Traduções Crédulas: Falácias da Apologética Calvinista VIII

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Deus é o autor do pecado? Este é o mote desta simples postagem – e um desafio para o determinismo exaustivo.

Falácias da Apologética Calvinista

Falácia VIII: “Calvinismo não Acusa Deus de Autoria do Pecado”

Por J.C. Thibodaux from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Falácias Correlatas

Red Herring

Equivocação

“Tudo o que eu tenho tentado fazer aqui é mostrar clara, sucinta e simplesmente que o calvinismo NÃO acusa Deus com a autoria do pecado e então (para empregar a linguagem um tanto agressiva da escritura) calar as bocas dos mentirosos. Se qualquer um tiver uma acusação contra o calvinismo, então que seja baseada na verdade e não na falsidade ou calúnia” – Colin Maxwell, Do Calvinists believe and teach that God is the Author of Sin?

Colin Maxwell posta a página acima mostrando várias citações de proeminentes fontes calvinistas indicando que eles não criam ou ensinavam que Deus é autor do pecado. Seu ponto, aparentemente, julgando pelo conteúdo e título da página, é parar os não-calvinistas de ‘caluniarem’-nos afirmando que eles ensinam tal coisa.

Problemas com esta lógica

Isto é uma espécie de red herring, já que não é amplamente reivindicado que calvinistas (à parte de exceções) ensinem diretamente ou estão dispostos a conectar os pontos de sua própria doutrina para concluir que Deus é o autor do pecado. Este é provavelmente o maior furo do calvinismo forte, por que admiti-lo – e mais, por que ensiná-lo abertamente? Se eles estão ou não dispostos a aceitar as consequências de suas crenças está completamente fora de questão. O problema real é que tornar Deus o autor do pecado é justamente o que a doutrina do determinismo exaustivo inescapavelmente acarreta.

O que significa ‘autor do pecado’?

O termo ‘autor’ como empregado pelos arminianos/sinergistas neste caso é usado em um senso criativo para descrever de onde o mal em último caso surgiu. Se pudermos identificar “de quem era essa ideia?“, então nós encontramos o autor do crime. Calvinistas vão equivocar e dizer que isto significa “realmente cometer o pecado”, ou algo do gênero, mas o ‘autor’ da ação não necessariamente descreve alguém diretamente cometendo a ação, mas de fato denota aquele que veio com a ação no começo. Um sumário razoável de como decreto e autoria são correlatos pode ser assim escrito:

Se um decreto é feito e suas intenções são levadas a cabo como resultado, então o autor do decreto é autor das intenções cumpridas no decreto.

Olhando um exemplo da Escritura, este conceito fica bem claro:

E Faraó ordenou a todo seu povo, dizendo: Todo filho que nascer devereis lançar ao rio, e cada filha que nascer devereis deixar viver. {Êxodo 1:22 King James}

Como resultado, os homens de Faraó foram e levaram a cabo sua cruel ordem. Para se certificar, tal esquema demoníaco foi um crime inexcusável contra o povo de Deus; nossa questão é, quem é o autor deste crime?

Vamos assumir, para o andamento do argumento, que Faraó não fez nada do trabalho sujo pessoalmente. Então, quem é o autor do crime? Os hebreus? Dificilmente. Os soldados levaram a ordem a cabo. Foi ideia dos soldados? Não importa se eles fizeram deliberadamente ou não; não foram eles que vieram com a ordem, mas Faraó. O nível de vontade de seus subordinados é irrelevante. Os subordinados não terem movido um dedo para ajudá-los é irrelevante. Faraó foi aquele que em último caso planejou o ato. Faraó foi o autor do crime.

Teodiceia do Calvinismo Forte

Pode ser facilmente dito que quem quer que faça o decreto que é levado a cabo é o autor da ação intencionada. Sem medo de ser acusado de super-simplificação, a teodiceia do calvinismo forte pode ser facilmente quebrada nestas questões:

  • Deus é autor do pecado?
  • Deus decretou o pecado?
  • Deus não é o autor de Seus próprios decretos?

É simples assim. Se Deus especificamente decretou que as pessoas pecassem, então Deus é aquele que teve a ideia, e portanto o autor da mesma (e o mentor de facto por detrás). Negar o problema redefinindo ‘autor’ reduz-se a nada mais além de brincar com as palavras. Ninguém precisa ‘acusar’ Deus de ser o autor do pecado para dar tal implicação a uma doutrina. Portanto as tentativa de Maxwell de derrubar uma suposta calúnia são totalmente mal-dirigidas e inconsequentes, já que o que eles e outros calvinistas não estão diretamente ensinando não muda o que eles efetivamente estão ensinando

E Quanto à Teodiceia Arminiana?

