Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (12 de 13) – 1João 2:18-19

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1João 2:18-19

[18] Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que o anticristo virá, mesmo agora existem muitos anticristos; por onde conhecemos que é a última hora.
[19] Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas isto é para que se manifestassem, que não são todos de nós.

Esta passagem tem sido tomada por calvinistas como ensinando um princípio universal do que “apostasia” constitui. Lembre-se, apostasia no calvinismo significa apenas rejeição do Evangelho. Não é um abandono da verdadeira fé. Verdadeira fé persevera porque Deus infalivelmente a preserva e se alguém parecer cair isto apenas demonstra que a pessoa jamais possuiu fé genuína e jamais fora regenerada. É impossível, de acordo com o calvinismo, cair da verdadeira fé. Podemos apenas cair de uma falsa profissão de fé verdadeira e provar que fomos apenas hipócritas. Calvinistas creem que esta simples passagem da Escritura prova sua estranha definição de apostasia como sendo a definição bíblica.

João fala de falsos mestres (anticristos) que saíram “dentre nós” (os verdadeiros mestres do Evangelho) e assim provaram por seu agir que não eram “de nós”. João então estaria ensinando a definição calvinista de apostasia? Não de todo. A passagem simplesmente não diz o que o calvinista precisa que diga por diversas razões.

Primeiro, João não está ensinando um princípio universal acerca do que significa ser apóstata. João está especificamente falando de falsos mestres deixando a companhia dos mestres do verdadeiro Evangelho e provando por sua saída que eles não estão em harmonia com o verdadeiro Evangelho. Tivessem eles continuado na verdade não teriam razão para deixá-la mas desde que eles abandonaram a verdade ele não mais podem manter companhia com os verdadeiros mestres do Evangelho e saíram deles para espalhar suas heresias. Fazendo assim demonstraram que sua autoridade não era de Deus, e seus ensinos não deveriam ser aceitos. Este é o ponto primário de João nesta passagem.

Segundo, a passagem nada diz da condição anterior dos falsos mestres. Apenas nos fala que no tempo de sua saída eles não eram dos verdadeiros mestres do Evangelho. Eles estavam comprometidos com falsa doutrina quando deixaram e deixaram por tal razão, mas não temos maneira de reconhecer se eles genuinamente adotaram ou não alguma vez a verdade. A passagem não aborda sua condição espiritual antes de seu abandono, e este é exatamente o que os calvinistas precisam que a passagem faça a fim de apoiar sua doutrina. O calvinista precisa que a passagem diga, “Saíram dentre nós, mas não eram [nem jamais foram] dos nossos; porque, se [alguma vez] fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas isto é para que se manifestassem, que não são todos [nem jamais foram] de nós”. O “jamais foram” tem que ser lido no texto. Ele simplesmente não está ali e o calvinista deve peticionar princípio para assumir que isto é o que João quis dizer. Por esta razão somente, esta passagem falha como texto-prova para a apostasia calvinista.

Terceiro, o contexto da epístola argumenta que estes falsos mestres de fato eram salvos antes de sua deserção e saíram apenas após adotar falso ensino e por conseguinte apostatando da verdade uma vez adotada. Um dos principais assuntos sendo abordado por toda 1João é como podemos determinar se somos ou não verdadeiramente salvos (“nascidos de Deus”). Os gnósticos (i.e. anticristos) estavam ensinando que não existe conexão entre conduta e salvação. Eles criam que o espírito humano era incorruptível e não poderia de modo algum ser afetado pelos pecados da carne. João diretamente se opõe a tal ensino numerosas vezes em sua epístola (1:5-10, 2:1,3-6,9-11,15, 3:4-11,15,17,18,24, 4:7,16,20,21, 5:1,2). João está primariamente encorajando seus leitores a rejeitar o falso ensino dos “anticristos” que estavam ensinando que podemos pecar com imunidade espiritual, e ajudando-os a entender as verdadeiras características dos filhos de Deus.

Agora para nós crer que os anticristos que deixaram a companhia do verdadeiro Evangelho jamais foram verdadeiros crentes sugeriria que João e os verdadeiros mestres do Evangelho não eram capazes de detectar sua hipocrisia enquanto mantinham sua companhia. Isto vai contra uma das principais preocupações de João na epístola, que podemos discernir a diferença entre verdadeiros e falsos adoradores de Cristo pelo caráter e conduta. Crer que João era incapaz de detectar a hipocrisia deles antes de sua atual deserção está fora de harmonia com um dos mais proeminentes temas de toda a missiva.

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