Traduções Crédulas: Mais Sobre Autoria do Pecado (1 de 3)

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Pois bem, dado que, no site original, este post do Josh Thibodaux fez sucesso (e a caixa de comentários está imensa!), ele resolveu apurar os posts, defendendo algumas ‘teodiceias arminianas’ sobre a autoria do pecado.

São três, posts, este é o primeiro!

Mais sobre a autoria do pecado

por J.C. Thibodaux from ArminianPerspectives
Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Há algumas semanas eu escrevi sobre uma falácia comum na apologética calvinista, a saber, de que eles afirmam que enquanto ensinam o determinismo exaustivo, eles ainda mantêm que Deus não é autor do pecado. Os posts receberam substancialmente mais respostas do que eu esperava. Para clarificar as coisas e responder algumas questões/objeções comuns, estou colocando uma sinopse dos argumentos relevantes (esta é a primeira parte).

Problemas morais?

Eu às vezes vejo calvinistas tentando estabelecer que a visão arminiana de Deus não é superior à sua doutrina de “Deus decretando todo pecado”, implcando que a visão arminiana também tem ‘problemas morais’. O argumento em resumo diz essencialmente que “Deus sabia quando Ele criou o homem que Sua criação cairia em malignidade, tendo Ele poder de evitar que ocorresse, e mesmo assim Ele permite a ocorrência, então Ele é moralmente responsável por não evitar tal mal”. Paul Helm expressa esta objeção em resposta a Peter Byrne,

…não seriam os fins de Deus manchado e poluído por Ele permitir e sustentar os malfeitores? … Não é Deus falho pelo mais terrível engano porque Ele não poderia dizer a Si mesmo que Ele não permitiu os campos de morte como um mal mas apenas como parte de um bem maior? … Em minha opinião, a implantação de Byrne do princípio de duplo efeito falhou em mostrar que a responsabilidade é significantemente diferente moralmente que o caso do teísmo libertário que o teísmo compatibilista [Helm, P. “God, compatibilism, and the authorship of sin:Theodicy,” par. 9]

O problema com a lógica de Helm é que não há nada nas Escrituras ou na análise lógica dos fatos indicando que Deus é de alguma forma responsável por evitar pessoas de cometerem pecado de seu próprio acordo.

Deterministas exaustivos algumas vezes apela intuitivamente para o fato que as pessoas têm alguma extensão de obrigação moral em prevenir malignidade de quando possível. Enquanto isto é geralmente verdadeiro, isto tem a ver com o nível de obrigação moral de impedir que um ato ocorra, então naturalmente não se aplica a quando tais obrigações não existem. Por exemplo, uma técnica comum dos pais para filhos teimosos que não tomam correção é, por vezes, deixá-las que tenham o que elas acham que querem (por exemplo, se empanturrar de biscoitos) com o inevitável e desagradável resultado de sua desobediência à mãe e ao pai. Nesta situação, os pais não são obrigados a impedir suas crianças de desobedecerem-nos. Eles têm a responsabilidade diante de Deus de ensinar às suas crianças a fazer o que é certo (o que às vezes implica disciplina), mas não podem ser chamados de moralmente responsáveis por não evitar o ato de desobediência, para começar. Então, evitar o mal de ocorrer não é um imperativo moral absoluto.

Para contornar, alguns calvinistas levantam dramáticos contra-exemplos acerca de um homem não cometer realmente, mas permitir (por exemplo) um assassinato em série acontecer enquanto não impedindo-o tendo poder para tal. De fato isto geralmente seria errado para pessoas, mas isto em último caso não nos diz nada acerca de Deus. Como pessoas, não somos Deus, não detemos o poder absoluto sobre vida e morte, portanto geralmente não é nossa função decidir quem morre mesmo que seja pela via da passividade, e portanto estamos debaixo da obrigação geral de salvar a vida humana se pudermos, exceto em casos como a justa execução por autoridades superiores. Deus, por outro lado, tem poder absoluto sobre a vida e a morte desde o menor bebê, ao mais poderoso guerreiro, ao mais elevado rei, ao mais ancião sábio. Ele não está obrigado a evitar a morte, dano, dor, ou destruição sem autorização de alguma autoridade superior, porque Ele é a Autoridade Final. Creio que o atributo de Deus da justiça o compele a resolver o caso do pecadol mas não há evidência de qualquer princípio ou obrigação tornando Ele moralmente responsável de evitar-nos de machucar uns aos outros ou a nós mesmos.

