Traduções Crédulas: Deus Ama Aqueles que Ele Não Elegeu Incondicionalmente Para Salvar?

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Certa feita, estive a discutir qual seria a pedra fundamental do arminianismo. Arminius declarava que sua teologia é uma teologia de graça, poi Deus não eleva Sua glória acima de do amor para com as Suas criaturas.

Eis aí uma possível resposta: o caráter de Deus como revelado na Escritura (algo que esta tradução chegou a comentar), em vez de um decreto secreto de eleição incondicional.

Pois este post dá uma pequena luz neste quesito, respondendo a pergunta: Deus um dia amou os ‘reprovados’?

Deus Ama Aqueles que Ele Não Elegeu Incondicionalmente Para Salvar?

por William Birch
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Nisto o amor de Deus se manifestou por nós: que Deus enviou a seu Filho unigênito ao mundo, para que vivamos por meio dele.{1João 4:9 BLIVRE}. Deus ama aqueles que Ele, alegadamente de acordo com o calvinismo, não elegeu incondicionalmente para fé e salvação? Fritz Guy escreve: “Se a característica preeminente de Deus é amor, e se Deus é a fonte de toda realidade, deve haver pouca dúvida acerca da abrangência universal do amor de Deus. É impensável que o amor divino é restrito a uma parte afortunada da criação e que outra parte (talvez maior ainda) é excluída [meramente por um decreto]”[1].

Cremos que Fritz está correto porque 1) Deus é amor (1Jo 4:8): a Escritura nos ensina que a natureza de Deus é amor, não que Ele meramente possui amor; e 2) Deus não mostra favoritismo (At 10:34). A teoria calvinista de eleição incondicional é parcial, particular, e baseada não na união com Cristo (ou sua falta), mas em um decreto incondicional fundado na eternidade. Enquanto este retrato de eleição (incondicional) expressa o amor de Deus por alguns, ele exclui o amor de Deus por outros, desde que eleger uma pessoa para o inferno por um mero decreto se situa bem distante de qualquer definição viável de “amor”.

Novamente, Fritz comenta: “Acerca da realidade humana, o amor divino inclui absolutamente tudo, intencionando o amor definitivo – isto é, a salvação eterna – de toda pessoa. Não apenas esta é uma implicação inescapável do caráter de Deus, mas também a revelação bíblica enfaticamente atesta a universalidade da intenção divina na redenção bem como na criação”[2]. O caráter de Deus é aquilo que o arminiano crê que está tentando proteger. Se alguém alega que Deus não ama os supostos “não-eleitos”, o arminiano protesta que a teoria é contrária ao que a Escritura ensina acerca do caráter de Deus. Vamos observar as palavras de Jesus acerca das pessoas ricas e o reino de Deus.

Marcos escreve: E saindo ele ao caminho, um [homem] correu até ele; e pondo-se de joelhos diante dele, perguntou-lhe:  Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?{Marcos 10:17 BLIVRE}. Jesus lhe informa o que ele deve fazer: manter a Lei. O homem fala a Jesus que manteve a Lei durante toda a vida; e então Marcos escreve “Jesus o olhou e o amou”. O amou? Jesus amou o “não-eleito”? Jesus continua: E olhando Jesus para ele, amou-o, e disse-lhe:  Uma coisa te falta: vai, vende tudo quanto tens, e dá aos pobres; e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me, toma [tua] cruz. Mas ele, pesaroso desta palavra, foi-se triste; porque tinha muitas propriedades.
Então Jesus olhando ao redor, disse a seus discípulos: Quão dificilmente entrarão os que tem riquezas no Reino de Deus!{Marcos 10:21-23 BLIVRE}

O homem “se afastou” de Jesus entristecido; ele não podia seguir Jesus. Agora, de acordo com o calvinismo, este homem demonstrou que não era incondicionalmente eleito pela sua rejeição à oferta de Cristo. Mesmo assim, Marcos confessa que Jesus o amou (Mc 10:21). Jesus amou este indivíduo “não-eleito”. isto é pura especulação da minha parte? Afinal, aquele homem poderia ter mudado de ideia depois e seguido Jesus. Mas isto é improvável de acordo com a conclusão de Jesus.

Como um adendo, alguns perguntarão se Jesus amou Judas Iscariotes, ou os fariseus que O trairiam? Mesmo na sua rejeição a Ele, Jesus chamou os fariseus a crer em Suas obras tal que eles saberiam que o Pai estava nEle e Ele no Pai (Jo 10:37-38). Esta oferta de Jesus para confiar nEle parece amável, e não mostra sinais de ódio divino. Se Ele os odiou, Ele não teria oferecido a eles salvação mediante a fé nEle. Vamos relembrar que Jesus derramou reais lágrimas quando Ele lamentou: Jerusalém, Jerusalém, que matas aos profetas, e apedrejas aos que te são enviados: quantas vezes eu quis juntar teus filhos, como a galinha junta seus pintos debaixo de suas asas, e não quisestes?{Lucas 13:34 BLIVRE}. Note como o Salvador, em lágrimas, desejou reunir os descrentes e indispostos judeus em Si Mesmo, mas Ele não O fez nem O faria irresistivelmente.

