Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (4 de 13)

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Ufa! Depois de muita coisa desde a Semana Santa, enfim um feriadinho prolongado para manter o blog em mês (já que em dia é meio difícil para um tradutor 100% amador, hehe!).

Continuando algumas séries neste blog, eis mais um post sobre Perseverança dos Santos. Aqui a passagem é a da Segunda Missiva de Pedro, sobre os falsos mestres que voltaram à corrupção.

Boa leitura!

Perseverança dos Santos Parte 4: Novamente Enredados em Corrupção

por kangaroodort from Arminian Perspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Vamos agora examinar 2Pe 2:20-22:

Porque se, por causa do conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, terem escapado dos enganos do mundo, e novamente se envolverem nelas, [e] forem vencidos, as últimas coisas têm se tornado piores do que as primeiras. Porque melhor teria lhes sido se não tivessem conhecido o caminho da justiça do que, conhecendo, terem se desviado do santos mandamento que tinha lhes sido entregue. Mas isto lhes sobreveio [conforme] um verdadeiro provérbio, [que diz]: O cão voltou ao seu próprio vômito; e a porca lavada [voltou] ao chiqueiro da lama. {2Pedro 2:20-22 BLIVRE}

Pedro adicionalmente descreve a apostasia dos falsos mestres que são o sujeito dos versos 1 a 17. A linguagem dos versos sugere fortemente que estes falsos mestres foram crentes verdadeiros antes de sua completa submissão à sua natureza pecaminosa e deserção da fé. O Senhor os “havia comprado” (2:1, cf. 1 Cor. 6:20; 7:22, 23). Eles negaram Seu domínio se submetendo à natureza pecaminosa (versos 1-22). Eles “deixaram o caminho reto” e “se extraviaram” (verso 15). Judas descreve esses mesmos falsos mestres que “tendo tornado a graça de Deus em licenciosidade” como “duplamente mortos” (verso 12), sugerindo que eles uma vez experimentaram a vida espiritual.

Pedro poderia também descrever o grotesco estado daqueles que foram extraviados por esses falsos mestres. Nos versos 18 e 19 nós encontramos que estes falsos mestres estavam enganando aqueles que apenas acabaram de escapar “daqueles que viviam no erro”. Em todo caso, o ponto importante é que Pedro está descrevendo os apóstatas, e que Pedro entende tais apóstatas como tendo sido verdadeiramente salvos antes de se tornarem “novamente envoltos” na corrupção da qual haviam escapado. Pedro deixa claro que este “escape” veio pelo “conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Há toda razão para crer que quando Pedro se refere a estes apóstatas como aqueles que vieram a este “conhecimento de Cristo”, ele se refere a este conhecimento que resulta em salvação. Dizer outra coisa sugeriria que existem meios além do sangue derramado de Jesus Cristo pelos quais um pecador pode escapar da corrupção no mundo. Tal conceito é alienado a todo o Novo Testamento e certamente é estranho ao apóstolo inspirado.

É também significante que a palavra grega para “conhecimento” usada nessa passagem é epignosis. Esta palavra grega é predominantemente usada pelos escritores do Novo Testamento com referência a um conhecimento completo e abrangente, em contraste a um conhecimento investigativo ou superficial (gnosis). Strong diz sobe epignosis, “discernimento completo” [Strong’s Exhaustive Concordance, #1922]. Kittel diz, “a epignosis composta pode assumir um sentido quase técnico para a conversão ao cristianismo” [Theological Dictionary of the New Testament, 121]. O dicionário expositivo Vine do Antigo e Novo Testamento diz sobre gnosis, “primariamente uma busca pelo saber, um inquérito, uma investigação”, e sobre epignosis, “denota conhecimento, discernimento, reconhecimento exato ou completo, e é uma forma mais completa do No. 1 [gnosis], expressando um completo ou repleto conhecimento, uma maior participação pelo conhecedor do objeto conhecido, portanto mais poderosamente influenciando-o” [pg 631]. A NASB traduz epignosis como “real conhecimento” e, Fp 1:9 e “verdadeiro conhecimento” e, 2Pe 1:3,8. Em Cl 1:9 epignosis faz referência a “todo entendimento e sabedoria espirituais” e “ao espírito de revelação e sabedoria” em Ef 1:17 (veja também Filemom 4-6). Especialmente considere a linguagem, salvífica em 1Tm 2:3,4, {1Tm 2:3,4}

