Traduções Crédulas: Quem Deus “Ama de Antemão” de Acordo com o Calvinismo?

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Um texto curto, na verdade mais uma opinião que uma argumentação, acerca de presciência e predestinação na Cadeia Dourada.

Quem Deus “Ama de Antemão” de Acordo com o Calvinismo?

por kangaroodort from ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Muitos arminianos veem a eleição de indivíduos por Deus baseada no seu pré-conhecimento da fé. Eles veem que passagens da eleição primária fazem referência à presciência e mesmo sugerem eleição baseada no pré-conhecimento. Eles também veem que fé é a condição primária para salvação encontrada na Bíblia. Se é salvo, e portanto eleito, mediante a fé em Jesus Cristo. Portanto, arminianos veem pré-conhecimento como presciência da decisão livre libertária de confiar em Cristo. Arminianos também veem pré-conhecimento como presciência porque é exatamente o que a palavra significa, conhecimento prévio.

Calvinistas objetam e veem a presciência divina acerca da salvação como pré-amor. Isto é, calvinistas creem que quando a Bíblia fala de pré-conhecimento relacionado à salvação, ela está falando de Deus amando Seus eleitos de antemão. Eles argumentam que “conhecer” equivale a “amar”. Eles encontram apoio para isto no uso da palavra hebraica “conhecer” no AT dado que ela é geralmente usada para um conhecimento bem íntimo, até mesmo sexual.

Mas há mais coisas que o calvinista objeta. O calvinista também crê que Deus não pode pré-conhecer decisões livres. Quer dizer, Deus só pode pré-conhecer o que Ele decretou. Deus pré-conhece aquilo que Ele Mesmo fará acontecer. Ele conhece Seu infalível plano e intenções e então tem conhecimento perfeito de tudo o que venha a ocorrer. Portanto o pré-conhecimento de Deus é baseado em Seu decreto eterno. Se este for o caso então predestinação vem antes de presciência, o que parece reverter a ordem dada na Bíblia. Presciência então seria “de acordo com” a predestinada eleição em vez de ser “de acordo com a presciência” como a Bíblia declara (1Pe 1:2).

Deve também ser notado que muitos arminianos, Arminius incluso, não objetariam ao pré-conhecimento em certas passagens como pré-amor. Em Rm 8:29 por exemplo, eles diriam que Deus “pré-conhece/ama” crentes. Em outras palavras, Deus não apenas pré-conhece o ato de fé, como também pré-conhece e pré-ama “os crentes”, aqueles que vieram à união em Cristo pela fé nEle. Então a insistência calvinista que presciência se refere não à fé mas a a indivíduos não refuta o entendimento arminiano da salvação e eleição mediante fé em, Jesus Cristo de acordo com a presciência.

Existe outra visão que deve brevemente ser mencionada. Muitos arminianos adotam uma visão primária corporativa da eleição e não veem necessidade em apelar tão fortemente para a presciência a fim de entender a eleição como condicional (apesar de que presciência tem um lugar na visão corporativa). Esta visão mantém que Cristo é “O Eleito” e aqueles que vem a estar nEle mediante a fé são então “os eleitos”. Eleição é primariamente a eleição de um corpo corporativo “em Cristo”. Existe muito mais que pode ser dito acerca desta visão (que é a visão de eleição que eu adoto), mas não é importante para os propósitos deste post.

Dada a forma que calvinistas entendem presciência eu sou levado a pensar sobre como Deus “ama de antemão” os eleitos como eles afirmam. Faz sentido no arminianismo dizer que Deus ama de antemão crentes em união com Jesus Cristo, mas faz sentido dizer tais coisas à luz das pressuposições calvinistas acerca de presciência? Penso no que exatamente é que Deus pré-ama se o calvinismo é uma teologia bíblica.

Vejo isto como um problema por duas razões. Primeiro, se Deus apenas pré-conhece as coisas porque Ele primeiro as decreta, então Ele não pré-ama pessoas reais. Ele apenas tem um plano ou intenção de criar pessoas para demonstrar amor. Tais pessoas não existem exceto na mente de Deus. Elas não são nada além de um conceito. Portanto Deus não pré-ama os eleitos antes da criação, mas apenas planeja amar alguns dentre os que planejou criar. Este não é o caso no arminianismo porque Deus não é limitado ao tempo e pode ter perfeito conhecimento amor pelos crentes em união com Cristo como pessoas reais que presentemente existem para Ele, mesmo se elas ainda não foram de fato criadas.