Ademais, Jesus chamou Seus discípulos para segui-Lo, incluso Judas. Falando dos discípulos, a Escritura afirma: E antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que sua hora já era vinda, para que deste mundo passasse para o Pai, havendo amado aos seus, que estavam no mundo, até o fim os amou.{João 13:1 BLIVRE}. Judas não estava presente quando Jesus lavou os pés de seus discípulos, pois Satanás já lhe havia entrado (Jo 13:2). Devido à sua traição, Judas não pôde estar entre aqueles aos quais Jesus disse Se eu não te lavar, não tens parte comigo{João 13:8 BLIVRE}. Mas este ato de traição foi falha de Judas, não de Cristo. Judas não foi forçado a trair o Salvador mas o fez livremente.

Jesus afirmou em Mc 10:23 quão difícil é para o rico entrar no reino de Deus. Que assertiva peculiar… Por que seria difícil para o rico entrar no reino de Deus se o calvinismo é verdadeiro? Certamente, os eleitos incondicionalmente de Deus não têm problema algum seja lá quem entrar no reino de Deus, porque quando Deus assim quer, Ele regenera Seus eleitos e eles exercem fé em Cristo Jesus e são então salvos. O que há de difícil nisso? No calvinismo, a graça de Deus é concedida irresistivelmente, e é sempre eficaz, sempre regenera o eleito incondicionalmente.

A graça de Deus, diz Fritz,

nunca é, estritamente falando, “irresistível”. De fato, o termo “graça irresistível” parece suspeitamente um paradoxo, como “solteirão casado” ou “quadrado redondo” ou “ação livre causalmente determinada”. Porque graça é o oferecimento de um presente, não a imposição da vontade alheia; e é da natureza do presente poder ser rejeitado. É da natureza do amor poder ser ignorado ou rejeitado.[3]

Para demonstrar a universalidade do amor de Deus, eu pergunto, que tipo de amor escolhe uma pessoa para o tormento eterno baseado não na rejeição de uma oferta mediante a graça oferecida, mas meramente por um decreto? O calvinista, essencialmente, está admitindo que Deus absolutamente deve reprovar muito da humanidade para obter a Si Mesmo glória. Então Deus está mais interessado em receber glória que em agraciar ou habilitar as criaturas que Ele criou à Sua própria imagem para confiar em Cristo para salvação. Ele deve reprovar a maior parte da humanidade para um tormento infindo para o fim de glorificar a Si Mesmo. É uma completa maravilha o quanto o calvinismo ainda está ganhando adeptos. Não importa que as pessoas vão experimentar um tormento ardente por toda a eternidade: a alegada “glória pela ira de Deus” está em jogo!

Não apenas esta última noção adultera uma interpretação precisa da Escritura (cf. Rm 9:22-23), mas também fere o caráter de Deus como demonstrado na vida e na morte sacrificial de Seu Filho, Jesus Cristo. Enquanto este post curto não tenta exaustivamente abordar como Deus expressa ódio (cf. Sl 5:5,11:5), uma tentativa foi feita para defender o amor universal com integridade e à luz da Escritura. O amor de Deus por todas as pessoas é genuíno e não uma expressão benigna. Ele não afirma uma coisa e faz outra. Ele não decreta contrários; ele é inerentemente conciliador, unificador, constante, consistente (nao-contraditório).
Enquanto Deus não é obrigado a salvar ninguém, a Escritura explicitamente ensina que Deus ama este mundo de pecadores (Jo 3:16). O pastor batista sulista Jerry Vines pergunta: “Que tipo de mundo Deus ama? Em 1Jo 5:19, ‘o mundo todo repousa na iniquidade’. Este mundo é como um navio precioso afundado numa pútrida corrente… Como pode Deus amar um mundo pecaminoso como o nosso? O amor de Deus não é condicionado pelo mérito de seu objeto”[4]. Eu ouvi o calvinista John MacArthur admitir o mesmo sentimento em um de seus sermões: o amor de Deus não é orientado ao objeto. Istro significa que quando Deus odeia a pessoa, Ele o faz com uma razão, que é devida às escolhas voluntárias do pecador depravado e que não se arrepende.

O salmista escreve que Deus “odeia todas as obras de iniquidade” e “abomina os homicidas e fraudulentos” (Sl 5:5-6). Também,  O SENHOR prova ao justo; mas sua alma odeia ao perverso e ao que ama a violência.{Salmo 11:5 BLIVRE}. Antes de sua conversão, o apóstolo Paulo (então Saulo) “assolava a igreja”, perseguindo violentamente cristãos (At 8:1-3). Seria preciso admitir que Deus odiou Paulo? Ainda que Paulo confesse que era “antes um blasfemo, perseguidor e insolente”, ele “obteve misericórdia porque fez isto ignorantemente em descença” (1Tm 1:13). Paulo escreve que todos os pecadores existem em “ignorância” e incredulidade (Ef 4:18-19). Não seria lógico que se Deus teve misericórdia de Paulo em sua ignorância, então Ele pode também ter misericórdia de todos os pecadores em ignorância? Aquele que argumenta ou infere que Deus apenas ama salvificamente aqueles que Ele incondicionalmente elegera para salvação tem o ônus da prova em extrair tal ideia da Escritura.
__________

1 Fritz Guy, “The Universality of God’s Love,” in The Grace of God and the Will of Man, ed. Clark Pinnock (Minneapolis: Bethany House Publishers, 1989), 36.

2 Ibid., 36-37.

3 Ibid., 40.

4 Jerry Vines, “Sermon on John 3:16,” in Whosoever Will: A Biblical-Theological Critique of Five-Point Calvinism, eds. David L. Allen and Steve W. Lemke (Nashville: B&H Academic, 2010), 18.

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