Nós esperaríamos especialmente que Pedro usasse a forma mais fraca da palavra em 2:20 dado que Pedro usa o sentido mais forte em 1:3, a qual não deixa dúvida que se está descrevendo verdadeiros crentes. Que Pedro usa a mesma palavra com o mesmo objeto (“conhecimento dEle”, “conhecimento… de Jesus Cristo”) para descrever esses apóstatas sugere que ele não descrevia falsos convertidos em 2:20 (veja abaixo acerca da linguagem paralela). Epignosis e gnosis são usadas de maneira intercambiável às vezes na Escritura, mas o senso mais forte de epignosis não deve ser ignorado, em especial porque Pedro parece usar epignosis com referência específica ao conhecimento salvífico durante toda a epístola. A escolha de Pedro por epignosis em 2:20, portanto, nos dá mais razão para identificar tais apóstatas como tendo sido verdadeiramente salvos antes de sua deserção.

O uso deliberado de Pedro da linguagem paralela em 2:20-22 com aquela usada em 1:1-4 é ainda mais admirável. Em 1:1-4 Pedro descreve seus leitores como aqueles tendo “fé … do mesmo tipo da nossa” que receberam o dom da “vida” e “piedade” mediante o “conhecimento dEle que nos chamou para Sua própria glória e excelência”. Ele fala deles que é por esses dons de vida, piedade, e conhecimento que eles “se tornaram participantes da natureza divina” e têm “escapado da corrupção que está no mundo pela luxúria”. Os paralelos descritos em 2:20-22 são notáveis:

Como seu divino poder tem nos dado tudo o que [pertence] à vida e devoção, por meio do conhecimento daquele que nos chamou à glória e virtude; Pelas quais nos são dadas grandíssimas e preciosas promessas, para que por meio delas sejais participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo pelo mau desejo. Porque se, por causa do conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, terem escapado dos enganos do mundo, e novamente se envolverem nelas, [e] forem vencidos, as últimas coisas têm se tornado piores do que as primeiras.{2Pedro 1:3-4, 2:20 BLIVRE}

Há toda razão para cogitar que Pedro esteja descrevendo crentes tanto em 1:1-4 e 2:20. É exegese extremamente forçada insistir que estes que “participam da natureza divina” e “escaparam da corrupção no mundo” são de um tipo diferente que aqueles que “escaparam da corrupção no mundo conhecendo nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Alguns dirão que aqueles descritos em 2:20-22 apenas “pareciam” ter escapado da corrupção no mundo. Não há garantia contextual para tal suposição. Se estes apóstatas apenas “aparentavam” ter escapado da corrupção do mundo, então que sentido se pode dizer que eles se tornaram “novamente enredados” nessas corrupções?

John Goodwin escreve daqueles que seriam tão arrojados ao afirmar que tais “apóstatas” eram:

…todos estes enquanto mais malditos hipócritas e dissimuladores. Agora o Santo Espírito deveria dizer, que tais descrentes, pessoas interiormente cheias de malignidade e imundícia, os mais vis hipócritas e dissimulados, haviam ‘escapado da corrupção do mundo’, especialmente ‘mediante o conhecimento’ (ou melhor, reconhecimento), en epignosei ‘do Senhor e Salvador Jesus Cristo’, é para mim, e eu penso para todos os outros homens imparcialmente interessados, o primogênito dos inacreditáveis. Pode ser dito a um homem ter escapado de seus inimigos enquanto ainda permanece sob o seu poder, e está em maior perigo de sofrer males do que jamais esteve antes? Ou ele, por ser iluminado, não mantém a verdade em injustiça, continua interiormente cheio de malícia e malignidade, apenas se dissimulando com um exterior hipócrita, ou mera profissão de santidade, tanto quanto ou ou mais que sob o poder e o comando do pecado, com possibilidade de perecer eternamente pelo pecado, como sempre foi ou poderia ser antes de sua iluminação? (Redemption Redeemed, ed., John Wagner, pg. 115)

Alguns tentam evitar as implicações desta passagem aplicando imensa ênfase na natureza dos animais descritos no provérbio citado no verso 22, “Mas isto lhes sobreveio [conforme] um verdadeiro provérbio, [que diz]: O cão voltou ao seu próprio vômito; e a porca lavada [voltou] ao chiqueiro da lama.”. Eles afirmam que os descritos nesse verso só podem ser hipócritas e falsos convertidos porque Pedro jamais os descreveria como “cães e porcos” aqueles que um dia foram as ovelhas de Cristo. Desde que Pedro os descreve como cães e porcos, deveríamos repousar seguros que suas naturezas jamais forma mudadas pela verdadeira conversão e regeneração.