Os calvinistas podem tentar confundir o assunto afirmando que Deus decretou que o homem tenha livre arbítrio, com o qual o homem se volta para o pecado; portanto, para o arminiano, o pecado também é resultado do decreto de Deus. A resposta a esta acusação é simples. O pecado realmente resulta de Deus ter dotado o homem de livre arbítrio, mas tal resultado articulou-se com a vontade independente da criatura, não por necessidade do decreto divino. Em outras palavras, Deus criou agentes bons mas de alguma maneira independentes, que adicionaram suas próprias escolhas independentes à mistura, tal que algumas partes do resultado (isto é, o pecado) não são o que Deus decretou especificamente. Ou de modo mais simples, criaturas independentemente escolhendo se rebelar não torna Deus autor da sua rebelião em virtude de Ele lhes dotar de livre arbítrio.

Para um exemplo semelhante ao citado acima em Êxodo, e se Faraó de fato ordenou-lhes “Se certifiquem de que os hebreus não iniciem uma rebelião”, e mesmo assim um dos oficiais assumiu que ele então poderia cometer infanticídio e assim usar erroneamente seu poder? Faraó seria então o autor deste crime? Não; se tivesse ocorrido dessa forma, o autor seria o oficial subordinado que abusou de sua autoridade dando esta ordem. Do mesmo modo, Deus nos deu livre arbítrio, mas não necessitou que nós usássemos erroneamente contra Ele.

Deus intencionou a morte de Cristo?

Sim, Ele intencionou. Deus intencionou completamente oferecer Seu único filho gerado como sacrifício pelo pecado. Isto não implica que Ele é autor de cada intento maligno usado para obter este resultado. Se para o bem dos outros, um entregou seu filho nas mãos de homens perversos para fazer o que bem entendessem (mesmo conhecendo seus intentos assassinos), isto implicaria somente que ele foi o autor de oferecer seu filho, os autores dos esquemas malignos levados a cabo são os homens em si. E como todos os lados concordam, Deus pode transformar as intenções perversas para Seus próprios propósitos.

Mais Um Red Herring

Calvinistas geralmente tentarão dispersar o problema afirmando que pecado é algo que o homem faz de sua própria vontade e motivações. Por exemplo, Maxwell nesta página cita Calvino:

todo mal procede de nenhuma outra fonte além dos desejos malignos do homem

Este tipo de defesa por um determinista exaustivo é uma tentativa sutil de desviar a atenção longe de onde eles creem que as escolhas e motivações do homem surgem: o que eles não estão te falando é que eles creem também que cada escolha, motivação, ‘desejo perverso’, vício, e imaginação maligna são específica e imutavelmente decretadas por Deus. Se você quer conhecer de onde eles acham que o pecado realmente se originou, basta colocar a questão:

Qualquer criatura que já tenha pecado (descrentes, crentes, Adão, Eva, Satanás, os anjos caídos etc) tem feito alguma escolha com algum grau de independência tal que ela pudesse escolher diferentemente, ou ela sempre escolheu exatamente como Deus irresistível e imutavelmente decretou que ela escolheria?

A não ser que você fale com um daqueles raros calvinistas libertários (como Greg Koukl), a resposta será sempre a última (ou “não sei/ isto é um mistério” se eles se sentirem enjoados). Sempre acaba sendo incondicionalmente devido ao decreto de Deus. Claramente, toda a retórica acerca do pecado proceder dos maus desígnios do homem é simplesmente uma evasão do da verdadeira questão, desde que para o calvinista forte, mesmo os maus motivos não vêm do abuso da vontade independente que o homem comete, mas surgem irresistivelmente do decreto de Deus.

Conclusão

Dado o dogma determinístico, dificilmente tem alguma relevância calvinistas simplesmente negarem que eles creem que Deus é o autor do pecado. É como alguém alegar que não nega a ressurreição física de Cristo enquanto ao mesmo tempo afirma que o corpo de Cristo está ainda morto e enterrado. As duas alegações são mutuamente exclusivas, portanto tomá-las arbitrariamente é auto-contraditório.

A Bíblia não afirma diretamente que “Deus não é autor do pecado”; mas o fato que a maldade que existe em nosso mundo não se origina dEle dificilmente precisa ser estabelecido

E este é a mensagem que dele ouvimos, e vos anunciamos: que Deus é luz, e não há nele nada de trevas. {1João 1:5 BLIVRE}

Se alguém afirma que Deus exaustivamente e incondicionalmente predetermina cada motivo e pensamento, isto é equivalente a dizer que Deus é o originador de cada motivo e pensamento, o que inescapavelmente inclui Deus sendo o originador de cada motivo e pensamento perverso. “Um coração que trama planos malignos” é abominação para Deus (Pv 6:18), e mesmo assim se o dogma do calvinismo forte for crido, teremos que concluir que Deus concebeu cada uma das imaginações depravadas destes corações! Bem melhor é crer nas Escrituras que testificam tanto a absoluta Santidade de Deus bem como as escolhas que Ele em Sua soberania permite que os homens livremente tomem, em vez do naufrágio de uma doutrina que (intencionalmente ou não) faz dEle o mentor por detrás de cada esquema maligno.

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