Traduções Crédulas: Expiação Provisional (2 de 3)

Padrão

Chegamos à parte 2 da série “Expiação Provisional”. Aqui, um argumento bem interessante acerca da expiação limitada: a parábola das bodas!

Expiação Provisional Parte 2 – Provisão é Consistente com Presciência

Por kangaroodort from ArminianPerspectives

Tradução: Credulo from this WordPress Blog

Como notamos no último post[Parte 1], arminianos veem a expiação de Jesus Cristo como sendo provisional em natureza. Não apenas a expiação é provisional como é mais especificamente provisional em Cristo Jesus. Apenas aqueles que vem a estar em Cristo também desfrutarão da expiação disponível mediante a união com Ele. Desde que nos achegamos à união em Cristo pela fé, também nos achegamos aos benefícios da expiação em Seu sangue pela fé (Rm 3:25). A expiação é uma das graciosas bênçãos espirituais que chegamos a desfrutar quando estamos unidos a Cristo pela fé e é provavelmente a fundação de todas as outras bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1:3,7). Quando nós entendemos a expiação como provisional em Cristo, podemos aceitar todas as passagens universais concernentes a Cristo morrendo ou realizando propiciação por todos enquanto evitando o completo universalismo (a crença de que todos serão salvos).

Já vimos na Parte 1 que isto respondia ao argumento de John Owen acerca da incredulidade sendo expiada pelo sacrifício de Cristo, e a suposta implicação de universalismo para o arminiano. Notamos que desde a expiação é provisional em Cristo a incredulidade do descrente é expiada apenas quando o descrente se volta para Cristo em fé e portanto está junto a Ele, portanto desfrutando da provisão da expiação que reside em Cristo somente (Rm 3:25, 5:1,2, 8:1; Ef 1:3,7,13; Cl 1:13,14). Ademais, o calvinismo de Owen falha na mesma objeção. Se descrença é expiada incondicionalmente para o eleito, como Owen sugere, então o eleito nasceria salvo. Ele seria salvo mesmo em sua incredulidade desde que sua incredulidade fora expiada na cruz (de acordo com Owen). Isto leva a absurdos teológicos e é totalmente contradito por passagens como Ef 2:1-3, que deixam claro que estamos todos debaixo da ira de Deus (e portanto não-salvos) antes de sermos justificados pela fé em Jesus Cristo. Enquanto a Escritura apresenta a expiação como provisional, todos os apreciados argumentos de Owen falham miseravelmente.

Calvinistas como o puritano John Owen também objetam o fundamento da expiação como sendo provisional, pois se a expiação apenas “providenciasse” a salvação, então ela não salvaria ninguém afinal. Isto é claramente falso, dado que esta expiação provisional já salvou incontáveis multidões pelas eras. A natureza provisional da expiação não significa que ela não salva nem pode salvar. Ela significa somente que aqueles que vêm à união em Cristo pela fé irão beneficiar-se da expiação.

A objeção calvinista é também defendida quando pensamos que mesmo para o calvinista a expiação é provisional em natureza. Se este não fosse o caso então qualquer um por quem Jesus morreu já nasceria salvo.[1]

Calvinistas irão algumas vezes apelar para a possibilidade hipotética de que nenhuma pessoa seria beneficiada da expiação se ela fosse provisional e condicional. Mas isto seria uma plena negação da presciência de Deus. Mesmo antes de Deus criar o universo Ele pré-conhecia aqueles que confiariam no sangue de Cristo e assim seriam salvos. Mas, mesmo que ninguém sequer confiasse em Cristo o Seu sacrifício serviria como meio de provisão e realização do imenso amor e graça de Deus. Se todos rejeitassem tal sangue isto seria verdadeiramente trágico, mas nem o amor nem a graça de Deus teriam falhado como resultado disso. O homem que rejeita a graça e o amor de Deus não torna esta graça e amor vazios de maneira alguma. Pensar assim seria algo por demais centrado no homem, especialmente vindo daqueles que seguem o calvinismo e afirmam negar uma teologia “centrada no homem”. Tal coisa faz a significância da graça e do amor de Deus dependente da recepção da criatura. Mas a justiça de Deus seria vindicada e Sua graça e amor totalmente demonstrados mesmo que cada uma de Suas criaturas virasse contra a provisão do sangue de Cristo. Mas, novamente, tal “hipótese” dificilmente tem relevância pois ela não tem fundamento na realidade e Deus sempre soube qual seria a realidade da situação.

