Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista XII e XIII

Padrão

Mais uma falácia filosófica! A ideia que o livre-arbítrio ataca a simplicidade e a imutabilidade divinas. No fim das contas é muito semelhante à anterior, só que mais enrolada.

A princípio, a série se encerraria aqui – mas Joshua Thibodaux inaugurou seu próprio blog, e lá a série continuou com a falácia XIV…

Boa Leitura!

Falácias da Apologética Calvinista
Falácias XII e XIII: A Visão Arminiana de Presciência Divina Ataca a A Simplicidade e Imutabilidade Divinas

por J.C. Thibodaux on ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Falácias Correlatas
Confusão
Generalização Apressada
Super-Simplificação

Tim Prussic tenta salvar seu caso desesperançado após eu ter-lhe apontado seu raciocínio falacioso acerca da asseidade divina. Tim faz um parco apelo à simplicidade divina; em suas palavras,

Agora, dado que, em Deus, o Ser auto-existente, essência e atributos são idênticos, seu conhecimento é por necessidade atrelado à Sua essência – seu ser. Deus É seu conhecimento. Então, se Deus é dependente da criação para o conhecimento, então temos um problema teológico sério.

Problemas com esta lógica

O caso de Sr. Prussic se baseia em confundir o atributo divino da onisciência com aquilo a que Seu conhecimento referencia. Esta linha de raciocínio começa a colapsar em si mesma quando aplicada, por exemplo, ao atributo do amor de Deus. Agora a Bíblia nos informa claramente que Deus é amor (1Jo 4:8), e que foi por causa do Seu amor por nós que Cristo morreu (Rm 5:8). Mas desde que Deus ama as pessoas, então tal amor por pessoas necessariamente requer pessoas, fazendo claramente o amor de Deus pelo homem dependente do homem. De acordo com a visão cômica de Sr. Prussic da simplicidade divina, este amor pelo homem seria intrínseco à essência de Deus, e inevitavelmente levaria à conclusão de que o ser divino é necessariamente atrelado às pessoas que Ele ama – fazendo o homem essencial à natureza divina. Ironicamente, a visão de Tim, levada às suas conclusões lógicas, acaba sendo uma teoria que ataca a asseidade divina, dado que a própria essência de Deus dependeria do homem!

Minha réplica é que não devemos confundir os atributos de Deus como o amor e o conhecimento com quem ou o que estes atributos se referenciam. Contrário ao falho comentário de Sr. Prussic de que isto torna Deus “menos que perfeito em um atributo”: Deus ainda seria amoroso e onisciente mesmo se não existisse tal coisa como o ser humano, porque isto é o que Ele é; Ele não está mudando Seus atributos ao criar o homem (Gn 1:27), pesar seu coração (Pv 21:2) ou dirigir Seu amor sobre ele (Dt 7:7). Ele sempre seria amoroso e onisciente mesmo se Ele não criasse nada.

Mais ridículos da visão que Sr. Prussic adota pode ser vista de uma simples reductio:

Se o conhecimento de Deus é inato a Ele, então tudo que Ele conhece é inato a Ele. Minha existência é uma das coisas que Deus sabe sobre. Se Deus inatamente sabe que eu nasci em algum momento da última parte do último século, então tal fato foi eternamente uma parte inata do conhecimento de Deus; Deus portanto não teve escolha a não ser me criar, senão isto falsificaria Seu conhecimento. Portanto a onisciência de Deus é então dependente de minha existência.

Isto pode ser levada a um passo ainda maior: sou um crente em Cristo, parte dos eleitos. Deus inata e eternamente tinha conhecido que eu era parte dos eleitos – tal fato é parte de Sua divina essência (de acordo com o Sr. Prussic, de todo modo). Com esta lógica, Deus não apenas tinha que me criar, mas para tornar Seu conhecimento verdadeiro, não tinha nenhuma escolha além de me eleger também (e calvinistas me acusam de ser “centrado no homem”), ou então falsificaria Seu conhecimento. Mesmo o Oleiro não tem qualquer liberdade real por tal pensamento retroativo! Poderíamos ir mais e mais longe, mas basta dizer que a simplicidade divina interpretada desta maneira por Sr. Prussic se desmancha em completa incoerência. Ele prossegue perguntando,

Se este paradigma funciona com o atributo do conhecimento divino, por que não com todos os outros atributos? Nos oporíamos à noção que, em certas áreas, Deus não é todo-poderoso, mas na realidade ganha poder de sua criação? E se Deus, em certas áreas, não fosse completamente fiel, mas ganhasse fidelidade de sua criação?

Dadas as ramificações supracitadas da posição de Sr. Prussic, seu exemplo de “fidelidade” acaba se voltando contra ele mesmo: se Deus inatamente conhece sobre minha existência, então a fidelidade de tal conhecimento é dependente de minha existência. Deus de fato dependeria de mim para Seu conhecimento intrínseco ser fiel. Portanto a fidelidade do conhecimento de Deus deve depender de mim se a lógica de Tim for consistentemente aplicada. Tim falha novamente também ao abordar o exemplo previamente citado da fidelidade de Deus às Suas promessas ser dependente daqueles a quem tais promessas são feitas. Isto não é inesperado, dado que tal lógica inconsistente como esta que ele propõe pode dificilmente lidar coerentemente com situações realistas.

Teologia Imutavelmente Absurda

Prussic:

O leitor semi-pensante já sabe que, nas ideias de J.C., a doutrina clássica da imutabilidade divina foi defenestrada há muito tempo. Pois, manifestamente, se Deus não muda, seu conhecimento não pode aumentar. Seu conhecimento deveria (bem como seus outros atributos) ser infinito, eterno e imutável. Aprender é crescer. Crescer é mudar. A Bíblia diz que Deus não muda.

