Traduções Crédulas: Mais Sobre Autoria do Pecado (2 de 3)

Padrão

Ainda neste assunto que é uma pedra no sapato do calvinismo (exceto para os confessos, o que se torna um desafio intelectual consideravelmente chato), algumas defesas adicionais sobre o calvinismo e suas teodiceias.

Aqui, Josh trata de alguns equívocos tanto dos ataques à presciência quanto das defesas do determinismo. Leiam e divirtam-se!

Mais sobre Autoria do Pecado Parte 2

por J.C. Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Este é o segundo post de uma série sobre a autoria do pecado que sucedeu como resultado de discussões e observações do primeiro post. Parte 1 e a primeira seção deste post abordam a alegação calvinista de que arminianos “também tornam Deus autor do pecado”.

Origens Compartilhadas

Quando discutindo autoria implicando originação do pecado, o argumento inevitavelmente surge, “mas se o pecado se origina nas pessoas, as pessoas ainda se originam de Deus, portanto o pecado se origina de Deus também!” Nem tanto. Seres capazes de pecar originados de Deus, não segue que a rebelião daqueles surgiu dEle.

Como contra-exemplo, minhas crianças se originaram de mim. Se minha filha dispara e faz algo de sua própria imaginação que eu não a ensinei ou a disse para fazer, então pode-se corretamente dizer que foi minha ideia? Seria justo afirmar “as ações de sua filha vieram dela, ela veio de ti, portanto as ações dela vieram de ti!”? De modo algum. Existe um separador volicional independente entre as escolhas e ações próprias minhas e as de minha filha, a saber, minha própria filha, que é uma agente livre e faz escolhas que procedem de si mesma independente de eu causá-las. Afirmar que todas as suas escolhas vem de mim ou de alguma forma são minha ideia é a máxima loucura, desde que ela tem algum grau de independência de mim em suas escolhas. Agora, se eu estou de alguma forma controlando ela tal que ela não possa pensar ou fazer nada exceto exatamente aquilo que eu comandar, então tal acusação seria justa, mas graças a todos os envolvidos, este não é o caso!

Então, igualmente, Deus é o originador de toda criação, mas é falacioso pensar que Ele é o originador de tudo o que Sua criação faz se Ele lhes concede algum grau de independência. Ou colocando de forma mais simples, se Deus criou agentes com vontades que podem de funcionar de aluma maneira externamente a Si Mesmo, então tais agentes são capazes de concepções e escolhas que não venham de Deus.

Isto é realmente necessário?

Uma objeção calvinista para a a visão do conhecimento médio é que se Deus sabe o que você irá fazer dada a situação X, então te coloca na situação X, sua reação a X é então necessária. Eles então podem argumentar que Deus pode portanto ser chamado o autor do pecado, desde que Ele fez o pecado necessário colocando Suas criações em situações nas quais Ele sabia que pecaríamos.

O erro na lógica aqui é igualar “necessário dado o que você vai fazer” com “divinamente necessário”. Se aquilo que eu irei fazer se posto na situação X é determinado por mim em vez de Deus, então minha reação não pode ser divinamente necessária, pois isso seria essencialmente dizer que o que era divinamente necessário era contingente sobre a vontade independente do ser criado – uma contradição. Deus saber o que faremos na situação X e me colocar numa situação X faz minha reação certa, mas se isto de qualquer forma depender de minha agência independente, então isto não pode ser chamado de divinamente necessário.

Em uma via semelhante, também se argumenta que nossa agência não constitui realmente livre arbítrio se o resultado é feito certo por Deus nos colocando em uma situação. Digo, você não tem realmente poder para escolher se sua escolha é certa, tem? Logicamente falando, você realmente tem. ‘Certeza’ não implica limitação, implica factualidade, incluindo a que ocorre à parte da necessidade. Um ‘teste ácido’ para saber se um agente é livre no sentido libertário é a questão “Para qualquer dada escolha e situação em que isto ocorre, poderia a escolha ser diferente baseado somente na agência da criatura, sem fatores mudados ou ações diferentes da parte de Deus?”. Se a resposta for positiva, então esta resposta indiscutivelmente implica agência libertária, não

importam as objeções de que “ela não pareça livre arbítrio”.