Ainda, outros objetam que Cristo não derramaria Seu sangue por aqueles que Ele pré-conhecia que rejeitariam esta provisão. O primeiro problema com esta sugestão é que ela presume saber o que Deus faria e não faria. Esta é, de novo, uma sugestão surpreendente vindo de quem afirma a livre soberania de Deus de fazer aquilo que lhe apraz (e claramente arminianos creem que Deus faz aquilo que Ele deseja também). Mas se Deus de fato revelou que Ele providenciou expiação para aqueles que Ele pré-conhecia que iriam rejeitar esta provisão, podemos simplesmente responder com a resposta favorita dos calvinistas para objeções: “Quem és tu, ó homem, para retrucar a Deus?”. Mas este tipo de resposta não é necessária. Podemos ver na Escritura que Deus fez provisão mesmo daqueles que Ele já sabia que ao fim rejeitariam tal provisão e isto somente destrói a objeção. Esta verdade pode ser vista na parábola do banquete descrita por Jesus em Mt 22:1-14 e Lc 14:16-24[2].

Em ambas estas narrativas, parece óbvio que a festa fora preparada para aqueles que recusariam o convite (em especial os judeus). O convite foi enviado para eles e era genuíno. Eles recusaram tal convite e enfureceram o rei (não exatamente o rei na narrativa de Lucas). Agora, se a festa não foi preparada ou intencionada aos judeus, por que o rei se irritou com os que nem sequer vieram? De acordo com a objeção calvinista, ele jamais teve a intenção de que eles viessem e sequer fez provisões para eles. Observe Mateus 22:4. Após o primeiro convite ter sido recusado, o rei envia seus servos uma segunda vez, dizendo: “Dizei aos convidados: Eis que meu jantar tenho preparado, meus bois e cevados já [estão] mortos, e tudo já [está] preparado, vinde à festa de casamento.”

Estes que foram convidados recusaram novamente e destrataram os servos do rei. O rei se enfureceu. Ele então disse: “Em verdade preparada está a festa de casamento, porém não eram dignos os convidados.”

Note que a razão de por que os convidados foram recusados não foi porque o jantar não lhes fora preparado, mas porque eles recusaram o convite, e portanto provaram ser indignos de participar.

Se o banquete não foi provido para eles, então o rei não tinha direito de estar irritado com eles por não atenderem. Afinal, de acordo com o calvinismo, o rei nunca teve a intenção de convidá-los, e estava portanto sendo desonesto quando ele afirmou aos convidados que o jantar fora preparado para eles.

A questão, então, não é presciência, mas a sinceridade da oferta e a integridade dAquele que fez a oferta.

O entendimento arminiano da presciência é que Deus conhece como certos todos os eventos futuros sem necessariamente causar todos estes eventos. Isto não significa que tais eventos pré-conhecidos por Deus se tornam artificiais ou sem-sentido porque Deus os conhece. Eles ainda são bem reais, e as interações de Deus ainda são bem reais e completamente genuínas.

O rei fez o jantar mesmo para aqueles que (dado que o rei representa Deus) ele sempre soube que rejeitariam (veja Mt 8:11-12 e Lc 13:28-29) e note que os “filhos do reino” são “lançados fora”. Esta é uma referência aos judeus que rejeitaram Cristo e eles são chamados “filhos do reino” porque o reino e a festa foram preparados para eles, e mesmo assim eles não receberam o reino nem tomaram parte na festa). Deus é justo, porém, e porque Ele é justo Ele não pode condenar pessoas por recusarem algo que nunca fora providenciado para eles.