De fato, apenas um leitor semi-pensante que falhou em pensar detidamente no assunto poderia chegar a esta conclusão. Imutabilidade divina implica que Deus permanece sempre sendo o que Ele é, não que Ele jamais experimenta qualquer espécie de mudança em qualquer sentido. Experiência ou ação de qualquer gênero (sem a qual uma entidade é irremediavelmente estática) implica algum sentido de mudança, mas não necessariamente na essência do ser.

Cristo, por exemplo, sempre foi divino (e portanto imutável) e Um com Deus Pai. Mesmo assim Cristo experimentou e veio a ser coisas que Ele nunca dantes fora: Ele foi incarnado, morto, levantou-Se da tumba, foi aperfeiçoado pelo sofrimento (Hb 2:10), foi tentado, e agora é Sumo Sacerdote Celestial que pode auxiliar os que são tentados (Hb 2:18, 4:15). Ainda assim estas experiências não mudaram quem Ele é, pois as Escrituras declaram que Ele é o mesmo ontem, hoje e para todo sempre (Hb 13:8).

Acrescentando ao ponto, o atributo da fidelidade é absoluto; Ele não pode ser infiel. Mesmo assim, quem Deus não pode deixar de mostrar Sua misericórdia em aliança mudou desde que Deus criou o mundo. Deus fez Sua aliança com Abraão, e portanto não pode retroceder em Sua palavra, enquanto Ele não tinha esta obrigação antes da aliança ser feita. Sua promessa feita ao homem Abraão sendo encoberta pela fidelidade de Deus constitui alguma mudança à natureza de Deus? Dificilmente. Este é um bom exemplo de como um atributo de deus continua imutavelmente não-modificado mesmo se a quem/ao que tal atributo se referencia muda (neste caso, a promessa a Abraão sendo acrescentada ao que Deus é fiel). Deus não depende de Abraão para “fazer-Se fiel”, Ele por natureza sempre foi fiel.

A imutabilidade de Deus não acarreta que Ele é alguma espécie de entidade estática, ele implica que não importa o que Ele escolha fazer, Ele necessária e eternamente continua Deus.

Ainda Mais Problemas ao Necessitarianista

Além de não lidar com o contra-exemplo, a tentativa de Prussic falha em lidar com o problema da origem do pecado que eu levantei em minha primeira resposta. Este problema em particular junto com as ramificações do conhecimento inato acima mostrados devasta seus apelos à simplicidade/imutabilidade enquanto simultaneamente aponta suas acusações de “não-asseidade” contra ele.

Se todo o conhecimento de Deus é inato a Seu ser, e o pecado é algo coberto pelo Seu conhecimento, então o próprio pecado é essencial ao ser de Deus. Deus tem que ter pecado para o Seu conhecimento ser verdadeiro, caso contrário Ele não seria onisciente. Portanto o ser de Deus depende do pecado (se esta baboseira toda de “conhecimento inato” fosse levada a sério de todo modo).

Conclusão

Além do mero determinismo, a confusão anti-escritural e humana dos atributos divinos feita por Sr. Prussic sujeita completamente o próprio Deus a necessidade estrita, fazendo Sua essência intrinsecamente dependente do homem e de tudo mais que Ele cria. Então se Seu conhecimento acerca de eu ser redimido e glorificado é essencial ao Seu ser, então Deus literalmente tinha que salvar-me para tornar Seu conhecimento verdadeiro. Pior ainda, Deus vai de originar o pecado (erro que muitos calvinistas desavisadamente promovem em seus ensinos) a realmente necessitar o pecado para ser Deus. Contra aqueles que aceitam a verdade bíblica do livre arbítrio, necessitarianistas estão bastante ávidos em apontar o desafio de atacar a asseidade divina; mas o buraco que eles cavam acaba sendo aquele em que eles mesmos caem: pois se Deus precisa da humanidade e de sua pecaminosidade para Seu inato conhecimento se manter verdadeiro, como seu raciocínio dita, então o Deus onisciente tem uma necessidade intrínseca da criação.

Querendo Deus, Sr. Prussic aprenderá com estes flagrantes erros e cessará de se apoiar no conjunto bizarro e auto-contraditório de pressuposições calvinistas sobre a natureza de Deus, e em vez disso tornar às Escrituras para traçar seu entendimento de quem Deus é.

Finalizando:

  • Dada a distinção crucial entre os atributos de Deus e os objetos que eles referenciam, que Deus conhece tudo sobre nós como Suas criaturas é um aspecto essencial de Seu Ser; o que Ele sabe sobre nós não é, como nós mesmos não somos, essencial ao Seu ser. Assim, a simplicidade de Deus não é ameaçada pelo livre arbítrio.
  • Pelo menos alguns objetos que pertencem aos atributos de Deus (p.ex. o que Ele conhece sobre certa criatura, que Ele é fiel em aliança com) não são intrínsecas à Sua natureza, mas se alicerçam em Suas próprias escolhas soberanas. Sua imutabilidade não está nestes objetos serem fixos à Sua natureza (porque, no que estamos preocupados, isto implicaria que estamos fixos em Sua natureza), mas que seja lá que escolhas Ele faz, Ele eterna e imutavelmente continua sendo Deus Todo-Sapiente, Todo-Poderoso e Completamente Fiel.
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Um comentário sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista XII e XIII

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