Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (2 de 13)

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Olá, crédulos! Como foi o dia/a noite?

Bem, desobedecendo o toque de recolher, posto bem rapidamente esta tradução, de um dos meus assuntos preferidos: perseverança dos santos! O texto-prova abordado aqui é João 15, um texto bem tocante, tanto pela advertência quanto pela segurança.

Leiam e reflitam!

Perseverança dos Santos Parte 2: A Videira e Os Ramos

por Kangaroodort from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Antes de examinarmos João 15, quero dar um esboço geral de como eu imagino essa série se desdobrando. Começarei examinando aquilo que eu considero ser as cinco passagens da Escritura que eu creio que ensinam o mais claramente que verdadeiros crentes podem cometer apostasia (Jo 15:1-6; Rm 11:18-23; Hb 6:4-8,10:26-39; 2 Pe 2:20-22). Iremos então observar as passagens mais usadas pelos advogados da perseverança inevitável para verificar se eles realmente ensinam tal doutrina. Finalmente, vamos descobrir qual entendimento da perseverança se conforma melhor com o que a Bíblia ensina acerca da segurança da salvação.

Em Jo 15:1-6 se lê:

Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. Todo ramo que em mim não dá fruto, ele o tira; e todo o que da fruto, ele o limpa, para que dê mais fruto. Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado. Estai em mim, e eu em vós; como o ramo de si mesmo não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim vós também não, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. Se alguém não estiver em mim, é lançado fora, como o ramo, e seca-se; e os colhem , e os lançam no fogo, e ardem.{João 15:1-6 BLIVRE}

Jesus está falando diretamente aos Seus discípulos que já estão nEle. Eles estão limpos (podados). Sua situação atual não está em questão. Eles são ramos atados à videira verdadeira (verso 5). É muito importante entender que Jesus está falando de indivíduos salvos. Eles têm vida porque estão atados à fonte da vida. Jesus não está falando sobre como alguém pode vir a estar nEle (ser salvo). Ele está falando da importância de permanecer nEle. Algumas traduções, como a Young’s Literal Translation, traduzem “estar” como “permanecer”. Também pode-se entender como “continuar”. Os ramos na videira verdadeira devem permanecer nEle para que continuem a desfrutar da vida eterna que flui dEle. Ninguém pode ter vida fora de Cristo. O crente permanece em Cristo mediante a fé e continuará a produzir frutos da fé e vida enquanto ele permanecer em Cristo. Quando um galho cessa em permanecer (mediante a fé), como indicado pela ausência de frutos, ele é cortado. Eis uma vívida e concisa figura da natureza da apostasia. O apóstata não é alguém que jamais esteve na videira, mas alguém que não permaneceu na videira. Apenas crentes verdadeiros podem ser ditos estar genuinamente na videira. Nenhum descrente pode ser dito estar “em Cristo”.

Esta passagem mina a definição calvinista de apostasia. Jesus não fala daqueles que jamais estiveram nele. Ele não está falando acerca da igreja visível. Ele está falando acerca daqueles que estavam na videira verdadeira, que é o próprio Cristo: “Eu sou a videira verdadeira”. Os ramos da videira verdadeira só podem ser crentes verdadeiros. Falsos professores não podem ser ditos estar na videira verdadeira.

O calvinista está correto ao afirmar que o ramo cortado representa um descrente. A questão relevante não é se o ramo que foi cortado é um descrente ou não, mas se este descrente era anteriormente um crente que estava na “videira verdadeira” ou não. É impossível concluir de outra forma quando nós permitimos Cristo definir Seus próprios termos.

