Traduções Crédulas: “O Filho Pródigo” e a Teologia Arminiana

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Uma parábola em favor do arminianismo? Nunca tinha notado isso! Acho que posso usar isso futuramente em uma análise de outros textos…

Aqui, Kevin Jackson analisa a relação do filho pródigo de Lucas 15 com seu pai.

Leiam e reflitam!

“O Filho Pródigo” e a Teologia Arminiana

por Kevin Jackson from WesleyanArminian
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Uma das mais conhecidas parábolas de jesus é a história do filho pródigo (Lc 15:11-32). A parábola é particularmente relevante à teologia arminiana. Ela mostra a extensão de liberdade que Deus dá a seus filhos. Ela ilustra a natureza de seu amor. E ela mostra como Ele age sobre a reconciliação.

A parábola apresenta uma figura que está em harmonia com o entendimento arminiano de Deus. Relacionamento restaurado é o que importa para Deus. É tão importante que ele porá de lado seus direitos e honra a fim de se reconciliar com Seus filhos. Vamos observar a parábola:

O Pai Dá ao Filho Mais Novo O Que Ele Pede
O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.{Lc 15:12 AR} O mais novo requereu sua herança do pai. Em efeito, o filho desejou que seu pai estivesse morto. O pai estava bem em seu direito de recusar essa demanda, mas em vez disso deu ao filo o que ele pediu.

O Pai Não Se Preocupou Com Sua Glória
Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.{Lc 15:13 AR} Na cultura daquele tempo, o pai tinha a capacidade de evitar a saída do filho. A liberdade do filho era mais importante ao pai que o fato de as ações do filho envergonharem o pai. O pai permitiu o agir do filho por amor.

O Pai Não Forçou o Filho, o Filho Escolheu Voltar Para Casa
[18] evantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;
[19] já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados. {Lc 15:18-19 AR} O pai não causou eficazmente o filho a voltar, em vez disso o filho tomou a decisão de retornar por si. A capacidade do filho em tomar esta decisão não o tornou orgulhoso. O filho em vez disso estava envergonhado porque ele sabia que errou com o pai. O filho não podia restaurar o relacionamento, apenas o pai podia.

O Pai CORREU Para O Filho
Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.{Lc 15:20 AR} Na cultura daquela época era impensável para um pai correr para o filho, particularmente numa situação em que o filho havia errado. Isto seria desonroso. O pai deveria ficar e esperar, e o filho deveria caminhar até ele e suplicar. Mas vemos nesta parábola o pai correr para o filho. Reconciliação era mais importante para o pai que aparência ou posição.

Morte Significa Separação. Vida Significa Reconciliação
porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.{Lc 15:24 AR}(Veja também 15:32) O pai faz uma festa para seu filho que estava morto. Duas vezes na parábola nos é dada a definição escritural de “morto”. Morte não significa incapacidade. O filho era capaz de tomar decisões, incluindo a decisão de voltar à casa do pai. O que o filho não era capaz de fazer era unilateralmente restaurar seu relacionamento com o pai. Então ele estava morto em relacionamento com seu pai. A fim de estar vivo de novo, ele dependia da misericórdia de seu pai. Graciosamente, o pai valorizava relacionamento acima da glória pessoal.

O Pai Mostra Amor Genuíno Pelo Filho Mais Velho Também
Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.{Lc 15:28 AR} O pai mostrou que ele deseja relacionamento genuíno com ambos os filhos. Novamente vemos que o pai não está preocupado com aparências. Ele deixa a celebração e procura seu filho mais velho.

O Filho Mais Velho Não Entendeu o Pai
Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e jamais transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos;{Lc 15:29 AR} O mais velho interpretou mal duas coisas sobre seu relacionamento com seu pai. Primeiro, ele se via como um escravo para o mestre em vez de um filho para o pai. Segundo, ele falhou em reconhecer o amor e generosidade de seu pai.

O Filho Mais Velho Queria Tratamento Exclusivo
vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com prostitutas, mataste para ele o bezerro cevado.{Lc 15:30 AR} Talvez o mais velho fosse calvinista. Ele não estava feliz pelo retorno de seu irmão, ou pela generosidade de seu pai. Ainda ele falhou em reconhecer que também estava errado. Como? Primeiro por depreciar seu relacionamento com o irmão. Ele o chama “esse teu filho”. E segundo por ignorar os desejos de seu pai e murmurar em vez de celebrar. Uma paráfrase de Romanos 9:20 é relevante aqui: “Quem és tu, filho, para retrucar seu pai?” O pai valorizava ambos os filhos e desejava relacionamento com ambos. Não era direito do filho mais velho demandar tratamento exclusivo.

O Pai Corrigiu o Mais velho Acerca do Valor do Mais Novo
[31]Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;
[32]era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.{Lc 15:31-32 AR} O mais velho não reconheceu o valor de seu irmão. Seu pai o corrigiu. “Seu irmão estava morto e agora ele reviveu”. Ambos os filhos são valiosos para o pai.

Concluindo, temos um pai que ama todos nós. Nós temos um pai que deseja tanto a reconciliação que ele está disposto a se tornar vulnerável e tomar uma aparência ruim. Não temos um pai que fica e nos assiste sofrer. Temos um pai que corre até nós. Somos feitos vivos novamente estando em relacionamento com Ele.

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: “O Filho Pródigo” e a Teologia Arminiana

  1. 15.17 “Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo de fome!”

    Há de se notar também que a sua decisão em retornar para casa do pai, não veio do nada, mas veio na lembrança de como era a vida na presença do pai. Creio que, neste caso, podemos fazer uma analogia com a graça preveniente. Ainda há na mente do homem uma “faísca” que, quando acesa (Graça), imprime em nossa mente aquilo que ainda resta da presença do pai. Morte, como foi muito bem lembrado, não é cessar de existir, mas separação. Neste caso separação do pai! Mas ainda: mesmo que separado, ainda existe algo lá dentro que ainda pode ser reavivado, reaceso: a lembrança da casa do pai! Ainda podemos notar também que, mesmo com a lembrança, o filho mais novo ainda poderia resistir e não voltar ao pai.

  2. Interessante! Não havia pensado nisso!

    De fato isso dá um entendimento mais wesleyano a este versículo – o de que a graça preveniente já é dispensada ‘desde sempre’ no homem caído. Deus ainda coloca uma centelha de Sua presença no ser humano – como diria São Paulo, ‘ele é indesculpável’.

    Isso lembra um argumento de C.S. Lewis: se tenho falta, sinto necessidade de algo e esse ‘algo’ não se acha neste mundo, é sinal que eu não fui criado para este mundo.

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