Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (11 de 13)

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Feriadão da Independência e eu aqui traduzindo. Fala sério…

Mas é por uma boa causa. Este é um post bastantre importante, sobre restauração de apóstatas. Os argumentos a favor de uma deserção completa da fé já foram dados – a pergunta agora é bem mais prática: é possível recuperar a salvação perdida? Bem, a resposta curta é: nem sempre.

[Aliás, acho o termo um tanto quanto mal usado. Salvação não é uma coisa, um objeto, mas um estado. Seria mais correto perguntar ‘é possível voltar a ser salvo?’]

Enfim, leiam e reflitam!

Perseverança dos Santos Parte 11 – Apóstatas Podem Ser Restaurados?

por kangaroodort from ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

A Restauração É De Fato Impossível?

Após estudar as passagens de advertência de Hebreus, a questão naturalmente surge: pode um apóstata de fato ser restaurado novamente para salvação? O repúdio da fé salvífica é irrevogável e a condição do apóstata é permanente?

Nesta série nós pretendemos permitir que a exegese guie nossa teologia. Eu preferiria que a doutrina da segurança eterna fosse verdadeira por muitas razões tanto quanto eu preferiria crer que não existe lugar de eterno fogo para todos os que rejeitam Cristo. Porém, creio que o inferno é uma realidade terrível e que crentes genuínos podem cair da fé para sua própria ruína eterna porque eu verifiquei que a exegese cuidadosa força tais verdades sobre nós. Ao lidar com a questão de se apóstatas podem ou não serem restaurados, devemos olhar além do que nós desejamos crer e nos concentrar apenas no que a Palavra de Deus nos ensina.

Encontramos em Hebreus 6:4 que é impossível ao apóstata ser novamente renovado para o arrependimento. A Bíblia é clara em que apenas mediante arrependimento se pode ser salvo (At 2:38, 11:18). Hebreus 10:26 nos informa que não há sacrifício de pecados remanescente para o apóstata. “O apóstata tem pecados mas não tem sacrifício disponível para seus pecados. Havendo rejeitado o sacrifício feito por Jesus Cristo, não há outro sacrifício para o se voltar”. (F. Leroy Forlines, The Quest for Truth, pg. 281)

Alguns têm focado na parte da advertência que estabelece, “visto que, quanto a eles, estão crucificando de novo o Filho de Deus, e o expondo ao vitupério”. Robert Picirilli nota que o “visto que” é fornecido pelo tradutor como uma transição mostrando causa e efeito. O significado literal desta passagem é  “(eles) re-crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo (Ele) ao vitupério”.  (Grace, Faith, Free Will, pg. 222) Ele depois nota que alguns veem nessa passagem a possibilidade de restauração de tal apostasia. Ele faz referência à sugestão de Robert Shank que a passagem deveria ser entendida como “É impossível renová-los para arrependimento enquanto eles estão re-crucificando… e publicamente vituperando-O” (ibid. 223 – ênfase minha). Picirilli aponta corretamente que esta visão torna o alerta em uma tautologia sem sentido:

A interpretação de Shank termina por dizer que é impossível renová-los para arrependimento enquanto eles persistem em rejeição – que não é muito um ponto desde que é sempre impossível trazer qualquer um ao arrependimento enquanto ele persistir em rejeição. (ibid. 224)

Ele então cita F.F. Bruce que chama essa interpretação de “um truísmo dificilmente digno de colocar em palavras”. Faz bem mais sentido ver a passagem tratando de uma relação causal entre o ato de apostasia e o resultado de tal ato (re-crucificar o Filho de Deus e colocá-lo em vergonha pública).

Apostasia e o Pecado Presunçoso de Números 15:30,31

É importante lembrar que o pecado de apostasia descrito em Hebreus é um pecado do tipo “a olhos bem abertos”. É feito com uma atitude de arrogância e descrença. Não é uma matéria de duvidar da verdade do Evangelho, mas ativa e deliberadamente repudiar tal verdade. Não é um assunto de lutar com o pecado e falhar neste embate, mas completa e rebeldemente render-se ao pecado em um ato deliberado de desafio diante de Deus. Não há maneira de acidentalmente escorregar em tal ato e não realizá-lo. Ele é feito deliberadamente e é um ato absoluto de descrença.

