Traduções Crédulas: Fletcher sobre “Morto em Pecados” (I)

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Eis um texto interessante do ArminianPerspectives, acerca sobre uma expressão tão abusada nos círculos calvinistas: “morto em delitos e pecados”. O calvinismo iguala tal morte espiritual à morte física, e compara um cadáver a um morto em pecados -“cadáveres não ouvem…” – e com isso emplacar sua premissa ‘regeneração anterior à fé- “…logo eles tem que ressuscitar para daí ouvir”.

Como já postei em outras traduções, esta analogia leva a alguns problemas. Tais problemas já foram notados por John Fletcher, um antigo teólogo metodista e grande amigo de John Wesley. Aqui, Ben Henshaw mostra uma refutação interessante de Fletcher.

Boa leitura!

Fletcher sobre “Morto em Pecados” (I)

por kangaroodort from ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Em minhas interações com calvinistas a conversa sempre parece voltar à sua concepção de estar-se morto em pecados. Eu posso demonstrar a eles na Escritura aonde claramente se ensina que a fé deve preceder a regeneração mas tais esforços geralmente equivalem a nada dado que eles ignorarão a evidência bíblica e recorrerão ao não-regenerado estando “morto em pecados” e portanto a necessidade de uma regeneração anterior à fé. A questão que eu sempre quis responder é por que devemos entender “morto em pecados” como significando impossível responder à graça de Deus sem primeiro ser regenerado. O calvinista então irá traçar a analogia da incapacidade de um cadáver. Um cadáver não pode ver ou ouvir; portanto, aquele que está morto em pecados não pode ouvir o evangelho ou ver sua necessidade de Cristo até ele experimentar uma ressurreição [isto é, regeneração]. Logo descobriremos que existem diversos problemas com esta abordagem.

John Fletcher foi um antigo pregador e teólogo metodista. Ele foi amigo muito chegado de John Wesley. O caráter de John Fletcher espelhava as doutrinas da santidade que ele pregou e escreveu sobre. Ele escreveu uma das mais fortes polêmicas contra o calvinismo já escritas, chamada “Checks to Antinomianism”. Pelo meu conhecimento, calvinista algum jamais tentou refutar os fortes argumentos que ele desenvolveu em “Xeques”. Infelizmente, é quase impossível obter este livro hoje em dia, e se você o fizer pagará bem caro. Ages Digital Library providenciou suas Obras completas no The Wesleyan Heritage Collection CD. Há um link para este CD na coluna direita deste blog. Abaixo está um pequeno excerto acerca da concepção calvinista de estar “morto em pecados” que controla plenamente seus pensamentos acerca da necessidade da regeneração precedente à fé. Em meu próximo post farei mais alguns comentários neste assunto e cuidadosamente cogitar aquele que eu creio ser o mais significativo argumento de Fletcher. Ele escreve,

I. Valendo-se das palavras de São Paulo ao efésios e colossenses, “Ele vos deu vida, vós que fostes mortos em delitos e pecados; e vós, estando mortos em vossos pecados, fostes vivificados juntamente com ele”, vocês se debruçam no absurdo de “esperar ações vivas de um cadáver”, ou obras vivas de uma alma morta.

1. Me pergunto da parcialidade de algumas pessoas. Se nós afirmamos, que “crentes fortes estão mortos PARA o pecado”, eles nos afirmam bem apropriadamente que os tais não estão tão mortos, mas eles podem cometer pecado se quiserem, ou se estão com a guarda baixa. Mas se nós dissermos, que “muitos que estão mortos EM pecado, não estão tão mortos, mas na força transmitida, junto com a Luz que ilumina a todo homem, eles podem abandonar alguns de seus pecados se eles quiserem”, somos retrucados como usando distinções metafísicas, e morto deve absolutamente significar morto como cadáver.

