Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (3 de 13)

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Mais um post sobre perseverança dos santos! Desta vez, analisando um trecho paralelo ao do Evangelho de João: a Antiga Oliveira de Romanos 11.

Perseverança dos Santos Parte 3: A Antiga Oliveira

por Kangaroodort from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo ferom this WordPress Blog

Esta passagem é bem semelhante em significado e aplicação como a passagem anteriormente discutida a partir do discurso de Cristo e, João 15. É bem possível que Paulo fosse familiar com o ensino de Cristo sobre a Videira e os ramos, e tinha Seu discurso em mente enquanto escrevia sobre a oliveira em Romanos 11:15-24:

Porque se sua rejeição é a reconciliação do mundo, o que será seu aceitação, se não vida dentre os mortos? E se as primícias são santas, a massa também é; e se a raiz é santa, os ramos também são. E se alguns dos ramos são quebrados, e sendo tu uma oliveira ruim, foste enxertado neles, e feito participante da raiz, e da nutrição da oliveira boa; Não te glories contra os ramos; e se contra eles te gloriares, lembra-te de que não és tu o que sustentas a raiz, mas é a raiz que te sustenta. Então tu dirás: Os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado. Certo; mas eles foram quebrados por causa da incredulidade, e tu estás de pé por causa da fé. Por isso, não te orgulhes, mas teme; Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, pode ser que ele também não te poupe. Observa, pois, a bondade e severidade de Deus; a severidade sobre os que caíram, mas a bondade sobre ti, se permaneceres na bondade; de outra maneira, tu também serás cortado. Porém também eles, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque Deus é poderoso para enxertá-los de volta. Porque tu foste cortado da natural oliveira ruim, e contra a natureza enxertado na oliveira boa; quanto mais estes, que são os naturais, serão enxertados em sua própria oliveira. {Romanos 11:15-24 BLIVRE}

Esta passagem da Escritura é problemática para o Calvinismo em múltiplos níveis. Paulo está discutindo o estado de Israel por toda a extensão dos capítulos 9 a 11. Calvinistas creem que Rm 9:6-24 é um texto primário para suas doutrinas de eleição incondicional particular e reprovação irrevogável. Não é difícil chegar a tal entendimento do texto quando o restante do contexto de Rm 9-11 é ignorado. Esta tem sido a prática comum a muitos exegetas calvinistas. James White ignora completamente Rm 9:30-33 e Rm 11:15-32 em sua exegese de Romanos 9 em ‘The Potter’s Freedom’. Este é um comportamento estranho, especialmente quando consideramos que Rm 9:30-33 representa a conclusão de Paulo para seu argumento preliminar em Rm 9:1-29. Da mesma forma, Piper [The Justification Of God] e Schreiner [Still Sovereign] negligenciam em dar a Rm 11:15-32 qualquer tratamento exegético em seus trabalhos respectivos de Romanos 9 e eleição [Schreiner discute brevemente 11:23, 26, mas apenas a para o fim de demonstrar que a eleição é para salvação em Rm 9-11].

Paulo não mudou de assunto em Romanos 11:15-24. Ele ainda discute os judeus reprovados descritos anteriormente em Rm 9:6-24. O que ele disse concernente a esses judeus é incômodo para a interpretação calvinista de eleição incondicional e reprovação irrevogável. Paulo fala em termos de uma antiga oliveira. Esta árvore representa o verdadeiro Israel de Deus. É a eleição do povo de Deus em Cristo. A árvore não pode representar o Israel nacional dado o fato que muitos dos ramos [judeus] foram “quebrados” da verdadeira Israel e estão alienados à salvação em Cristo. Paulo, porém, mantém a esperança nestes judeus quebrados. Ele afirma claramente que eles podem ainda ser enxertados se não persistirem na sua incredulidade. Esta verdade se choca com a crença calvinista de que estes judeus descrentes foram reprovados devido a um decerto eterno e irrevogável. Se Paulo realmente ensinava tal conceito de reprovação em Romanos 9, então ele não poderia manter esperança por estes judeus em Romanos 11:23,30-32.

A dificuldade adicional que esta passagem coloca para o calvinismo é a plena declaração de Paulo de que aqueles que agora se mantêm na fé podem ainda assim serem quebrados mediante a descrença:

Então tu dirás: Os ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado. Certo; mas eles foram quebrados por causa da incredulidade, e tu estás de pé por causa da fé. Por isso, não te orgulhes, mas teme; Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, pode ser que ele também não te poupe. Observa, pois, a bondade e severidade de Deus; a severidade sobre os que caíram, mas a bondade sobre ti, se permaneceres na bondade; de outra maneira, tu também serás cortado. {Romanos 11:19-22 BLIVRE}

Calvinistas tradicionalmente tentam resolver a dificuldade de duas maneiras. A primeira maneira é afirmar que os ramos não representam indivíduos, mas nações. Os ramos quebrados representam a nação de Israel, e os ramos enxertados representam os gentios como um grupo de pessoas. O problema com esta interpretação é que Paulo está claramente falando de ramos individuais que foram quebrados e enxertados no verdadeiro Israel de Deus. Os ramos claramente representam judeus individuais, porque nem toda a nação fora rejeitada. Existem judeus crentes [o remanescente] que permaneceram na oliveira. Os ramos enxertados representam indivíduos gentios como apenas os gentios crentes que vieram a desfrutar o favor e eleição de Deus. É somente crendo que os gentios podem ser chamados de descendentes espirituais de Abraão, e está alem de qualquer argumentação que nem todos os gentios se uniram a Cristo.