Forlines vê uma conexão entre os pecados do apóstata e o pecado presunçoso descrito em Números 15:30,31. Ele escreve:

Não penso haver qualquer dúvida que o escritor de Hebreus queria falar que o ‘pecado deliberado’ de Hebreus 10:26 era o mesmo tipo de pecado que o pecado presunçoso de Números 15:30,31. Não há sacrifício para pecados presunçosos. Existe uma óbvia conexão entre as palavras ‘ já não resta mais sacrifício pelos pecados’ (Hb 10:26) e o fato que não há sacrifício para pecados no caso de pecados presunçosos em Números 15:30,31… Pecados presunçosos foram cometidos com uma atitude desafiadora. Eles vieram de uma atitude de arrogância, desafio, descrença. De acordo com Números 15:30,31, não há sacrifício para pecados presunçosos. De fato, se o pecado de apostasia mencionado em Hebreus 6:4-6 e 10:26-29 é para ser igualado com os pecados presunçosos de Números 15:30,31, que deveria decidir para sempre a questão de se a apostasia é irremediável. (The Quest for Truth, pg. 282)

Forlines é cuidadoso ao distinguir entre pecado presunçoso e “pecados de ignorância”:

O Antigo Testamento faz uma clara distinção entre os pecados de ignorância e os pecados presunçosos. Pecados de ignorância (também chamados de “pecados não-intencionais”) são basicamente pecados de fraqueza. A pessoa que comete tais pecados tem desejos melhores, mas estes desejos foram vencidos. Aquele que comete tal tipo de pecado tinha que oferecer um sacrifício (Nm 15:27-29)… Uma vez que vemos a distinção entre pecados de presunção e pecados de ignorância no Antigo Testamento, é claro que esta distinção ressoa no Novo Testamento. É evidente que quando Jesus disse ‘Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem’ (Lc 23:34 AR), ele estava considerando os pecados daqueles que O crucificaram como sendo da categoria de pecados de ignorância. Em Atos 3:17, Pedro diz que os judeus crucificaram Jesus por ignorância. Descrevendo a si mesmo antes da conversão, Paulo diz ‘blasfemador, perseguidor, e injuriador’. Ao explicar como foi que ele foi perdoado, ele disse ‘ mas alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade’ (1Tm 1:13 AR). Está claro que Paulo estava colocando seus pecados de blasfêmia e sua perseguição à Igreja na categoria de pecados de ignorância. Foi por esta razão que ele pôde ser perdoado. (ibid. 282, 283)

E no caso de Pedro ele escreve:

Creio que se a perseguição de Paulo à Igreja pudesse ser considerada um pecado de ignorância, então certamente a negação de Cristo na noite da traição de Cristo possa ser considerado um pecado de ignorância (ou fraqueza). Se isso for verdade, o caso de Pedro não teria nenhuma relação com a questão de se há ou não remédio para a apostasia. (ibid. 283)

Retornaremos ao caso de Pedro daqui a pouco. Forlines encontra mais evidência para a conexão entre pecados presunçosos e apostasia na descrição dos mestres apóstatas de 2Pedro 2:

Verso 10 de 2Pedro 2 lança mais luz ao assunto. Neste verso Pedro descreve estes mestres apóstatas como tolmetes. A KJV traduz tolmetes como “presunçosos”. A NASB interpreta como “desafiadores”. A NIV traduz como “arrogantes”. Tolmetes ocorre somente aqui no Novo Testamento. Acerca de seu uso, J.A. Moyter explica, ‘a única ocorrência do nome (tolmetes) é claramente em um mau sentido…, o homem arrogante de 2Pedro 2:10 que não suporta restrições ao eu-próprio e não reconhece autoridade a qual ele se tornará responsável’.