Robert Shank corretamente nota:

Muitos têm contra-argumentado que os homens de quem Pedro escreve jamais foram verdadeiramente salvos. Eles apelam às metáforas no verso 22. Os filhos de Deus, dizem eles, não podem ser comparados a cães ou porcas. Mas aqueles que assumem que a referência de Pedro a apóstatas como cães ou porcas prova que eles jamais estiveram debaixo da graça não assume que a referência de Jeremias aos filhos de Israel em Judá como “jumento selvagem” prova que eles jamais foram ‘as ovelhas de seu pasto’. O epíteto vergonhoso foi aplicado a Jeremias (Jr 2:4) apenas após as pessoas terem abandonado o Senhor (Jr 2:13; 17:13) e se voltado para a idolatria. Igualmente, é apenas após eles ‘terem abandonado o caminho correto e se extraviado’ que Pedro compara os apóstatas a cães e porcas. Ele poderia igualmente ter se referido a eles como jumentos selvagens. Mas havia provérbios conhecidos acerca de cães e porcas que ilustravam habilmente seu caso. Vamos aceitar este registro em seu valor de face. Ignorar o significado óbvio das assertivas de Pedro recorrendo a pressuposições arbitrárias acerca de seu uso de metáforas é, para dizer o mínimo, imprudente. (Life In The Son, pp. 175, 176)

O antigo teólogo metodista John Fletcher fez a seguinte observação acerca da objeção que as “ovelhas” do Senhor não podem deixar de ser outra coisa além de “ovelhas”:

Multidões, que vivem em pecado aberto, constroem suas esperanças no céu em cima de um erro similar; digo, sobre a ideia não-escritural que eles fixam na palavra escritural ovelha. “Uma vez que eu ouvi a voz do Pastor”, diz uma dessas almas laodiceanas; “eu o segui, e portanto sou uma de suas ovelhas; e agora, ainda que eu siga a voz de um estranho, que me leve de todos os tipos de pecado, em adultério e assassinato, eu sou sem dúvidas uma ovelha: pois jamais ouvi falar de uma ovelha se tornando cabra”. Tais pessoas não reparam que nosso Senhor chama de “ovelhas” aqueles que ouvem a sua voz, e “cabras” aqueles que seguem a do tentador. Nem mesmo consideram que se Saulo, um lobo atroz, “respirando mortandade” contra as ovelhas de Cristo, e “trazendo destruição” de seu pequeno rebanho, pôde em um espaço curto de tempo ser mudado tanto em ovelha e pastor; Davi, uma ovelha inofensiva, poderia, em um espaço curto de tempo, começar a ser uma cabra com Bate-Seba, e provar um lobo em pele de cordeiro a seu marido.

Ele então oferece o seguinte “solilóquio ridículo” para “…mostrar a absurdidade e perigo de repousar doutrinas sólidas em fundações tão arenosas como o senso particular que alguns homens bons dão a algumas poucas expressões escriturais”:

