Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa Como Escolha Unilateral de Deus

Padrão

Eleição em Romanos 9

Análise de Romanos 9:6-13 – A Promessa como Escolha Unilateral de Deus

Quando Paulo faz a primeira assertiva acima em 9:6b, ele assume que seus leitores concordarão com ele na base do argumento já fornecido em 4:11-16. Por esta razão, Paulo procede sem mais comentários diretamente à segunda assertiva distinta no verso 7, “nem por serem descendência de Abraão são todos filhos”. Esta segunda assertiva, bem como a primeira acima discutida, é enraizada no conceito da promessa de Deus aos patriarcas, mas aqui no verso 7a Paulo considera a promessa não em termos de uma segurança dada por Deus para ser crida, mas em termos de ser uma escolha unilateral de Deus para determinar a linhagem física do povo escolhido de Deus (isto é, os judeus, em contraste a todos os gentios). Citando os versos 7b e 9b (de Gênesis 21:12 e 18:10) as várias manifestações da promessa enquanto relacionadas a Isaque, e no verso 13 (de Malaquias 1:2-3) a promessa como relacionada a Jacó, Paulo traça a promessa de Deus mostrando que a eleição seria transmitida mediante Isaque (e não Ismael) e subsequentemente mediante Jacó (e não Esaú) e seus descendentes físicos. Destes exemplos Paulo conclui que a eleição dos judeus como “filhos” de Deus (verso 8a) não pode ser baseada em descendência física cega somente. (No que diz respeito aos judeus físicos serem considerados “filhos” de Deus, note que os judeus descrentes, que são “israelitas” [9:4] e patrícios de Paulo “de acordo com a carne” [9:3], são, apesar de sua descrença, ditos possuir “a adoção como filhos [de Deus]” em 9:4.)[6] Os judeus, então, são considerados “filhos” de Deus não meramente “porque eles são descendentes de Abraão” (verso 7a); caso contrário, Ismael e Esaú, sendo descendentes de Abraão, seriam parceiros iguais com os judeus como recipientes do favor especial de Deus. O fato de Ismael e Esaú terem sido contados fora da família eleita de Deus indica que os judeus participavam desta eleição como “filhos, descendência” de Deus (literalmente, semente, verso 8) não simplesmente porque são “filhos da carne” mas porque são “filhos da promessa”(verso 8b). Isto é, eles são eleitos de acordo com a promessa discriminadora de Deus distinguir entre Isaque e Ismael, e entre Jacó e Esaú no estabelecimento da linhagem do povo eleito de Deus.

É crítico neste momento entender que a afirmação de Paulo aqui no verso 8 não significa que a eleição divina dos judeus não pode ser sensível à descendência física fluindo de Jacó, o cabeça do corpo corporativo da Israel física. Numerosos pontos da Escritura atestam a validade da eleição divina dos descendentes físicos de Jacó. Um verso é Malaquias 1:1-3, citado por Paulo aqui em Romanos 9:13. É claro que na passagem de Malaquias o “amor” de Deus pode Jacó foi uma eleição de todos os descendentes físicos de Jacó e não meramente do próprio Jacó, como visto em Malaquias 1:2 em que estes descendentes (i.e. a nação de Israel) são referidos como sendo recipientes do mesmo amor divino dado a Jacó. Que esta eleição de Jacó e seus descendentes era irrevogável (cf. Romanos 11:29) mesmo em face da descrença de Israel é mostrado pelas palavras de Deus a Israel em Malaquias 3:6, “Porque eu o SENHOR, não me mudo; por isso que vós, filhos de Jacó, não sois consumidos.”. Apesar da pervasiva hipocrisia dos judeus nos dias de Malaquias, Deus não os consumira (isto é, destruir completamente) porque ele estava ligado por suas promessas aos patriarcas, as quais, como o próprio Senhor, “não mudam”. Mais adiante em  Romanos o próprio Paulo se refere à mesma obrigação de eleição dos descendentes físicos de Jacó. Em acréscimo a várias passagens já mencionadas acima (Romanos 3:1-3, 9:4-5), note 11:1,11,16 e especialmente 11:28-29, aonde Paulo afirma aos Judeus, que eram naquele tempo inimigos dos cristãos, são mesmo assim quanto à eleição amados por causa dos pais. É claro de tais passagens que Paulo não despreza o valor da posição dos judeus como descendentes físicos de Jacó, porque sua descendência física apesar de sua descrença lhes permitiu permanecer na abrangência da soberana eleição de Deus como aqueles a quem “foram confiados os oráculos de Deus”(3:2). A insistência de Paulo em 9:8, então, que “os filhos da promessa são tratados por descendência”, não invalida toda a consideração da linhagem física; em vez disso simplesmente distingue entre descendência física cega de um lado, e descendência física que está de acordo com a promessa de Deus do outro lado, em que “descendência de acordo com a promessa” se refere à linhagem física que recebe o favor e escolha soberanos de Deus. Ismael e Esaú são exemplos da primeira forma de descendência física; Isaque e Jacó são exemplos da última.