É claro que Pedro está considerando estes falsos mestres culpados do pecado presunçoso de Nm 15:30,31. A arrogância e rebelião destes apóstatas dá uma finalidade à sua ação. Antes de serem salvos eles não tinham esta finalidade sobre sua condição perdida. A presunçoso, presunçosa, desafiadora decisão com a qual eles cometeram apostasia significa que ela foi feita com finalidade. Isto os põe em condição pior de a que antes de serem salvos. (ibid. 284)

Implicações Práticas

Creio que Forlines corretamente identificou apostasia como descrita em Hebreus 6 e 10 com o imperdoável pecado pesunçoso de Nm 15:30,31  (mesmo que no AT pecado presunçoso possa ser qualquer pecado cometido em rebelião presunçosa, enquanto em Hebreus tal “pecado” seria pertinente apenas à rejeição definitiva da fé salvífica).  Seria correto então identificar apostasia com o pecado imperdoável descrito por Jesus nos Evangelhos. A importante distinção bíblica entre pecado de ignorância e pecado prepotente nos ajudará a entender melhor o que apostasia significa e o que ela não significa:

Creio que possamos repousar certos de que a pessoa que se achega para nos falar acerca de seus medos de ter cometido o pecado imperdoável não se encaixa na descrição das pessoas descritas em 2Pe 2:20, Hb 6:4-6 e Hb 10:26-29. Se existe uma preocupação em ser restaurado a um relacionamento correto com Deus, tal pessoa não cometeu apostasia. (ibid.)

Parece certo que o “pecado para morte” descrito por João em 1Jo 5:16-17 é o pecado imperdoável de apostasia como descrito em Hebreus 6 e 10. Isto sugeriria que alguém pode, em certas situações, saber que uma determinada pessoa é uma apóstata sem qualquer esperança de renovação desde que João nos instrui não orar por tais tipos. Não há necessidade de orar por aqueles que pecaram de tal maneira desde que não existe possibilidade de renovo. Nossas orações seriam portanto uma perda de tempo e seriam melhor servidas diante daqueles que ainda não cometeram apostasia. Isto não significa, porém, que possamos sempre saber quando alguém cometeu apostasia irrevogável. Apenas significa que existem casos em que a apostasia possa ser óbvia o suficiente tal que não percamos tempo orando por tal pessoa. Precisamos, porém, ser cuidadosos ao não fazer julgamentos apressados acerca daqueles que pareçam ter cometido apostasia. Forlines nos dá alguns bons conselhos práticos ao longo dessas linhas:

As pessoas nos EUA que vieram até mim com seus temores não disseram que, em seu passado, tomaram uma decisão de denunciar sua fé em Cristo. A situação na Rússia apresentou um problema diferente. Quando falo desse assunto por lá, algumas reais preocupações foram expressas. Num período de discussão, alguém disse que ele conhecera alguém que sob perseguição renunciara a fé em Cristo. Tempo depois a pessoa se arrependeu.

A fim de avaliar um caso como este precisamos manter em mente a distinção entre pecado de atrevimento e pecado de ignorância. Não é simplesmente o que uma pessoa faz ou diz que determina o caso. Atitude é um fator decisivo. Ao explicar como ele foi capaz de obter perdão do perseguir a igreja, Paulo certamente está implicando que ele se tivesse feito o que fez “presunçosamente”, não haveria perdão.

Não podemos imaginar o sofrimento infligido, em tempos passados, sobre algumas pessoas na Rússia [para não mencionar os cristãos primitivos] para fazê-los negar sua fé. A morte foi misericordiosa à luz da severa tortura à qual alguns foram submetidos. Penso que devemos dizer que é certamente possível para os lábios pronunciarem palavras de uma negação da fé que não são equivalentes à apostasia ou naufrágio da fé. Parece que havia alguns que falaram palavras de negação que não cometeram apostasia de fato. Mas não penso que possamos explicar todos os casos dessa forma… baseado em minha experiência em falar com as pessoas, eu alertaria pregadores sobre saltar rápido demais à conclusão que a pessoa que fala com elas acerca de ter cometido apostasia tenha, de fato, cometido. Penso ser melhor tomar isto como uma súplica de ajuda. (ibid. 284, 285)

Existe Outro Tipo de Apostasia?