O argumento da presciência desmorona diante da parábola da festa de casamento. Alguém pode argumentar que a parábola não referencia especificamente a expiação, mas é difícil conceber que qualquer um tendo acesso à festa se não for pela expiação (especialmente considerando Mt 22:10-13, conforme Rm 5:1,2). Nem vejo como a festa poderia sequer ser providenciada sem a expiação em vista. Ela pode servir como um interessante paralelo com João 6, em que Cristo se autodenomina o pão da vida que dá vida ao mundo (Jo 6:33), enquanto apenas aqueles que comem e bebem desta provisão (pela fé) recebem a vida que reside nEle (Jo 5:26; 6:47-58). Mas, mesmo que se pudesse demonstrar que a expiação não está em vista nessas passagens, o princípio da genuína provisão comportando com a presciência é ainda completamente expresso. Então, novamente, a objeção à expiação provisional baseada na presciência de Deus perde toda a força.

Mas como a maneira que Mateus fecha esta parábola no verso 14 com as palavras “Pois muitos são chamados mas poucos são escolhidos”? Isto não ensina o calvinismo e mina a utilidade da parábola em defesa da expiação provisional? De modo algum. Isto se alinha perfeitamente com a concepção arminiana da expiação provisional universal que é recebido e aplicado mediante a fé. A festa fora preparada e providenciada e o convite fora mandado a todos (começando pelos judeus e se estendendo pelos gentios). Todos os que foram convidados são portanto os “chamados” enquanto aqueles que responderam são chamados “escolhidos”. Eles não responderam a chamada porque já foram “escolhidos”. Em vez disso, eles eram escolhidos porque responderam a chamada (convite). Esta é a leitura natural do texto.

A ideia de que a resposta foi o resultado de ter sido previamente escolhido precisa ser inserida no texto e conflitua com o fato de que a festa foi preparada para todos aqueles para quem o convite fora enviado (mesmo aqueles que rejeitaram o convite). Portanto a designação de “escolhidos” é reservada àqueles que respondem ao convite. Em outras palavras, a eleição é condicional e bem como os arminianos sempre afirmaram. Não apenas é condicional, mas é condicional à fé, desde que é pela fé que recebemos Cristo (Jo 1:12) e nos unimos a Ele (o Eleito) pelo Espírito Santo (Ef 1:3,4,13). Este é provavelmente o significado por detrás do homem que não estava vestido com as roupas apropriadas (Mt 22:11,12). O homem fora rejeitado e expulso porque ele não compareceu ao banquete nas condições adequadas. Ele tentou adentrar a festa pelos seus próprios meios (“obras” ou a suposição de eleição incondicional como descendente de Abraão, conforme Mt 8:11-12 e Lc 13:28-29, Rm 9:30-33,10:3) em vez de ser nos termos de Deus (“fé”, conf. Rm 1:16, 17; 4:1-16; 10:6-13; 11:17-23).

Na Parte 3 vamos olhar mais de perto a conexão necessária entre a expiação provisional e a integridade da mensagem do Evangelho.

_______________________________________________________________________

[1] F. Leroy Forlines tem um tratamento excelente da natureza provisional da expiação em seu livro, The Quest for Truth, pp. 206-207.

[2] Sou grato ao puritano John Goodwin por reconhecer a significância e a relevância da parábola da festa de casamento em relação à intenção e à natureza provisional da expiação. Ele trata do assunto no seu livro Redemption Redeemed, pp. 128-131, editado por John D. Wagner.

Anúncios

Um comentário sobre “Traduções Crédulas: Expiação Provisional (2 de 3)

  1. Pingback: Traduções Crédulas: Expiação Provisional (1 de 3) « credulo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s