Em um nível pessoal, isto me impressiona como entre as mais ridículas assertivas. Tentar manter outro (Deus, não menos) responsável pela própria estupidez auto-induzida é o auge do absurdo. Sua própria transgressão é realmente sua escolha, Deus não a tomou por você, não te tentou, e não está sujeito a alguma lei imutável wue diz que Ele deve te impedir de fazer isto. A responsabilidade é sua. Esta tentativa calvinista de realçar ‘problemas morais’ na teodiceia arminiana não é nada além de uma cortina de fumaça e uma desculpa falha para sua própria irrecuperável teodiceia. É mais ou menos como uma defesa “sua teologia é que nem a minha” que se apoia em tomar o conceito de Deus permitindo pessoas cometendo o pecado por um tempo anterior ao julgamento, e daí igualar moralmente isto a Deus planejando todo o pecado!

Tal defesa é pouco mais que tentar aplicar um padrão arbitrário a Deus para justificar a noção ridícula dEle ser o autor de tudo que Ele considera abominável. Apesar de suas tentativas de confundir o assunto, isto resume-se às opções de Deus deixar os homens em suas próprias disposições ímpias (um bom método de disciplina e justiça) contra o próprio Deus produzindo Seus desejos ímpios neles (para parafrasear Dordt, “um pensamento blasfemo”), e não há esta comparação simplesmente. Logicamente, só se pode concluir que não há problemas morais com Deus permitindo o agentes libertários cometendo o mal de Seu próprio acordo.

“Autoria” devido à presciência?

Uma assertiva correlata é que Deus, no arminianismo, ainda é autor de facto do pecado, porque Ele criou o mundo como ele está (definiu as condições iniciais) conhecendo que existiria mal devido às escolhas das pessoas. Essencialmente afirmando que Deus conhece os resultados dEle criando o mundo, e é prtanto ainda o autor do pecado em algum sentido. Para iniciantes, os pensamentos pecaminosos, intenções etc. não são geradas por Deus; suas existências (e portanto o conhecimento divino acerca delas também) são internas e inteiramente contingentes às Suas criações, portanto Deus não pode ser corretamente chamdo de autor daquilo que não procedeu dEle mesmo.

Mas Deus ainda sabe o resultado de criar este mundo, isto não O torna autor do pecado em algum sentido? De modo nenhum. Conhecimento prévio de algum agente efetuando algo não constitui autoria daquele que sabe do ato. Mesmo que eu saiba com absoluta infalibilidade que o próximo livro Twilight seja sofomórico(imaturo) e superficial, isto não implica que eu estou de alguma maneira fazendo Stephanie Meyer desenvolver personagens planos clichês e roteiros idiotas. Considere o exemplo de um mestre no xadrez que pode (por quaisquer meios) antecipar perfeitamente os movimentos do oponente. Ele cria uma jogada sabendo do contra-movimento que seu oponente fará como resultado. O mestre é ‘autor’ do movimento do adversário em virtude de conhecer e preparar a condição pela qual este movimento ocorra? Dificilmente. O movimento do oponente ainda é dele mesmo; nem o conhecimento do mestre nem seu próprio movimento são relevantes para quem na realidade é o autor dos movimentos do oponente. Declarar que Deus ao conceber o mundo (análogo do ‘movimento inicial’ dEle em relação a nós) de alguma forma é autor do que Ele sabia que seriam nossas escolhas livres resultantes seria cair na mesma armadilha de ilógica e equivocação.

Para reiterar a definição, o autor de algo é aquele de quem o conceito se origina; aquele que é o único determinador de algo não pode ser nada além de seu autor. Salvação, por exemplo, foi ideia de Deus, portanto Deus é o autor da fé em Cristo e da salvação mediente Ele (Hb 5:9, 12:2), mas não é autor do pecado. Curiosamente, em resposta a meu artigo, alguns calvinistas citaram os versos anteriores para demonstrar que a definição do autor é um tiro pela culatra contra a minha visão de eleição condicional, porque, você sabe,

único determinador -> autor
claramente implica que
autor -> único determinador

(discernir a falha fundamental na lógica acima acima é deixado como exercício parta o leitor)

