Traduções Curtas: Guia para Leigos Sobre a Nova Perspectiva em Paulo

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Esta foi uma novidade que achei faz um bom tempo. A primeira exegese de Romanos 9 traduzida por aqui (e que eu defino como um divisor de chamas para este blog) faz parte de uma corrente teológica bem importante, que faz uma releitura dos escritos de Paulo.

A ideia é mais ou menos o seguinte: Paulo estava interessado em dois assuntos em suas missivas. Eles eram a doutrina  da justificação pela fé e o outro eram as consequências práticas da ‘entrada definitiva’ de gentios para o Corpo de Cristo, ou melhor, sobre a transição entre as alianças.

Eis aqui uma breve introdução ao assunto, com alguns links ao final. Cortesia do PizzaMan e Credulo!

Guia Para Leigos Sobre a Nova Perspectiva em Paulo

por Kevin Jackson from WesleyanArminian
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

É difícil encontrar uma explicação breve para leigos acerca da “Nova Perspectiva em Paulo” (NPP). Para retificar este problema eu humildemente ofereço o “Guia Para Leigos Sobre a Nova Perspectiva em Paulo”.

Uma Analogia

Imagine uma igreja que tenha a seguinte regra: TODO AQUELE QUE PARTICIPA DESTA IGREJA DEVE VESTIR UM CERTO VESTUÁRIO. A igreja tem esta regra para evitar os esfarrapados, raciocinando que pobres não terão tal vestuário.

As pessoas da igreja sabem bem que vestir uma roupa por si só não faz ninguém cristão. Eles simplesmente têm esta restrição para o propósito de excluir outros que não são como eles. Eles querem a igreja para si mesmos, e querem manter os esfarrapados longe.

Nesta analogia a raiz do problema é que cristãos querem excluir outros. Não há nada inerentemente errado em alguém querer vestir um determinado vestuário. O problema é que eles estão usando sua preferência por roupas como uma regra arbitrária para excluir outros.

Nova Perspectiva Explicada

Entre os círculos protestantes, os escritos de Paulo geralmente têm sido interpretados como uma crítica do legalismo (o vestuário na analogia). NPP argumenta que os escritos de Paulo na verdade são uma crítica do exclusivismo (manter os esfarrapados fora).

NPP aponta que durante o ministério de Paulo os cristãos judeus estavam relutantes em aceitar os gentios como amigos crentes. Os judeus às vezes agiam desta maneira para evitar a inclusão de outros. Uma maneira que isto se manifestava era pela demanda que os gentios seguissem adesão detalhada à lei do AT. A lei era usada como maneira de excluir outros.

NPP argumenta que os cristãos judeus sabiam que a salvação era pela graça mediante a fé. Ou colocando de outra forma, eles não criam que seguir a lei salvaria por si só. NPP argumenta que a raiz do problema era que os cristãos judeus queriam manter o cristianismo exclusivo para si mesmos. Portanto, a crítica de Paulo sobre obras deve ser interpretada sob esta luz.

Resumindo, proponentes da NPP argumentam que:

  1. Os cristãos judeus sabiam que a salvação era pela graça mediante a fé, e que seguir a lei não creditava salvação.
  2. Os cristãos judeus usavam a lei como fundamento para excluir gentios da comunhão.
  3. As críticas de Paulo eram acerca da exclusão e não com aqueles que obedeciam a lei.

Por Que Isto Importa Hoje em Dia?

Um componente-chave da teologia protestante é que somos salvos pela graça mediante a fé, e não por obras (Ef 2:8-9). Durante a Reforma, Lutero e outros apelaram para as críticas de Paulo sobre obras para apontar alguns abusos severos da Igreja Católica Romana.

Se a preocupação primária de Paulo era exclusivismo, em vez de obras, alguns pensariam que isto poderia minar a justificativa escritural para a Reforma. Exclusivismo é um problema distinto de salvação por obras.

Minha Posição

Eu pessoalmente creio que NPP tem alguns méritos. Mas também creio que a visão protestante tradicional tem igual serventia. Penso que tanto exclusivismo quanto salvação por obras foram abordados nas nos assuntos dos escritos de Paulo. Também creio que ambas as visões podem coexistir lado a lado sem conflitos, e de fato se complementam.

Como Isto Se Relaciona ao Debate Arminiano/Calvinista?

Tem sido o caso em geral que os arminianos são mais abertos à NPP. Calvinistas tendem a ser mais críticos a ela, ainda que não seja sempre este o caso. John Piper é um forte crítico da NPP, enquanto NT Wright é um proponente. Ambos são calvinistas. Não vejo pessoalmente nenhuma razão de por que calvinistas devam rejeitar a NPP, dado que ela tenha pouco a dizer sobre a definição da eleição ou abrangência da expiação. Como já mencionado, ela toca em certos assunto do pensamento reformado, porém este não é em si um bom motivo para rejeitar a teoria.

Leia mais

  1. Scot McKnight
  2. Christianity Today
  3. Faith and Thought
  4. The Schooley Files
  5. The Paul Page
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