2. A palavra morto é frequentemente usada nas Escrituras para denotar um grau particular de desesperança e inatividade, bem próxima do completo desalento de um cadáver. Lemos sobre a morte do útero de Sara, e sobre o corpo de Abraão estando morto; e ele deve ser um calvinista forte de fato, quem, a partir de tais expressões, peremptoriamente afirma que o útero de Sara estava tão inútil para concepção, e o corpo de Abraão morto para geração, como se ambos fossem “cadáveres”. Cristo escrever à Igreja de Sardes, “Conheço vossas obras; vós tendes nome de vida, e estais mortos”. Mas é evidente que, mortos como eram, algo permanecia vivo neles, embora como o pavio fumegante, estava “a ponto de morrer”. Testemunhe as palavras que seguem: “Sede vigilantes, e reforcem as coisas que restam, os que estão prestes a morrer”. Agora, senhor, se os sardianos mortos podiam trabalhar pela vida, “reforçando as coisas” pertencentes aos cristãos “que restam”, neles, é modesto para decidir è cathedra, que os efésios e colossenses mortos não podiam igualmente trabalhar pela vida, “reforçando as coisas que restaram e estando prontos para morrer”, debaixo de sua própria dispensação? Não é evidente que um facho “da Luz do mundo” ainda brilhava em seus corações, ou que o Espírito ainda se esforçava por eles? Se eles a tinham apagado definitivamente, teria ela ajudado a crer? E se ela não estava, não havia algo “da Luz que ilumina cada homem” restando neles, com a qual eles poderiam crer e trabalhar pela vida, bem como os sardianos mortos?

3. O absurdo de sempre medir o significado da palavra morto, pela ideia de cadáver, aparece em muitas outras escrituras de São Paulo, falando daquele que se torna leviano contra Cristo, diz, “Ela que vive em lascívias está morta enquanto vive”. Agora, se isto significa que ela está inteiramente desprovida de qualquer grau de vida espiritual, como fica o calvinismo? Suponha que todos que vivem em lascívias são mortos para Deus como cadáveres, como fica o final da vida de Ló, quando ele viveu em lascívias com suas filhas? De Davi com Bate-Seba, e Salomão com suas esposas idólatras? Quando o mesmo apóstolo observa aos romanos, que seu “corpo estava morto por causa do pecado”, ele realmente quis dizer que eles já eram cadáveres? E quando ele acrescenta, “O pecado reviveu e eu morri”, a morte calvinista realmente se passava sobre ele? Morto como estava, não poderia ele queixar-se como os ossos secos, e perguntar “quem me livrará do corpo desta morte?”

Novamente: quando Nosso Senhor diz a Marta, “Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá”, ele não intimou que existe uma obra consistente com o grau de morte do qual ele fala? Uma crença da morte para a vida? Um realizar da obra de Deus para a vida, sim, para a vida eterna?

4. Destas e de escrituras semelhantes, é evidente que existem diferentes graus de morte espiritual, que vocês perpetualmente confundem.

(1.) Morte total, ou um afastamento completo do Santo Espírito. Ela passou sobre Adão, e toda a humanidade nele, quando ele perdeu a imagem moral de Deus, caiu em natureza egoísta, e foi sepultado em pecado, culpa, vexame e horror.
(2.) Morte livremente visitada com uma semente de vida em nosso representante caído, e claro em nossa posteridade, durante o dia de sua visitação.
(3.) Morte oprimindo esta semente viva, e mantendo-a “em perversidade”, a qual foi a morte dos colossenses e efésios.
(4.) Morte prevalecendo sobre a semente viva, após ela ter sido poderosamente vivificada, e sepultada em pecado e malignidade. Esta foi a morte de Davi durante sua apostasia, e é ainda aquela daqueles que uma vez creram, mas agora vivem no conforto laodiceano ou na lascívia sardiana.
E
(5.) A morte dos apóstatas confirmados, que, extinguindo absolutamente “o Espírito da vida em Jesus Cristo”, o segundo Adão, estão caídas no estado miserável de total e natural desesperança, na qual o primeiro Adão estava quando Deus pregou a ele o Evangelho da graça vivificadora. Eles são ditos por São Judas como sendo duplamente mortos; mortos pela apostasia total de Adão com Deus, e mortos pela sua própria apostasia pessoal e final da “Luz do mundo”.(Fletcher’s Works, Vol.1 pp. 199-201, The Wesleyan Heritage Collection)

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3 comentários sobre “Traduções Crédulas: Fletcher sobre “Morto em Pecados” (I)

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