Traduções Crédulas: FAQ Calvinista Consistente (Sátira)

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Um pouquinho de humor para relaxar… (e eu poder enrolar mais um pouco em algumas traduções!)

FAQ Calvinista Consistente (Sátira)

por Daniel Nebauer (neborg)
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Disclaimer: O que se segue é uma sátira leve ao calvinismo e não um ataque a calvinistas. 🙂

Q: Como devo abordar o evangelismo?
R: Você deve evangelizar se você crê que está incluso no comando da Grande Comissão. É importante, porém, saber qual a correta motivação para o evangelismo. Sua motivação deve ser obedecer o comando de Deus. A salvação das pessoas não é um motivo legítimo para o evangelismo, porque você não pode mudar suas condições de eleição.

Quando evangelizar, seja cuidadoso para não falar às pessoas que “Jesus morreu pelos seus pecados”. Note também, que desde que a graça é irresistível, não existe necessidade de ser persuasivo (pois você não pode mudar a condição de eleição das pessoas). O corolário disto é que não há mal em ser não-persuasivo. Uma vez que as pessoas ouviram as ‘boas-novas’, não há necessidade de continuar orando por elas.

Lembre-se que estatisticamente falando, aqueles para quem se está evangelizando são provavelmente parte dos reprovados. Não existe, porém, necessidade alguma de buscar os eleitos, ou qualquer meio de alcançar tantas pessoas quanto for possível. Isto é porque Deus assegurará que, de uma maneira ou de outra, aqueles que foram inclusos nos eleitos ouvirão o Evangelho de alguma maneira.

Conforte-se nisso, se você não está espalhando as ‘boas novas’, não é sua falha, porque isto apenas significa que desta vez Deus não está te usando.

Q: Como devo agir se parecer que alguém está em perigo de cair?
R: Nada. É impossível para alguém cair. Se alguém cair, você deve concluir que ele jamais foi salvo em primeiro lugar. Em tal caso, é legítimo (apesar de não necessário já que ele já ouviu as ‘boas novas’) evangelizá-los. (Veja “Como abordar o evangelismo?”)

Q: Como devo abordar a oração?
R: O propósito da oração é construir seu relacionamento com Deus. Pedir a Deus qualquer coisa não terá impacto, dado que Deus já se decidiu. Não é necessário pedir para pessoas serem salvas porque a mente de Deus já se decidiu, e não pode mudar.

Q: Qual deve ser minha atitude sobre o inferno?
R: É impossível conhecer quem é parte dos eleitos, e quem é parte dos reprovados. Em um nível, deve te entristecer que as pessoas são condenadas, (porque Deus deseja que todos os homens se salvem). Porém, em perspectiva, está um desejo maior de Deus ter Sua glória revelada. Mais que qualquer coisa, você deve rejubilar-se no fato que a vontade de Deus é feita. Você deve se regozijar em que a glória de Deus se fará conhecida, mediante a condenação e eterna danação da maior parte da humanidade.

Q: Devo ter filhos?
R: Algumas pessoas temem que se tiverem filhos, Deus as reprovará para o inferno. É verdadeiro que há esta possibilidade, que você ‘escolha’ ter filhos, que eles sejam reprovados para eterna condenação, e que ainda que elas nasçam em um lar cristão não influenciará a decisão de seus filhos em seguir Cristo. Porém, isto não deve detê-lo de ter filhos, pois se Deus resolver reprová-los, isto ajudará a fazer a glória de Deus ser conhecida. (Veja “Qual deve ser minha atitude sobre o inferno?”)

Q: Como eu posso melhor convencer arminianos e outros não-calvinistas que o calvinismo é o verdadeiro Evangelho?
R: Você não deve. Aqueles que estão enganados estão assim porque Deus quer eles enganados. Fazer isto te faria lutar contra Deus.

Q: E sobre o pecado?
R: Só porque Deus determina todas as coisas não quer dizer que Ele determina o pecado. Esta aparente contradição pode ser resolvida com “compatibilismo”.  Lembre-se, o calvinismo é completamente consistente, e quaisquer ‘contradições aparentes’ podem ser resolvidas com Dt 29:29.

Como calvinistas devemos reconhecer (de alguma forma) que somos responsáveis pelos nossos pecados, caso contrário terminaríamos como aqueles arrogantes arminianos.

