Traduções Crédulas: Expiação Provisional (3 de 3)

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Enfim, depois de muita distração e de um terrível deficit de atenção,  enfim terminei esta série sobre expiação provisional. Um abraço a John Owen e aos seus fãs incondicionais, que me lembraram de batalhar pela busca da Verdade acima de todas as coisas!

Enfim, o artigo. Aqui, Benjamin Henshaw fala da sinceridade de Deus na oferta do Evangelho – algo que os calvinistas não levam em conta. Aliás, eu me pergunto: por que eles falam que mundo nem sempre é mundo, mas pregam para todo o mundo, sendo que o mundo não é todo mundo?

Expiação Provisional Parte 3 – A Integridade e a Justiça de Deus na Oferta do Evangelho

por Kangaroodort from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Neste post vamos defender a premissa de que apenas uma expiação ilimitada provisional pode manter a integridade de Deus na oferta do Evangelho e no comando universal de arrependimento. A Bíblia é clara no que Deus comanda todos os homens a se arrependerem (At 17:30). Mas qual é a base para tal arrependimento? Arrependimento significa para nós mudar nossas mentes e corações de uma direção para outra. Acerca do arrependimento espiritual, é uma completa reorientação espiritual. É acompanhada da fé na Escritura porque este é essencialmente o mesmo movimento de se virar do pecado par Deus de duas perspectivas diferentes. Arrependimento foca-se no mudar de e fé no mudar para, ou o objetivo final do arrependimento, fé em Cristo (Hb 6:1, At 3:19,26). Então quando a Bíblia diz que Deus comanda a todos os homens que se arrependam, trata-se de arrependimento espiritual que leva à fé para com Deus em Cristo.

O problema para o calvinista é que arrependimento espiritual é impossível sem expiação. Ninguém pode efetivamente abandonar o pecado e virar-se para Cristo fora da provisão de expiação que provê os meios para o perdão dos pecados. Isto é claramente ressaltado no sermão de Pedro em Atos 3:12-19. Note especialmente a linguagem usada nos versos 18, 19 e 26. No verso 18 Pedro fala de Cristo sofrendo a morte de acordo com a profecia, e no verso 19 ele diz: *Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vosso pecados sejam apagados, quando vierem os tempos do refrigério da presença do Senhor.{Atos 3:19 BLIVRE}*. Arrependimento é diretamente relacionado à morte de Cristo e a consequente possibilidade de “retornar” a Deus na base dessa morte. Então se Deus comanda todos os homens a se arrependerem, então Cristo deve ter morrido por todos, como notado acima. Mas vemos mais que isto no verso 26 em que Pedro fala aos judeus que Cristo foi levantado que todos [deles] seriam transformados de seus maus caminhos (outro modo de falar arrependimento). Então isto parece-se com:

Mas Deus cumpriu assim o que já antes pela boca de todos os seus profetas ele tinha anunciado, que o Cristo tinha de sofrer.

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que vosso pecados sejam apagados, quando vierem os tempos do refrigério da presença do Senhor.

Deus, ao ressuscitar seu filho Jesus, primeiro o enviou a vós, para que nisto vos abençoasse: afastando cada um de vós de vossas maldades.{Atos 3:18,19,26 BLIVRE}

O perdão, então, é providenciado para todos mediante a morte e ressurreição de Cristo, mas somente aqueles que se arrependem e creem recebem tal perdão. Isto descreve a posição arminiana da expiação provisional universal perfeitamente, e faz sentido no oferecimento do Evangelho enquanto preserva a integridade da mensagem e e daquele que faz a oferta (em última análise, Deus). Também, parece claro que o comando para arrependimento só faz sentido se posto contra o pano de fundo da expiação e da provisão universal de perdão resultante do sangue derramado de Cristo. A menos que o sangue de Cristo tenha sido derramado por todos, não há base para comandar arrependimento a todos.