Mas existe talvez um tipo de apostasia que possa ser remediada; uma apostasia que não constitua um completo repúdio à fé do coração? Existem diversas passagens que falam claramente do fato que aqueles que vivem em pecado segarão morte e não terão herança no Reino de Deus (Rm 8:12-13; Ef 5:-7; 1Co 6:9-10; Gl 5:19-21; Gl 6:7-8). Estes alertas são direcionados a crentes. É possível que se possa cair em um padrão de pecado e rebelião sem repudiar completamente o Senhor no coração?

Penso que a evidência é clara que crentes são alertados contra viver em pecado com a consequência de tal estilo de vida sendo a morte espiritual e ser arrancado do Reino de Deus. O escritor de Hebreus várias e várias vezes alerta seus leitores dos efeitos de engano e terrível endurecimento do pecado contínuo. Este endurecimento, se não for controlado, levará finalmente ao terrível ato da apostasia para a qual não há possibilidade de restauração.

O caso de Pedro pode servir como exemplo. Determinamos que Pedro não cometeu apostasia como a descrita em Hebreus, mas parece claro que Pedro cometeu alguma forma de apostasia desde que Jesus fala de quando ele deveria de novo se converter ou retornar (Lc 22:31,31). Existe um sentido, então, no qual Pedro se afastou do Senhor, por que deveria ele precisar de ser convertido de novo?

Talvez exista uma apostasia da qual se possa ser restaurado. Mas pode ser que estas passagens são alertas contra uma vida caracterizada pelo pecado porque tal vida logo levará à apostasia. Então quando Paulo fala de não herdar o Reino de Deus, ele está falando do que ocorrerá se a vida pecaminosa persistir ao ponto da apostasia. Aquele que semeia para agradar a carne certamente colherá morte espiritual e destruição eterna, mas apenas se não se arrepender. Portanto, as terríveis consequências adiantam o que inevitavelmente transparece se o pecado não é tratado. Pecado é extremamente perigoso porque se alguém persiste nele e não luta contra, apostasia e morte espiritual estão na próxima esquina.

Tiago lembra seus leitores cristãos [irmãos] que “se alguém dentre vós se desviar da verdade e alguém o converter, sabei que aquele que fizer converter um pecador do erro do seu caminho salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados.” {Tg 5:19-20 AR} O que Tiago quis dizer aqui? Está ele sugerindo que aquele que se desvia da verdade pode experimentar uma morte espiritual e ainda assim ser restaurado novamente? Ou ele meramente está dizendo que o santo em desvio está sendo resgatado da morte espiritual que certamente o espera se ele persistir em pecado ao ponto da completa apostasia? Qualquer das duas interpretações parece possível.

E quanto a 1João 2:11,15? João nos fala claramente que qualquer um que odeia seu irmão está em trevas e não possui vida eterna. É impossível então para um cristão até mesmo odiar? Tal conclusão parece bastante improvável. Não nos falam estas passagens que morte espiritual resulta quando um crente odeia seu irmão? Mas novamente, João está apenas falando de persistência em ódio que é característica de descrença. Enquanto um cristão pode odiar seu irmão, ele não persistirá neste ódio rumo à morte espiritual. Em, vez disso, ele irá recuar ante à convicção do Santo Espírito, confessar seu pecado e ser lavado de toda impiedade. Persistência em ódio indicaria então que alguém se tornou descrente.

Em Romanos 11:23 somos informados que os judeus (ramos) descrentes podem ainda ser enxertados novamente se não persistirem em descrença. Muitos concluem daí que apostasia pode ser remediada. Porém, pode ser que estes judeus caíssem na mesma categoria de Paulo antes da sua conversão. Eles foram arrancados devido à rejeição do Cristo mas esta rejeição pode ser resultado da ignorância, o que poderia portanto tornar a restauração possível. Porém, Paulo não mantém esperança para aqueles crentes gentios que foram enxertados pela fé em Jesus Cristo. Ele diz-lhes que não devem ser presunçosos mas tementes porque se eles falharem em continuar na graça de Deus eles também serão arrancados. Paulo não fala nada da possibilidade de eles serem novamente enxertados. Talvez isto seja porque para eles serem arrancados só poderia ser resultado de completa apostasia da qual não existe possibilidade de restauração.