Dado tudo que foi dito acima acerca dos dois aspectos distintos da promessa de Deus dada aos patriarcas, podemos agora distinguir entre as seguintes variedades possíveis de linhagem ou descendência dos patriarcas abordadas por Paulo em Romanos. Considere cuidadosamente:

  1. Descendência espiritual de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos que são da fé de Abraão, seja judeu ou gentio
  2. Descendência física de acordo com a promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de [Isaque e ] Jacó)
  3. Descendência física sem referência à promessa de Deus (isto é, todos os descendentes físicos de Abraão, incluindo seus descendentes gentios; no caso, Ismael, Esaú, e seus descendentes)

De acordo com Paulo, somente as duas primeiras formas de linhagem são reconhecidas por Deus como formas válidas de eleição divina. O primeiro tipo de linhagem é sujeito de Romanos 4:11-16 e da assertiva de Paulo em 9:6b. Este tipo de linhagem é associado com eleição para salvação contingente à fé. O segundo tipo de linhagem é o assunto da segunda asserção de Paulo, aquela encontrada em Romanos 9:7a e discussão subsequente de Paulo em 9:7b-13. Este tipo de linhagem é associado à eleição divina do Israel físico para serem recipientes das bênçãos descritas por Paulo em 3:2 e 9:4-5.

Isto nos leva ao núcleo da segunda resposta de Paulo (em 9:7-13) ao desafio contra a fidelidade de Deus aludida no verso 6a. Não apenas Deus ainda é fiel à sua promessa aos patriarcas considerada no primeiro sentido da promessa acima discutida (isto é, ele é fiel ais eleitso para salvação e permite participar no verdadeiro Israel espiritual todos aqueles que como Abraão colocam sua fé na promessa de Deus), Deus também permanece fiel à sua palavra acerca do segundo aspecto de tal promessa, a saber, unilateralmente continuar a estender favor divino especial aos descendentes físicos de Israel confiando-lhes o ser recipientes tanto da verbal quanto da encarnada Palavra de Deus. Em vez de ter rejeitado sua anterior eleição dos judeus (como em geral, mas erroneamente, assumido sobre o ensino de Paulo aqui), Paulo sugere em 9:7-13 que apesar de sua descrença (conforme 9:2-3, 11:28-29) Deus permanece fiel a sua anterior eleição dos descendentes físicos de Jacó, todos eles considerados “filhos de Deus” (confira a Nota 6), não por mera descendência cega de Abraão, mas no sentido de ser “filhos da promessa” (isto é, a promessa de Deus pela qual Isaque e Jacó foram escolhidos para transmitir a linhagem física divinamente favorecida; linhagem tipo 2 acima). Como argumentarei abaixo, é precisamente a fidelidade divina à Sua eleição dos descendentes físicos de Israel desta maneira que O motiva a continuar buscando os judeus a virem ao arrependimento e fé, um objetivo que Paulo ensina em 11:26 será definitivamente completado. (De fato, esta eleição continuada deve ser reconhecida para entender propriamente os planos presentes e futuros de Deus para os descendentes físicos de Israel. Veja a discussão do capítulo onze abaixo.)

Eu notei acima que enquanto a primeira assertiva de Paulo em Romanos 9:6b é baseada em uma consideração da promessa de Deus considerada como uma segurança dada por Deus requerendo fé, a subsequente asserção no verso 7a é baseada na consideração da promessa de Deus como uma escolha unilateral de Deus. Por tal afirmação, eu quero dizer que a escolha de Deus por Isaque e Jacó para transmitir a linhagem física favorecida de Israel não foi condiciona a nenhum ato volicional dos próprios Isaque ou Jacó que os pudesse distinguir de Ismael ou Esaú. Paulo nota acerca de Jacó e Esaú que a escolha de Deus fora feita entre eles enquanto “não tendo ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal” (verso 11), então eliminando a possibilidade de que a eleição de Jacó e seus descendentes físicos pudesse ser baseada em obras de mérito de sua parte de alguma forma ausentes em Esaú e seus descendentes. Paulo descreve a natureza incondicionada desta eleição em termos ainda mais amplos no verso 16, onde ele afirma que não depende do homem que quer nem do que corre. Esta afirmação pode ser tomada como eliminando quaisquer fatores adicionais de diferenciação surgindo do exercício da vontade humana, tais como fé ou sua ausência. De fato, a eleição de Jacó e seus descendentes físicos foi obtida antes de e à parte de qualquer consideração de fé da parte de Jacó ou Esaú.

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