Arrependimento é inútil fora da providão genuína de perdão em Cristo. Mas devido ao perdão universal provido na expiação, o arrependimento se torna um meio genuíno de atingir a vida e evitar a morte eterna (At 11:18, 2Pe 3:9). Portanto, só faz sentido comandar qualquer um a se arrepender e crer se a realidade da provisão de expiação e perdão repousar neste comando. Por tal razão Pedro instrui a todos aqueles ao alcance de sua voz que a morte e ressurreição de Cristo foram para o propósito de “todos” eles abandonarem sua malignidade e virem em sentido à fé Deus, que “tempos de refrigério virão do Senhor” (At 3:18,19,26). Aqui encontramos um mandamento bíblico claro, de acordo com a linguagem expressa por Pedro dirigida a “todos” que ali ouviam, afirmando a qualquer um que Cristo morrera por ele, para que eles possam se arrepender e serem salvos, algo que seria impossível se a doutrina calvinista da expiação limitada representasse fielmente a visão bíblica[1].

Mas existe muito mais que isto na Escritura para dar suporte à necessidade da expiação universal provisional em conexão com o comando de proclamar a oferta do evangelho para toda a humanidade sem nenhuma qualificação. É importante notar que o principal assunto do Novo Testamento concernente ao arrependimento e vida contra a condenação é aquele de fé contra incredulidade. Perdão e salvação resultam para aqueles que obedecem o Evangelho e colocam sua fé em Cristo, enquanto condenação resulta para aqueles que recusam e rejeitam a oferta do Evangelho. João torna isto claro, repetidas vezes no Evangelho, mais notavelmente em:

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

Porque Deus não mandou seu Filho ao mundo para que condenasse ao mundo; mas sim para que o mundo por ele fosse salvo;

Quem nele crer não é condenado; mas quem não crê já está condenado; pois não tem crido no nome do unigênito Filho de Deus.

Aquele que crê no Filho tem vida eterna; porém aquele que é desobediente ao Filho não verá a vida eterna, mas a ira de Deus continua sobre ele.

{João 3:16-18,36 BLIVRE}

Em outras palavras: a Bíblia não está dizendo “vocês pecaram e continuarão nos seus pecados sem esperança ou expiação e receberão sua justa reprovação no inferno” – o que certamente seria justo. Mas a Bíblia diz diversas vezes, em efeito: “Vocês pecaram e por causa disso merecem o inferno. Pior que isto, vocês rejeitaram a expiação feita por vós pela morte de Cristo, a expiação que de fato seria a sua libertação. A reprovação de vocês no inferno é portanto a mais trágica reservada” (Grace, Faith, Free Will, pg. 118)

Este ponto foi realçado fortemente na Opinião dos Remonstrantes, uma das mais antigas confissões arminianas concernentes à expiação provisional universal:

Apenas aqueles são obrigados a crer que Cristo morreu por eles, por quem Cristo morreu. Os réprobos, porém, como são chamados, por quem Cristo não morreu, não são obrigados a tal fé, nem podem ser justamente condenados devido à recusa contrária ao crerem nisto. De fato, se existem tais reprovados, eles seriam obrigados a crer que Cristo não morreu por eles. (Ênfase minha)

Este mesmo ponto é fortemente enfatizado pela linguagem explícita do apóstolo João em 1Jo 5:10-13 em que João diz que os crentes são aqueles que aceitam o testemunho de Deus acerca de Seu Filho e descrentes são os que rejeitam tal testemunho, efetivamente fazendo de Deus um mentiroso. E qual é o testemunho?

E este é o testemunho, de que Deus deu-nos vida eterna; e esta vida está em Seu Filho“.

Então o testemunho que descrentes rejeitam é o testemunho de que a vida eterna foi provida em Cristo (que é certamente fundamentada na expiação). Rejeitando este testemunho (que Deus proveu vida para eles em Cristo), eles fazem de Deus mentiroso. Isto só pode ser verdadeiro se o testemunho acerca da provisão de vida em Cristo é verdadeiro para eles. Eles fizeram de Deus mentiroso ao rejeitar este testemunho da provisão de Deus em Cristo (esta é a mesma ideia expressa em Jo 3:16-18,36). Mas, se Cristo não morreu para ele nem providenciou-lhes vida eterna então eles não rejeitaram tal provisão, e Deus não foi feito mentiroso, desde que o testemunho não seria, então, aplicado a eles, mas seria de fato um falso testemunho. Eles deveriam, portanto, serem elogiados por recusar-se a crer na mentira e o “testemunho” acerca de Seu Filho seria de fato uma “mentira” afinal, ao contrário do pleno ensino de 1Jo 5:10-13. Picirilli, citando William S. Sailer, coloca bem a questão:

Usando [o argumento de que alguém e condenado pela sua rejeição à provisão da expiação de Cristo], Sailer comenta especificamente 1Jo 5:10-11, que explica a condenação do descrente porque ele não creu no testemunho de que Deus deu acerca de Seu Filho: a saber, o testemunho e que Deus deu vida eterna em Seu Filho. Ele então pergunta: “Se Cristo morreu somente pelos eleitos e ninguém mais, por que estas almas não-eleitas creriam neste testemunho acerca de Jesus Cristo? Se, por outro lado, Cristo de fato morreu por eles e ainda assim eles se recusam a crer nEle – então a recusa deles é abominável. (Picirilli, 118,119)

Apenas por intermédio do sangue expiatório de Cristo nós somos salvos. Somos chamados a crer em Cristo, mas Cristo só salva por causa do sangue derramado; crer em Cristo para salvação é crer em Seu sangue derramado (Rm 3:35). Devemos portanto crer no testemunho acerca da provisão de vida em Cristo e Seu sangue expiatório é parte do que dá a este testemunho a devida validade. Mas não se pode colocar fé em Sua obra de expiação se Seu sangue não foi derramado por aquela pessoa. Em ordem de o testemunho ser válido, o sangue de Cristo e a vida dele resultante devem ser providenciados para todos. Caso contrário, Deus proveu um falso testemunho para a maior parte da humanidade, e então condena eles por rejeitarem o falso testemunho. É neste ponto que a doutrina calvinista da expiação limitada se revela um completo absurdo e em oposição a qualquer semelhança de integridade ou justiça em Deus. O comando para arrependimento e fé no evangelho se torna um ato incrivelmente cruel de zombaria e falsidade por parte de um Deus perfeitamente justo e que Se define a Si Mesmo como Verdade e Amor. Isto é agravado ainda mais quando considerarmos o contexto da doutrina calvinista da incapacidade total, como Picirilli novamente nota:

Calvinistas não negam que a Bíblia oferece salvação a todos e que somos responsáveis por pregar a oferta do evangelho a todos. Mas penso que eles falham em ser logicamente consistentes aqui: salvação não pode ser verdadeiramente oferecida para qualquer um por quem Cristo não morreu. Suponha que eu diga a uma criança paralítica, “Se você somente estender sua mão nesta direção, eu te darei este doce”. Isto me parece mais uma zombaria do que uma “oferta”! (The Extent of the Atonement)

Esta é uma boa analogia, mas não penso que ela vá longe o suficientemente. No calvinismo, não apenas os não-eleitos são incapazes de responder positivamente ao evangelho devido à sua depravação e a recusa de Deus em tornar a resposta em fé possível, mas são condenados também por rejeitarem uma expiação que não foi nem mesmo providenciada e sequer foi intencionada para eles! Então isto seria mais como oferecer a uma criança paralítica um frasco de pílulas com a promessa de que elas vão curar sua paralisia, na condição de que ela deve somente estender sua mão e levá-la ao frasco, ao mesmo tempo sabendo que não há nada no frasco que possa curar sua doença, ainda que ela pudesse se aproximar e pegar o frasco!