E quanto à segunda “conversão” de Pedro? Seu retorno pode ser simplesmente uma descrição de seu arrependimento. Se o que temos concluído sobre a natureza da apostasia é verdade, então isto adicionalmente confirmaria que a negação de Pedro não constitui apostasia. Se ele tivesse cometido apostasia como descrita em Hebreus 6 e 10, seria impossível a ele “retornar”.

Mas e quanto àqueles que gradativamente param de viver de acordo com a sua fé sem repúdio completo desta fé? Ainda é possível tornar-se um apóstata deste tipo sem repúdio à fé exatamente da mesma maneira presunçoso como descrita em Hebreus 6 e 10? Algumas das passagens acima podem se encaixar confortavelmente com tal conceito e pelo menos duas passagens a mais vêm à mente que podem dar lugar a tal apostasia.

Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não sabeis quanto a vós mesmos, que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados. {2Coríntios 13:5 Almeida Recebida}

As palavras de Paulo parecem sugerir que alguém possa abandonar a fé salvífica sem estar completamente consciente disso. Por esta razão, precisamos nos examinar a nós mesmos para ver se estamos na fé salvífica. Parece ser possível que um crente possa lentamente fugir da fé enquanto se apega a uma falsa esperança que ele ainda esteja salvo. Em outras palavras, um crente pode começar a ligar-se ao mundo e entregar-se à natureza pecaminosa mais e mais até que sua fé não é mais caracterizada pela verdadeira confiança e submissão a Cristo como Senhor e Salvador. Por esta razão, somos exortados a examinar a nós mesmos e nos assegurar que estamos vivendo em fé. Se nossas vidas não refletem a caminhada da fé, então não temos fundamentos para presumir estarmos em relacionamento salvífico com Cristo (Rm 8:12-14). Não podemos assumir que a graça de Cristo continua por aqueles que desejam viver para si mesmos, mesmo enquanto alegam viver em Cristo (Tt 2:11-14). Estar em fé significa mais que apenas crença mental. É uma fé que afeta nossas vidas e atitudes. É perigoso assumir que a graça de Deus nos permite viver de qualquer modo que quisermos desde que continuemos a servir ao Senhor:

Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra. {Tito 1:16 Almeida Recebida}

Se examinarmos a nós mesmos e encontrarmos que nossa profissão de fé não é nada além de mera profissão, então falhamos no teste e como resultado Cristo não está em nós. Se Cristo não está em nós então certamente estamos perdidos (Rm 8:9). Existe alguma esperança de restauração para tal abandono da fé salvífica? Paulo não afirma explicitamente a possibilidade de restauração, mas suas palavras parecem sugerir a possibilidade. Há razão para examinarmos a nós mesmos. A razão poderia ser para o propósito de retornar à fé e nos re-comprometer completamente com o Senhor.

Então provavelmente isto constituiria uma apostasia que pode ainda ser remediada. Então esta não seria a mesma apostasia como a descrita em Hebreus 6 e 10 que parece ser caracterizada como uma atitude de arrogância e deliberada descrença. Em qualquer caso precisamos nos guardar contra complacência em nossa caminhada com o Senhor. Se começamos a tomar a graça de Deus por garantia e dar espaço para pecado e rebelião em nossas vidas, não há garantia que não continuaremos neste caminho para nossa própria destruição, e até mesmo a um ponto de tornar a restauração impossível. Devemos nos atentar às palavras do apóstolo inspirado:

[1] Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa na justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:
[2] Graça e paz vos sejam multiplicadas, mediante o conhecimento de Deus e de Jesus nosso Senhor.
[3] Visto como o seu divino poder nos tem dado todas as coisas que conduzem à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou para glória e virtude;
[4] pelas quais nos são dadas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção que existe no mundo por causa das paixões.
[5] Vós também, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude o conhecimento,
[6] e ao conhecimento o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade,
[7] e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor.
[8] Porque, se estas coisas estiverem em vós, e forem abundantes, não vos deixarão ociosos nem infrutíferos no conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.
[9] Pois quem não tem estas coisas é cego, vendo somente o que está perto, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
[10] Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente confirmar o vosso chamado e eleição; porque, fazendo isto, jamais caireis.
[11] Pois assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
[12] Pelo que estarei sempre pronto para vos lembrar estas coisas, ainda que as saibais, e estejais confirmados na verdade presente.
{2Pedro 1:1-12 Almeida Recebida}(ênfase minha)