Thomas R. Schreiner argumenta contra a visão corporativa da eleição em Still Sovereign. Infelizmente, Schreiner não entendeu completamente a visão que se propõe a criticar. Ele pensa que advogados da eleição corporativa creem que Deus elege uma “entidade ou conceito abstrato”. Mas como afirmado antes isto não é o o que os defensores da eleição corporativa creem, exceto se Schreiner sente-se confortável em chamar Cristo de “entidade e conceito abstrato”. Porém, Schreiner parece achar a noção de Deus elegendo um “conceito” como preocupante:

O problema com a visão corporativa, porém, é que a igreja não é um conceito ou entidade abstrata. Ela é feita de pessoas. De fato o texto bíblico faz claro várias vezes que a eleição envolve a seleção de pessoas, não um conceito. (Still Sovereign, pg. 102)

Nós teríamos de concordar. Deus elege pessoas. Deus elege “crentes” para salvação. Ele não elege certos pecadores para salvação como o calvinismo postula. Mas penso por que a visão de Schreiner é muito diferente da que ele confunde e critica. Não estaria Deus elegendo meros “conceitos” da Sua mente nesta teoria? Certamente, eles podem não ser conceitos “abstratos”, mas ainda são apenas conceitos. Eles são apenas um plano na mente de Deus e não tem existência alguma fora das intenções divinas em trazê-los à existência em algum ponto da história.

Segundo, podemos nos perguntar o que exatamente Deus ama sobre os “eleitos”? No arminianismo Deus ama de antemão crentes com amor eletivo porque eles estão em Seu Amado. Eles são amados e eleitos em Cristo como crentes nEle e para Seu propósito. Deus tem um amor especial por aqueles que confiam e creem nEle, aqueles que estão em um relacionamento especial com Ele mediante a reconciliação do sangue de Cristo e a obediência produzida pela fé:

Quem tem meus mandamentos, e os guarda, esse é o que me ama; e quem a mim me ama, será amado de meu Pai, e eu o amarei, e a ele me manifestarei. Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, que há, porque a nós te manifestarás, e não ao mundo? Respondeu Jesus, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos a ele, e faremos morada com ele. Quem não me ama, não guarda minhas palavras. E a palavra que ouvis não é minha, mas sim do Pai que me enviou. […] Como o Pai me amou, também eu vos amei; estai neste meu amor. Se guardardes meus mandamentos, estareis em meu amor. Como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e estou em seu amor.
{João 14:21-24, 15:9-10 BLIVRE}

Este não é o caso no calvinismo. De fato, Deus elege “conceitos” potenciais pessoais para ser postos em Cristo sem qualquer relação com nada neles ou sobre eles afinal. Então exatamente o que é que Deus ama acerca deles antes da sua união com Cristo? Não pode ser que eles carreguem Sua imagem ou porque eles sejam uma criação especial e preciosa, porque Deus criará bem mais pessoas à Sua imagem com o único propósito de destruição eterna. Este amor parece arbitrário e sem sentido. Como Deus ama um e não outro? O que os faz diferentes? Nada, de acordo com o calvinismo. Logo, o que Deus ama? Me parece que se o que o calvinismo afirma é verdade então o amor de Deus é bem vazio. Nossa situação de sermos amados por Deus se resume a pouca coisa além de um sorteio na loteria divina. É impessoal e leva bem pouco sentido. Não é ligado a um relacionamento com Seu Filho ou um desejo em salvar as Suas criaturas caídas. De fato, é pouco mais que uma decisão de favorecer e salvar um “conceito” que eventualmente se tornará real.

É difícil entender como isto é de mesmo alguma escolha dado que não há nada realmente a escolher e se a suposta escolha foi feita apenas na mente de Deus antes da criação. Deus não “elegeu” ninguém. Ele meramente planejou criar alguns para o inferno e outros tantos para o céu, e isso sem fazer respeito a ou sobre eles. De fato não há nenhum “eles” afinal; apenas um plano ou conceito. Este é o amor eletivo que é descrito na Bíblia?

Então o que Deus ama se a predestinação e eleição calvinista for verdadeira? No mínimo penso que podemos concluir que a visão arminiana não despersonaliza a eleição mas de fato enfatiza os aspectos pessoais da presciência e eleição. Podemos ademais concluir que a visão calvinista de presciência pode na realidade servir para destruir qualquer aspecto pessoal da eleição e tornar o “amor” de Deus pelos Seus “eleitos” como algo gelado e vazio.

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