Felizmente a Bíblia não nos apresenta este tipo de cenário, mas de fato nos ensina de fato nos ensina que a morte expiatória de Cristo fora provida para todos na condição de fé em Seu sangue e que Deus, desejando verdadeiramente que todos sejam salvos, habilita a todos que ouvem o evangelho a responder positivamente a esta provisão e receberem perdão (1Jo 2:2, 1Tm 2:4, Jo 12:32). A oferta é genuinamente bem intencionada e é uma opção viva para todos. Em vista desta maravilhosa verdade bíblica, a mensagem do evangelho verdadeiramente apresenta as boas novas para todos desde que a provisão foi feita para todos todos podem verdadeiramente aceitar esta provisão pela fé. Portanto, a integridade, justiça, e caráter de Deus são preservados e Deus é magnificamente glorificado em Seu amor, graça e misericórdia por toda a humanidade mediante a oferta de Seu Filho pelos pecados do mundo (1Jo 2:2; 4:14; Jo 3:14-18,36; 6:32,33,51; 12:32; 1Tm 2:3-6; 4:10; Hb 2:9; 2Pe 3:9; Ap 22:17; 2Co 5:14-15; Tt 2:11; Rm 1:14-16; 5:6,17,18; Mc 16:15; Mt 24:14;28:19; At 1:8;17:30, etc.).

Conclusão: nós temos visto nesta série existe toda a razão para aceitar o significado claro da linguagem universal de tais passagens que falam diretamente sobre a extensão da expiação, e não há razão alguma para submeter tais passagens a exegeses torturantes. Vemos que a expiação provisional em Cristo se mantém contra as objeções calvinistas. Vemos que a visão calvinista da expiação limitada sofre de numerosas dificuldades exegética e teologicamente fatais. A visão arminiana sozinha pode aceitar, sem restrições, o testemunho da Escritura acerca da extensão da expiação e da oferta universal do evangelho. O arminiano também pode manter uma visão de satisfação penal da expiação condicionada à fé em Cristo, em quem somente a satisfação foi feita pelo perdão dos pecados, e por meio de quem os benefícios da expiação podem ser imputados ao crente na base da sua subsequente união e identificação com Cristo e Sua morte[2].

_________________________________________________________________________

[1] Sou grato ao estudioso do Novo Testamento Brian Abasciano, que me apontou esta implicação do sermão de Pedro em uma correspondência pessoal. Outra excelente passagem que dá este claro mandamento bíblico é 1Co 15:3, ” Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi, que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras;” A declaração de que “Cristo morreu pelos nossos pecados” foi a substância de sua mensagem inicial do Evangelho aos coríntios, que receberam e na qual eles permanecem (versos 1-2). Portanto, Paulo não diz nada incerto ao falar a descrentes, sem reservas, que Cristo morreu pelos seus pecados (já que “nossos pecados” inclui naturamente os “vossos pecados”).

[2] Novamente, Brian Abasciano me informou em correspondência pessoal que dentro do contexto da união em fé com Cristo juntamente com os benefícios da expiação que são encontrados somente nEle (Ef 1:3,7; Cl 1:13,14,20-23; 1Co 1:30; veja mais na Parte 1), podemos até mesmo afirmar aqueles textos que os calvinistas tomam em defesa da expiação limitada, mesmo de acordo com a ênfase particular que eles atribuem a tais passagens (isto é, passagens que afirmam que Cristo morreu pelas Suas ovelhas, pela igreja, pelos amigos etc.). Isto é verdade porque existe um sentido em que a expiação de Cristo foi feita somente para os “eleitos” (isto é, crentes), desde que uma pessoa se torna eleita por mediante à união em fé com Cristo, o Eleito. Então, a satisfação foi feita realmente apenas por aqueles que virão a se unir a Ele, mas desde que qualquer um pode se unir a Ele mediante a fé, ainda é verdadeiro que a morte de Cristo serviu como uma provisão universal para “todos”, “todo homem” e “o mundo” etc., de acordo com o desejo de Deus que todos os homens sejam salvos. Desde que Cristo (e a satisfação que reside nEle mediante Sua morte) é disponível para todos nós, podemos verdadeiramente dizer que a morte de Cristo foi especificamente pelos pecados da igreja (o Seu Corpo) e ainda assim afirmar sem dúvida alguma que qualquer um pode se beneficiar de tal morte e expiação se tornando parte do corpo de Cristo mediante a fé (a qual Deus torna possível para todos que ouvem o Evangelho, como já demonstrado), altura na qual a morte de Cristo, e a satisfação de Deus com esta morte, é imputada ao crente tal que a ira de Deus contra aquele indivíduo é totalmente evitada.

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2 comentários sobre “Traduções Crédulas: Expiação Provisional (3 de 3)

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