Há diversas coisas a notar nessa passagem. Primeiro, Deus nos dá poder necessário para perseverar em fé salvífica. Não é algo que possamos fazer de nossas próprias forças. Segundo, a caminhada da fé não deve ser estagnada. Ela deve ser uma caminhada de contínuo crescimento e maturidade. Se não estamos amadurecendo em nossa fé então estamos pondo a nós mesmos em risco de cair desta fé. Terceiro, Pedro deixa claro que aqueles que não perseveram e amadurecem na fé verdadeiramente foram perdoados de seus pecados passados ainda que eles tenham esquecido a significância desta inicial limpeza. Portanto, Pedro não está somente falando de falsos mestres que jamais experimentaram fé salvífica. Quarto, apenas continuando na maturidade da fé se faz o chamado e a eleição certos, evitando tropeçar [cair] e ganhando a certeza de entrar o reino eterno de Cristo.

Pode ser prudente então fazer uma distinção entre apostasia e apostasia irrevogável baseado nestas passagens. Certamente existe uma apostasia que não pode ser remediada se nossa exegese dos alertas de Hebreus está correta. Porém, também parece que existe uma apostasia menor. Esta apostasia não é menor porque não resulta em morte espiritual, mas porque pode ainda haver esperança de restauração mediante arrependimento e re-comunhão a Cristo em fé salvífica.

Conclusão: a evidência parece clara que apostasia como descrita em Hebreus 6 e 10 é um ato deliberado de descrença rebelde. Ela é feita com todo o coração em uma atitude de arrogância e desafio. Dúvidas ocasionais ou lutas com o pecado não constituem tal apostasia. Em vez disso, é o ato de deliberadamente afastar-se de Cristo e rejeitar completamente a verdade do Evangelho uma vez adotado. Esta apostasia é irremediável já que é “impossível renová-los novamente para arrependimento”.

Existem passagens que parecem sugerir que há um tipo de apostasia da qual se pode ser restaurado. Porém, algumas dessas passagens podem também ser compreendidas como alertas contra o estilo de vida pecaminoso que inevitavelmente resultará em apostasia se tais pecados não forem lidados mediante confissão e arrependimento. Elas podem estar enfatizando os perigos do pecado ao antever as mais terríveis consequências se aquele pecado é persistentemente ignorado e assumido. Ainda assim, existem algumas passagens que podem ainda sugerir uma apostasia da qual se possa ser restaurado novamente para fé e salvação. Esta apostasia pode ser descrita como não mais viver de acordo com a fé que se professa (1Co 13:5, Tt 1:16). Elas, por tal razão, ficam fora do abandono completo da fé descrita em Hebreus 6 e 10.

Pecado pode levar à apostasia pelo endurecimento do coração até o ponto da descrença. É por isso que o pecado é uma coisa tão perigosa e jamais deve ser trivializado na vida do crente. Se crentes persistem em vida pecaminosa e se recusam a arrepender-se, apostasia irrevogável pode estar bem à porta. Este “pecado” pode ser a indulgência impenitente da carne, ou a tolerância gradual do falso ensino. Ainda há esperança de restauração e arrependimento antes do decisivo ato de descrença deliberada. Podemos portanto estar certos de que se alguém deseja se arrepender e ser restaurado a uma correto relacionamento com o Senhor então a apostasia irrevogável ainda não aconteceu.

Enquanto pode haver casos de completa apostasia que podemos observar e concluir com certeza que a apostasia ocorrera, há outras vezes em que não será tão fácil determinar se a apostasia irrevogável tomou lugar. Devemos manter a esperança para aquele que parece ter cometido tal apostasia enquanto alguma dúvida permanecer sobre a autenticidade do ato.

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