius.

Dois ministros de Delft debateram com Dirck Coornhert, um humanista católico, e como resultado sentiram necessário modificar a posição rígida de Beza. Em 1589 eles publicaram um livro no qual o fizeram. Como antigo estudante de Beza, Arminius fora chamado a defender seu mestre, apesar de não existir evidência que sugira que Arminius tenha sequer aceitado a posição de Beza. Sempre houve uma diversidade de opiniões entre teólogos holandeses. Porém, o influxo do ensino calvinista estava crescendo.

Arminius encarou uma crise de consciência e respondeu com integridade. Ele concluiu que o supra-lapsarianismo faz de Deus o autor do pecado. Ninguém podia refutar seu ensino, mas pregadores começaram a abertamente atacá-lo do púlpito. Suas palavras foram distorcidas do contexto e seus inimigos tentaram destruir sua influência.

Em 1603 Arminius se mudou para Leiden para tornar-se professor de teologia na universidade. Ele foi considerado o maior estudioso dos seus dias e ensinou até sua morte em 1609. Ele foi o primeiro a receber a graduação de Doutor em Divindade da Universidade de Leyden. Mesmo em Leyden ele estava sob ataque do calvinista Francisco Gomarus. Finalmente, Arminius pediu uma audiência pública, mas morreu antes que o sínodo fosse convocado. Ele tinha por volta de 49 quando morreu, e sua morte provavelmente foi estimulada pela pressão a que estava submetido.

Após sua morte, 42 de seus seguidores escreveram seu manifesto, a Remonstrância, em 1610. Em 1618/1619 o Sínodo de Dort foi convocado e adotou uma elevada afirmação calvinista que incluiu a posição supra-lapsariana de Beza. Apesar de ter sido Arminius que requisitou um fórum aberto, havia 130 calvinistas e 13 remonstrantes presentes, estes prisioneiros do estado e sem direito a voto. “Os remonstrantes estavam em desvantagem desde o início, e foram convocados como réus. Lhes foram negados assentos no concílio, e foram tratados como parte acusada”.

Simon Episcopius, sucessor de Arminius, desenvolveu uma fala de duas horas, tão lógica e magnânima que moveu muitos ouvintes às lágrimas. Mesmo assim o Sínodo de Dort condenou o arminianismo como herético e como resultado uns 200 ministros remonstrantes foram expulsos de seus púlpitos. Alguns foram banidos e perseguidos até 1625.

Arminianos reintroduziram o espírito de tolerância na Igreja. Os pioneiros arminianos eram bem educados e mantinham fortes convicções, mas mostravam um espírito diferente. Eles não tinham animosidade para com aqueles que discordavam deles; eles apenas pediam para que suas visões fossem permitidas existir.

Havia teólogos na Inglaterra que ensinavam a essência daquilo que Arminius ensinava antes de Arminius. Após a restauração de Charles II em 1660, o arminianismo manteve grande influência na Igreja da Inglaterra. Ao longo do tempo, porém, os arminianos se tornaram o partido mais liberal da igreja. No século XVII o termo foi associado ao socinianismo. Não foi até a Reforma Wesleyana que a pura doutrina de Arminius fora restaurada e as tendências de pelagianismo e unitarismo removidas. John Wesley publicou a primeira abordagem popular da vida de Arminius e ela se tornou o primeiro exemplar da The Arminian Magazine em janeiro de 1778.

Tendo observado a vida, o espírito, e a influência de Arminius, concluo que devemos mantê-lo na mais alta consideração. John Fletcher concluiu que entre os teólogos que se empenharam em dirigir seu curso doutrinário entre as planícies pelagianas e a rocha agostiniana, “nenhum é mais famoso e nenhum se aproximou da verdade mais que Arminius” [Works, 2:281]. Mas, por que suas doutrinas são tão distorcidas?

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3 comentários sobre “Traduções Históricas: Arminius, o Bode Expiatório do Calvinismo (Parte 1 de 3)

  1. Vou apontar alguns errinhos para revisão…..rsrsrs

    Parágrafo 4, linha 4, palavra “coo”.
    Parágrafo 12 o correto é “autor” do pecado, e não “amor” do pecado.
    Parágrafo 13, linha 6, palavra “volra”.

    Quanto ao fato de Armínius ser chamado a defender Beza e então entender que o supralapsarianismo faz de Deus o autor do pecado, Carl Bangs parece ter argumentado fortemente que isso não passou de um mito. Na verdade, Armínius sempre foi contrário ao ensino de Beza, mesmo quando estava sob sua orientação.

    • Obrigado, Samuel! Como deixei essas passarem?? Mas de fato esse artigo é meio antigo, deve ter algumas imprecisões.

      Até onde sei, Arminius começou supra (dado o professor que teve), depois infra (aliás ele tem uma certa relação com a argumentação infra) e só daí ele abandonou o calvinismo.

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