Traduções Crédulas: Duplipensar de um Duplo Predestinista

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Sabe quando você tem um momento do tipo ‘eu estou mesmo lendo isso?’ enquanto lê um texto? Pois bem, é esta uma característica interessante de certos pregadores calvinistas. Suas falas vão diametralmente contra suas próprias crenças. Isso vai desde acusar adversários de circularidade epistêmica quando não percebe-se que o próprio a comete, até usar vocábulos contingentes em um evento inevitável.

Bem, leiam e divirtam-se com John Piper e seu dupli-pensar (e com esta crítica de Joshua Thibodaux).

Duplipensar de um Duplo Predestinista

por J.C. Thibodaux on InDeathOrLife
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Dr. John Piper recentemente respondeu a uma questão, “O que a morte de Jesus na cruz obteve para os não-eleitos? Nada?” Sua resposta, estranhamente, levanta mais questões que respostas. Apesar de suas visões sobre eleição e reprovação incondicionais, Piper emoldura sua resposta em termos de Deus dar aos não-escolhidos a “chance” de salvação. Ted Kaczinski, TCC The Unabomber, foi parcialmente identificado pela sua incomum mas correta utilização de um constantemente mal-citado provérbio que é bastante aplicável aqui: “Não se pode ter tudo”.

Para entender o assunto, o leitor deve entender que Piper é um calvinista de cinco pontos, e crê que se um homem é salvo ou não, é de escolha estritamente divina, sem participação do homem ou condições cumpridas pelo homem que seja, e que Deus imutavelmente escolheu ou rejeitou cada indivíduo antes de o mundo ser feito. Ele também crê que Cristo não morreu por aqueles que não foram escolhidos  de nenhuma espécie de maneira pela qual eles pudessem ser salvos (isto é comumente chamado “expiação limitada”), e que se alguém aceita ou não o Evangelho é inteiramente dependente de se este fora “regenerado” por Deus anteriormente (per Calvinismo, aquele que é regenerado inevitavelmente crerá no Evangelho, e o não-regenerado nunca poderá crer). Dito isso, vamos examinar a resposta de Piper.

Em certo sentido, tão logo quanto pecamos devemos ser eternamente punidos. Não deveríamos ter outro suspiro. Não deveria haver adiamento. Não deveria nos ter dado tempo. Então claramente, em algum sentido, o tempo que nos é dado é graça. E graça para um pecador requer algum tipo de pagamento ou compra ou garantia de um Deus santo. E Cristo seria aquele que oferece isso.

Então estou inclinado a dizer, “Sim, o fato que os não-eleitos, os descrentes por todo o mundo ainda estão respirando e tendo outra chance de crer é um dom, assim como a oferta do Evangelho é um dom. E tal oferta é provida pela cruz.”

Não estou certo se concordo com tal lógica. Sim, eu creio que Deus, em Sua justa natureza, pune o pecado; e a expiação é requerida para escapar de ser punido. Mas agora tem que ter algum tipo de pagamento pelo atraso do julgamento? Também fiquei espantado quando li isso. O cara que enfatiza regularmente a dupla-predestinação está mesmo usando a frase “chance de crer”? Continue lendo, vai ficar ainda mais estranho.

Agora vem a parte importante. Romanos 2:4 diz Ou desprezas tu as riquezas de sua bondade, e demora para se irar, e paciência, ignorando que a bondade de Deus te conduz ao arrependimento? Mas segundo tua dureza, e teu coração que não se arrepende, tu ajuntas ira para o dia da ira, e da manifestação do justo julgamento de Deus”

Então se uma pessoa não-eleita rejeita – o que eles fazem – eles rejeitam esta graça, e a própria graça se torna julgamento acrescido. O que me faz pasmo, “Em que sentido isso é graça?”. Em algum sentido isto é. É uma real oferta, uma real oportunidade. Mas se você a rejeita, ela volta e remonta com maior julgamento.

