Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista IX

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Mais uma da minha série preferida: Falácias da Apologética Calvinista! Dois posts num só dia? Não, não se acostumem…

Nessa, a boa e velha artimanha calvinista de afirmar que fé é uma razão para encher o peito e dizer ‘sou cristão!’. Mas, peraê, ter fé não é confessar que sem Deus não somos nada? Por acaso dizer ‘dependo de Ti’ é motivo para sair contando vitórias?

Falácias da Apologética Calvinista

Falácia IX – Fé é Alguma Razão Para Orgulho?

Por J.C.Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Falácias Correlatas:

Trapaça

Erro de Categoria

Uma acusação comum levantada por calvinistas é que cristãos que não creem na graça irresistível teriam alguma razão para se gabar em sua fé. John Hendryx concisamente expressa essa linha falaciosa de raciocínio:

A questão que precisamos nos perguntar é, “o que nos faz diferentes de outros homens que não creem?” … a graça de Deus em Cristo ou a vontade do homem? Se dissermos “a vontade do homem”, isto é uma ostentação e portanto não é o tipo de fé que é contrastada com obras na Bíblia. (Hendryx, J., ‘Can Faith Ever Be Considered a Work?’)

Vamos ignorar esta má aplicação indireta de 1Co 4:7 por ora e focar na sua alegação de ‘ostentação’. Para tomar uma visão mais clara do assunto, vamos examinar o que as escrituras nos dizem:

Porque pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não [vem] de vós; é dom de Deus. Não por obras, para que ninguém tenha orgulho de si [mesmo].{Efésios 2:8-9 BLIVRE}

Então onde está o orgulho? Este é excluído. Por qual Lei? Das obras? Não; mas pela Lei da fé.{Romanos 3:27 BLIVRE}

A assertiva calvinista é que estas escrituras seriam violadas se tivéssemos qualquer escolha seja em crer ou não, aparentemente desde que alguém poderia teoricamente se gabar em ter fé. Mas tal alegação se mantém ao escrutínio? A vacuosidade de tal afirmação pode primeiro ser mostrada com uma questão:

A Visão Calvinista Faz a Ostentação Impossível?

É de fato impossível parta calvinistas fazer ostentações de qualquer tipo? Dificilmente – eu mesmo vejo isto acontecer um bom punhado de vezes. Então, aderir a uma crença monergística não impede alguém forçosamente de ostentação de maneira alguma. E sobre a salvação? Pode um calvinista se gabar em seu papel na salvação? Não vejo como não podem. Eles podem ou se servir de uma inconsistência/dissonância cognitiva, ou seguir em sua doutrina até alcançar algumas implicações um tanto estranhas (p.ex., “Eu sendo salvo glorifica Deus MAIS que qualquer não-eleito!”). Então, mesmo uma visão calvinista não torna a ostentação terminantemente impossível, de fato nenhum ponto de doutrina pode impedir alguém de fazer ostentações estúpidas. Então, escrituralmente falando, como a ostentação é ‘excluída’? Desde que qualquer um pode se gabar de qualquer coisa a partir de uma razão inválida, Paulo obviamente não está implicando que é literalmente impossível se gabar se alguém é salvo pela fé; ele está dizendo que salvação mediante fé deixa a pessoa sem razão válida para se gabar em si mesma acerca da salvação.

Por Que Fé Exclui Ostentação?

A resposta está em que temos fé. ‘Fé’ no contexto das epístolas de Paulo é obviamente fé em Cristo Jesus como como nosso Senhor e como Aquele que nos salva de nossos pecados. Acerca da salvação, aonde exatamente alguém pode se gabar se precisa de um Salvador? Oposta à lei, que poderia fazer alguém justo se pudesse mantê-la (o que ninguém além de Jesus Cristo pôde), fé é de fato o reconhecimento que nossa própria retidão é inadequada, e que precisamos do Jesus Cristo O Justo como nosso Salvador. Não haveria de fato necessidade alguma de um salvador se pudéssemos fazer algo que em e de si mesmo assegurasse perdão dos pecados! Fé em Jesus Cristo e Sua obra salvífica então efetivamente é uma admissão que não temos nada digno de vida eterna, e de nós mesmos somos merecedores de condenação somente.

