Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Definições

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Eleição em Romanos 9

Definições

Antes de prosseguir com uma consideração do contexto de Romanos capítulo nove e uma exegese detalhada da passagem abaixo, pode ser útil oferecer inicialmente ao leitor definições de alguns dos conceitos-chave a ser empregados neste ensaio. O mais importante deles é a noção de graça preveniente (lit. graça precedente ou antecipatória), um termo que tem sido tradicionalmente utilizado (especialmente por arminianos) para se referir à graça de Deus estendida a uma pessoa anteriormente à salvação (i.e., anterior à dispensação divina de graça salvífica, pela qual uma pessoa é justificada e regenerada). Graça preveniente serve tanto para trazer uma pessoa à fé e arrependimento quanto para habilitar a pessoa a exercitar tal fé e arrependimento, pelos quais ela pode então ser salva. Sem tal graça. é impossível ao homem natural não-regenerado exercer uma autêntica decisão em fé em direção a Deus (Jo 6:44, 15:5).

Dois dos pontos principais acerca da graça preveniente com a qual calvinistas e arminianos tradicionalmente têm diferido são como se segue. Primeiro, teólogos têm diferido sobre se a graça precedente é irresistível ou senão restistível. Calvinistas, que geralmente evitam o termo “graça preveniente” e em vez disso coligam certos aspectos deste conceito debaixo da noção de “chamado eficaz” (conf. Westminster Confession of Faith, X/i-ii, iv), argumentam que qualquer graça precedente que tenha salvação em vista é irresistível ou eficaz, tal que qualquer pessoa a quem Sua graça precedente é dispensada necessariamente será levada à fé e arrependimento e se tornar um recipiente da graça salvífica. Isto segue do entendimento calvinista do decreto divino, pelo qual Deus incondicionalmente determina quem irá ou não ser salvo, e pré-ordena todos os meios necessários (incluindo a dispensação da graça eficaz) para produzir seu resultado nos eleitos.Arminianos, em contraste, argumentam que graça preveniente é resistível; isto é, ainda que a graça preveniente sirva para conceder a uma pessoa a oportunidade de mover-se em direção a Deus em fé e arrependimento e de fato habilita a pessoa a realizar tais movimentos, graça preveniente não compele ou de outra maneira necessita, em si mesma, uma resposta particular por parte de tal pessoa. A pessoa ainda retém uma agência autenticamente livre pela qual ela pode resistir à graça preveniente estendida por Deus e rejeitar a oportunidade de exercer fé e arrependimento.

Segundo, teólogos têm diferido sobre se graça preveniente ou precedente tendo em vista a salvação é estendida apenas a particulares indivíduos ou se é de fato estendida universalmente a todos. Calvinistas adotam a primeira posição, o que é de fato um corolário de sua crença que tal graça precedente (sumarizada sob a “chamada eficaz”) é irresistível e eficaz. Arminianos têm tendido para a última posição, como consequência da convicção arminiana de que o desejo de Deus para que todas as pessoas sejam salvas O compele a estender a todas as pessoas uma autêntica oportunidade de responder em fé a Ele.

Dado que minha exegese leva a uma análise suportando os postulados básicos arminianos, não virá como surpresa que eu identifique graça preveniente como sendo ao mesmo tempo resistível e universal em natureza. Minha análise se afasta significativamente de outras análises arminianas, porém, em que minha exegese de Romanos capítulo nove me guia a ver graça preveniente como incluindo não apenas uma forma universalmente dispensada, mas também uma forma particular dispensada seletivamente a algumas pessoas mas não a outras. Esta graça particular preveniente é dispensada somente pelo soberano discernimento divino de acordo com seus próprios bons propósitos, ainda que seja irresistível acerca do efeito preparatório para salvação; isto é, os recipientes de tal graça de maneira alguma escolherão todos exercer fé e arrependimento. Em contraste, fé salvífica, de acordo com minha exegese de várias porções de Romanos abaixo, é dispensada por Deus a todos e apenas crentes contingente ao seu próprio exercício de fé autenticamente livre.

O conceito de eleição como empregado em Romanos pode ser associado com a dispensação divina ou da graça preveniente particular ou da graça salvífica (i.e., aquelas formas de graça que não são universalmente distribuídas). Eleição pode então ser dita como ocorrer a qualquer momento que Deus discrimina na seleção de recipientes de Sua graça (i.e. quando ele seleciona alguns mas não outros para receber tal graça). Deus sempre seleciona de acordo com critérios; isto é, na visão da sabedoria e natureza intencional de Deus Sua eleição é assumida como jamais sendo arbitrária ou caprichosa.

Os critérios de acordo com o qual Deus seleciona os recipientes de Sua graça pode ser de um destes dois tipos principais: (1) os critérios podem fazer referência à livre vontade do recipiente, ou fatores que derivem do exercício da vontade do recipiente, tal como a presença de fé no recipiente, ou (2) os critérios de seleção podem fazer referência apenas a fatores não associados diretamente com o exercício da vontade do recipiente, tais como os próprios propósitos de Deus para um indivíduo, grupo ou toda a humanidade.

Se os critérios são do primeiro tipo, podemos dizer que a eleição é condicionada ou contingente, pela qual dizem mais especificamente que a eleição é condicionada pelo menos em parte por fatores surgidos diretamente do exercício do exercício da vontade do recipiente. Se em vez disso os critérios para eleição excluem fatores volicionais humanos de tal espécie, podemos dizer que a eleição é incondicional ou não-contingente, pela qual dizemos mais especificamente que a eleição não é condicionada a fatores diretamente associados ao exercício da vontade do recipiente. No último caso, podemos também dizer que Deus agira unilateralmente, sua eleição em tal instância não sendo contingente a nenhum ato volicional do recipiente. Minha exegese de Romanos nove e passagens associadas leva-me a concluir que graça preveniente particular é dispensada unilateralmente em uma base incondicionada (não-contingente) (apesar disso, veja a NOTA 10 abaixo), enquanto graça salvífica é dispensada em uma base contingente com respeito a qualquer dado indivíduo, contingente à fé do recipiente.

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Um comentário sobre “Traduções Crédulas: Eleição em Romanos 9 – Definições

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