Joseph R. Dongell provê um excelente sumário:

Paulo distingue a chamada irrevogável da nação de Israel como um todo a partir do destino dos indivíduos israelitas. Enquanto o destino final do povo de Cristo é absolutamente certo, o futuro de cada indivíduo é determinado pela sua contínua fé e confiança em Deus. Gentios que creem são enxertados na antiga árvore, enquanto judeus que caem em descrença são quebrados. Desde que fé é a única condição para continuar enxertado, Paulo emite tanto um alerta quanto uma esperança. Por um lado, aqueles gentios que recentemente foram recentemente enxertados na antiga árvore mediante a fé devem humildemente se guardar contra a queda em descrença, desde que eles também poderiam ser arrancados da árvore. Por outro lado, os ramos naturais jogados ao chão podem “ser anexados em sua própria oliveira” se “não persistirem na incredulidade” (Rm 11:23-24). Em outras palavras, o destino do povo de Deus como um todo é inalterado ao longo das eras, apesar de cada ramo individual participar da salvação apenas se ele permanecer enxertado pela fé (Jo 15:5-6). Como Paul Achtemeier explica, Paulo ensina destino sem ensinar determinismo individual. [Walls and Dongell, Why I Am Not A Calvinist, page 87]

Parece que a interpretação do texto que exclui a individualidade dos ramos é bem difícil de sustentar.

A segunda explicação calvinista é a usual de que os ramos quebrados só podem representar falsos convertidos e hipócritas que jamais tiveram a fé salvífica para começar. Esta interpretação é impossível de se sustentar dado o fato que Paulo fala de tais ramos como presentemente permanecendo pela fé. Se é a fé que os faz “permanecer” então ela tem que ser genuína. É por causa da sua presente fé que eles podem ser ditos estar na oliveira eleita. Paulo ademais confirma isto quando alerta estes gentios, que foram enxertados pela fé, que eles podem ainda ser quebrados se eles não “continuarem na Sua bondade”. Eles continuam entre o corpo eleito enquanto elas permanecerem na fé. Se elas não continuarem, então Deus irá tratá-las da mesma maneira que os judeus descrentes que foram quebrados antes deles. Eles também seriam cortados “pois não há parcialidade com Deus”. Se os ramos que Paulo alerta representam falsos convertidos, eles jamais estariam na árvore em primeiro lugar. Como então eles poderiam ser quebrados?

Talvez possamos adicionar uma terceira interpretação. Talvez alguns diriam que Paulo está meramente apresentando uma construção hipotética e alertando estes ramos de impossibilidades. Que efeito possível tal alerta levaria para aqueles que não podem possivelmente ser vítimas das consequências? Se os ramos permanecem pela fé, e aqueles que começam na fé inevitavelmente continuarão na fé [de acordo com o calvinismo], então por que alertá-los a continuar com o temor de serem cortados fora? Se Deus causa os crentes a continuar na fé, então alertá-los a continuar é sem sentido. Se Deus infalivelmente preserva o crente, e fé é um dom que não podemos ajudar mas nele continuar; então alertar alguém a continuar na fé seria tão inútil quanto a advertir alguém que está ligado a um respirador a “continuar respirando”.

Alguns dirão que as advertências são os meios de Deus pelos quais Ele assegura a perseverança de Seus santos. Onde então está a doutrina da segurança eterna? Podemos ser verdadeiramente convencidos de que estamos eternamente seguros, e também tomando as advertências de queda seriamente? Se estamos eternamente seguros então não há perigo de ser cortado da verdadeira Israel de Deus. Se o perigo é real, então não há segurança incondicional. Se nós formos a nossa caixa de correspondências e encontrarmos uma nota na qual se lê, “Não abra esta caixa, ou um tigre de 270 quilos irá emergir e te devorar”, deveríamos tomar tal advertência seriamente? Deveria tal impossível consequência realmente nos preocupar e nos prevenir de pegar nossas cartas?

Parece, então, que o calvinismo falha em oferecer uma solução válida para o ensino claro de Rm 11:15-24 que aqueles que se permanecem em fé podem ainda ser quebrados para sua própria ruína eterna. Vamos levar a sério o enfático alerta de Paulo: “Por isso, não te orgulhes, mas teme; Porque, se Deus não poupou os ramos naturais, pode ser que ele também não te poupe. Observa, pois, a bondade e severidade de Deus; a severidade sobre os que caíram, mas a bondade sobre ti, se permaneceres na bondade; de outra maneira, tu também serás cortado. {Romanos 11:20-22 BLIVRE}”

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