E na verdade também considero todas as coisas como perda, por causa da excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas [estas] coisas, e as considero como dejetos, para que eu possa ganhar a Cristo; E nele eu seja achado, não tendo minha justiça proveniente da Lei, mas sim a que é pela fé em Cristo, a justiça [vinda] de Deus pela fé;{Filipenses 3:8-9 BLIVRE}

Nossa crença então constitui nada meritório nem inerentemente digno de vida eterna – nem mesmo como ‘pagamento parcial’. Fé em si mesma não é justiça, mas é justamente por causa da graciosidade de Deus que Ele considera a fé de nós que cremos como retidão mediante Cristo apesar de nossa imerecida pecaminosidade e falta de qualquer maneira de expiarmos a nós mesmos. Portanto o argumento que calvinistas como Hendryx lançam denuncia sua fundamental equivocação do que a fé é, já que eles atribuem a ela coisas que não se pode possivelmente desfrutar fingindo que crer de alguma forma merecer o presente de Deus da vida eterna ou ser alguma causa aceitável de nos gabarmos de nós mesmos devido o nosso reconhecimento de total dependência dos méritos de Cristo! Acerca da natureza da fé salvífica, Ben citou uma resposta de Robert Shank contra o desafio de Berkouwer de que a fé sinergística “resulta em algum montante de presunção” e “auto-estima”. Shank irreparavelmente esmigalha a fachada sofista:

Vaidade e auto-estima pelo que, Professor Berkhouwer? Por renunciar totalmente toda pretensão de justiça própria? Por repudiar completamente toda dependência em boas obras? Por renunciar qualquer direito a mérito pessoal? Por abjetamente se humilhar diante de Deus como um pecador destruído, merecedor da morte, desesperançado, incapaz de se salvar? Por lançar-se sobre as misericórdias de Deus e esperar apenas nos méritos e na graça de Jesus Cristo? Estes são os elementos que dão essência à fé salvífica, e onde a verdadeira fé existe, não pode haver orgulho ou auto-estima. Fé e orgulho são mutuamente exclusivos. (Shank, R., Elect in the Son, pg. 144)

Se você livremente crê em Cristo ou não faz diferença apenas no que você obtém, e não no que você merece. Mas desde que o que você obtém é apenas aquilo que você livremente recebeu de Deus, Aquele que faz diferir dos que não têm esperança é Deus, pois sem Sua graça e misericórdia, você não seria melhor que os demônios que creem. Portanto nenhuma carne pode legitimamente se gloriar diante dEle.

Mas Você Fez Algo Que Os Outros Não Fizeram!

Bem como o Código Da Vinci, o argumento calvinista de que os sinergistas tornam a fé algo para se vangloriar parece inicialmente convincente, mas sob examinação, se torna bem aparente que aqueles que têm exposto essa ideia foram completamente Dan-Brownizados por sua pseudo-lógica. Desesperados em salvar o polemicamente efetivo mas malfadado argumento, alguns têm recorrido ao apelo à comparação: argumentam que desde que crer é algo que você livremente fez e que outras pessoas livremente não fizeram (apesar de ter-lhes sido dada oportunidade), é portanto algo que se possa gloriar.

Existe algo correto neste argumento? Eu fazer algo que alguém não fez é alguma razão de ostentação? Vejamos: Jonas Salk veio com uma vacina de pólio enquanto seus pares não. Poderia isto ser algum fundamento para orgulho? Suponho que sim. Mas é a diferença sempre digna de orgulho? Eu usava sapatos Nike hoje enquanto outros usavam Keds ou ASICS. Isto constitui alguma razão de vanglória? Claro que não. Simplesmente fazer algo que outras pessoas não fazem não é de e em si mesmo causa de orgulho. Argumentar que alguém é capaz de se gloriar por fazer algo que fez diferentemente de outros, deve-se necessariamente pressupor que o que foi feito diferentemente é algo digno de orgulho. Como temos estabelecido acima, fé não é de fato digna de orgulho ao cristão, e portanto não há fundações válidas para alguém que crê em se gabar disto. Obediência a Cristo e Seu Evangelho é o que Deus requer dos homens antes que Ele os salve, não algo que alguém faz digno de Sua misericórdia. O próprio Senhor Jesus claramente comunica este conceito:

Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei:
 Somos servos inúteis, porque fizemos [somente] o que devíamos fazer.{Lucas 17:10 BLIVRE}

Então mesmo seguindo o comando do Evangelho em crer, somos ainda os servos inúteis de um Senhor gracioso, e seríamos mais que estúpidos em pensar que devemos nos gloriar em qualquer coisa além de conhecê-Lo.

Finalizando:

* Nenhuma crença faz a ostentação impossível; quando a Bíblia nos afirma que orgulho está excluído, ela está implicando que ninguém tem fundamento válido para se gabar.

* Dado que fé não compra ou dá mérito à vida eterna, mas apenas a obtém pela graça de Deus, crer não é uma razão válida para crer. Quem livremente crê ou deixa de crer, não altera este fato.

* Como fé é um reconhecimento de dependência dEle e de Seus méritos em vez dos nossos próprios, para alguém consistente, fé e orgulho são mutuamente exclusivos.

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista IX

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