Um contra-exemplo relevante

Este é um exemplo ligeiramente modificado do que eu dei na caixa de comentários para demonstrar a inopertabilidade do argumento do determinismo exaustivo em situações reais:

Suponha que o programador P trabalha para o FBI e está (com a aprovação do bureau) preparando uma armadilha para um cyber-terrorista suspeito S. Digamos que ele deduziu, dos posts do suspeito em um fórum de postagens que o suspeito deseja destruir as bases do governo e fará isto assim que encontrar uma oportunidade. Vamos também dizer que ele escreve um utilitário de manutenção de base de dados T, e neste fórum de mensagens oferece ele a S, antecipando que ele irá usar o utilitário para invadir uma das bases de dados e causar estragos. P, antecipando um ataque, faz uma cópia de segurança do sistema para o caso de falha, e (novamente com autorização) deixa a base de dados insegura e vulnerável ao ataque. Apesar das numerosas mensagens de alerta e proteções do utilitário, S abusa T e escreve um script que destrói a base de dados insegura (efeito E), mas é pego em flagrante no processo por P (que está monitorando a situação enquanto ela ocorre). A localização de S é identificada, e agentes são enviados para prendê-lo instantes depois. P restaura a base de dados, os mocinhos vencem, tudo fica legal. Existe alguma objeção viável às ações de P ou qualquer coisa que implique ele como autor real de E?

O programador permitiu o ataque? Sim.
O programador quebropu a lei ao permitir este ataque? Não, ele foi autorizado a fazer, no nosso exemplo.
Ele proveu o suspeito de meios para ferir a lei? Sim.
O ataque ocorreria sem o programador ter feito o utilitário? S não tem ele mesmo o conhecimento; para o bem do argumento, assuma ‘não’.
Ele sabia que o suspeito usaria isto para este propósito? Dadas as postagens de S, podemos assumir ‘sim’ para o bem do argumento; note também que P assistiu ao crime ocorrer.
O ato criminoso foi inerente ou necessário para o projeto do utilitário do programador? Não.
Quem abusou do utilitário para um propósito mau? O suspeito.
O programador é responsável pelo abuso do utilitário realizado pelo suspeito? Não.
O programador pode ser realmente declarado “autor do crime do suspeito”? De maneira alguma.

P pode então ser decalarado moralmente responsável (comprometimento indevido de propriedade do governo) pelos resultados se ele não tivesse obtido a autorização para tornar a base de dados vulnerável; mas desde que ele tinha obtido, então ele não pode ser culpado pelo crime em sentido algum. Por que P não é responsável pelos crimes do suspeito S? E veio à tona porque P criou T, certo? Não importa. O crime E não era inerente aomprojeto de T por P; cometer ou recusar-se a cometer E foi estritamente decisão de S – o fato de P antecipadamente prever seu movimento de antemão não muda tal fato.

Pela mesma lógica:
Deus permirte o pecado ocorrer? Sim.
Deus comete algum ato moralmente errado ao permitir o pecado? Não, Deus é livre para permitir tudo o que Ele deseja (deixe com Ele, caso discorde).
Deus deu aos anjos e homens o poder de se rebelar? Sim.
Poderíamos nos rebelar se Deus não escolhesse nos criar? Não.
Deus sabe que o pecado ocorreria devido às escolhas de seus agentes livres? Sim.
A rebelião era inerente/necessária ao Seu projeto? Não.
Quem abusou do livre arbítrio para um propósito mau? Satanás, os anjos que a eles se juntaram, e depois Adão e Eva.
Deus é culpado pelo nosso mau uso da livre agência? Não.
Deus pode ser verdadeiramente chamado “autor do pecado” em uma teodiceia de livre arbítrio? De modo algum.
Esta analogia é semelhante em natureza ao meu post ‘quem é o autor do crime?‘. Note também que o fato de que se o delito da analogia acima fosse de alguma inerente ou necessário ao projeto do utilitário do programador, então o programador em si poderia de fato ser acusado justamente de ser autor do crime.

Finalizando:

  • Não há evidência de Deus sendo obrigado a nos impedir de pecar (e incorrer nas consequências).
  • O conhecimento prévio de um ser sobre outro realizando um ato não constitui o conhecedor sendo autor deste ato.
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4 comentários sobre “Traduções Crédulas: Mais Sobre Autoria do Pecado (1 de 3)

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