A seção a seguir lida com argumentos geralmente empregados por calvinistas ao defender sua teodiceia.

“É bom quando Deus decreta que ocorrerá, mau quando realmente ocorre…”

É assim que calvinistas classicamente têm tentado se eximir do problema de Deus ser autor do pecado. É declarado ser de alguma maneira justo e santo quando Deus decreta, mas é de alguma forma mau quando pessoas cometem. Augustus Toplady (como citado por Randolph Foster) verbaliza isto muito bem,

Embora ele [Deus] possa ser tido o autor de todas as ações feitas pelos perversos, ainda assim ele não é o autor deles, num senso moral composto, enquanto eles são pecaminosos, mas basicamente simplesmente, e sensu diviso, enquanto são meras ações, abstratamente a partir de todas as considerações de bondade ou maldade neles.

Portanto, vemos que Deus não imediatamente e per se infunde iniquidade nos perversos, mas poderosamente os incita à ação, e nega as graciosas influências de seu Espírito, sem as quais qualquer ação é necessariamente maligna.

Toda ação, como tal, é indubitavelmente boa, sendo um real exercício destes poderes operativos dados a nós por Deus no fim das contas, Deus pode, então, ser o autor de todas as ações, e ainda assim não ser o autor do pecado.

Foster então responde a ele com a questão óbvia e a conclusão inevitável:

Mas então surge uma questão bem aqui. Não foi a intenção do do pecador decretada, também, bem como o ato? Se você responder “não”, então tem algo que vem a ser no tempo que não fora decretado antes do tempo. Se você responder “sim”, e o pecado está na intenção, então Deus, o autor da intenção, foi o autor do pecado; porque o pecado e a intenção são o mesmo.

Novamente: Deus não decretou que certos atos, se cometidos com certas intenções, deveriam ser pecaminosos? Mas ele também não decretou que estes tais atos e intenções deveriam existir? Se sim, não é ele autor do pecado, tanto com respeito ao ato e à intenção? Se não, não há algo vindo a ser no tempo que não foi decretado antes do tempo? (Foster, R.; Objections to Calvinism as it is)

Obviamente, se nada ocorre à parte do decreto de Deus, então isto deve incluir não só as ações mas pensamentos e intenções do indivíduo também. Então o verdadeiro determinismo exaustivo deve necessariamente ter Deus como autor não somente do ato, mas mas aquele que faz o ato em si ser maligno. Além de ser mera “falta de bem”, pensamentos malignos e intenções são em si mesmas abomináveis coisas para Deus.

Os pensamentos do mau são abomináveis ao SENHOR, mas ele se agrada das palavras dos puros.{Provérbios 15:26 BLIVRE}

O Livro dos Provérbios vai além ao afirmar que aqueles que planejam malignidades são também abomináveis a Ele.

16. Estas seis coisas o SENHOR odeia; e sete sua alma abomina: Olhos arrogantes, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente; O coração que trama planos malignos, pés que se apressam a correr para o mal; A falsa testemunha, que sopra mentiras; e o que semeia brigas entre irmãos.{Provérbios 6:16-19 BLIVRE}

Pelo menos algumas ações podem ser por e em si mesmas moralmente neutras, com o pensamento por detrás delas determinando se elas são boas ou más. Pensamentos e intenções são um assunto diferente, pensamentos malignos sendo inerentemente contrários à Santidade do Absolutamente Santo Deus, e completamente abominável a Ele, juntamente com o coração que as planeja. A horripilante ramificação do determinismo exaustivo, como vista acima, é que todas essas coisas que Deus crê por abomináveis se originam dEle. Ademais, se a malignidade do maligno não é ultimamente de si mesmo, mas produzida para eles de Deus, então o coração que planeja malignidades não pode ser verdadeiramente o dele, mas o de Deus!

Causas secundárias?