As objeções calvinistas não se sustentam pelas seguintes razões:

1 – Jesus define a Si Mesmo como a videira verdadeira e os ramos como estando “em Mim”. Robert Shank aponta bem o absurdo de insistir que Jesus está falando de Si Mesmo apenas como a igreja visível:

Incapazes de negar que os ‘ramos’ definham e são lançados fora, os proponentes da segurança incondicional se encontram na necessidade de ‘definir’ os ramos. Bispo Ryle portanto contende que “não se pode mostrar que ‘um ramo em Mim’ deve significar um crente em Mim. isto significa nada aleḿ de ‘um membro professante de Minha Igreja, um homem junto à companhia de Meu povo, mas não junto a mim.” Tal contenção é necessária, claro, se alguém está a defender a doutrina da segurança incondicional. Mas alguns de nós acham difícil conceber Jesus dizendo a seus apóstolos ‘Eu sou a videira, e todos vocês que são os membros de minha Igreja e estão juntos à companhia de meu povo apesar de não necessariamente estarem juntos a Mim, são os ramos em Mim.’ (Life In The Son, pg.45)

Ele então cita outra tal “definição” de ramos:

Semelhantemente, Hengstenberg cita Lampe ao falar ‘Em um certo sentido até os hipócritas podem ser ditos estar em Cristo, parcialmente porque, no relacionamento externo da Igreja, eles partilham do sacramento da união com Cristo, e portanto se ostentam a si mesmos de estarem em Cristo; parcialmente porque eles são estimados por outros por ser como se pertencessem ao corpo místico, ou pelo menos são tolerados na comunhão externa dos discípulos”. Mas, novamente, é difícil conceber Jesus dizendo ‘Eu sou a videira, e todos aqueles que partilham do sacramento no relacionamento externo da Igreja e que portanto se ostentam de estar em Mim e são estimados por outros como se fossem do corpo místico, ou pelo menos são tolerados na comunhão externa dos discípulos, são os ramos'(ibid. 45, ênfase dele)

Ele finaliza citando João Calvino:

Semelhantemente, numa tentativa de reconciliar esta passagem com sua teologia, Calvino declara que ‘… muitos são supostos estar na videira, de acordo com a opinião dos homens, que na realidade não tem raiz na videira.’ Verdadeiro, mas irrelevante. Pois Jesus não fala das opiniões dos homens, mas sobre realidades solenes – sobre as coisas como elas são, não como os homens podem imaginar que sejam. Afirmamos firmemente que qualquer definição dos ramos que não possa ser facilmente inserida no discurso do Salvador sem um sentido de flagrante incompatibilidade é obviamente inadmissível. E novamente, é impensável que Cristo deva dizer ‘Eu sou a videira, e todos os que são supostos estar em mim de acordo com a opinião dos homens, alguns deles não tendo raiz na videira, são os ramos’. (ibid. 45,46)

Estou de pleno acordo com a conclusão de Shank:

Tais definições arbitrárias dos ramos, ridículas como são, não obstante são inevitáveis para todos que negam que Jesus ensinou que homens que são verdadeiros crentes podem em última análise abandonar a fé e falhar em continuar nEle, sendo assim, arrancados e ressecados, e finalmente queimados (ibid, 46)

2 – Jesus está falando daqueles que cessam de “permanecer” nEle, e não dos que jamais foram dEle em primeiro lugar. É absurdo pensar que um ramo pode ser cortado ou lançado da videira à qual jamais estava junto.

3 – Jesus está diretamente abordando Seus discípulos que eram verdadeiramente salvos.

4 – O ramo que é “lançado fora” da vinha é dito “murchar” ou “secar” antes de ser lançado ao fogo. É sem sentido falar de um ramo já morto e seco (como seria o caso de um hipócrita ou falso convertido) secando ou murchando. Tais coisas só são ditas de ramos que uma vez possuíram vida. O faro de um ramo murchar é claro indicativo que ele alguma vez possuiu vida. A única maneira pela qual um ramo pode uma vez ter vivido foi mediante o ser ligado à videira (Jesus Cristo – a única fonte de vida espiritual).

Conclusão: parece que quando permitimos ao texto falar por si mesmo, devemos nos submeter à realidade da apostasia. Devemos igualmente concluir que a apostasia dita nesta passagem tem referência a a verdadeiros crentes abandonando a fé e sendo removidos da videira. A concepção calvinista de apostasia (deixar algo que jamais se você foi parte verdadeira) é incompatível com a linguagem clara do discurso de Jesus. Robert Shank bem afirmou, “Vamos aceitar pelo valor de face a grave e amorosa advertência de nosso Salvador que é de fato possível a nós perder a vida eterna falhando em continuar nEle ‘que é nossa vida’ “(ibid. 46)

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: Perseverança dos Santos (2 de 13)

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