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: FAQ Calvinista Consistente (Sátira)

  1. “Você deve evangelizar se você crê que está incluso no comando da Grande Comissão. É importante, porém, saber qual a correta motivação para o evangelismo. Sua motivação deve ser obedecer o comando de Deus. A salvação das pessoas não é um motivo legítimo para o evangelismo, porque você não pode mudar suas condições de eleição”.

    A certeza de que Deus salvará muitas vidas por meio da mensagem que pregarmos não faz de nossa vocação algo vago, ou destituída de motivação, pois como disse, é exatamente pela mensagem pregada que Deus executará seu plano certo. É certo de que Deus salvará um incontável número de pessoas através da mensagem pregada e ser um instrumento de Deus que visa certamente alcançar este objetivo, tendo-nos como instrumento pelos quais pretende manifestar este plano certo não faz de nossa participação algo trivial. Você não pode mudar a condição da eleição porque você é instrumento de Deus para a eleição. Não pregamos pra ver a vontade de Deus ser alterada, pregamos para vê-la se manifestar. Você ao orar, ora à Deus para mudar a vontade de Deus sobre sua vida, ou ora à Deus para submeter-se a sua vontade?

    “Quando evangelizar, seja cuidadoso para não falar às pessoas que “Jesus morreu pelos seus pecados”. Note também, que desde que a graça é irresistível, não existe necessidade de ser persuasivo (pois você não pode mudar a condição de eleição das pessoas). O corolário disto é que não há mal em ser não-persuasivo. Uma vez que as pessoas ouviram as ‘boas-novas’, não há necessidade de continuar orando por elas”.

    Jesus morreu para garantir que muitos nele crerão. Ele morreu por seu povo, e todos os que sedentos se renderem à mensagem que convida os homens ao arrependimento serão salvos. A mensagem de salvação é persuasiva, e o eleito não se renderá a um convite persuasivo que não seja a palavra de Deus. Não há persuasão fora da palavra, logo sua objeção é misticamente falha, pois considera uma salvação a margem da própria mensagem pela qual a salvação se manifesta. Ora, se é por meio da mensagem que Deus salva eficazmente, toda persuasão necessária ao convite está embutida na mensagem que pregamos. A oração é o meio pelo qual Deus manifesta o seu querer. O fato de orarmos não faz com que os planos de Deus sejam suplantados, mas faz com que eles se manifestem. O arminiano ora para Deus não fazer o que ele mesmo quer ou ora para que Deus revele o que ele quer?

    “É impossível conhecer quem é parte dos eleitos, e quem é parte dos reprovados. Em um nível, deve te entristecer que as pessoas são condenadas, (porque Deus deseja que todos os homens se salvem). Porém, em perspectiva, está um desejo maior de Deus ter Sua glória revelada. Mais que qualquer coisa, você deve rejubilar-se no fato que a vontade de Deus é feita. Você deve se regozijar em que a glória de Deus se fará conhecida, mediante a condenação e eterna danação da maior parte da humanidade”.

    Você ficaria feliz se Deus salvasse a todos? Que ele não permitisse tantos males? Já se perguntou por que Deus permite tantos males quando poderia tê-los evitado? E ao fazer estas perguntas, você chegou a conclusão de que pareceu justo a Deus? Fez isso sem considerar uma suposta atitude de maior bondade que poderia ser revelada mas foi preterida? Deus poderia sem mais bom? Um mundo sem câncer, sem malária, sem fectu in fectus comprometeria a liberdade humana? Todos os males não estão do mundo apra justificar o livre arbítrio. Você não conseguiria fazer isto.

    Deus é justo no que faz. Não é questão de dar gargalhadas pelos que não serão alcançados em seu plano. É questão de tomar sua atitude com seriedade pois reflete sua mais alta e infinita retidão e justiça.

    “Você não deve. Aqueles que estão enganados estão assim porque Deus quer eles enganados. Fazer isto te faria lutar contra Deus”.

    Nós não agimos segundo o decreto, mas sim segundo a lei revelada. Deus na sua lei nos convoca a defendermos a fé, mesmo que ele mesmo não esteja disposto a abrir o entendimento daquele contra quem estamos debatendo.

