Traduções Crédulas: Assumindo Determinismo Para Disprovar o Livre Arbítrio

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Certas vezes eu me pergunto se ou o arminianismo é difícil demais de ser entendido, ou fácil demais para se crer nele. Sempre que se afirma que as escolhas de um ser humano não são causadas por agentes externos a ele, sempre se solta ‘mas o que fez uma pessoa escolher de um jeito e não de outro?’, ou ‘mas aí a escolha é aleatória!’, ou ‘como Deus pode saber do futuro se Ele não determinar soberanamente as escolhas?’ e muitas histórias do gênero. Todas elas se resumem a isto: ‘o que causa as escolhas não-causadas?’.

E não, isto não vem da boca ou da pena ou do teclado de pessoas que não tenham noção de teologia, mas de teólogos com direito a Bíblias de Estudo… Veja aqui um artigo no qual Josh Thibodaux cita uma aplicação de uma petição de princípio aliada a um falso dilema.

Boa Leitura!

Assumindo Determinismo para Disprovar o Livre Arbítrio

por J.C. Thibodaux from ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Phil Johnson, do site Grace To You de John MacArthur, fez um post intitulado “O problema dos arminianos”. Citando Phil:

Se Deus sabe cada detalhe do futuro com certeza infalível, então (por definição) o resultado de todas as coisas é determinado de antemão. E se as coisas são predeterminadas mas Deus não ordenou o que venha a ocorrer, então você tem das escolhas:
1 – Uma soberania superior pertence a algum ser (ou seres) além de Deus. Isto é idolatria.
2 – Alguma força impessoal faz esta determinação. Isto é fatalismo.

Um problema que é imediatamente observável é que Johnson está empregando o velho refrão “o que é pré-conhecido é [externamente] pré-determinado”. Em outras palavras, sua premissa, “o resultado de todas as coisas já está determinado”, carrega consigo a pressuposição oculta de que o que é pré-conhecido deve ser exaustivamente determinado por algo/alguém além daquele que está realizando as escolhas. Como eu apontei para Dan Phillips na sua caixa de comentários:

Os comentários de Phil evidenciam seu fundamental equívoco do que é o livre arbítrio. Seu argumento consiste na falácia da falsa dicotomia (algo maior que Deus ou uma força impessoal fatalística), quando de fato os libertarianos negam explicitamente ambos. Uma visão libertariana viável é a de que nossas ações são, em alguma extensão, auto-determinadas, mas somos feitos por Deus de tal forma que os resultados de nossa auto-determinação são conhecidos por Ele logicamente antes de elas serem manifestas como escolhas temporais. Portanto aquele que adota a teologia arminiana pode consistentemente crer em agência libertária e onisciência divina.

A pressuposição oculta que Phil usa para construir sua dicotomia é que algo fora do próprio agente determina completamente suas escolhas, o que é um paradigma determinístico que atribui necessidade externa às escolhas do agente. Ao fazer isto, ele está aparentemente confundindo certas certeza com necessidade, e está essencialmente assumindo necessitarianismo para disprovar libertarianismo (ou seja, uma petição de princípio).

Estranhamente, ambas as “opções” que Johnson oferece em sua dicotomia assumem que nossas escolhas devem ser completamente determinadas por algo além de nós – tal ideia é completamente contraditória com a definição de livre arbítrio libertário! Deve também ser notado que tentar redefinir livre-arbítrio tal que ele se encaixe na opção 1 não se segue: a liberdade que Deus concede aos homens para realizar escolhas obviamente não pode ser maior que a Sua própria, desde que foi Deus quem nos deu livre arbítrio para começo de história.

Ao final de tudo, Johnson está na realidade somando coisa alguma à discussão exceto mais confusão e falácia entre uma já bastante confusa turba reformada que regularmente emprega tais falácias. Ele está simplesmente oferecendo duas opções, ambas as quais seguem dele pressupondo sua conclusão: que escolhas livres não podem na realidade existir.

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