Traduções Crédulas: O Problema Com Textos-Prova

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Faz um tempo que queria postar sobre isto. Uma prática um tanto enfadonha tanto de calvinistas quanto de arminianos. Achar que tudo é óbvio demais, que este ou aquele trecho da bíblia é “arminiano” ou “calvinista”, lidar com “as terríveis objeções daqueles hereges libertistas” etc.

Este texto de Derek Ouellette cai como uma luva! Como sempre, leia e reflita!

O problema com textos-prova

por Derek Ouellette, do Covenant of Love

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Lançar textos-prova é uma prática na qual, se duas pessoas discutem um tema teológico, uma ou ambas providencia uma lista de versos bíblicos como se fosse uma suposta “prova” de seu caso; daí o termo, texto-prova.

Nós todos já fizemos isto, eu já o fiz e certamente tu já o fizeste. Mas há problemas em tratar o texto bíblico desta maneira em qualquer estudo ou diálogo teológico, e vou exibir alguns deles.

Simples e Pressuposto

Para iniciantes, textos-prova é uma abordagem ingênua para lidar e discutir a Bíblia. Quando o caso é apoiado por um texto-prova, a pressuposição que está-se fazendo é que tais textos não requerem interpretação para ser entendidos. Pior que isto, uma pressuposição sendo feita ao mesmo tempo é que a pessoa usando o texto para dar apoio a seu caso não está interpretando-o, ela está simplesmente “lendo o texto e tomando-o como óbvio”. Isto é ingênuo porque super-simplifica a realidade e é simplesmente desonesto.

Perspectivas importam

Todo aquele que lê um texto bíblico (ou qualquer obra literária) a enxerga de um certo ângulo. Autores que ele leu, sermões que ouviu, amigos com quem já conversou, lares pelos quais já passou, argumentos que o persuadiram, e experiências traumáticas (sem mencionar inclinações genéticas também; tendência a pensar compassivamente etc); tudo isto contribui para a maneira que uma pessoa vai pensar acerca de um determinado assunto. Estas são chamadas cosmovisões; todos temos as nossas e o primeiro passo de maturidade é reconhecer esta realidade. (Ninguém cresce dentro de uma bolha.)

Nossas cosmovisões funcionam muito como ilusões óticas:

Ficamos tão acostumados a ver as coisas de uma determinada maneira que acabamos por falhar em notar quando as coisas estão retorcidas quando elas são na verdade retas. (As retas horizontais são paralelas.) Um amigo meu fez um blog grandioso sobre como e por que as perspectivas importam, e neste blog ele inclui desenhos de duas mesas com o mesmo comprimento:

E para uma boa medida do que eu poderia adicionar, esta foto é de uma mulher jovem distante… ou é a foto de uma senhora próxima?

Estas figuras ilustram o fato que o como vemos as coisas realmente faz diferença. As coisas não são sempre como elas parecem à primeira vista. É por isso que reconhecer que vemos as coisas por intermédio dos óculos de nossa cosmovisão é tão importante, porque isto nos desafiará a parar e tomar um olhar mas crítico e minucioso.

O segundo passo para a maturidade é reconhecer que outras pessoas tenham visões de mundo próprias e (francamente) elas são provavelmente diferentes das nossas. Isto significa que em vez de encadear uma lista de versos bíblicos para dar sustentação ao seu argumento, que enquanto nós tenhamos sido obviamente convencidos por estes “textos-prova”, outros podem não estar. Não devemos considerar outras pessoas “estúpidas” por não concordar com as “evidências” que vemos como sendo tão “claras e límpidas”. Elas podem ser claras e límpidas para nós por causa das lentes com as quais nós as vemos, a nossa visão de mundo. Mas outras pessoas com visões diferentes não irão tão acriticamente aceitar nosso entendimento de tais passagens.

Leitura crítica importa:

Quando lemos um texto através das nossas visões de mundo, tendemos a lê-lo acriticamente, “olha, como pode você discordar de mim, a bíblia diz que isto bem aqui neste verso, e aqui e aqui”. O problema porém raramente é com o “texto-prova”, é quase sempre com a interpretação! Você está interpretando o contexto pela sua visão de mundo, quer você saiba disso ou não (o que é bom), mas quando você simplesmente lista textos em seu trabalho de sustentar seus argumentos, você está falhando em duas coisas: a) ler o texto criticamente e b) reconhecer que a pessoa que você está discutindo que tenha visões de mundo diferentes está lendo o texto criticamente. O resultado final é que você continuará completamente não-convincente e bem provavelmente decepcionado conseigo mesmo. (A maioria das pessoas não desistirá de suas cosmovisões só porque você diz que elas estão erradas e acompanhando isto de uma evidência como “texto-prova” – você iria desistir?)

Movendo Além dos Textos-Prova Para uma Abordagem Mais Robusta

A resposta a este dilema é descartar a prática de texto-prova inteiramente e tomar o desafio da própria Bíblia, que estamos estudando para nos mostrar aprovados (significando que devemos estudar as escrituras utilizando todas as ferramentas disponíveis para nós), e que devemos ensinar os outros, significando que em vez de listar “textos-prova” e assumi-los porque fomos convencidos por essa cadeia de passagens, outros o farão, em vez de fazer isto somos chamados a expor cada um, mostrar como estão conectados, ouvir os argumentos opostos e refinar nossas visões à luz de bons argumentos opostos (se necessário).

Texto-prova é legal quando você e seus amigos concordam sobre o que o texto diz e nos pontos de vista teológicos em discussão. Mas isto mostra uma falta de maturidade quando o texto prova (como tal) é usado no contexto de estudo ou debate.

Apresente seu caso, não o assuma de antemão!

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: O Problema Com Textos-Prova

  1. Pingback: Traduções Crédulas: A Metralhadora Hermenêutica | credulo

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