Concordo com o sentimento de Piper que aquele que despreza a graça de Deus se abre para a mais rigorosa punição. O que é confuso acerca de sua resposta é seu uso de termos como “real oferta” e “real oportunidade”. Pelas próprias visões do Piper, se você crerá e será salvo ou não já foi incondicional e imutavelmente determinado antes que nascesse.

Anteriormente, Piper insinuou que os não eleitos recebem a “chance de crer” (“chance” aparentemente não implicando aleatoriedade mas sendo usada no sentido idiomático de ceder oportunidade). Mas a única “chance” envolvida é o fator [para nós] desconhecido de quem já é dos escolhidos: Se você for eleito, não há possibilidade de que não venha a crer; se você é dos que foram incondicionalmente rejeitados sem nenhum possível apelo ou recurso, não há chance que você crerá. E seja lá quem você for, sua posição como eleito ou não-eleito não pode e não vai mudar. Não é questão de haver alguma chance de um tiro pela culatra para os reprovados na visão calvinista, tal “graça” não pode fazer nada além de sair pela culatra.

É como se quanto mais misericórdia é dada a uma pessoa que resista, então mais maligna ela se mostra ser. E quanto mais maligna ela se mostra ser, mais julgamento cai sobre ela.

Penso que a resposta é sim. Eu penso em real graça, real graça comum, real oferta de salvação – bem agora, apenas a observando – é graça. E, se você é um não-cristão, graça está sendo oferecida a você neste exato momento em meu alerta a você que, se você o desprezar, o julgamento será maior.

Novamente, concordo amplamente com o sentimento. A questão é: como esse tipo de afirmação se encaixa com as visões divinamente fatalísticas de Piper? É notável também que Piper não está simplesmente falando sobre como as pessoas percebem coisas, mas sobre coisas que Deus intencionalmente faz.

E é um presente a ti agora que Deus possa estar satisfeito em então despertá-lo para que diga: “Opa. Não quero agigantar meu julgamento. Quero responder a este momento de graça”.

É isso o que eu penso que o resultado dessa conversação deve ser: responder à graça. Você está vivo! Ainda há uma possibilidade de crer e ser salvo.

Novamente, pelo calvinismo de cinco pontos, se você não está entre os eleitos para salvação, azar! Deus não te escolheu, Cristo não morreu por você, e o Santo Espírito mais que certamente não te regenerará. Você está irremediavelmente perdido, já irreparavelmente condenado, não há um mero fio de esperança, você nunca foi atendido em oração. A acessibilidade da oração é zero absoluto. Nadica. Zlitch. Nada. Então como pode uma pessoa para quem a salvação não é sequer remotamente aplicável ter qualquer espécie de “oportunidade” de ser salva?

Pondo ainda mais simplificadamente, se Cristo não morreu pelo perdão dos pecados de alguém em qualquer sentido, então não pode existir uma “oportunidade de ser salvo” para ele, porque não há maneira de ser salvo a não ser que Cristo morrera para perdoar seus pecados.

Tal duplipensar é causa forte para se questionar a teologia pessoal de Piper. Se suas visões deterministas são tão repugnantes que ele tenha que “balanceá-las” com conceitos que plenamente contradizem sua doutrina, então ele está essencialmente adotando uma dissonância cognitiva. Se você rejeita o universalismo, mas crê que Deus ainda genuinamente oferece salvação a todos os homens, então o que é mais consistente e menos confuso crer?

  1. Cristo morreu provisionalmente pelos pecados de todos, tal que todo o que nEle crê será perdoado.
  2. Ou a visão de Piper, na qual se você não for um dos eleitos, lhe será dada um “oportunidade” que você não poderá possivelmente tomar, aceitar uma “oferta” de salvação de Deus que não é da vontade dEle que seja aceita, só então você teria uma “chance” de obter fé que nem mesmo te é acessível, comprada por um Salvador que não morreu para perdoar Seus pecados, mas cuja morte afortunadamente providenciou “graça” que inevitavelmente sairá pela culatra e te condenará ainda mais, Faz todo sentido. Aonde eu assino?
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