  2. Hum, uma presença ilustre neste blog que caminha a trancos e solavancos! Inda mais vindo de um post de humor! Bem Mizael, vou levar seu comentário a sério, apesar disso. Até porque ele tem uma dose de pessoalidade bem divertida!

    A certeza de que Deus salvará muitas vidas por meio da mensagem que pregarmos não faz de nossa vocação algo vago, ou destituída de motivação, pois como disse, é exatamente pela mensagem pregada que Deus executará seu plano certo.

    Mas para você, determinista, Deus só pode estar certo se Ele micro-gerenciar cada contingência: o surgimento de um pregador na região onde estão os salvos; o dia exato da audição da pregação, que é MUITO diferente para CADA eleito; e enfim, aquilo que dá toda a eficácia: a graça irresistível.

    Seja minimamente honesto com sua teologia e lembre-se que a pregação é intrinsecamente inútil. O que salva é a graça irresistível.

    É certo de que Deus salvará um incontável número de pessoas através da mensagem pregada e ser um instrumento de Deus que visa certamente alcançar este objetivo, tendo-nos como instrumento pelos quais pretende manifestar este plano certo não faz de nossa participação algo trivial.

    Mas espera! Na sua teologia não existe participação humana nas decisões. A nossa participação não é trivial, é NULA.
    Já na minha as coisas são bem diferentes…

    Você não pode mudar a condição da eleição porque você é instrumento de Deus para a eleição.

    Se eu não posso, porque então Ele me usa? Se uma ferramenta não serve para seu propósito, por que utilizá-la?

    Não pregamos pra ver a vontade de Deus ser alterada, pregamos para vê-la se manifestar. Você ao orar, ora à Deus para mudar a vontade de Deus sobre sua vida, ou ora à Deus para submeter-se a sua vontade?

    Leia um pouco sobre Senso Composito e Senso Diviso. Eu oro, evangelizo, toco esse blog, dialogo com outras pessoas, porque tenho poder contra-causal sobre o futuro. Minhas ações afetam o futuro, incluso a minha oração (que o diga Moisés em Êxodo 32).

    Sua ideia de ‘vontade de Deus ser alterada’ é justamente pressupor que tudo o que acontece foi causado ativamente pr Deus. Mas eu não sou determinista estrito.

    Jesus morreu para garantir que muitos nele crerão.

    Espero que sejam os mesmos ‘muitos’ de Romanos 5:15…

    Ele morreu por seu povo,

    De fato, Ele morreu pelos judeus. Ele ‘veio para os seus, mas os seus não o receberam'(Jo 1:11).

    e todos os que sedentos se renderem à mensagem que convida os homens ao arrependimento serão salvos.

    Sendo fiel à sua teologia, Deus teria que provocar esta sede eficaz…

    A mensagem de salvação é persuasiva, e o eleito não se renderá a um convite persuasivo que não seja a palavra de Deus. Não há persuasão fora da palavra, logo sua objeção é misticamente falha, pois considera uma salvação a margem da própria mensagem pela qual a salvação se manifesta.

    A mensagem da salvação não é a TULIP e nem a TS de Cheung. A mensagem está mais que clara em Jo 3:16. Ela é persuasiva, e também tem a graça preveniente, mas estes não são intrinsecamente eficazes. E eu jamais sugeri uma persuasão fora da Palavra – aonde eu pressupus tal disparate?

    Ademais, se a Palavra é intrinsecamente eficaz para salvar o eleito (o que é uma contradição em termos), seguinte: apague os posts de seu blog e poste em vez disso trechos da Bíblia, se possível nos originais. E aí? Esquece teologia, filosofia, exegese, apologética… Só a Palavra da Salvação.

    Ora, se é por meio da mensagem que Deus salva eficazmente, toda persuasão necessária ao convite está embutida na mensagem que pregamos.

    Vai negar a graça irresistível então?

    A oração é o meio pelo qual Deus manifesta o seu querer. O fato de orarmos não faz com que os planos de Deus sejam suplantados, mas faz com que eles se manifestem. O arminiano ora para Deus não fazer o que ele mesmo quer ou ora para que Deus revele o que ele quer?