Aqueles mesmos judeus que o Batista e nosso Senhor chamaram de ‘ninhada de víboras e serpentes’, foram logo depois comparadas a ‘pintinhos’, que Cristo desejou ‘reunir como a galinha faz com sua ninhada’. Que bela mudança houve aqui! As serpentes viraram pintinhos! Agora, já que jamais ouvi falar de pintinhos virando víboras, concluo que aqueles judeus, mesmo quando eles vêm ao Nosso Senhor como ‘fortes touros de Basã’, como ‘leões rugindo ao derredor’, eram verdadeiros pintinhos ainda. E de fato, por que não seriam eles pintinhos tão verdadeiros como Davi fora uma verdadeira ovelha quando assassinou Urias? Eu me enojo esta doutrina que mantém que um homem pode ser um pintinho ou ovelha hoje, e uma víbora ou cabra amanhã. Mas estou um pouco embaraçado. Se ninguém vai para o inferno além de cabras, e ninguém vai ao paraíso além de ovelhas, para onde os pintinhos vão? E ‘os lobos em pele de cordeiro’? E em que limbo do paraíso ou inferno devemos colocar a ‘raposa Herodes’, os cães que ‘voltam ao vômito’, e o suíno, diante do qual ‘não atiraremos pérolas’? São todos eles espécies de cabras, ou algum tipo particular de ovelhas? “Minhas dificuldades crescem! A Igreja é chamada pomba, e Efraim é chamado de uma pomba doente. A pomba doente deve ser admitida entre as ovelhas? Seus caso parece ser bem duvidoso. O cabelo da esposa no Cântico é dito como sendo ‘um rebanho de cabras’, e pastores de Cristo são representados como ‘crianças famintas, ou cabras jovens, ao lado de suas barracas’. Penso se estas jovens cabras se tornam jovens ovelhas, ou se todas elas continuam destinadas a continuar reprovadas! Mas o que mais me confunde é que os babilônios são comparados no mesmo verso com ‘cordeiros, carneiros e cabras’. Seriam eles mestiços eleitos, ou mestiços reprovados, ou alguns dos monstros espirituais de Elisha Coles?” (Works of Fletcher Vol. 1, pp. 197-199, Wesleyan Heritage Collection CD)

Robert Picirilli conclui seu tratamento de 2Pe 2:22 com a seguinte observação:

Aqueles que tentam mitigar o ensino de Pedro sugerindo que a verdadeira natureza da porca e do cão não mudou, e que isto implica que tais falsos mestres apóstatas jamais foram regenerados, estão forçando as ilustrações além do que elas intentam transmitir. De fato, o provérbio deve ser interpretado pelas palavras mais claras que as precedem e não de outra forma. Os parágrafos anteriores expressam precisamente o que os provérbios intentavam transmitir. (Grace, Faith, Free Will, pg. 232)

Picirilli está realmente correto sobre que precisamos olhar a clara linguagem das passagens que precedem este descritivo provérbio a fim de propriamente entender o significado intencionado por Pedro. É exegese desesperada fazer pressuposições baseado na natureza dos animais descritos no provérbio e daí tentar inseri-las no claro contexto dos versos 20 e 21. A alegação que esses “cães” e “porcos” só podem se referir a os que jamais foram verdadeiramente ovelhas ignora o contexto do capítulo. Ela estupidamente trivializa o fato que Pedro descreve tais apóstatas como tendo verdadeiramente “escapado” da corrupção no mundo mediante “o conhecimento [epignosis] de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” antes de se tornarem “novamente enredados” nesta corrupção. Ademais, ela ignora a relevância exegética da descrição paralela em 2Pe 1:1-4, que usa uma linguagem quase idêntica para descrever aqueles que “como os da fé” que são “participantes da natureza divina”. O uso do provérbio foi para ilustrar adicionalmente o retorno dos apóstatas à corrupção. Isto é bem o oposto de demonstrar que eles jamais escaparam da corrupção. Bem como um cão retorna ao que ele expeliu, e uma porca lavada volta à lama, assim têm estes apóstatas, após terem escapado da corrupção, retornado a estas imundícias.

Ainda outros podem reconhecer que tais apóstatas foram uma vez realmente regenerados enquanto insistindo que eles devem apenas perder suas recompensas celestiais e não a salvação. Como então Pedro fala que “seria melhor a eles não terem conhecido o caminho da retidão, do que tendo-o conhecido, se virarem contra o comando divino entregue a eles”? Como poderia possivelmente ser melhor jamais terem conhecido o caminho da virtude, e perecer para sempre, do que ter conhecido o caminho da retidão apenas para perder algumas recompensas celestiais? Os advogados dessa posição realmente creem que estes que adentram os benefícios do Céu com consideravelmente menos recompensas estão piores do que os que sofrerão eternamente no inferno?

Apesar das tentativas de alguns em resgatar sua teologia do claro ensino de 2Pe 2:20-22, estas passagens servem como um rígido lembrete de que aqueles que vieram a ter um conhecimento salvífico de Jesus Cristo podem ainda retornar a uma vida de pecados, abandonar a fé, e perecer em tal estado sem esperança alguma.

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Um comentário sobre “Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (4 de 13)

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