Muitos calvinistas apelam para “causas secundárias” para mitigar o conceito de Deus sendo autor do pecado. Além de ser uma defesa simplória (empregar causas secundárias não livrou Davi da acusação – 2Samuel 11:14-12:9 para detalhes), especialmente quando todas as causas são também exaustivamente determinadas por Deus, que meios foram usados para trazer o pecado à tona não muda nada acerca de onde ele se origina. Afirmar que o decreto de Deus traz o pecado que Ele incondicionalmente desejou que os homens cometessem por intermédio de causas secundárias é de fato uma pressuposição tácita de que Deus é autor dos seus pecados em primeiro lugar.

Mistério

O último recurso mais comum para reconciliar determinismo exaustivo com Deus não sendo autor do pecado é o apelo ao mistério. Agora o mistério certamente tem seu lugar na teologia: desde a criação ex nihilo do universo por Deus, Sua eterna auto-existência, até Sua natureza triúnica, algumas coisas simplesmente desafiam o completo entendimento por seres humanos finitos. Enquanto estas são doutrinas razoáveis, pela falta de explanação completa, alguns de seus detalhes devem ser relegados ao reino dos mistérios e/ou especulação.

Aonde o mistério é inútil é tentar resolver contradições lógicas. Se alguém diz que afirma a ressurreição física de Cristo e que Ele vive para sempre, e ainda assim ao mesmo tempo afirma que Seu corpo está morto e enterrado, não há total de “mistério” ou “tensão” que salve tal crença, porque isto é fazer afirmações contraditórias.

O mesmo vale para os segmentos do Catolicismo Romano que mantêm Maria como “co-mediatriz” junto a Cristo (O Mediador – 1Tm 2:5) entre Deus e os homens. Não pode existir “um só mediador” e ao mesmo tempo/sentido “mais de um mediador”. Mistério não pode mitigar contradição.

O que nos leva às afirmativas de muitos calvinistas que creem no determinismo exaustivo: Deus em Si Mesmo exaustiva, imutável e incondicionalmente predetermina [o que claramente implica autoria] tudo que ocorre (ações, pensamentos, intenções, etc. in toto), e mesmo assim ao mesmo tempo não é autor do pecado. Agora, se o pecado ocorre (e todos concordam que ocorre), então o pecado cai na categoria de “tudo que ocorre”. Então, Deus sendo autor de tudo que ocorre implica Deus sendo autor do pecado, o que diretamente contradiz a última afirmativa Ele não é autor do pecado. Apelar para o mistério nesta conjuntura é fútil. A contradição é ademais atestada pela negação calvinista da liberdade libertária, desde que insto exclui todas as possibilidades exceto para Deus. Como apontei para Mr. Maxwell acerca do meu primeiro post neste tema:

A lógica é bastante inevitável aqui; apelar para o mistério não pode resolver contradições definitivas. Você não tem que explicitamente dizer algo para inequivocamente implicá-lo. Você não precisa dizer “um” se disser “inteiro positivo estritamente menor que dois”, porque a afirmação mais longa elimina todas as possibilidades além de “um”.

Uma criatura sem agência independente não pode verdadeiramente ser ‘autora’ de nada de si mesma, todos os seus pensamentos etc. são externamente criados ou predeterminados. Então, se afirmamos que nenhum ser criado tem livre agência, então nós eliminamos a ideia de o pecado ser de autoria deles. Assim, se a questão da autoria/origem do pecado nós excluímos categoricamente todos os seres criados, então a única alternativa que sobra é seres não-criados, o único nesta categoria sendo Deus.

Resumindo, se nós como criações de Deus não temos liberdade libertária, então não determinamos nada por nós mesmos, então não somos autores de nada por nós mesmos, o que então deixa o Criador como único autor possível do pecado. Os necessitarianistas, portanto, efetivamente resolveram qualquer “mistério” acerca da autoria do pecado em sua visão, pelo processo de eliminação.

Em nossa próxima e, espero, última parte, iremos examinar pelo menos mais uma defesa geral do determinismo exaustivo e alguns de seus problemas escriturais subjacentes.

Anúncios

6 comentários sobre “Traduções Crédulas: Mais Sobre Autoria do Pecado (2 de 3)

  1. Pingback: Mais Sobre Autoria do Pecado (3 de 3) | credulo

  2. Pingback: Traduções Crédulas: Mais Sobre Autoria do Pecado (3 de 3) | credulo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s