    Não viaja. A oração é um ato livre do ser humano. E mesmo que não seja, você sabe bem que ela não tem eficácia em si mesma – basta ver O Todo Poderoso com Jim Carrey…

    Você ficaria feliz se Deus salvasse a todos? Que ele não permitisse tantos males? Já se perguntou por que Deus permite tantos males quando poderia tê-los evitado? E ao fazer estas perguntas, você chegou a conclusão de que pareceu justo a Deus? Fez isso sem considerar uma suposta atitude de maior bondade que poderia ser revelada mas foi preterida? Deus poderia sem mais bom? Um mundo sem câncer, sem malária, sem fectu in fectus comprometeria a liberdade humana? Todos os males não estão do mundo apra justificar o livre arbítrio. Você não conseguiria fazer isto.

    1 – Sim.
    2 – Sim.
    3 – Muitas vezes, todos os dias. Basta ver um comentário que fiz a um apologista de meia pataca que surgiu no Arminianos faz um tempo…
    4 – Minha conclusão de certo modo é baseada no argumento moral de Immanuel Kant.

    + Se existem injustiças neste mundo, significa que deve existir um padrão de justiça. Ou seria nonsense exigir ‘algo melhor’.
    + Se existe um padrão de justiça, deve existir um Juiz tão justo quanto este padrão.
    + Se este Juiz existe, Ele não pode deixar impunes todas essas coisas.

    E se a justiça, ainda que tarde, não falhe, eu posso ter toda a esperança do mundo de que um dia tudo se ajeitará.

    5 – Não.
    6 – Creio que não.
    7 – Mas todos os males ‘surgiram’ de um ato livre (Gn 3:6,11). Acho eu isto responde sua objeção. E definitivamente o Evil Problem é mais útil na mão de ateus, não de cristãos.

    Deus é justo no que faz. Não é questão de dar gargalhadas pelos que não serão alcançados em seu plano. É questão de tomar sua atitude com seriedade pois reflete sua mais alta e infinita retidão e justiça.

    Você está usando a mesma resposta do Galdino, acerca das bicicletas divinas. Deus não precisa da humanidade para ser justo. Justiça punitiva só faz sentido quando há quebra do padrão moral, e esta quebra é contingente. Já justiça é o sentido mais amplo de igualdade.

    Deus não precisa criar pessoas com o objetivo de matá-las por pecados que Ele mesmo causou nelas. Deus é muito maior que isso – e foi isso que o Galdino, e agora você, está desconsiderando.

    E mesmo assim, Deus não é onipotente para iresistivelmente regenerar todos, e daí ampliar a expiação para todos? A objeção da ‘justiça’ é falha aqui.

    Nós não agimos segundo o decreto, mas sim segundo a lei revelada. Deus na sua lei nos convoca a defendermos a fé, mesmo que ele mesmo não esteja disposto a abrir o entendimento daquele contra quem estamos debatendo.

    O que, mais uma vez, prova algo que comentei já faz um tempo num comment do CincoSolas: na hora de viver, esconda sua teologia!

    A Incapacidade Total significa que nenhum ser humano pode, quer ou ‘quererá’ pensar em Cristo; Mas e daí? Bora evangelizar!
    A Eleição Incondicional significa que só uma casta seleta, via ‘loteria da Caixa’, é que será alvo das tais promessas de vida eterna; Mas e daí? Bora evangelizar!
    A Expiação Limitada implica que tem um monte de gente por aí que nem sabe que Deus teve todo o desejo de exterminá-las sem sequer lhes dar a doce ilusão de que um dia elas poderiam ter sido limpas pelo sangue de Jesus; Mas e daí? Bora evangelizar!
    A Graça Irresistível implica que o homem só vai até Crisrto se for arrastado pelo próprio Deus; Mas e daí? Bora evangelizar!
    A Perseverança dos Santos implica que aqueles que abandonaram a Igreja nunca entraram de verdade nela; Mas e daí? Bora evangelizar!

    A teologia calvinista torna qualquer ação humana em direção ao próximo completamente inútil (isso porque eu estou sendo inconsistente -não existem ações humanas aí). mas o que mais os calvinistas fazem? Exigem que pecadores aos quais Deus jamais dará Sua Luz, se rendam – ainda que o próprio Pai impeça-os de crer. E ainda dizem que a culpa da descrença é do descrente! É, jogue fora sua TULIP e bora evangelizar!

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